quarta-feira, 16 de agosto de 2006

Desonestos credenciados

Edição extra de Quarta-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

Comenta-se em Brasília que a próxima composição do Congresso Nacional corre o risco de ser ainda pior do que a atual. Justamente quando se imaginava ser tal fato absolutamente impossível!

São tantos os bandidos encastelados no Poder Legislativo Nacional que ninguém iria ficar surpreso se, de repente, aparecesse algum ditador maluco que mandasse gradear todas as portas de acesso ao majestoso edifício. Pedir-se-ia, então, documentos dos que desejassem sair.
Somente depois de ampla investigação (levantando-se fichas policiais e grau de periculosidade) é que seria permitida a saída dos comprovadamente honestos. O mesmo deve ser aplicado à maioria das Assembléias Legislativas dos 26 estados da Federação. Com relação à Câmara Distrital do Distrito Federal, o caso é escabroso.

Vejam só: um dos integrantes do Conselho de Ética do Senado, Ney Suassuna (PMDB-PB), deverá ser acionado pelo Ministério Público Federal com um pedido de abertura de inquérito e “o oferecimento de uma denúncia”. A notícia correu pelos meios de comunicação e foi dada em primeira mão no blog do Josias de Souza.

Além disso, Suassuna já responde a inquérito que apura seu envolvimento com a máfia das ambulâncias, em investigação solicitada pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza e devidamente autorizada pelo ministro do STF Gilmar Mendes. Caso para cassação pura e simples.

O senador, em passado bem recente, deu suporte à indicação do senador Romero Jucá Filho (PMDB-RR) para o Ministério da Previdência, cargo que este último ocupou quase que de forma clandestina, tendo sido removido debaixo de uma saraivada de acusações das mais desairosas.
Ney Suassuna exerceu também grande esforço na tarefa de absolver o senador Filho em três pedidos de cassação que encaminhei ao Senado, dentro do mesmo famigerado Conselho de Ética que, pelo visto, encontra-se transformado numa confraria de “capos” mafiosos.

O senador Filho apresentou documento falso, no pedido que se referia à sua condição de sócio-administrador de emissora de televisão (vedado pela Constituição Federal e pela Resolução 20/93 do próprio Senado), dando mostra cabal de que nada é capaz de deter seu ímpeto criminal.

Refiz o processo e o reapresentei, mas ele não tramita. Agora, existe a desculpa das eleições e o presidente do Conselho de Ética, senador João Alberto (PMDB-MA), que ficou conhecido no seu estado como “governador dez por cento”, faz tudo ao alcance para proteger Romero Jucá Filho.
Existe também a denúncia do superfaturamento do Terminal de Ônibus do Caimbé e da Vila Olímpica. Apesar da pilha de documentos disponíveis sobre o caso, nenhuma providência. A principal acusada, ex-prefeita de Boa Vista Teresa Jucá (PPS) faz ouvido de mercador e busca desesperadamente mandato eletivo que a livre de tudo.

Caso se eleja senadora, ela só poderá ser processada pelo STF, estando livre para agir. É essa a realidade triste e preocupante desse nosso país, em clima de guerra civil, impotente diante dos desmandos oficiais.Quanto a Ney Suassuna, está buscando também a reeleição e sabe que, se não conquistá-la, a situação deverá ficar angustiante para seu lado, correndo até mesmo o risco de merecida prisão. Que país triste esse nosso! Onde as autoridades são vistas como contumazes e incorrigíveis meliantes.

Márcio Accioly é Jornalista.

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