domingo, 22 de janeiro de 2006

O Governo das Trevas

Por Maria Lúcia Victor Barbosa

Quando pela quarta vez Luiz Inácio, o eterno e único candidato do PT, chegou finalmente lá rompendo a barreira de seus tradicionais 30% de votos, deu para perceber que quem ganha eleição quase sempre não é o candidato, mas sua imagem construída pela propaganda.

Afinal, Duda Mendonça (agora suspeito de crimes banais segundo ensina a “moral” brasileira, como evasão de divisas etc. e tal), havia conseguido transformar Lula em Lulinha de paz e amor, algo palatável para a maioria da sociedade.

O resultado foi a estrondosa vitória petista consagrada nas urnas por quase 53 milhões de brasileiros cheios de fé no candidato, esperança no futuro e caridade para com o símbolo operário-pobre-coitado. Qualquer crítica a Luiz Inácio era tida como preconceito inadmissível e imperdoável.

Muitos dos que não eram petistas renderam-se à sedução da propaganda. Outros construíram a seguinte esdrúxula teoria: “é preciso eleger o homem para provar que o PT não tem competência para governar”. Era como dizer: vamos pegar um pouquinho de aids para ver como funciona a doença.

No poder, o PT, dito partido da ética que vinha para acabar com a corrupção na política, infectou o Brasil agravando a doença nacional da corrupção. E em que pese as constantes “boas notícias”, a propaganda intensiva, a campanha de Luiz Inácio jamais descontinuada desde que assumiu a presidência, o crescimento contínuo do espetáculo da corrupção oferecido pelo governo do PT, pelo menos os brasileiros que têm um mínimo de brio estão hoje indignados ou se sentindo traídos.

Quanto aos que possuem algum grau de informação e discernimento já sabem que esse governo é um redundante fracasso. Malograram as promessas de campanha para a área social, nossa política externa é uma sucessão de fracassos e, se investidores, especuladores e banqueiros estão felizes com os enormes lucros auferidos, nosso crescimento tem sido pífio mesmo num cenário mundial excepcionalmente favorável.

Além do mais, os numerosos ministros não tiveram capacidade de gastar seus orçamentos, não se sabe onde vão parar as arrecadações recordes dos impostos e está havendo queda no emprego industrial e na renda. Indiferente a tudo, o candidato Luiz Inácio vai inaugurando cada buraco tampado nas estradas que seu governo deixou intransitáveis, mesmo que algumas empreiteiras amigas que fazem o serviço tenham sido condenadas pelo TCU. O presidente da República nunca sabe de nada.

Há, porém, outro aspecto desse governo que se pode qualificar de tenebroso, e que demonstra que a transparência do PT era outra farsa para conquistar votos de incautos. Vejamos alguns exemplos que confirmam a opacidade petista:

1 - Os crimes até agora não desvendados de Celso Daniel, barbaramente torturado e assassinado, em 20 de janeiro de 2002, do cortejo de mortos que o seguiram e de Toninho do PT, assassinado em setembro de 2001.

2 - O desaparecimento no Iraque há um ano do engenheiro Rodrigo de Vasconcellos JR., sendo que o governo foi incapaz de deslindar o caso e não teve competência sequer para trazer o corpo e entregá-lo a família.

3 - A recente morte do general Urano Teixeira da Mata Bacellar, que comandava a Força de Paz da ONU, no Haiti. A apressada versão de suicídio cometido pelo general, e as notícias contraditórias sobre o fato fazem lembrar a explicação de suicídio também dada para a morte do legista Carlos Delmonte, encontrado sem vida em seu escritório particular, em São Paulo, em outubro de 2005. Delmonte havia num primeiro laudo apontado marcas de tortura em Celso Daniel e estava preparando um laudo complementar quando apareceu morto.

4 – O empenho do governo de impedir ou abafar as CPIs e o intuito da tropa de choque do PT no Congresso de apresentar relatório paralelo aos dos membros da CPI dos Correios.

Ainda sobre o general Bacellar, tido como pessoa calma e militar altamente preparado, além exímio atirador, pode-se dizer que teve uma morte inglória, pois a tragédia aconteceu por conta do verdadeiro motivo do Brasil ter pleiteado o comando no Haiti: a conquista do assento no Conselho de Segurança da ONU, algo que pelo visto não será dado ao Brasil.

Muitos outros crimes foram cometidos, inclusive, assassinatos de estrangeiros, sem que fossem esclarecidos nos três anos do governo Luiz Inácio. Em compensação, criminosos foram soltos. Se essa é uma constante no Brasil da impunidade, onde a “lei se acata, mas não se cumpre”, o fracasso do PT também no tocante ao controle da violência, sua incapacidade de elucidar mesmo os assassinatos dos companheiros podem, sem duvida, levar a classificar esse governo como das trevas.

Mas como não se sabe quem é eleito, se o candidato ou sua imagem esculpida pela propaganda, resta esperar o resultado das urnas em outubro para saber se os eleitores estão informados sobre os detalhes tenebrosos do PT no poder ou não.

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.

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