domingo, 25 de junho de 2006

Questão de Sobrevivência

Edição de artigos de Domingo do Alerta Total: http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

Um dia depois de o líder do PSDB na Câmara, Jutahy Júnior (BA), pedir que a Receita Federal investigue “se o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, cometeu irregularidades ao receber cerca de quatro milhões de dólares de honorários advocatícios”, o cientista político Walder de Góes fez importante análise.

Ele é um estudioso respeitado, vinculado ao Ibep (Instituto Brasileiro de Estudos Políticos) que diz existirem “três pontos” nas pesquisas qualitativas de opinião pública que explicam o favoritismo de Dom Luiz Inácio (PT-SP) como candidato à reeleição.

Na interpretação dessas pesquisas, segundo Góes, o primeiro ponto indica que as pessoas das classes D e E entendem o quadro eleitoral dessa forma: “os líderes do PT são bandidos e ladrões; os ministros do governo, também. E o (ex-ministro da Fazenda) Palocci é um traidor. Agora, o presidente Lula é o nosso guia”.

Já no segundo ponto, ainda de acordo com o cientista, conta positivamente “o preço dos alimentos e demais produtos da cesta básica. O arroz do Fernando Henrique custava 14 reais e 20 centavos. O arroz do Lula é de quatro reais e 30 centavos”.

O terceiro ponto aborda a questão econômica, com um “efeito geral de otimismo com o quadro”. Walder de Góes faz uma comparação com o cenário político vivido pelos EUA, quando Ronald Reagan foi presidente (1981-89).

“O ex-presidente norte-americano foi reeleito fazendo uma simples pergunta aos eleitores: ‘A sua vida está melhor agora do que há quatro anos?’ No caso brasileiro, a população está respondendo que sim”.

A gravidade do cenário político-social do país é responsabilidade de todos os que atuam na nossa vida pública. A corrupção não nasceu no mandato de nosso amável beberrão. Ela apenas tem sido exposta com toda intensidade e crueza.

Na gestão FHC (1995-2003), os desmandos atingiram níveis tão vergonhosos e comprometedores quanto os agora exibidos. O problema é que não se instalaram CPIs que os deixassem exposto à luz. Sua então excelência foi hábil em escondê-los.

Além do mais, bastaria investigação aprofundada, por parte da Receita Federal, para constatar que o fausto exibido pelos homens públicos do nosso país não encontra correspondência na renda apresentada.

Quando se observa que boa parte deles não dispõe de bens materiais (na declaração de rendimentos), constata-se que parentes mais próximos enriqueceram de forma estranha e injustificável. Mas o pior de tudo é a corrosão, a erosão do tecido social que começa a gerar medo na violenta disseminação.

Recentemente, um jornal de Pernambuco publicou que uma batida policial, realizada em favela das mais perigosas na capital recifense, não conseguiu prender um suspeito, homiziado em barraco, pois quase toda população da favela (centenas de pessoas), ameaçava e hostilizava os agentes da lei.

Muitas dessas pessoas gritavam que eles (os policiais) deveriam ir para Brasília, “prender os ladrões do Congresso”, pois aqueles, sim, “é que roubam em grande quantidade e ninguém faz nada”. Nem adiantou chamar reforços, porque a situação era de intimidadora sublevação.

Para começar a reverter essa conjuntura, será necessária a participação ativa de toda a sociedade, dedicando-se com afinco a um trabalho de limpeza e vigilância que depure nossas instituições. Os que se locupletam na desordem e nos desvios não têm qualquer senso crítico e não percebem a proximidade do arruinamento.

O Estado brasileiro está na UTI e, se não for salvo, todos seremos arrastados.

Márcio Aciolly é Jornalista.