sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006

CGU e PF fazem devassa em contratos de 101 empresas com Furnas, nos últimos 10 anos, para descobrir o destino dos R$ 40 milhões do Dimasduto

Edição de Sexta-feira do http://alertatotal.blogspot.com

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Por Jorge Serrão

Eletrizante Escândalo – A Controladoria Geral da União (CGU) começa na próxima semana uma auditoria nos contratos firmados, nos últimos 10 anos, com 101 empresas mencionadas no polêmico documento do ex-diretor de Furnas Centrais Elétricas, Dimas Fabiano Toledo, como supridores de R$ 39 milhões 910 mil, via caixa dois, para financiamento ilegal ou “legalizado” de campanhas de 156 políticos da base aliada de Fernando Henrique Cardoso, na eleição de 2002. A Polícia Federal, que investiga o “Dimasduto” desde o final do ano passado, espera anexar ao inquérito a conclusão da CGU.

Os alvos da CGU serão empreiteiras, bancos, seguradoras, fundos de pensão, corretoras de valores, multinacionais, agências de publicidade e fornecedores de bens e serviços em geral. Todas são apontadas como arrecadadoras e repassadoras de recursos levantados através de negócios com Furnas. A grande maioria dos 156 políticos supostamente beneficiados pelo Dimasduto pode não ter recebido, pessoalmente, o dinheiro. A verba foi repassada e rateada por coordenadores financeiros das campanhas, cujos nomes foram apontados por Dimas Toledo.

Depois de Roberto Jefferson, que confirmou ter recebido R$ 75 mil de Dimas Toledo (conforme está escrito no dossiê), a Polícia Federal deverá chamar para prestar depoimentos outros políticos que, de alguma forma, confessaram o recebimento de caixa dois: o presidente do PL, ex-deputado Valdemar Costa Neto (SP), e seu correligionário, o ex-ministro dos Transportes e atual prefeito de Uberaba (MG), Anderson Adauto, e os deputados José Borba (PMDB-PR) e Bispo Rodrigues (PL-RJ).

Também serão ouvidos os deputados que estão com o mandato por um fio, como Roberto Brant (PFL-MG), Vadão Gomes (PP-SP), Pedro Corrêa (PP-PE) e Pedro Henry (PP-MT). Todos eles estão envolvidos no escândalo do Mensalão e na lista no papel timbrado de Furnas. O delegado Federal Luis Flávio Zampronha, que investiga os dois escândalos vai centrar sua atenção sobre quem recebeu os recursos de Furnas para repassá-los às campanhas.

O dossiê de Dimas Toledo cita, diretamente, os nomes dos intermediários dos quase R$ 40 milhões arrecadados e distribuídos. Em São Paulo: o atual deputado federal Antônio Carlos Pannunzio (que nega tudo) e José Aníbal (atual vereador e, na época, candidato ao senado). No Rio de Janeiro: Luiz Paulo Corrêa da Rocha (atual deputado estadual do PSDB e, na época, candidato a deputado federal). Em Minas Gerais: o deputado federal Danilo de Castro e Andréa Neves – irmã do governador mineiro. No resto do País: As empreiteiras Odebrecht, Andrade Gutierres, OAS, Camargo Corrêa e Engevix são apontadas por Dimas Toledo como as centralizadoras e repassadoras dos recursos para demais candidatos nos estados da Bahia, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pernambuco, Paraná e Santa Catarina.

Missão quase impossível

A listagem de Dimas possui autenticação junto ao Cartório do Primeiro Ofício de Notas do Rio, em 25 de setembro de 2005. O documento tem a assinatura de Dimas, que a PF atesta ser verdadeira. A PF também verificou o registro do documento no cartório.

A autenticidade do documento “originário”, datado de 30 de novembro de 2002, foi atestada pelo Laboratório do perito Ricardo Molina de Figueiredo em 28 de outubro de 2005: “O documento questionado não apresenta indícios de manipulação fraudulenta”.

Um grande mistério é quem pagou Molina para fornecer o atestado. O perito pode ser intimado a depor na Polícia Federal, que agora tem uma missão quase impossível: encontrar o original do documento de Dimas – uma cópia que choca tucanos e eletriza seus outrora adversários petistas.

Cópia autenticada do original

A Polícia Federal constatou que a cópia foi autenticada a partir da apresentação de um original. Dimas será convocado para confirmar o conteúdo do documento.

O ex-diretor de Furnas nega sua autoria. O material foi entregue à Polícia Federal, no final do ano passado, pelo lobista mineiro Nilton Monteiro.

Na opinião de Roberto Jefferson, o dossiê foi produzido por Dimas Toledo, então diretor de Engenharia de Furnas, e vazada com a intenção de tirar o foco de Dimas e colocá-lo em grandes nomes da política. Na tese dele: com a cumplicidade geral, a impunidade de todos, inclusive a sua, estaria assegurada.

Tese da retaliação?

Os tucanos e seus aliados alegam que a investigação do “Dimasduto” é uma retaliação ao escândalo do Valerioduto, que envolve diretamente os petistas.

Contestam a veracidade do dossiê de Dimas - por enquanto uma fotocópia em poder da Polícia Federal, produzida, com firma reconhecida e autenticada em cartório a partir de um documento original.

O curioso é que o Dimasduto envolve, também dois personagens de peso do atual escândalo do Mensalão: o publicitário Marcos Valério de Souza (através de suas empresas de publicidade DNA e SMP&B) e o publicitário baiano Duda Mendonça (que trabalhou na campanha à reeleição do PSDB mineiro, em 1998).

O Silêncio da família Neves

As negativas tucanas, alegando que o atual documento tem semelhança com o comprovadamente falso “Dossiê Cayman”, tentam tirar o nome de Aécio Neves do centro do Dimasduto.

O governador de Minas Gerais é apontado como padrinho político de Dimas Toledo no cargo de Diretor de Obras e Engenharia de Furnas. A irmã de Aécio, Andréa Neves, aparece no dossiê Dimas como responsável por receber e repassar de R$ 695 mil a comitês eleitorais e prefeitos do interior do Estado de Minas Gerais.

Aécio e a irmã mantêm, até agora, a tática do “silêncio obsequioso” sobre o escândalo.

Sócios na Pizzaria?

Acordo entre governo e oposição, após troca de ameaças veladas entre PT e PSDB, evitou que a CPI dos Correios aprovasse a convocação do publicitário Duda Mendonça e do ex-diretor de Furnas Dimas Toledo. A discussão sobre os requerimentos para chamá-los ficou para a próxima semana.

Nos bastidores, a comissão entendeu que aprovar as convocações criaria ambiente perigoso para os dois lados. Duda, marqueteiro do PT, trabalhou também para oposicionistas, e Dimas é acusado de chefiar caixa dois em Furnas, em 2002, que inclui tucanos entre supostos beneficiários.

O ex-diretor de Furnas nega ter assinado a lista de receptores do caixa dois, que inclui 156 políticos e não teve sua autenticidade inteiramente comprovada.

O baiano e os tucanos

Depois de ouvir Duda Mendonça mais uma vez nesta quinta, a Polícia Federal decidiu investigar os contratos entre o publicitário e o PSDB mineiro em 1998.

O marqueteiro baiano trabalhou na campanha do hoje senador tucano Eduardo Azeredo à reeleição para o governo de Minas.

O coordenador financeiro da campanha de Azevedo, Cláudio Mourão, revelou que o baiano teria recebido R$ 3 milhões e 800 mil de um caixa dois. Mourão será novamente chamado para depor na Polícia Federal

Duda e sua sócia Zilmar Fernandes disseram ontem à Polícia Federal não se lembrar de detalhes da negociação entre a Duda Propaganda e o PSDB para a campanha de reeleição do governador Eduardo Azeredo, sobre a qual também recaem suspeitas de utilização de recursos de caixa dois.

Jogo de cena?

O PSDB e o PFL defenderam nesta quinta que a CPI dos Correios convoque o ex-diretor de Furnas Centrais Elétricas Dimas Toledo para que ele fale sobre a lista que traz nomes de diversos políticos, com destaque para tucanos, que teriam recebido dinheiro de um suposto esquema de desvio de recursos que existiria na estatal elétrica.

Apontado por Dimas Toledo como um dos “gestores” e distribuidores de R$ 2 milhões e 870 mil repassados para campanhas de 24 candidatos a deputado paulistas, o deputado Antônio Carlos Pannunzio (PSDB-SP) quer sangue:

Queremos a presença na CPI do senhor Dimas e do Duda. Quero disponibilizar todos os meus sigilos”.

A oposição também defendeu uma nova convocação do publicitário Duda Mendonça. Os requerimentos referentes aos dois devem ser analisados na CPI na próxima quarta-feira.

Lobista na agenda

O presidente da CPI dos Correios, Delcídio Amaral (PT-MS), decidiu marcar o depoimento do lobista Nilton Monteiro, que afirma ter informações sobre um esquema de caixa dois em Furnas, que teria sido usado para abastecer campanhas de aliados do governo FHC em 2002.

Monteiro é supostamente o responsável por divulgar a lista com o nome de políticos que se beneficiaram com o dinheiro irregular da estatal.

Ele também alega ter detalhes sobre o uso de dinheiro irregular na campanha do PSDB mineiro em 1998, quando o senador Eduardo Azeredo disputou o governo do Estado.

Na semana passada, o próprio Delcídio havia descartado a possibilidade de convidar o lobista para depor por considerá-lo “uma pessoa muito polêmica”. O próprio Monteiro, muito generosamente, se ofereceu para falar na CPI.

Mas o presidente da CPI mudou de idéia depois que o deputado Roberto Jefferson confirmou ter recebido R$ 75 mil do caixa dois de Furnas. E certamente também mudou de idéia depois que o Palácio do Planalto achou a estorinha interessante para aliviar a barra pesada sobre o PT na CPI dos Correios.

Petista quer ir fundo

O líder do PT na Câmara, deputado Henrique Fontana (RS), defendeu ontem uma investigação aprofundada da lista de Furnas, que contém nome de políticos ligados ao governo FHC que supostamente teriam recebido dinheiro de caixa dois de fornecedores ligados à estatal.

Mas o petista ponderou que não é possível acusar ninguém que está na lista de ter de fato se beneficiado do suposto esquema antes de uma apuração séria, já que o documento em poder da Polícia Federal, na verdade, é uma cópia, razão pela qual não pode ter a autenticidade ainda comprovada.

Ao contrário do que fazem os nossos adversários, eu utilizo o sistema de presunção de inocência. Eu não posso sair dizendo que o José Serra (prefeito de São Paulo) recebeu R$ 7 milhões de caixa dois ou que o Geraldo Alckmin (governador de São Paulo) recebeu R$ 9 milhões e 300 mil

Os petistas, no íntimo, comemoram porque os nomes dos dois presidenciáveis tucanos aparecem na tal lista de Dimas Toledo.

Legitimação de Jefferson

O deputado tucano Gustavo Fruet (PR) considera “inevitável” uma investigação parlamentar sobre a lista supostamente montado pelo ex-diretor de Furnas Dimas Toledo com o nome de políticos aliados do governo FHC que teriam recebido repasses irregulares de empresas ligadas à estatal.

Essa investigação ganha relevância com a declaração do Roberto Jefferson de ontem, porque ele legitima parte da lista”.

Na quarta-feira, o deputado cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ) afirmou à Polícia Federal que recebeu R$ 75 mil do caixa dois de Furnas. O nome dele está na lista de Dimas.

Gustavo Fruet pondera que é preciso investigar para “saber o que é real e o que é apócrifo”

Lista Vagabunda?

Mencionado como um dos beneficiários, junto com outros 156 políticos, o prefeito de São Paulo, José Serra, qualificou de “instrumento vagabundo” a chamada “lista de Furnas”.

Esse dossiê que saiu aí é mais falso que o Cayman. Uma verdadeira palhaçada. É surrealista. Imagina se criar a indústria de documentos com xerox. Lembra Cayman? Era fax”.

José Serra é traumatizado com o chamado “dossiê Cayman”, documentos forjados (provavelmente pelo pessoal de campanha de Fernando Collor) que atribuíam a dirigentes do PSDB uma conta no paraíso fiscal de mesmo nome.

Para Serra, um indicativo da falsidade do documento seria a listagem de doadores de campanhas políticas. Segundo o presidenciável tucano, “eles pegam 30, 40 dos maiores contribuintes no Brasil e dizem que as doações foram através de Furnas”. Serra avalia que “isso é uma coisa completamente aloprada”. Tomara que seja, senão vai ter muito tucano realmente aloprado...

Ação de guerra?

O líder da minoria na Câmara, José Carlos Aleluia (PFL-BA), atribuiu a circulação do que já está sendo chamado “lista de Furnas” a uma ação “de guerra” do “partido em desespero”.

Aleluia se refere ao PT. O deputado ressalta que não possui provas, mas diz que “essa lista é um episódio de batalha política que se instala num governo comprovadamente corrupto”.

Para ele, “é natural que o partido em desespero resolva contra-atacar com as armas que tem”.

José Carlos Aleluia também afirmou que já esperava reações dessa espécie depois que a oposição se empenho na criação das CPIs e nas investigações.

Questionado sobre as declarações de Aleluia, o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), alegou não dar importância para a lista e que o PT e o governo nada têm a ver com o suposto documento. Será?

Propagador da Lista

Um dos responsáveis pela circulação na internet da chamada “lista de Furnas”, Luiz Fernando Carceroni, é ligado ao PT.

Ele consta de uma lista de delegados do diretório regional centro-sul no encontro municipal do partido em Belo Horizonte, em maio de 2004, e foi também diretor do Departamento de Controle Urbano da prefeitura da capital mineira entre 1999 e 2000, quando a cidade era governada por Célio de Castro, do PSB, aliado ao PT.

Num texto endereçado ao jornalista Elio Gaspari, no dia primeiro de janeiro, mas que várias redações receberam (inclusive a do Alerta Total), Carceroni afirma que foi ele quem fez “a denúncia eletrônica ao Ministério Público Federal e a Controladoria-Geral da União” depois de receber uma "cópia" da lista.

O petista informa ainda que o documento foi entregue ao delegado da Polícia Federal em Brasília Luiz Flávio Zampronha, responsável pelo inquérito sobre o Mensalão.

No texto, intitulado “Pau que bate em Chico não bate em Francisco”, Carceroni afirma que “o relatório apareceu das mãos de Nilton Monteiro, conhecido lobista mineiro” e que “ele já mostrou que os documentos que consegue são sólidos”.

Duda na Polícia

O publicitário Duda Mendonça reclamou ontem que é "vítima política" da disputa entre os grupos que almejam deter o poder no Brasil. Duda estava em companhia da sócia Zilmar Fernandes e do advogado, Hélio Santana, quando lamuriou, bem humorado:

"O Brasil inteiro já percebeu que estão me transformando numa vítima política num ano eleitoral e eu confio na Justiça brasileira, que, na hora da apuração dos verdadeiros fatos e das provas, as coisas vão ficar muito claras".

O baiano depôs durante cinco horas na sede da Superintendência Regional da Polícia Federal (PF) para o delegado Pedro Ribeiro, que integra a equipe responsável pela apuração do chamado escândalo do "Mensalão".

Só a Dusseldorf?

A única conta fora do País que Duda Mendonça reconhece é a Dusseldorf, que revelou no testemunho à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos.

A CPI suspeita que a conta teria movimentado R$ 15 milhões e 500 mil, supostamente repassados na campanha do PT de 2002 pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza.

Logo depois de revelar a existência da conta, Duda Mendonça admitiu que a fechou, após pagar pouco mais de R$ 4 milhões por sonegação do Imposto de Renda (IR).

Grande desfalque para Iemanjá

Adepto do candomblé, o publicitário admitiu que, pela primeira vez, há muito tempo, não participaria ontem da Festa de Iemanjá. Duda desabafou aos jornalistas na porta da Polícia Federal:

"Vou contar-lhe de coração: adoraria ir ao Rio Vermelho (bairro onde a festa é realizada) agora, mas, se eu for, vocês (jornalistas) vão estar todos lá perguntado as coisas de novo; então, eu vou privar-me, pela primeira vez em 60 anos, de ir à festa."

Um repórter lembrou que Duda Mendonça poderia ir na lancha que tem e que, assim, ficaria isolado da imprensa. O baiano, galo de briga escaldado, ponderou:

"Se eu pegar minha lancha, vão dizer que eu estou numa lancha de quanto, entendeu? É assim que está funcionando".

O Caso Duda Mendonça segue investigado em segredo de Justiça pela Polícia Federal.

Golaço

A CPI dos Correios obteve ontem a colaboração do governo dos Estados Unidos para a investigação do papel desempenhado pelo publicitário Duda Mendonça no esquema de caixa dois eleitoral.

Os procuradores norte-americanos vão quebrar o sigilo das contas bancárias de Duda Mendonça, de amigos, sócios ou parceiros, e rastrear as operações feitas por eles. Tudo o que for descoberto será enviado diretamente para o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), do Ministério da Fazenda. A Divisão Criminal do Departamento de Justiça americano também permitirá que os parlamentares da CPI tenham acesso aos dados, para concluir a própria investigação.

A medida foi acertada ontem com integrantes da CPI dos Correios que passaram três dias em visitas a autoridades em Nova York e Washington. O relator adjunto da CPI, deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), considerou que foi marcado “um golaço”.

Mas o compromisso para a liberação exige que os deputados não divulguem informações detalhadas até que o caso chegue à instância seguinte, um provável processo judicial.

Maluf escalado

Paulo Salim Maluf pode ser convocado a depor até julho perante a Justiça suíça por lavagem de dinheiro.

A informação é do juiz de Genebra, Vincent Fournier, que há poucas semanas se tornou o responsável pelo dossiê sobre o ex-prefeito.

Investigações apontam que Maluf teria mantido recursos em bancos suíços até o fim dos anos 90.

Tempo fechando

O tempo pode ficar ainda mais fechado para o jovem empresário Lúcio Bolonha Funaro (ex-sócio da empresa Guaranhuns) e para seus aliados ou parceiros de negócios, na CPI dos Correios.

Ontem, ao fim do depoimento do sócio da Guaranhuns Empreendimentos José Carlos Batista, o sub-relator de fundos de pensão da CPI, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), avaliou que a corretora ganhou em operações em que os fundos de pensão perderam dinheiro.

ACM Neto acredita que a Prece, fundo de pensão dos funcionários da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio, perdeu dinheiro propositadamente, em operações supostamente irregulares na Bolsa de Mercadorias e Futuro, para que o valor fosse desviado para o “valerioduto”. Lúcio Funaro seria um dos comandantes da operação, segundo o neto de ACM.

Omissão criminosa

O projeto que reduz custos de campanha eleitoral, aprovado pelo Senado, deve sofrer várias modificações na Câmara.

PSDB e PFL discordam, por exemplo, da fixação pelo TSE de teto para despesas eleitorais e da prestação de contas on-line, apoiadas pelo PT e pelo PSOL.

Pefelistas e tucanos aceitam que os dados aparecem na rede, mas defendem que sejam omitidos os nomes dos doadores. Só podem estar de sacanagem...

Verticalização caindo

A consulta feita pelo PSL ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a legalidade da decisão da Câmara dos Deputados de acabar com a verticalização em ano eleitoral recebeu o primeiro voto ontem.

O relator do pedido, ministro Marco Aurélio de Mello, aprovou a revogação da regra que estabelece que os partidos repitam, em nível estadual e municipal, as coligações que fizerem no plano federal. Um pedido de vista do ministro Caputo Bastos, no entanto, suspendeu o julgamento.

A matéria, que já foi aprovada pelo Senado, mas ainda precisa passar por uma segunda votação na Câmara, é polêmica, pois alega-se que a mudança deveria ter sido feita com um ano de antecedência, e não às vésperas do pleito.

Ontem também, o TSE elegeu o ministro Cezar Peluso para ocupar a vaga aberta na corte pela aposentadoria do ministro Carlos Velloso.

Aliança abalada

A provável cassação do deputado Pedro Corrêa (PP-PE), que já teve o parecer do relator aprovado no plenário do Conselho de Ética, dá início a um jogo de xadrez político que envolve o destino do partido durante e depois da campanha eleitoral.

Pedro Corrêa é o presidente do partido, que tem como 1º vice o deputado Francisco Dornelles (RJ). Com a cassação de Corrêa, seguida da cassação igualmente muito provável do ex-líder José Janene (PR), perde força o grupo que quer manter o PP ligado a Lula.

Se depender de Francisco Dornelles, o PP também não ficará no palanque de Lula.

João vai para o saco

O deputado Cezar Schirmer (PMDB-RS) vai mesmo pedir a cassação do mandato do ex-presidente da Câmara, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP).

A possibilidade de pedir uma punição alternativa à cassação, como a suspensão do mandato, não se aplica a casos em que a quebra de decoro envolve o uso comprovado de “dinheiro não contabilizado”.

João Paulo está convencido de que o parecer pedindo a cassação dele será aprovado por maioria no plenário do Conselho de Ética, mas espera reverter a situação quando a votação for no plenário da Câmara.

Seu passado incomoda

Ao depor ontem no Conselho de Ética da Câmara, o deputado José Mentor (PT-SP) reclamou do que considerou um excesso de perguntas sobre o seu trabalho como relator da CPI do Banestado.

Mentor lembrou que o processo que lhe é movido no órgão não tem nada a ver com aquela relatoria. Ele está sendo processado por seu escritório de advocacia ter recebido R$ 120 mil do advogado Rogério Tolentino, sócio de Marcos Valério na empresa 2S Participações.

Mentor voltou a afirmar que os R$ 120 mil que recebeu se referem a três pareceres jurídicos elaborados por seu escritório. Segundo ele, a prova de que não foram para benefício próprio é a existência de notas fiscais e comprovante de recolhimento de impostos.

Viva o abafa!

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou as recentes decisões do presidente do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, contra a CPI dos Bingos.

A mais de uma pessoa o presidente elogiou ontem a decisão de Jobim:

Finalmente os absurdos dessa CPI foram barrados. A oposição ultrapassou todos os limites nesta comissão. O Supremo fez justiça”.

Esse teria sido o desabafo de Lula.

O Efeito Jobim

Depois de atuar como aliado de Lula e do PT, ao impedir, como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), a quebra de sigilos de colaboradores do partido que a CPI dos Bingos solicitou, Nelson Jobim pode colher alguns prejuízos políticos neste ano eleitoral.

Parte importante do PMDB não o quer nem como vice do petista (em uma quase impossível aliança) e nem nos palanques do Rio Grande do Sul, seu Estado natal.

O filme dele também está queimado entre seus colegas de Tribunal. A maioria dos ministros do Supremo também acha que a presidência do tribunal não deve ser usada como “trampolim” para projetos nem sempre explícitos.

No Supremo, a maioria dos ministros também considera positiva a saída de Jobim e espera que as próximas escolhas de Lula e do Senado, para substituir Jobim e Sepúlveda Pertence, despolitizem a cúpula do Poder Judiciário.

Fora, Jobim!?

Em nota divulgada ontem, o presidente do PPS, deputado Roberto Freire (PE), sugere que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim, renuncie ao cargo para evitar “a situação dúbia em que se encontra”.

Segundo o texto, Jobim “não desmente a condição de candidato e ao mesmo tempo continua a presidir a corte máxima do país, tomando decisões que impedem investigações do Congresso que envolvem o governo”:

Que se respeite seu direito de disputar a vice-presidência, a presidência ou uma vaga de parlamentar. Mas que ele respeite a sociedade brasileira e renuncie à presidência do STF imediatamente. Um juiz precisa de isenção. Ao se filiar a uma das partes em litígio, ele perde essa condição. Se Jobim quer voltar à política, que deixe o Supremo”.

Roberto Freire, candidato a Presidente da República pelo PPS, é um dos adversários figadais de Jobim.

Estratégia suprema do PT?

Ao mesmo tempo em que desencadeou uma ofensiva para tentar formar uma frente anti-Garotinho no PMDB, o Palácio do Planalto articula um Plano B para deixar o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim, em condições de ser indicado a vice do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições: a filiação do ministro ao PSB.

A companhia de Jobim na chapa é uma espécie de sonho de consumo de Lula. A aliança formal daria o tempo de televisão do partido ao presidente. Lula e Jobim, no entanto, foram advertidos por pemedebistas que a composição em torno da Vice-Presidência não passa na convenção da sigla.

As especulações sobre a filiação de Jobim ao PSB já circulam intensamente no Congresso, especialmente entre pemedebistas.

Vantagem para nanico

A filiação do presidente do Supremo ao PSB teria uma outra vantagem, segundo seus defensores no Planalto: poderia auxiliar o partido no projeto de superar a chamada cláusula de Barreira (todo partido precisa de 5% dos votos nacionais ou pelo menos 2% dos votos em nove Estados).

A sigla obteve 5% dos votos válidos no país na eleição passada graças à candidatura de Anthony Garotinho à Presidência.

O esforço da legenda será para se manter no mesmo patamar para não perder os repasses do fundo partidário e nem o tempo de TV para propagandas partidárias.
Picolé endurece

Depois que uma declaração dúbia, que alimentou notícias de que teria recuado de sua intenção de deixar o governo de São Paulo até a data-limite de desincompatibilização (31 de março), fosse ou não o escolhido para disputar a sucessão presidencial pelo PSDB, o Geraldo Alckmin resolveu ontem deixar claro que é pré-candidato pelo PSDB.

Na quarta, quando questionado se deixaria o cargo até a data-limite, Alckmin respondeu apenas com um “provavelmente”.

Em janeiro, quando afirmou que deixaria o cargo de qualquer maneira, Alckmin provocou forte reação entre os aliados do prefeito de São Paulo, José Serra, o outro pré-candidato do PSDB.

Chega de nepotismo

As liminares que mantêm empregados parentes de juízes se espalharam pelo país. Contrariando a resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), elas já beneficiaram mais de 200 pessoas só no Paraná e em Minas Gerais

Quem adverte é o presidente da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), Rodrigo Collaço.

Para tentar derrubar de uma vez só as decisões, a AMB ingressou ontem no Supremo Tribunal Federal (STF) com uma ação declaratória de constitucionalidade. Se aceita, tornará a resolução do CNJ constitucional e, num efeito dominó, anulará todas as liminares.

A ação declaratória foi proposta pelo jurista Luiz Roberto Barroso porque os tribunais ainda resistem ao cumprimento da resolução do CNJ.

Olho nos rombos e buracos

A Controladoria-Geral da União (CGU) inicia amanhã, com uma equipe de 120 auditores, a fiscalização da Operação Tapa-Buracos. O trabalho da CGU se soma à fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU), iniciada na última segunda-feira, com a participação de 100 auditores.

Oitenta técnicos percorrerão as rodovias de 24 estados e do Distrito Federal para filmar as condições atuais da pavimentação, a dimensão da obra, o tipo de trabalho executado e o material utilizado pelas empreiteiras.

Uma nova filmagem será feita após a conclusão da recuperação das estradas. Será dada uma atenção especial para os 6 mil e 500 quilômetros que estão sendo recuperados com dispensa de licitação, a um custo de R$ 196 milhões.

Itamaraty gastador

A ONG Contas Abertas adverte: O Ministério das Relações Exteriores (MRE) foi responsável por quase a metade dos gastos totais da União, em 2005, com aluguel de imóveis.

A União gastou R$ 292 milhões e 900 mil, sendo o Itamaraty foi responsável pelo desembolso de R$ 124 milhões e 300 mil com contratos firmados, sobretudo, fora do país.

O valor supera todos os gastos do Ministério dos Esportes no mesmo período (R$ 110 milhões e 200 mil), sem incluir os restos a pagar.

O Itamaraty tem um prazo de 180 dias para apresentar relatório ao Tribunal de Contas da União (TCU) sobre os imóveis ocupados pelo ministério no exterior, como residências oficiais dos embaixadores brasileiros e chancelarias. O Itamaraty ocupa 142 imóveis em 92 países. Desses, 95 são de propriedade do governo brasileiro.

Censura, não!

O empresário Benjamin Steinbruch não consegue censurar o livro "A Usina da Injustiça, como um só homem destrói uma cidade inteira".

Tentou, primeiro, na Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio, que negou o pedido. Depois, apelou para uma ação na 38ª Vara Cível. Uma juíza chegou a conceder uma liminar, mas logo revogou porque estava indo contra uma decisão de instâncias superiores.

Agora, o poderoso empresário despeja todo seu ódio contra o colunista de O Globo, Ancelmo Góis. Steinbruch acusa o pobre jornalista de calúnia. Bater em assalariado é mole...

Não seria mais fácil brigar diretamente contra os poderosos financiadores do livro que tanto o desagrada? Seus inimigos investiram R$ 1 milhão no projeto para detoná-lo. O empresário sabe quem são seus verdadeiros algozes. Por que não dá uma pancada direta neles? Mistério...

Calando a boca do Capitão

O Exército ameaça punir o capitão Luiz Fernando de Souza por ter dado uma entrevista à revista Carta Capital. Na edição 376, de 18 de janeiro, a revista publicou a reportagem: “É HORA DO CAPITANISMO? Jovens oficiais enfrentam o arbítrio que ainda rege os quartéis”.

O advogado do Capitão entrou com habeas corpus preventivo e, dependendo do relatório da liminar, poderá processar o coronel do Exército Mauro Costa de Castro.

A tese do advogado do capitão é que o Regulamento Disciplinar do Exército impede a liberdade de expressão, crime que passa por cima da Constituição.

Olho na Amazônia

O Inpe - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais quer lançar em 2009 um satélite de sensoriamento remoto inteiramente nacional, para substituir uma espaçonave americana que hoje faz o monitoramento da Amazônia em tempo real.

Segundo o diretor do instituto, Gilberto Câmara, os EUA não têm planos para renovar o equipamento, que será aposentado naquele ano.

O satélite nacional, chamado por enquanto SSR-1 (Satélite de Sensoriamento Remoto), cujo custo de desenvolvimento é estimado em R$ 40 milhões em três anos, deverá ter componentes 100% nacionais.

Para isso, no entanto, o Brasil precisará dominar etapas da tecnologia de satélites que ainda não existem por aqui.Uma parte crucial da tecnologia terá de ser desenvolvida aqui, que é o controle do satélite em órbita. Mas isso pode demorar uns três anos...

Azar do Professor Serra

O Instituto de Artes e Comunicação Social (IACS) da Universidade Federal Fluminense (UFF) foi assaltado na madrugada de quinta-feira por bandidos que renderam e deram coronhadas no vigia.

Foram roubadas seis câmeras de vídeo digitais mini-DV, dois laptops, dois datashows (retroprojetor moderno que aceita discos de DVD), uma mesa de áudio digital, seis aparelhos de DVD, seis televisões de 29 polegadas e quatro aparelhos de som. Havia equipamentos que estavam no IACS há dois anos e outros que chegaram à faculdade em janeiro. Os bandidos teriam feito várias viagens de carro para levar tudo.

O material roubado era destinado ao curso de cinema e sua aquisição era uma reivindicação "antiqüíssima" para modernizar a estrutura da faculdade. O diretor do IACS, Antonio Serra, estimou o prejuízo em R$ 360 mil.

Telefone maldito

O presidente interino da Anatel, Plínio Aguiar, endossou ontem as críticas do ministro das Comunicações, Hélio Costa, ao serviço de telefone Acesso Especial Classe Social (Alce) criado pela agência para a população de baixa renda.

Em entrevista a TV Globo, ele admitiu que o nível das tarifas no Alce é alto, mas ressaltou que a decisão de implantá-lo foi da maioria do conselho da Anatel.

Os pobres vão pagar a conta...

Gol contra

O ex-goleiro Edinho, filho de Pelé, voltou para a penitenciária de Tremembé (no interior de São Paulo) após ser preso sob acusação de lavagem de dinheiro.

Mas defesa do ex-goleiro, que ficou seis meses na cadeia acusado de associação para o tráfico, afirma que não há provas contra ele.

As cadeias brasileiras estão cheias de pessoas inocentes. O Congresso também! Que coincidência...

Impunidade

Apenas 16 dos 8.330 policiais militares e civis denunciados por envolvimento em crimes foram expulsos nos últimos 81 meses.

Relatório da Ouvidoria de Polícia, publicado ontem no "Diário Oficial", relaciona 21 oficiais e um delegado punidos com detenção, mas nenhum expulso.

E a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro ainda jura que está combatendo a impunidade e a corrupção. Imagina se não estivesse...

É carnaval

Neste sábado, a partir das 14h, um grande baile pré-carnavalesco vai tomar conta do Centro do Rio.

Os blocos Rio Maracatu, Céu na Terra e Cordão do Bola Preta vão desfilar pelas ruas na festa que anuncia os finalistas da primeira edição do Concurso Nacional de Marchinhas Carnavalescas do Novo Rio Antigo.

A programação ainda inclui a inauguração da Praça Emilinha Borba, na Rua do Lavradio.

Política do turismo?

Que vergonha! Pelo menos um vereador e um grupo de servidores da Câmara de Triunfo (no Rio Grande do Sul) foram flagrados fazendo turismo com dinheiro público no litoral de Santa Catarina.

Na série de reportagens que revela a farra de políticos em cidades turísticas a pretexto de participar de congressos e cursos de especialização, a RBS TV exibiu ontem imagens do vereador de Triunfo Valdomiro Marques da Silva, o Deusinho (sem partido), em Balneário Camboriú, em companhia de familiares.

Todos viajaram no carro oficial do Legislativo, um Fiat Doblò, com placas brancas e logomarca da Casa.

Os eleitores merecem...

Vida que segue...

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