segunda-feira, 25 de março de 2019

Saqueadores S/A



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão e Laércio Laurelli

O Brasil será o País do Futuro como cantado em verso e prosa, ou permanecerá mergulhado na mesmice da crise do bla bla bla e da falta de dinâmica em reconstruir o Estado literalmente insolvente?

O estranhamento institucional é fato grave e o surrupiamento do dinheiro publico é coisa histórica, mas o que vemos é gente da terceira idade, acima de 70 anos sendo presa. Daí indagamos: eles não têm vergonha? A justiça é lenta, ou as quadrilhas organizadas não são observadas pelos órgãos de fiscalização.

É uma soma de um pouco para formar tudo. Infelizmente os nossos políticos desceram ao pântano mais profundo e por consequência surgiu o ativismo judiciário para exercer papéis que não lhe pertencem e acabou na desorganização no bate boca e naquilo que mais desencanta a sociedade o prende e solta, além de uma situação de nervos aguçados na corte superior.

O parlamento não se permite exercer o papel para o qual seus representantes foram eleitos. O Executivo parece que as redes sociais fazem a diferença, ao passo que o Judiciário agora se defende contra as pregações e ameaças.

Os saqueadores de plantão formam uma sociedade anônima, pilhando o Brasil 24 hs e 365 dias por ano. Resultado de tudo isso: os estados faliram e as comunas não têm recursos financeiros. Tanto assim que foram ao STF para reduzir a jornada de trabalho e diminuir os salários do servidores.

A reforma da previdência é apenas uma cortina de fumaça. Precisaríamos ter um Refis da previdência que funcionasse e nele ingressassem os imunes clubes de futebol, grandes conglomerados, e o poder público de total irresponsabilidade.

De qualquer sorte o Brasil fica sempre no compasso de espera para mudar mas as instituições praticam o corpo a corpo para quanto pior melhor. A Bolsa que atingiu inacreditáveis 100 mil pontos, depois de décadas derrapando, menos de uma semana após caiu 7 mil pontos naquilo que se denominou chamar a fuga do capital estrangeiro e o efeito manada.

Ninguém mais acredita que o Brasil será o País do futuro e resolverá seus próprios problemas. Temos 13milhões desempregados, se mais de metade for empregada o problema da previdência, em parte, estaria resolvido. O que necessitamos é de mais emprego, crescimento, desenvolvimento, e o entorno de empresas, notadamente no mercado de capitais.

A Bolsa passou dos 100 mil pontos, no entanto nenhuma abertura de capital sucede. Aliás todas no exterior... Será que desacreditam do Brasil ou preferem não amargar prejuízos?

O chove não molha entre as instituições irrita a população e deixa estarrecida a sociedade civil. Não temos muito tempo, apenas uma bala como munição e o alvo deve ser certeiro. Que acordem nossos governantes, pois se não o fizerem a coisa será inequivocamente de movimentos populares e arruaças além de estardalhaços para conter a fome, miséria e a insatisfação generalizada.

O mundo desenvolvido convive com o terrorismo o subdesenvolvido com a corrupção. Estamos no limiar da globalização, do achaque ao que se considerou um nível insuportável de acumulação de riqueza. Quem viver verá se temos ou não razão, mas as tragédias e horrores se somam, e em plena quaresma o povo brasileiro não tem para aonde correr.

Que os velhos políticos sejam responsabilizados, e que o crime organizado tenha seus dias contados.

Carlos Henrique Abrão (ativa) e Laércio Laurelli (aposentado) são Desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Nenhum comentário: