sexta-feira, 23 de junho de 2006

O Imperador contra o embaixador araponga

Edição Extra desta Sexta-feira do Alerta Total: http://alertatotal.blogspot.com

Por Jorge Serrão

Exclusivo - Dor de cabeça para os radicais petistas. O Imperador do Rio, avae Ceasar Maia, resolveu detonar, definitivamente, o embaixador Jacques Claude François Michel Fernandes Vieira Guilbaud – indicado pelo governo petista para atuar na Guiné-Bissau. Maia enviou um artigo ao Presidente Lula, ao Itamaraty e aos senadores repudiando a nomeação de Guilbaud que, no regime militar, prestava serviços ao SEDOC (Serviço de Documentação), do Itamaraty, que usava esse nome fantasia para encobrir suas relações diretas com o SNI.

Cesar Maia adverte que dois funcionários estão vivos e serviram nesse serviço e poderão depor a respeito na Comissão de Relações Exteriores do Senado: os Ministros Murilo de Miranda Basto Filho e Agildo Sellos de Moura. Ambos residem em Brasília. O Embaixador Claudio Sotero Caio tem um longo dossiê sobre o caso. Cesar Maia recomenda que ele seja ouvido, pois está disposto a depor. O caso tem tudo para gerar uma crise no pragmático governo petista – principalmente entre os que se consideram “vítimas da ditadura” e lutam por indenizações milionárias.

O Alerta Total publica a íntegra do apelo de Cesar Maia ao Presidente Lula e aos senadores:

Todos aqueles que lutaram por um regime democrático não podem ficar calados frente a um fato gravíssimo que é um governo - de partido do qual participam tantos que lutaram pela mesma causa, que foram presos e aviltados- indenizar e promover um embaixador que se prestou aos papéis mais sórdidos no período ditatorial.

Tantos democratas que lutaram -pagando com sua saúde, sua vida, seu futuro- se encontram hoje em atividades profissionais as mais diversas e em partidos políticos distintos, em situações diferentes. Mas esse passado nos faz convergir.

Sou daqueles que entende que anistia é anistia, e para todos os lados. Mas indenizar um servidor público que em condição de mando ocultou sua identidade de agente de espionagem e delação, na carreira diplomática, e agora -inacreditavelmente- promovê-lo na aposentadoria, a embaixador da Guiné, como prêmio especial e reparo do que fez, é inaceitável. É escandaloso.

O próprio processo que refez a decisão da comissão dirigida pelo embaixador Ricúpero, o indenizou e lhe concedeu direitos, deveria ser revisto a bem da moralidade pública e da integridade democrática.Tive ocasião -uns poucos anos atrás- contar em artigo na imprensa (clique no final), o que se fez na embaixada brasileira em Santiago cujos "porões" serviram para reunião preparatória dos golpistas no dia 7 de setembro, no aniversário de nossa Pátria.

A repercussão no Chile foi enorme. Aqui -a investigação que pedi- não foi feita. E tudo em defesa da história do Itamaraty, que orgulha a todos nós brasileiros como padrão de serviço público. Se este ato for consumado, o Itamaraty estará sendo tão seviciado quanto foram os atingidos pelas sevícias praticadas ou estimuladas pelo embaixador-agente.

Não vou fazer história para trás, sobre a segunda guerra mundial e as origens nazistas dele, pois não posso transferir responsabilidades por gerações. Mas os arquivos franceses podem contar. Mas não descarto que por educação ou por dna se possa explicar muito.

Histórico do embaixador

Foi na condição de "araponga" que o diplomata Jacques Guilbaud serviu no Chile. Cumprida a "tarefa" de espionar exilados, ele seguiu para Portugal em 1977. "Minha missão seria a de apurar, isto é, confirmar o envolvimento de diplomatas brasileiros com os soviéticos (KGB)", escreveu Guilbaud ao advogado Francisco Arrais Rosal, referindo-se à polícia secreta da extinta União Soviética.

Apesar de ter desempenhado um papel pouco nobre no período, Guilbaud conquistou do governo federal, no fim do ano passado, uma pensão mensal vitalícia de R$ 8.500, além de uma indenização de R$ 955 mil, como se tivesse sido vítima de perseguição pela ditadura brasileira. Pelos registros do Itamaraty, o diplomata foi demitido em 1980, por abandono de emprego, quando servia no Consulado de Toronto, no Canadá.

O embaixador Rubens Ricupero, hoje secretário-geral de Comércio e Desenvolvimento das Nações Unidas (Unctad), em Genebra, na Suíça, presidiu a comissão que se deslocou para Toronto para apurar os motivos da ausência do diplomata. Como Guilbaud não atendia o telefone, um funcionário foi enviado a sua casa, mas ele se recusou a assinar uma citação. De uma segunda vez, quem atendeu foi a empregada, que ficou de chamar Guilbaud.

"Passou um certo tempo e a rua foi invadida por carros de polícia, que prenderam nosso representante. Guilbaud chamara a polícia dizendo que éramos do esquadrão da morte e íamos exterminá-lo", relata Ricupero.

Curiosamente, o secretário-geral não foi ouvido pela Comissão de Anistia que decidiu pela indenização de Guilbaud.

Cesar Maia finaliza com um link de um artigo seu, de anos atrás, sobre o caso do embaixador:

http://geocities.yahoo.com.br/blogdocm/artigojb.pdf

Um comentário:

Anônimo disse...

Best regards from NY! »