quinta-feira, 14 de março de 2019

Relatos de uma empreendedora brasileira nos EUA



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Marcya A. Machado

Sem sombra de dúvida, os Estados Unidos continuam sendo um dos países preferidos para empreendimentos estrangeiros, e isto ocorre por diversas razões que relato a seguir, por meio da minha própria experiência.

Em 2013, no início da crise econômica do Brasil, decidi explorar a ideia de abrir um braço da minha empresa em terras norte-americanas. Fiquei incerta em investir na Califórnia, maior economia do País, ou na Flórida, 3ª economia estadunidense, e que em 2018 recebeu quase 130 milhões de turistas. Desse modo, escolhi a Flórida pela proximidade, facilidades, e também por contar com conhecidos nas cidades de Miami e Orlando. Isso me deixava mais confiante e confortável.

Abri minha empresa em fevereiro de 2015 e, logo de cara, fiquei surpresa com a facilidade que nós, estrangeiros, temos em constituir uma pessoa jurídica, logicamente acompanhada de um profissional de contabilidade.

A abertura da conta corrente empresarial não demora mais de 30 minutos. Quando cheguei à agência, com agendamento prévio, o gerente já tinha uma cópia da formação da minha empresa sobre a sua mesa e sai do banco já com um cartão de débito provisório.

Em maio, fui apresentada ao programa de incubadoras da UCF – University of Central Florida, Incubation Program, de Kissimmee. Eu não tinha ideia que uma empresa de donos estrangeiros pudesse participar de um programa subsidiado pelo governo dos Estados Unidos. Encaminhei as informações, realizei as entrevistas e minha empresa foi aceita no Programa. Isso já serviu como aprendizado, sem contar a abertura de portas e o networking.

Mais uma surpresa eu tive quando fui entregar meu primeiro Imposto de Renda (Income Tax Return). Como no primeiro ano de atividade da empresa, o investimento foi duas vezes o faturamento. Assim, fiquei com crédito para os próximos anos. Em 2019 completamos nosso quarto ano no País e, finalmente, começamos a colher os resultados.

Uma coisa que tem que ficar muito clara é que os resultados muitas vezes não são imediatos. Primeiro vem o plantio, depois temos que cuidar para que a empresa se estabeleça no mercado e depois começa a colheita dos frutos. Além, é claro, do período de adaptação às novas normas, regras, leis e cultura, tanto empresarial, quando pessoal.

É extremamente importante salientar que, aqueles que têm interesse ou planejam estabelecer seus negócios nos Estados Unidos, devem se preparar para entender e se adaptar ao país. Sem isto, fica praticamente impossível ter sucesso de forma orgânica e séria.

Em 2018, de acordo com o Departamento de Imigração dos Estados Unidos, o número de brasileiros que tiveram seus vistos EB-5 foi de 388, o que significa um aumento de 38% em relação a 2017. Empreendedores investiram mais de US$ 500 mil em projetos aprovados com a intenção de migrar para o país norte-americano.

Além desse tipo de visto que leva o investidor, seu cônjuge e seus filhos menores de 21 anos diretamente ao Green Card, ainda existem outras formas de investimento que estão sendo utilizadas por brasileiros, seja por intermédio de dupla cidadania com o visto E-2, ou mesmo por vistos de trabalho e de habilidades extraordinárias como negócios, cultura e esportes.

Muitas são as razões que levam as pessoas a investirem e migrarem para os Estados Unidos, entre elas, segurança, educação, melhor qualidade de vida e expansão dos negócios.

Estima-se que haja aproximadamente 3 milhões de brasileiros nos Estados Unidos, entre legais e ilegais. Isso, por si só, já representa uma oportunidade de negócios para quem tem foco no público brasileiro. Somente no estado da Flórida são mais de 12 mil empresas de donos brasileiros, regularmente registradas.

Marcya Machado é proprietária da Prospera USA, Inc., empresa com sede em Orlando, Flórida, EUA e consultora internacional e expert em International Business.

2 comentários:

Mauro Moreira disse...

E ainda tem gente que acha que nós é que somos o máximo. Acha que "usamericanu" são a desgraça da humanidade, esquecendo-se que se o mundo não fala alemão graças a eles. Esquecendo-se que a maioria dos medicamentos e vacinas, bem todo o avanço da tecnologia só aconteceu graças a eles. A hipocrisia dos antiamericanos radicais é enorme, ao ponto de fazerem suas críticas mas não deixar de usar um produto de tecnologia americana. Essa ladainha de culpar os EEUU por tudo de mau que existe no mundo e acontece no Brasil cansa.

Anônimo disse...

Segundo Olavo de Carvalho, a mentalidade anti-americana foi plantada há muitas décadas pela KGB para erodir a imagem de uma nação que não poderia ser atacada por seus sucessos. De tanto ser repetida, a mentira acabou unindo todos os insatisfeitos da Terra e que são a matéria-prima das revoluções. Parece que estão querendo usar a mesma tática contra Bolsonaro, culpando-o de tudo que acontece ou aconteceu no Brasil,já que não podem atacar sua integridade moral e ética.