quinta-feira, 16 de maio de 2019

A Caminho do Brejo


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Cora Ronái

A sociedade dá de ombros, vencida pela inércia.

Um país não vai para o brejo de um momento para o outro — como se viesse andando na estradinha, qual vaca, cruzasse uma cancela e, de repente, saísse do barro firme e embrenhasse pela lama. Um país vai para o brejo aos poucos, construindo a sua desgraça ponto por ponto, um tanto de corrupção aqui, um tanto de demagogia ali, safadeza e impunidade de mãos dadas. Há sinais constantes de perigo, há abundantes evidências de crime por toda a parte, mas a sociedade dá de ombros, vencida pela inércia e pela audácia dos canalhas.

Aquelas alegres viagens do então governador Sérgio Cabral, por exemplo, aquele constante ir e vir de helicópteros. Aquela paixão do Lula pelos jatinhos. Aquelas comitivas imensas da Dilma, hospedando-se em hotéis de luxo. Aquele aeroporto do Aécio, tão bem localizado. Aqueles jantares do Cunha. Aqueles planos de saúde, aqueles auxílios moradia, aqueles carros oficiais. Aquelas frotas sempre renovadas, sem que se saiba direito o que acontece com as antigas. Aqueles votos secretos. Aquelas verbas para “exercício do mandato”. Aquelas obras que não acabam nunca. Aqueles estádios da Copa. Aqueles superfaturamentos.

Aquelas residências oficiais. Aquelas ajudas de custo. Aquelas aposentadorias. Aquelas vigas da perimetral. Aquelas diretorias da Petrobras.

A lista não acaba.

Um país vai para o brejo quando políticos lutam por cargos em secretarias e ministérios não porque tenham qualquer relação com a área, mas porque secretarias e ministérios têm verbas — e isso é noticiado como fato corriqueiro da vida pública.

Um país vai para o brejo quando representantes do povo deixam de ser povo assim que são eleitos, quando se criam castas intocáveis no serviço público, quando esses brâmanes acreditam que não precisam prestar contas a ninguém — e isso é aceito como normal por todo mundo.
Um país vai para o brejo quando as suas escolas e os seus hospitais públicos são igualmente ruins, e quando os seus cidadãos perdem a segurança para andar nas ruas, seja por medo de bandido, seja por medo de polícia.

Um país vai para o brejo quando não protege os seus cidadãos, não paga aos seus servidores, esfola quem tem contracheque e dá isenção fiscal a quem não precisa.

Um país vai para o brejo quando os seus poderosos têm direito a foro privilegiado.

Um país vai para o brejo quando se divide, e quando os seus habitantes passam a se odiar uns aos outros; um país vai para o brejo quando despenca nos índices de educação, mas a sua população nem repara porque está muito ocupada se ofendendo mutuamente nas redes sociais.

Enquanto isso tem gente nas ruas estourando fogos pelos times de futebol!

Cora Ronái é Jornalista. Originalmente publicado em O Globo em 15 de maio de 2019.

3 comentários:

Anônimo disse...

É difícil mostrar essa continuidade no desenrolar do desastre a uma população que é ensinada a "viver o hoje", além de precisar dispersar-se em tantas questões práticas para garantir sua sobrevivência que nem tem cabeça para pensar mais amplamente.

ALMANAKUT BRASIL disse...

O texto só podia ter vindo de O Globo!

O tal ódio que o texto se refere, passou a ficar evidente no Brasil, depois que a CORJA vermelha assumiu o poder e abriu as tocas para as infestações de PEÇONHENTOS.

E nós fizemos parte disso em 2002, quando, após décadas de cabresto atrelado à TV Globo, acreditávamos que o país teria um destino melhor.

Mas, quando a maior organização criminosa da história brasileira começou a mostrar a suas garras, realmente começamos a voltar à época em que era cada macaco no seu galho.

Agora, será preciso muito mais do que aquilo que aconteceu em 1964, para colocar o Brasil no rumo de um futuro melhor, que está muito distante.

E sem os erros do passado, como dar o poder da comunicação em rede nacional para um traidor como foi Roberto Marinho.

E não estão estourando só fogos pelos times de futebol, há muito tempo, porque em outras épocas haviam estádios com mais de cem mil pessoas, transmissões em vários canais de TV e mais alegria.

Isso não voltará mais.

Porém, se os brasileiros quiserem viver dias melhores, que a Globo não chegue aos 100 anos.

Mauro Moreira disse...

Será que a turma de jornalistas comunas da Rede Globo, com seus cientistas políticos fajutos leram isso? Claro que não. O negócio deles é Lula Livre e o bando no comando novamente para festinhas privês, da turma da Esquerda Caviar.