domingo, 13 de agosto de 2006

Guerra é Guerra

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total: http://alertatotal.blogspot.com

por Márcio Accioly

Existem hoje duas nações dentro de nosso país: uma, oficial, circunscrita no âmbito daquilo que se entende como Estado formal. Arrecada impostos, promete serviços em contrapartida, tais como educação, saúde, saneamento básico e outros benefícios de natureza social, assegurando proteção e segurança às cidadãs e cidadãos.

Estruturada sobre três pilares básicos, Legislativo, Executivo e Judiciário (cada qual com definidas funções), essa nação acena com igualdade de direitos, democracia representativa e punição para transgressores de normas e regras (leis) vigentes. Mas não é isso o que se vê, ou o que se vive.

Esse Estado formal observa ruir seus pilares de sustentação, porque não aplica punição aos fora-da-lei. E isso é ruim, muito ruim. Péssimo! Porque a outra nação, organizada na marginalidade (tráfico de drogas, crimes de morte, assaltos, tráfico de armas e atividades semelhantes), começa a vencer a disputa.

As duas nações estão sempre em guerra. Luta desigual em que o Estado formal é o maior sacrificado e perderá de lavagem, pois sua credibilidade está indo ao chão e, nesse caso, não terá como impedir a instalação da desordem. Tudo é questão de tempo.

O Estado formal não tem como adotar o mesmo método da nação marginal (os mandatários maus elementos deveriam saber), pois existe, justamente, em contraposição àquela. Dessa forma, quando se torna público que suas leis são mera fachada (e que sua representatividade é de fancaria), a sociedade se vê atolada em intransponível lodaçal.

No Estado formal, os últimos governantes montaram edificação econômica que somente favorece os chamados países do primeiro mundo (no estabelecimento de dívida externa que já foi paga várias vezes e continua sendo “saldada”), aliada a esquema de corrupção em que a roubalheira salta aos olhos.

Os maiores beneficiários do Estado formal são os banqueiros e a camarilha que ocupa os cargos principais da administração em todos os níveis (municipal, estadual e federal). Recentemente, o procurador-geral da República indiciou 40 membros da gestão federal instalada por Dom Luiz Inácio (PT-SP), nosso amável beberrão.

No país dos marginais, os recursos financeiros, pelo que se observa nas informações divulgadas, são investidos em armamento pesado, assistência social e vantagens a que os mais de dois terços de excluídos não têm acesso no país formal.

Enquanto isso, o dinheiro que deveria se aplicar em educação, saúde e ações produtivas no Estado formal, vai, na sua maior parte, cair no bolso de assaltantes contumazes (uns, chamados de “mandatários”), sem nenhuma pena a lhes aplicar. E a nação formal ainda insiste, algumas vezes, em aprisionar simples ladrões de galinha.

Agora mesmo, a CPI dos Sanguessugas nominou quase uma centena de parlamentares no Congresso Nacional, os quais deveriam ter seus mandatos cassados por desvio de recursos no caso das ambulâncias.

Mas já se admite que ninguém será afastado, por falta de tempo hábil. Não existe, também, legislação que impeça tais larápios concorrerem a novos mandatos. Afinal, são eles próprios quem elabora as leis.

Assim, pareceria mais lógico se o governo formal designasse embaixadores para negociar com criminosos que comandam guetos e favelas, firmando espécie de trégua, vez por outra, a fim de que os cidadãos comuns possam trabalhar com certa tranqüilidade, produzindo a riqueza que tanto abastece um lado quanto o outro.

O que não se deve é ficar insistindo na existência de formalidades e rapapés, num Estado infestado de bandidos, enquanto a marginalidade avança sem cerimônia.

Márcio Accioly é jornalista.