domingo, 6 de agosto de 2006

Golpe em Marcha

Edição de artigos de Domingo do Alerta Total: http://alertatotal.blogspot.com

Por Maria Lúcia Barbosa

Fernando Rodrigues, em seu editorial “O desejo lulista”, expressou algo que passou desapercebido da maioria, mas que soou como alarme: “o comando da campanha petista acredita na ocorrência de um fenômeno irreversível que dará a Lula a vitória no primeiro turno” (Folha de S. Paulo, 02/08/2006).

Que fenômeno irreversível é esse não foi explicado, mas é obvio que o PT não pretende deixar o poder com suas maravilhas e privilégios. Isto é importante, mas o motivo principal é mais complexo: existe um projeto da esquerda latino-americana onde o Brasil se encaixa sob o comando de Hugo Chávez. Este, inclusive, já declarou que Lula é seu candidato e entre os dois existe uma ligação que se expressa por palavras e atos. Mesmo porque, a sua maneira o governo petista tentou seguir no rastro do falso democrata venezuelano.

Conforme já observei em outros artigos, Hugo Chávez tentou alcançar o poder através de golpe e malogrou. Atingiu seu objetivo pela via eleitoral, em 1998. Uma vez empossado plasmou um Legislativo, um Judiciário e um Exército à sua imagem e semelhança, o que vem lhe permitindo exercer seu arbítrio. Em 1999 fez sua Constituição e, através dela, ampliou seu mandato de cinco para seis anos, introduziu o casuísmo que lhe permite sucessivas eleições, enfim, assumiu plenos poderes que lhe permitem intervir de forma ditatorial na política e na economia da Venezuela.

Reeleito, fala em permanecer no poder até 2030 ou, quem sabe, por mais tempo. Seu modelo é o da democracia direta, ou seja, nenhum poder entre ele e a massa de pobreza que continua pobre, mas agradece suas esmolas oficiais. Domina cada vez mais através da censura os meios de comunicação e quem falar mal do grande líder vai preso. Com seus petrodólares compra desde armas até escola de samba brasileira, e João Pedro Stédile o segue com suas hostes dos chamados sem-terra com mais fervor, parece, do que ao próprio LILS. MST, Farcs e associados deverão compor o exército latino-americano sob o comando de um Chávez expansionista obsessivo. Armado até os dentes, em seus delírios o venezuelano sonha destruir os Estados Unidos, que vive provocando com sua retórica de caudilho populista e falastrão.

Luiz Inácio só chegou lá na quarta tentativa. Golpe não houve, mas uma oposição estridente da parte dos petistas que, principalmente durante os oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso, foi implacável. Era constante o grito de “Fora FHC”. Avolumavam-se os pedidos de CPIs. Explodiam as acusações levianas e stalinistas feitas não a adversários, mas a inimigos políticos.

Em seu primeiro ano de mandato o desenvolto salvador da pátria governou através de Medidas Provisórias. Dóceis, PSDB e PFL se intitularam “oposições responsáveis”. A “base aliada” foi comprada pelo Executivo e originou os mensaleiros denunciados por Roberto Jefferson. O PT chegou a perder as rédeas do Legislativo com Severino, depois cooptado. Lutou como um leão, mas não conseguiu impedir as CPIs que escancararam a podridão do partido e do governo “ético”, que passará a história como o mais corrupto entre os corruptos. E se PT não alcançou o pleno controle que Chávez tem sobre os parlamentares venezuelanos, obteve um êxito não desprezível: desmoralizou completamente o Congresso Nacional dos mensaleiros, Agora emergem os sanguessugas, que no palanque do presidente em campanha parecem não afetar seu prestígio. Afinal, Luiz Inácio nada sabe, nada vê.

Quanto ao judiciário, através de sua instância mais alta, o Supremo Tribunal Federal, deixou de lado a Lei e politizou-se. A quem, então, a sociedade poderá recorrer? A Deus, quem for religioso. Ao mesmo tempo, Luiz Inácio protege e financia ditos “movimentos sociais” como o MST e o MLST do baderneiro sem-terra, o latifundiário Bruno Maranhão. É a democracia direta calcada no exemplo dos ditadores. Também não têm faltado esforços da parte do Executivo para cercear a liberdade de imprensa através de projetos onde viceja a censura. E é notável a atual onda antiamericanista gerada pelo PT.

Agora os petistas querem o poder absoluto calcado na idéia da convocação uma Assembléia Constituinte “apenas para fazer uma reforma política” porque o Congresso, segundo o presidente da República, é incapaz de realizar tal coisa. Assim, Luiz Inácio, que conta ser reeleito por conta de um “fenômeno irreversível”, governaria como gosta através de Medidas Provisórias e teria uma Constituição à sua imagem e semelhança. Como treinamento de sua ditadura disfarçada o governo já está censurando a “Voz do Brasil” e quer acabar com as CPIs. Quem quiser que duvide, mas há um golpe em marcha.

Na vizinhança, Kirchner consegue aprovar lei que lhe dá superpoderes e Evo Morales está prestes a obter sua Constituição. Tudo se encaixa no destino autoritário da América Latina. Fidel Castro, que deverá resistir a autópsia, deve estar em paz.

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.

Um comentário:

Anônimo disse...

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