sexta-feira, 12 de abril de 2019

A Indignação que não cala



Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant’Ana

A "banalização da vida", na expressão de Hannah Arendt, é um fato. Mas, mesmo assim, ainda não perdemos por completo a capacidade de indignação nem a de ficar sobressaltados com a hediondez daqueles para quem a vida não vale nada.

É abril. Outono. Paralelo 30. A natureza oferta a mais encantadora paleta de cores. Todavia, mal se descortina o dia outonal e tudo se torna sombrio e turvo: a realidade nos joga na cara que, para alguns sub-humanos, a vida nada vale, o que os motiva ao papel de predador.

Na doce calma da pequena cidade de Estância Velha, a manhã banhada de sol foi tingida pelo sangue dos inocentes: criminosos assaltaram uma joalheria e abateram a tiro os proprietários, Leomar e Fernando, pai e filho. Mais um caso de latrocínio. Mais uma família destroçada.

Numa hora destas, é impossível não lembrar com indignação o que prega Marcia Tiburi: "Sou a favor do assalto", diz ela. E justifica: "Tem uma lógica no assalto. Eu não tenho uma coisa que eu preciso, fui contaminada pelo capitalismo... (...) Tem muitas coisas que são muito absurdas, que se você vai olhar a lógica interna do processo (...)". E chega a uma conclusão: "Sabe que isso seria justo dentro de um contexto tão injusto?"

Será que essa senhora, credenciada como "cabeça pensante da esquerda brasileira", chega a sensibilizar-se com a tragédia de quem perde dois familiares a um só tempo e pelo motivo mais injusto?

Sua declaração (disponível no Youtube) é feita em abstrato e, por assim ser, é adequado afirmar que ela considera legítima a monstruosidade que, neste momento, deixa a comunidade de Estância Velha tomada pela mais dorida consternação.

Mas, apesar do óbvio, a sedizente filósofa jamais foi incomodada por exaltar a violência e fazer a apologia do crime.

E para onde rumamos, enquanto essa mentalidade era hegemônica? Alguém ignora que, nos últimos anos, a leniência com bandidos e outros preconceitos idiotas embasaram políticas criminais?

É certo que a segurança pública do Rio Grande do Sul teve um salto de qualidade no governo Sartori, sob a gestão do secretário de segurança Cezar Schirmer. E mostra sinais positivos com Ranolfo Vieira Júnior, o novo secretário. E daí? Ainda está muito, muito longe de ofertar à população a tranquilidade legitimamente querida por todos - menos pela sub-humanidade, claro.

Ao pensar nas verdadeiras vítimas de Estância Velha - excluídas, desde logo, do catálogo de vítimas de Marcia Tiburi e da esquerda que ela representa - é forçoso e muito triste lembrar que o secretário de segurança, por mais competente que seja, não tem poderes para devolver a vida que energúmenos ceifaram pelos motivos mais torpes.

Que a verdade não seja silenciada! E que não se omitam os que acreditam no bem! Mas, sempre, sempre métodos pacíficos! Lembrando Viktor Frankl: "As coisas vão mal, mas se não fizermos o melhor que pudermos para fazê-las progredir, tudo será pior ainda."

Renato Sant'Ana é Psicólogo e Advogado.

2 comentários:

jomabastos disse...

Enquanto não introduzirmos em nossos cérebros que as crianças e adolescentes de hoje, sejam eles violentos ou não ou alinhados com o tráfico ou não, serão os adultos que amanhã representarão o Brasil, não conseguiremos arrumar soluções sem violência para este país.

Há muito que dizem que levá-los para os presídios é a unica solução. Mas os presídios são essencialmente escolas do crime para os adolescentes. E essa solução dos presídios, tem que ser alterada para estabelecimentos escolares especiais e profissionais, internos ou externos, criados e geridos por militares.

Anônimo disse...

Tomara que esses vagbunbdos reajam à prisão e, infelizmente, sejam abatidos pela Polícia.
Dá-lhe Briosa!