sábado, 11 de fevereiro de 2006

A imprensa tem o direito de discriminar Marcelo Crivella?

Edição de Final de semana do http://alertatotal.blogspot.com

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Por Jorge Serrão

O senador Marcelo Crivella, que desponta nas pesquisas formais e informais com 20% dos votos na largada para a disputa ao governo do Estado do Rio de Janeiro, faz uma denúncia pessoal que merece ser refletida pela imprensa. Crivella considera que está sendo discriminado pelos meios de comunicação e pelas empresas de pesquisa de opinião, que fazem sempre questão de associar seu nome à Igreja a Universal do Reino Deus, onde ele é bispo licenciado.

Crivella reclama que está sendo sistematicamente discriminado. O senador chama a atenção para uma pesquisa recentemente feita pelo instituto GPP, sobre intenções de voto para o governo do Rio, que colocou diante de seu nome a qualificação "candidato da Igreja Universal". Crivella considera que tal colocação é uma forma clara de discriminação. Ele também reclama de uma matéria publicada recentemente pelo jornal Folha de São Paulo, cuja manchete de página destacava "PT quer presidente em palanque de candidato da Universal".

Marcelo Crivella pondera que foi eleito para o senado no Rio de Janeiro com 3.500.000 votos. Lembra que este número de eleitores é bem maior que o número de evangélicos no estado. Logo, classifica de "pura maldade" o fato de ter o seu trabalho de senador ou a sua provável candidatura ao governo estadual sempre relacionada ao seu posto de dirigente da igreja cujo principal líder é o bispo Edir Macedo. O senador quer ser tratado como membro do partido que ajudou a fundar, o PRB - Partido Republicano Brasileiro.

A reclamação de Marcelo Crivella, que se considera vítima de uma discriminação perversa, merece uma séria reflexão da imprensa pouco afeita a pensar, refletir e criticar seu próprio trabalho e sua própria atuação. Jornalisticamente, não dá para deixar de associar o nome de Marcelo Crivella com a Igreja Universal do Reino de Deus, da qual ele se notabilizou como um dos principais gestores de projetos religiosos/sociais, como é o caso do projeto Nordeste, em Irecê, no interior da Bahia. Crivella também é conhecido no mundo gospel como um dos maiores vendedores de CDs com seu nome intimamente ligado à Igreja Universal. Logo, dissociar seu nome da instituição religiosa não é tarefa de marketing fácil.

No entanto, o ponto crucial dessa questão é se a imprensa realmente está discriminando o político. Aí, realmente, a porca torce o rabo. A grande imprensa insiste em produzir matérias em tom negativo contra a Universal. O grupo religioso é comumente acusado de manipular as mentes, sobretudo dos mais pobres, com finalidades econômicas (arrecadar dinheiro) ou políticas (eleger seus candidatos). Por trás do bispo Macedo, haveria um grande projeto de conquista do poder, através da eleição de seus dirigentes ou membros de confiança para postos-chave no legislativo e, mais recentemente, no executivo. O objetivo final da universal seria conquistar a presidência da república do Brasil. É assim que a imprensa pinta a IURD.

Alguns fatos objetivos, realmente, não tiram a razão da imprensa. A Universal consegue crescer como nenhum outro grupo religioso, de linha protestante/pentecostal, no Brasil. Emprega uma eficiente estratégia de comunicação, o que causa inveja de vários grandes grupos do setor. Administra a Rede Record (que cresce em audiência e faturamento), a Rede Mulher, a Folha Unversal, a Arca Universal (projeto multimídia), a Universal Produções, a Revista Plenitude, a ONG ABC, além do Projeto Nordeste. O desempenho da Universal desperta inveja e temor nos tradicionais barões da comunicação no Brasil, que a enxergam com uma concorrente e - mais recentemente - como uma ameaça a sua hegemonia.

No entanto, o Partido Republicano Brasileiro pode ser muito maior que essa simples rotulagem inicial da imprensa. Fazem parte de seus quadros o vice-presidente da República, José Alencar, o sociólogo Roberto Mangabeira Unger, o economista José Carlos de Assis e o professor Rafael de Almeida Magalhães, um histórico articulador político (desde os tempos de Carlos Lacerda, de quem foi vice-governador). O Senador Crivella é um dos líderes do PRB, que deve lançá-lo candidato ao governo do Estado do Rio, junto com a candidatura ao sanado (também pelo RJ) do Bispo Edir Macedo, que é o principal líder e fundador da Igreja Universal.

O regime democrático brasileiro precisa ter maturidade suficiente para aceitar que membros da cúpula da Igreja Universal possam se candidatar a cargos públicos pela via eleitoral. Eles são cidadãos como outros quaisquer. Têm direitos políticos. Quem discordar das idéias deles que os combata no campo político, usando estratégias e ações de marketing eticamente permitidas.

Não é justo promover um boicote ao político Marcelo Crivella, como ocorre atualmente. Aliás, é burrice da mídia agir assim. O senador, como homem público, tem eleitores. Na vida privada, em sua religião tem seguidores. No mundo artístico, é um premiado artista gospel. Tem experiência comprovada na gestão de um projeto social.

Amo polêmica! Antes que os rotuladores de plantão ajam também contra o que agora escrevo ou falo, aviso logo que não sou evangélico e não sou eleitor do senador Crivella. Sou Flamengo e jogo no time de Deus. Mas respeito quem eventualmente torce pelo América - tido como o time do Diabo. Maniqueísmos fazem mal à saúde! Como sou cidadão, tenho pleno respeito por quem votou em Crivella e que acredita nas idéias por ele difundidas.

Acima de tudo, também sou jornalista praticante da liberdade, da igualdade e da fraternidade. Não aceito censura burra! Sinto-me no dever profissional e ideológico de combater a ignorância, os despotismos, os preconceitos, os erros e as censuras que comprometem o justo e perfeito exercício da atividade jornalística, afetando a vida de quem precisa e merece ser bem informado pelo meu trabalho.

Não sou e nem tenho vocação para Santo. Mas também não seria um qualificado editor para o jornal do inferno. Atuo dentro do bom senso, buscando sempre a verdade e a justiça, mesmo quando elas parecem utopias. Em nosso País, sinto sempre isto na pele, (cidadãos e jornalistas) somos obrigados a conviver com a falta de liberdade de informação – cada vez mais uma liberdade relativa. Pode-se afirmar que o mesmo acontece no mundo todo. Por aqui, o livre desempenho da atividade de imprensa é afetado por cinco fatores:

1) Os interesses de classe, políticos e econômicos dos controladores dos meios de produção e difusão de informação;

2) A falta de uma visão clara da importância essencial da liberdade de informação como princípio para o pleno desenvolvimento de fatores da vida social;

3) A ausência prática de percepção do papel cidadão dos profissionais de imprensa, que os torna, ao mesmo tempo, reféns dos controladores da mídia e reprodutores da opressão do sistema que combate a liberdade de informar;

4) A visão política distorcida da oligarquia (nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário), que manipula a informação como princípio de auto-sobrevivência e controle social;

5) A corrupção de valores inerente ao tradicional sistema político, que trata a informação como uma moeda de troca para a conquista e controle do poder.

No caso específico do político Marcelo Crivella, é uma infantilidade estratégica combatê-lo pela via da agressão jornalística ou pela omissão de sua atuação parlamentar e político. Não podemos ser coniventes com quaisquer preconceitos políticos. A frágil democracia brasileira jamais vai evoluir com uma imprensa que age assim. Ao denunciar a discriminação que lhe incomoda – e pode atrapalhar seus projetos políticos -, o senador Crivella está prestando um serviço à reflexão. O tema merece ser debatido, seriamente, em cada redação de jornal, rádio, revista ou televisão.

Jorge Serrão, 39 anos, 22 de jornalismo diário, especialista em política e administração pública, é Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total.

4 comentários:

Roberto M. A. Fontoura disse...

Louvável o ponto de vista do jornalista, Jorge Serrão. Concordo com a liberdade da imprensa imparcial, mas, como estamos em um país que se diz democrático e possui uma "mídia"(Organizações Globo, Editora Abril Etc.) de massa "isenta", temos que ler e ouvir, jámais participar, falar do mal e o desserviço que essas organizações causam ao país, pois só sabem se manifestar em defesa de seus próprios interesses. Não possui a mínima preocupação em detratar ou denegrir a imagem de pessoas que perante a justiça, são cidadãos de bem, até que se prove o contrário. Dizem que isso faz parte da democracia. É preocupante o rumo que a imprensa vem tomando no país. O direito de resposta, quando é legítimo, em um país de imprensa séria, não precisa entrar na justiça para se tentar reparar os danos causados à pessoa lesada, mas, infelizmente no Brasil, a justiça tem que ser acionada para garantir o cumprimento da constituição. Eu sei e fico feliz que ainda tem jornalismo e jornalista sério nesse país, e é nessa esperança que continuo a pensar que um dia as forças ocultas que impede o cidadão de ter direito a ter direito vão cair por terra. Sem me delongar mais, parabenizo o autor dessa matéria pela impressão de passar ao leitor imparcialidade e ausência de perseguição jornalística. É o que um simples cidadão (Consumidor) como eu posso querer de uma imprensa livre. Imparcialidade dos fatos e notícias verdadeiras. Muito Obigado.

Anônimo disse...

Sou descrente totalmete dessa im-
prensa brasileira, comandada pela
Organização Globo. Eu particular-
mente, considero a imprensa brasi-
leira como uma imprensa "marron";
isto porque a mesma não tem com-
promisso com a verdade, razão pe-
la qual a discriminação para com
o Senador Crivella é descaradamen-
te estampada nos príncipais jor-
nais deste país para todo cidadão
brasileiro inteligente ver. A dis-
criminação é tão latente, que ela
(imprensa-Globo e cia) ignoraram
a decisão de um orgão mais impor-
tante de nosso país,que é o Minis-
tério Público(MP)que durante doze
anos investigou o senador Crivella,
graças a manchete que a revista IS-
TO É lançou em sua capa a alguns a-
nos atrás, afirmando que o senador
Crivella tinha conta na Suiça, do-
no da tv cabrália etc... Manchete
como essa sobre o Senador Crivella
todos os demais meio de imprensa,
ou seja, falada, escrita, televisa-
da etc,notificaram com destaque;po-
rém o mesmo tratamento não foi dada
por nenhum órgão de imprensa, pas-
mem; a decisão tomada pelo MINISTÉ-
RIO PÚBLICO(MP), que absolveu o Se-
nador Crivella de todas as acu-
sações veinculado pela revista Ve-
ja, Jornal O globo e etc... Porquê,
hein? Será que ele assusta e eli-
te deste país? O povo está acostu-
mado a ter político que disputa o
executivo, compromissado com a eli-
te deste país(Banqueiros, Organiza-
ção Globo etc...); e que por isso
mesmo se vêem de mãos atadas, sem
poder fazer nada pelo povo, a não
ser aumentar os juros e inventar
impostos para sugar o pouco que o
povo tem, principalmente os mais
pobre, e dar ao FMI e a elite des-
te país. BASTA DE TANTA HIPOCRI-
SIA, Crivella é sinônimo de mudan-
ça. Embora eu faça parte da famí-
lia Universal, me considero um
Cristão inteligente; isto porque
vejo o ipope discriminá-lo ao as-
socia-lo a Iurd, com o intuito de
mostrar para os menos esclarecidos,
que o Senador Crivella irá Governar
para o povo da IURD. Porque, o ibo-
pe ou a imprensa em geral não apre-
senta os demais candidatos associado as suas respectivas reli-
giões, hein??????????????????????
O Senador Crivella quando idealizou
o Projeto Nordeste, não fez discri-
minação em ajudar o povo do sertão;
que tem na sua maioria pessoas vol-
tada para a fé nos moldes do ensi-
namento Católico. Enfim, ele igno-
rou tal fato e construiu com os
seus próprios recursos um Projeto
que ajudou e tem ajudado a muita
gente, e isto com vendas de cds,
livros etc... Imagine um homem
desse, sem se ajuntar com a elite
deste País, o que não fará pelo bem
dos pobres, dos rejeitados deste
país tão rico; porém pobre em vir-
tude da corrupção e do egocentris-
mo dos poderosos. BASTA!!!
Muito grato pela oportunidade des-
te desabafo.

Anônimo disse...

Marcelo Crivela é sinônimo de cidadania deve ser com certeza o governador do Rio de Janeiro. Aqui no Nordeste do Brasil nós temos o cantor Falcão que também é Engenheiro Civil e no Rio Marcelo Crivella que é Cantor, Engenheiro Civil, Político e tem o coração quebrantado para divulgar a Palavra de Deus as todas as pessoas sem discriminação. O eleitorado do Marcelo Crivella é um presente de Deus, que nem a Globo ou Editora ou Rádio poderá tirar dele, pois é fruto do seu clamor em favor daqueles que o aceitam como ele é. Marcelo Crivella, Irecê tem seus valores sociais resgatados e te agradece, obrigado por você existir. Tenho certeza que o Rio de Janeiro vai despertar, abrir os olhos e ver em você a força para fazer esta cidade mais próspera, rica e segura.

Diego Braga disse...

Começo dizendo que Crivella não está entre minhas esperanças de melhora política, mas não por ser evangélico. Neste pormenor, é totalmente justa - e confesso que rara - a ousada da posição adotada na matéria, alertando para a discriminação religiosa permeada de interesses políticos e econômicos. Perigosa para a democracia, sem dúvida, e muito mais perigosa para a convivência humana, sempre permeada de diferenças.

Sou contra discriminação, não apenas de evangélicos, mas também de homossexuais, negros, índios, mulheres e nordestinos. É tão inaceitável um esquerdista ou dono de meio de comunicação discriminar um evangélico (mesmo que este não seja gestor de projetos sociais!), quanto um evangélico discriminar homossexuais, adeptos de cultos afrobrasileiros (por exemplo imputando-lhes prática do mal e adoração ao diabo, entidade que só existe no cristianismo, o que soma ignorância ao preconceito), etc.

Como não é fácil negar que o preconceito para com religiões outras (todas as "outras"!) e homossexuais (para ficarmos nos mais exacerbados) está quase que onipresente nos meios evangélicos, então, igualmente, o crescimento do movimento evangélico tal como atualmente acontece (isto é, cheio de discriminações) pode representar, sim, uma ameça igual à democracia e principalmente à convivência com as diferenças. Para quem acha que não há discriminação, não se limite a assistir programas de televisão evangélicos. Nestes, há a audiência não-evangéica que, portanto, tende a não compartilhar e até mesmo ser alvo dos preconceitos que muitos (não todos) os evangélicos têm. Portanto, na tv, ameniza-se o discurso preconceituoso. Experimente ir a cultos evangélicos! Isto bastará.

Por outro lado, em meio ao "esquerdismo" dominante, realmente, virou "crime ideológico" defender evangélicos em seus direitos de cidadãos iguais, que são e que devem ser respeitados. Evangélicos são cidadãos com direitos iguais, seres humanos dignos e com direitos iguais, que devem ser respeitados por todos e defendidos em seus direitos. Mas também devem, para isso, respeitar. Isso já diz a sabedoria popular.

Crivella é candidato como outro qualquer. Cabe ao eleitor consciente e politicamente formado (coisa rara) votar em quem julgar melhor, ou menos ruim. Não pode haver discriminação política por questões religiosas, está certo. Mas também o voto é uma ação política e não religiosa. Devemos votar por questões políticas, isso é mais que uma responsabilidade, é um dever. O princípio que condena a discriminação política de Crivella por ser ele sobrinho de Edir Macedo e membro de destaque da Igreja Universal é exatamente o mesmo que deve condenar o voto por questões religosas. Política e religião separadas, desde Montesquieu.

Portanto, não votemos em um candidato somente porque ele é pastor ou padre da nossa igreja, ou jogador do time de nosso coração, ou nosso cantor, ator, humorista, drag queen, dançarina favorita. Votemos por questões POLÍTICAS. Também os candidatos, se querem se fazer respeitar pelo princípio de separação entre política e religião, façam o favor de também SEPARAR POLÍTICA E RELIGIÃO DE SEUS DISCURSOS E CAMPANHAS POLÍTICAS E, PRINCIPALMENTE DE SEUS PROJETOS E AÇÕES POLÍTICAS. Se não o fizerem não podem reclamar, porque desrespeitam o princípio pelo qual querem ser respeitados.

O segundo ponto, agora:

Parece uma contradição que Crivella se considere prejudicado pela associação de seu nome ao da Igreja Universal de Bispo Macedo, a que pertence de modo representativo. Será que Crivella, não enquanto o bispo que é, mas enquanto o candidato que é, considera a Igreja Universal de seu parente, o Bispo Macedo, assim tão ruim, a ponto de poder difamá-lo perante a sociedade, pela simples associação de seu nome ao da Igreja?!

É claro que Crivella é inteligente e não está se contradizendo. PARA ELE, a Igreja Universal é boa, mas para a parcela não evangélica (maioria) da sociedade, não. Isso é o que se comprova pelo seu próprio sentimento de estar sendo prejudicado pela associação de seu nome ao da Igreja. Mas Crivella, em suas campanhas, discursos, projetos e ações políticas, por vezes lança mão da associação entre política e religião (sem mencionar expressamente a sua ligação com a Universal PARA ALÉM DOS CÍRCULOS DE FIÉIS EVANGÉLICOS). São frequentes menções a deus e a questões religosas, em vez de menções a fatos e questões políticas. Ele desrespeita o mesmo princípio por que quer ser respeitado.

Crivella sabe o que a Universal representa PARA A SOCIEDADE EM GERAL, por isso sabe do dano que lhe causa a associação. Quando a sociedade reconhece alguma coisa como um problema, devemos deixar a democracia decidir. A vontade da maioria - se votar consciente e politizadamente sem fazer do voto questão de fé - é que vai decidir.

Se os candidatos não querem se prejudicar por associações que "a mídia" faz entre seus nomes e determinadas instituições religiosas, eles devem dar o exemplo e começar por não fazer aquilo que criticam quando a mídia o faz.

É que a mídia o faz para todos, não escolhe o discurso adequado para o público adequado...