domingo, 11 de dezembro de 2005

Sociedade brasileira não pode aceitar que a imprensa e os cidadãos sejam calados, censurados ou corrompidos

Edição extra de final de semana do http://alertatotal.blogspot.com

Por Jorge Serrão

O obscurantismo de alguns sujeitos hediondos, que não têm o menor respeito pelos princípios democráticos, mais uma vez, se movimenta no submundo de instituições arcaicas e autoritárias com o objetivo criminoso de assassinar a liberdade de informação no Brasil.

Nossa Constituição é violentada, brutalmente, toda vez que tal ação autoritária é praticada não só contra a imprensa, mas contra qualquer cidadão que queira exercer seu direito humano de informar e ser informado.

Alguns políticos, em flagrante contradição com o fato de ocuparem funções públicas por força de voto, têm manifestado desapreço prático pela liberdade de imprensa. Alguns membros do Judiciário também incorrem no mesmo equívoco culposo, quando insistem em tomar decisões contra a liberdade de informação, impondo à imprensa censuras diretas ou veladas.

Em nosso País, a liberdade de informação é relativa. Pode-se afirmar que o mesmo acontece no mundo todo. Por aqui, o livre desempenho da atividade de imprensa é afetado por cinco fatores:

1) Os interesses de classe, políticos e econômicos dos controladores dos meios de produção e difusão de informação;

2) A falta de uma visão clara da importância essencial da liberdade de informação como princípio para o pleno desenvolvimento de fatores da vida social;

3) A ausência prática de percepção do papel cidadão dos profissionais de imprensa, que os torna, ao mesmo tempo, reféns dos controladores da mídia e reprodutores da opressão do sistema que combate a liberdade de informar;

4) A visão política distorcida da oligarquia (nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário), que manipula a informação como princípio de auto-sobrevivência e controle social;

5) A corrupção de valores inerente ao tradicional sistema político, que trata a informação como uma moeda de troca para a conquista e controle do poder.

Sem aprofundar muito em teorias, vamos logo ao problema prático que hoje inferniza a vida de quem trabalha a favor da liberdade de informação (e de imprensa). Começa a crescer o número de aparentes “poderosos” que alimentam o desejo de calar veladamente, controlar direta ou indiretamente, censurar velada ou judicialmente e corromper (ideológica ou financeiramente) os cidadãos que ousam exercer a plena liberdade de informar ou ser informado.

Vamos ser “idiotas da objetividade” jornalística, como nos recomendaria o imortal Nelson Rodrigues:

Os governantes, os magistrados e os políticos em geral não aceitam críticas vindas da imprensa tradicional ou emitidas por meios alternativos por qualquer mortal cidadão. Ultimamente, eles têm agido de forma reativa e reacionária. Veículos de comunicação (jornais, rádios e tevês tradicionais) são alvos recentes de covardes ataques.

Citemos o caso da Folha de São Paulo – proibida pela Jusatiça de veicular em seu site da Internet informações sobre espionagem realizada pela empresa Kroll, sob a descabida alegação de que o caso corre em “segredo de justiça” (como se a Justiça, para ser efetiva, pudesse ser resultado de um pretenso segredo).

Ou lembremos a autorização da Justiça do Espírito Santo para que telefones da redação de Rede Gazeta pudessem sofrer “escutas legais” (leia-se: grampo), no estilo mais escroto praticado por qualquer republiqueta autoritária de quinta categoria.

Não dá para aceitar, como cidadão, que o aparato estatal (mesmo na melhor e “mais justa e perfeita” das intenções) possa ter o direito outorgado por um mandado para invadir a privacidade de pessoas ou empresas. Isto é crime. É inconstitucional. O delito cidadão torna-se ainda mais grave quando praticado pela Justiça, a quem cabe assegurar os direitos e a liberdade.

Mais grave ainda foi a proposta de um membro do Ministério Público – que é o organismo zelador dos interesses da sociedade – para tentar amordaçar a atividade jornalística, como se a livre difusão da informação dependesse de um mero decreto ou autorização judicial para ser efetivada, na vida real. A Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) já emitiram notas oficiais contra os recentes desrespeitos à Constituição.

Mais obscura ainda é a proposta de controle da difusão de informações via Internet, via criação de um cadastro nacional de e-mails. Nem o camarada Stalin – se no tempo dele já existisse a web – seria capaz de propor tal controle. Mas seus herdeiros ideológicos, bem próximos do fascismo original que o mundo já condenou anos atrás, mas cujo germe hediondo insiste em sobreviver e se reproduzir na sociedade atual, insistem na tese do Big Brother.

Nós, cidadãos, devemos rechaçar tais intenções obscurantistas e antidemocráticas. Temos o dever de combater a ignorância, os despotismos, os preconceitos, as censuras e os erros. Precisamos observar e lembrar, a todo instante, que a verdade e a justiça precisam ser glorificados como princípios humanos. Do contrário, vamos caminhar para as trevas.

Sejamos, cidadãos, guardiões da Luz. Jornalistas – ou simples mortais -, eis a nossa bandeira moral.

Sejamos bem claros, na mais pura iluminação: políticos, magistrados, promotores, policiais, religiosos, empresários, donos de veículos de comunicação e outros sujeitos menos votados, enfim, nenhum de vocês têm o direito legítimo e positivo de assassinar a liberdade de informação, sob qualquer pretexto. Uma liberdade é uma liberdade. Ou se tem, e ela é exercida - mesmo que de forma relativa, nas contradições inerentes à democracia - ou não existe.

No caso específico do Jornalismo, ele só pode ser de oposição; Do contrário, como nos bem ensinou Millôr Fernandes, o jornalismo vira uma “quitanda de secos e molhados”. Que fique bem claro! Jornalista não é santo. Não há redação no céu – embora alguns pareçam até “estrelas”. Mas também não existe no inferno, embora, às vezes, pareça o contrário. Somos humanos, falíveis. Acertamos mais que erramos. Ou não? Tentamos! Ser livres e praticar a liberdade de informar.

O Alerta Total acredita nisso. Eis por que nosso trabalho tem a missão de praticar um Jornalismo Inteligente, inovador, fortemente analítico e propositivo, utilizando as mais modernas tecnologias para transmissão instantânea e eletrônica de informação privilegiada e análise estratégica, junto com a difusão de novos conhecimentos voltados para a construção e consolidação de novos valores humanos.

Jorge Serrão, 39 anos, jornalista há 22 anos e especialista em administração pública, é editor-chefe do Blog Alerta Total: http://alertatotal.blogspot.com/

3 comentários:

Anônimo disse...

É isso aí... precisamos reagir a esta ditadura infame instalada no país, a pior delas, como disse Saramago, porque vem travestida de democracia... Se o povo não reagir, ninguém tem poder sobre ela, nem o Presidente da República...

Anônimo disse...

Very nice site! b zoloft b online Adipex retard lek na odchudzanie Venlafaxine efectos secundarios Sife by sife refrigerator bottom freezer water Sears com baccarat jewelry Volendam cruise Grand summitt hotel Games similar to burger blitz Laser and ink cartridge Ads ohne ritalin ice cream recipes electric 4 quart machine Mechanical kitchen timer Fax back service Craps software malls

Anônimo disse...

That's a great story. Waiting for more. film editing schools