domingo, 4 de junho de 2006

Acordos e trapaças

Edição de artigos de Final de semana do Alerta Total: http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

Não faz muito tempo, o então ministro da Fazenda (2003-06), Antônio Palocci Filho (PT-SP) era considerado espécie de semideus, figura cuja palavra se considerava irrefutável, senhor da Terra e do dinheiro público farto e generoso (para alguns).

Até chegar o momento em que não se tinha mais como esconder suas falcatruas e desvios praticados em ação cínica invulgar. É possível que a maioria não mais se lembre de discurso efetuado pelo presidente Dom Luiz Inácio (PT-SP), confessando ser “unha e carne” com sua então excelência.

Depois que caiu em desgraça, apesar de ostentar padrão de vida que foge à renda declarada, Palocci passou a ser mero pilantra entre vagabundos de baixa categoria, envolvido agora em denúncias que o aproximam das atividades criminosas do comendador Arcanjo.

Esta última pecha lhe foi pespegada em depoimento efetuado na CPI dos Bingos por Zildete Leite dos Reis, ex-cozinheira do comendador. A cozinheira disse mais: afirmou que não somente Palocci, mas também Paulo Okamotto e o ex-ministro Zé Dirceu costumavam visitar Arcanjo no em sua residência no Mato Grosso.

E que teriam saído de lá carregando dinheiro (dólares), em malas, afirmação que alguns trataram logo de classificar de “fantasiosas”, cuidando de colocar panos quentes em cima e aguardar sentar o resíduo da poeira levantada, pois tal tipo de revelação, quando apurada, costuma espanar lama para cima de muita gente graúda.

Agora, mesmo sem ter ido muito a fundo nas quase inacreditáveis palavras da cozinheira, a CPI dos Bingos deverá pedir o indiciamento de Palocci, do chefe-de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho e do presidente do Sebrae, Paulo Okamotto.

Este último, conhecido como “doador universal”, costumava pagar contas pessoais do presidente da República e de seus familiares, mas teve a quebra do sigilo bancário recusada pelo STF – Supremo Tribunal Federal, em determinação do ex-ministro (hoje aposentado) Nelson Jobim (PMDB-RS).

Pior de tudo é não saber quem é oposição e tampouco governo, pois informação veiculada pelo bem informado blog, “Alerta Total”, sob a responsabilidade do jornalista Jorge Serrão, relatou pormenores de encontro político mantido em Nova York (EUA) que mereceria maior repercussão por parte dos meios de comunicação.

Estavam presentes (no último dia 18), o ex-presidente FHC, o governador Aécio Neves (MG) e o senador Tasso Jereissati (CE), todos do PSDB, mais o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), tentando fechar acordos políticos e negócios mal explicados.

Eles englobam a quantia de 30 bilhões de reais para um “megaprojeto de concessões e parcerias público privadas em rodovias brasileiras”. E quem estaria no comando de todo esse arranjo, segundo o Alerta Total?

O filho de FHC, Paulo Henrique Cardoso, “que fechou uma parceria com um poderoso grupo de empreiteiros canadenses”. Nesse acordo, digno das melhores famílias mafiosas, “o próximo governo petista se comprometeria a não alterar as atuais bases econômicas que interessam ao sistema financeiro internacional”.

Enquanto isso, como resultado da privatização empreendida pela gestão FHC (1995-2003), o setor elétrico está apertando o laço em torno do pescoço de milhões de contribuintes, tornando impossível o pagamento de uma simples conta de energia por parte dos consumidores que recebem míseros salários. Mas a farra oficial continua.

Não é preciso ser vidente para imaginar como tudo isso irá acabar.

Márcio Accioly é jornalista

Um comentário:

Anônimo disse...

Where did you find it? Interesting read » »