domingo, 18 de junho de 2006

Os infratores serão alertados

Edição de artigos de Domingo do Alerta Total: http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

Quem veio primeiro, o ovo ou a galinha? A resposta não será respondida ainda desta vez, mas o MPF - Ministério Público Federal - de Roraima irá colocar em pauta uma discussão que muito promete render ao longo da campanha eleitoral deste ano. O político é corrupto porque compra o voto, ou corrupto é o eleitor que o vende?

Caímos dentro de círculo vicioso, no qual a sociedade por inteiro é estrangulada. Ou as classes médias se mobilizam e participam ativamente da campanha eleitoral, ou dentro em breve não teremos muita coisa a salvar do formidável incêndio.

O fato é que o MPF, através do procurador Rômulo Moreira Conrado, anunciou estar instruindo “mais de 15 processos contendo indícios de abuso de poder econômico ou político”. A notícia passou em brancas nuvens no chamado meio político, que dela não quis tomar conhecimento ou fez, de forma deliberada, ouvidos de mercador.

A informação que circula é a de que alguns dos mandatários estão montados em muito dinheiro (certamente conseguido de forma ilícita), prontos para investir o quanto for preciso, a fim de manter posições.

Os que compram votos (e fazem isso há séculos), não estão se incomodando com o clamor das ruas, com a violência e a miséria que grassam na falta de educação e na ausência de investimentos, pois só enxergam o próprio nariz.

Segundo o MPF de Roraima, os processos instruídos até o momento envolvem pessoas que detêm mandato eletivo. Aguarda-se apenas o registro das candidaturas dos investigados. A sociedade tem a obrigação de participar, denunciando, apontando irregularidades, contribuindo para uma limpeza geral nas instituições.

Os que se encontram insatisfeitos devem agir com presteza. Não é possível que se observe a derrocada social, o mar de lama que nos ameaça encobrir a todos, sem que se manifeste indignação ou se aja prontamente.

Os responsáveis pela elaboração das leis (parlamentares estaduais e federais) são os primeiros a transgredi-las, pois se consideram acima de todas elas. Ilícitos são comentados e praticados às claras, inseridos no cotidiano como absolutamente normais.

Na quinta-feira (15), no blog do jornalista Ricardo Noblat uma matéria informava que Joaquim Roriz, (PMDB), ex-governador do Distrito Federal, “anunciou o que se esperava: seu candidato ao governo de Brasília nas eleições de outubro será Maurício Corrêa, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal”.

Mais adiante, explicavam-se as razões de tal apoio: mesmo “sem apostar um tostão nas chances de Corrêa”, Roriz vai apoiá-lo por estar “convencido de que Corrêa foi muito importante para sua absolvição pelo Supremo, em processo a que respondeu por abuso de poder econômico nas eleições de 2002”.

Vejam só: o STF sendo utilizado como moeda de troca! O favorecido num processo na mais Alta Corte do país entende que é dada a hora de retribuir. Mais claro do que está é impossível. Como é que se pode exigir respeito, dessa maneira?

A desfaçatez chegou a tal ponto que ninguém mais se preocupa, sequer, em manter aparências. Depois, reclamam quando o PCC ou o Comando Vermelho fazem seus movimentos pelo Brasil afora, discutindo regras e impondo condições.

Se Beira-Mar possuísse mandato eletivo, claro que seria tratado como “excelência”. E iria adiar por muito tempo uma provável cassação. Afinal, Palocci, Zé Genoíno e José Mentor, entre outros (não esquecer João Paulo Cunha) tiveram seus nomes aprovados como candidatos a deputado federal pelo PT, nas eleições de 2006.É preciso que se afastem os bandidos da disputa e se inicie a limpeza desejada.

Márcio Accioly é jornalista

Nenhum comentário: