domingo, 11 de junho de 2006

Sob o Domínio dos Bárbaros

Edição de artigos de final de semana do Alerta Total: http://alertatotal.blogspot.com

Por Maria Lucia Victor Barbosa

Depois do ataque do PCC, em São Paulo, liderado por seu chefe Marcola, a sociedade brasileira assistiu estarrecida a outro episódio de violência e acinte ao Estado de Direito: uma horda de bárbaros, que se denomina Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST), invadiu e depredou o Congresso Nacional ferindo funcionários, sendo que um deles gravemente. Apesar das prisões, provavelmente nada vai acontecer aos vândalos e a seus líderes porque o MLST, uma dissidência do MST, é cria do PT e, conforme documentos e depoimentos de integrantes do movimento, é sustentado pelo governo petista.

Nada acontece por acaso e o MLST, como o MST, vem há tempos desenvolvendo suas táticas criminosas sob os olhares complacentes de autoridades federais, estaduais e municipais. No campo ambos movimentos desenvolvem ações terroristas: invadem terras (de preferência produtivas), roubam máquinas, matam gado, ateiam fogo às sedes das fazendas, intimidam proprietários rurais e muitas vezes os impedem de ir e vir juntamente com seus funcionários.

Mas isso é feito bem longe dos olhos citadinos, sem maiores repercussões na mídia. Agora a baderna aconteceu no poder central e o país viu como funciona um “movimento social” que resolve suas reivindicações com tijoladas democráticas e barras de cimento pacíficas, utilizadas para destruir tudo que a horda vê pela frente.

O chefe do bando, Bruno Maranhão, é compadre do presidente da República, faz parte da Executiva Nacional do PT, é secretário de Movimentos Populares desse partido, integra a coordenação de campanha de reeleição de Luiz Inácio. Supõe-se que ele apresente reivindicações e programas relativos ao seu ideário para serem executados num segundo mandato do PT.

Seria Maranhão um pobre sem-terra, um agricultor sofrido e indefeso penalizado pelas agruras da miséria? Não. O líder do MLST pertence à família de ricos usineiros pernambucanos, o que não impede que tenha aquela personalidade insana que produz os pequenos Mussolinis. Como seu equivalente do MST, o pós-graduado João Pedro Stédile, se pode dizer que Maranhão é um intelectual orgânico no estilo de Gramsci.

Ele é engenheiro civil e envia os filhos para estudar nos Estados Unidos, porque para essas coisas de “elite branca” aqueles “porcos ianques” servem. Na sua porção folclórica Bruno Maranhão se apresenta com estilo revolucionário e realiza seu imenso ego como esquerdista radical chique. Em suma, é um típico petista de antes de alcançar a presidência da República.

Deve estar orgulhoso de si mesmo, pois não se tem notícia de que os congêneres guerrilheiros e sanguinários de seu MLST, como as Farc da Colômbia e o Sendero Luminoso do Peru, tenham chegado a tanto atacando uma das principais instituições do país em ato de intensa selvageria que deixou deputados e senadores acuados e aterrorizados para alegria da horda ensandecida de ódio.

Será que Stédile não está com inveja do concorrente? Talvez, não. O líder do MST havia prometido por “movimentos sociais” em ação nas cidades, pois no meio rural eles passam desapercebidos da maioria da população. Assim, Bruno Maranhão deu até uma mãozinha e coroou de êxito o objetivo de Stédile. Foi demonstração de violência para esquerda nenhuma por defeito.

Naturalmente não faltou quem justificasse o ataque ao Congresso desgastado pela complacência da maioria dos parlamentares com relação aos seus pares mensaleiros. A tropa de choque do PT e os partidos aliados ao Executivo na parceria da corrupção se encarregaram de desmoralizar a instituição que, enfraquecida juntamente com o Judiciário, agora outorga todo poder ao Executivo. Por isso, em júbilo, a esquerda comemorou a façanha dos companheiros e camaradas e sentiu a proximidade da “outra vida possível” de socialismo requentado prestes a ser alcançada no segundo mandato.

Enquanto isso o povo respira e vive Copa do Mundo sem se importar com o destino que o aguarda. Não percebe que ontem os bárbaros estavam invadindo e depredando fazendas. Hoje atacam o Congresso Nacional, naturalmente preservando o Palácio do Planalto, pois o grande companheiro deve ser sempre protegido. Amanhã poderão entrar nas casas e destruir o que quiserem.

Ressalte-se que os bárbaros sabem que o companheiro Luiz Inácio é apenas transição. Como presidente da República é ficção na medida em que de fato nunca governou. Seria apenas mais um candidato sul-americano apoiado por Hugo Chávez. Mesmo assim, as pesquisas concedem a essa miragem o primeiro lugar nas intenções de voto.

Parece que chegamos àquele ponto citado por Ortega y Gasset, pois são inúteis os argumentos racionais. A maioria não se deixará influenciar, fechará hermeticamente os ouvidos e pisoteará com mais força aqueles que quiserem contrariá-la. Portanto, caminhamos sem instituições que nos amparem para o domínio dos bárbaros, onde sua vontade é lei e a violência seu modo de governar.

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.