domingo, 13 de agosto de 2006

A mídia inconsciente do PCC

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com/

Por Jorge Serrão

A organização criminosa Primeiro Comando da Capital conta com grandes e inimputáveis aliados em suas ações de guerrilha psicológica. Os editores dos principais jornais de televisão e rádio, na capital paulista, são os principais agentes inconscientes na divulgação exagerada e distorcida da atuação do PCC. A mídia está ajudando o crime politicamente organizado a vencer a chamada guerra assimétrica contra o sistema de segurança pública do Estado, que não tem velocidade e capacidade de reação imediata contra ações terroristas.

A grande imprensa trava uma guerra contra a realidade dos fatos na divulgação das isoladas ações criminosas do PCC contra o patrimônio. Manchetes do tipo “PCC volta a causar pânico em São Paulo com novos atentados”, chavões bastante comuns no noticiário de rádio e televisão, não refletem a verdade do dia-a-dia de quem vive em São Paulo. Os recentes ataques isolados da facção politizada do crime não afetaram a vida normal dos paulistanos, ao contrário do que os editores de jornalismo quiseram impor como verdade subjetiva deles, que vivem trancados no mundinho das redações.

Além de fabricar uma realidade que não é uma “verdade objetiva”, a exagerada cobertura dos eventos do PCC só serviu de propaganda para a ação pontual dos criminosos. Os editores-chefes da nossa mídia eletrônica agem como “inocentes inúteis” assessores de imprensa do PCC. Só a falta de visão política e social sobre a realidade objetiva explica por que os noticiários de rádio e tevê amplificaram a real dimensão dos atentados desta semana. Até prova em contrário, nossos famosos diretores de jornalismo não são membros honorários do PCC. Mas bem que merecem uma homenagem da facção, como agentes inconscientes na divulgação alarmista das ações de guerrilha urbana.

A mídia não discute a verdadeira intenção da organização criminosa. Seus editores-chefes preferem ignorar o conceito real de crime organizado, que é a sinistra associação objetiva de criminosos formais de toda a espécie com membros dos poderes estatais, para a prática de ações delituosas, utilizando a corrupção sobre as instituições republicanas como o principal meio para atingir seus fins. Além disso, a mídia prefere transmitir a imagem (até real) de um sistema de segurança que não funciona e que parece acuado diante da ação criminosa dos aprendizes de terroristas.

A cúpula da mídia eletrônica se limita a constatar os fatos – e não a condenar a ação criminosa. A cobertura dos telejornais prefere exagerar na descrição das imagens de destruição geradas por ações isoladas da guerrilha urbana. Falta espaço na cobertura jornalística para demonstrar que a sociedade não está satisfeita com a atuação da organização criminosa. Também carece de tempo no noticiário para mostrar que existe uma reação organizada contra o crime.

O Exército Brasileiro, por exemplo, por iniciativa de seus comandantes de área (e não por ordem direta do comando da força), já se prepara para uma reação contra a guerrilha urbana, na medida em que ela rompe com as instituições. O Comando Militar do Sudeste, em São Paulo, já tem 10 mil homens prontos para atuar na hora certa, de forma cirúrgica, contra o governo do crime. Tropas de elite da Polícia Militar participam de treinamentos intensivos, junto com o Exército, para agir brevemente, desarticulando o poder paralelo do crime organizado. Em Taubaté, onde fica a sede da aviação do Exército, não se fala de outra coisa há mais de um mês.

O mesmo plano de reação ao crime se desenvolve no Rio de Janeiro, onde o Comando Militar do Leste já testou seu planejamento tático, com ações operacionais em áreas de conflito, durante dez dias do mês de março, na bem sucedida intervenção nos morros cariocas, que teve alguns abusos de autoridade que podem ser corrigidos em futuras operações. Os militares empregaram o mesmo modelo que usaram, com algum sucesso, na ação militar no Haiti, onde o Exército e os Fuzileiros Navais atuam na Tropa de Paz das Nações Unidas. Os marginais ficaram tão sufocados que houve pressões políticas para que a intervenção militar fosse interrompida, como foi, por ordem do governo federal.

Nada custaria para a mídia amestrada lembrar que as Forças Armadas só podem ser usadas para a garantia da lei e da ordem nas hipóteses de decretação de Estado de Defesa (artigo 136), Estado de Sítio (artigo 137), intervenção federal (artigo 34, IV). Os militares também têm respaldo legal para atuar segundo previsões do artigo 15 da Lei Complementar 97/99, dentre as quais está a solicitação de estado membro da Federação.

Mas isso não significa que “a garantia da lei e da ordem” fique restrita a essas hipóteses listadas. A regra do Direito Constitucional é clara! Na verdade, a atmosfera de guerra urbana e o clamor de boa parte da população pela presença do Exército nas ruas exige uma análise bem cuidadosa de toda a sociedade esclarecida. As Forças Armadas não são a panacéia definitiva para combater o crime organizado, dentro do conceito doutrinário que já expusemos parágrafos atrás. O buraco da organização criminosa é mais em cima e mais embaixo. Está inflitrada na cúpula e nas raízes dos poderes republicanos. “Tá tudo dominado”.

Por isso, a imprensa precisa rever o seu papel na cobertura dos “supostos ataques do PCC” e deixar claro que a organização criminosa é o verdadeiro inimigo a ser combatido e eliminado. Os agentes do PCC são meros “laranjas” de interesses pretensamente revolucionários maiores. A Polícia já prendeu em São Paulo, nos primeiros ataques deste ano, vários estrangeiros, aliados ao PCC, que fazem parte de grupos narcoguerrilheiros, como as FARC colombianas.

Os serviços de inteligência das Forças Armadas já identificaram membros das FARC e do grupo separatista basco ETA que deram treinamento aos marginais do PCC e do CV (Comando Vermelho) carioca. Agora, o que a Agência Brasileira de Inteligência investiga é “importação”, para a região da tríplice fronteira da Argentina, com o Paraguai e o nosso País, de terroristas do Hezbollah. E o mais curioso é que eles estariam chegando ao Brasil, em aviões da Força Aérea Brasileira, na leva de refugiados brasileiros da guerra entre Israel e o Líbano.

Além de não noticiar a reação contra o crime, os agentes inconscientes da mídia preferem abrir espaço para aqueles que defendem uma suposta atuação militar como solução. Não é. Os militares só podem agir cirurgicamente, em ações objetivas. E a atuação não será com o factóide da Força Nacional de Segurança – mas sim com alguns setores da tropa regular que estão em treinamento intensivo. Os militares vão agir na hora certa, em parceria com a banda saudável da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

A organização criminosa – e seus verdadeiros comandantes - que não paguem para ver. Enquanto isso, os estrategistas das organizações criminosas contam com o apoio dos agentes inconscientes da mídia para amplificar ações de guerrilha urbana. O azar é nosso. Mas logo será deles.

O PCC usa a mídia de verdade

Uma nota triste: Já havia escrito este artigo na sexta-feira, e chega hoje de madrugada a informação de uma ação terrorista do PCC, imitando os terroristas da Al Qaeda.

Uma filmagem feita por um suposto integrante do PCC (Primeiro Comando da Capital) foi exibida à 0h28 deste domingo pela Rede Globo, em atendimento a uma reivindicação dos seqüestradores que levaram o repórter Guilherme de Azevedo Portanova na manhã de sábado (12), de uma padaria na avenida Luis Carlos Berrini (zona sul de São Paulo). O profissional continua desaparecido.

No vídeo, um criminoso faz críticas ao sistema penitenciário brasileiro. Ele pede um mutirão para revisão de penas, melhores condições carcerárias, e se posiciona contra o RDD (Regime Diferencial Disciplinado). O DVD com a gravação chegou à sede da emissora por volta das 22h30, pelas mãos do auxiliar técnico seqüestrado ao lado de Portanova. Ele foi libertado nas proximidades do prédio, na noite de sábado, e transmitiu à cúpula da TV a exigência de que as imagens fossem exibidas ainda na madrugada deste domingo, ou o repórter seria morto.

O filme foi exibido à 0h28. O boletim foi apresentado pelo jornalista César Tralli e durou 3min e 36seg. Horas antes, no "Jornal Nacional", a Globo exibiu os retratos falados dos suspeitos. O diretor de jornalismo da TV Globo São Paulo, Luiz Cláudio Latgê, ressaltou que a decisão de atender a reivindicação dos criminosos foi da emissora, sem participação do governo de São Paulo ou da polícia.

O auxiliar passa bem. Ele relatou que ficou ao lado do colega durante todo o tempo, encapuzado e com a cabeça abaixada, dentro de um carro parado. Por volta das 21h30, o repórter foi levado a outro carro e o auxiliar deixado próximo à sede da emissora, com o DVD.

Confira a transcrição da filmagem: "Como integrante do Primeiro Comando da Capital, o PCC, venho pelo único meio encontrado por nós para transmitir um comunicado para a sociedade e os governantes.A introdução do Regime Disciplinar Diferenciado [RDD] pela Lei 10.792/2003, no interior da fase de execução penal, inverte a lógica da execução penal.

É coerente com a perspectiva de eliminação e inabilitação dos setores sociais redundantes, leia-se "a clientela do sistema penal", a nova punição disciplinar inaugura novos métodos de custódia e controle da massa carcerária, conferindo à pena de prisão o nítido caráter de castigo cruel.

O Regime Disciplinar Diferenciado agride o primado da ressocialização do sentenciado vigente na consciência mundial desde o ilusionismo e pedra angular do sistema penitenciário, a LEP.Já em seu primeiro artigo, traça como objetivo do cumprimento da pena, a reintegração social do condenado, a qual é indissociável da efetivação da sanção penal.

Portanto, qualquer modaliade de cumprimento de pena em que não haja constância dos dois objetivos legais --castigo e a reintegração social--, com observância apenas do primeiro, mostra-se ilegal, em contradição à Constituição Federal.

Queremos um sistema carcerário com condições humanas, não um sistema falido, desumano, no qual sofremos inúmeras humilhações e espancamentos.

Não estamos pedindo nada mais do que está dentro da lei. Se nossos governantes, juízes, desembargadores, senadores, deputados e ministros trabalham em cima da lei, que se faça justiça em cima da injustiça que é o sistema carcerário, sem assistência médica, sem assistência jurídica, sem trabalho, sem escola, enfim, sem nada.

Pedimos aos representantes da lei que se faça um mutirão judicial, pois existem muitos sentenciados com situação processual favorável, dentro do princípio da dignidade humana.

O sistema penal brasileiro é, na verdade, um verdadeiro depósito humano, onde lá se jogam seres humanos como se fossem animais.

O Regime Disciplinar Diferenciado é inconstitucional. O Estado Democrático de Direito tem a obrigação e o dever de dar o mínimo de condições de sobrevivência para os sentenciados. Queremos que a lei seja cumprida na sua totalidade. Não queremos obter nenhuma vantagem. Apenas não queremos e não podemos sermos (sic) massacrados e oprimidos.

Queremos que: 1 - As providência sejam tomadas, pois não vamos aceitar e não ficaremos de braços cruzados pelo que está acontecendo no sistema carcerário.

Deixamos bem claro que nossa luta é contra os governantes e os policiais. E que não mexam com nossas famílias que não mexeremos com as de vocês. A luta é nós e vocês!"

Jorge Serrão, jornalista radialista e publicitário, é Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. http://alertatotal.blogspot.com/ e http://podcast.br.inter.net/podcast/alertatotal

4 comentários:

Anônimo disse...

Fiquei na dúvida... o comunicado partiu do PCC ou dos políticos e ideólogos da esquerda?

Anônimo disse...

Outra coisa que eu quero saber além da pergunta do Mário:
porque absolutamente ninguém da tv comentou sobre a reportagem da Veja que mostra provas do PCC dando ordens de ataque para derrubar o PSDB?

Unknown disse...

Parabéns pelo blog, alguém tem que ver o que esta acontecendo nesse país.

infelizmente a grande mídia parece conivente com o que esta acontecendo, todos se omitem, se joga tudo nas costas do Governo Alckmin em São Paulo, mesmo se sabendo que bandido não explode posto de gasolina, bancos e nem incendeia ônibus sem roubar nada, quem faz isso é terrorista.

A polícia de São Paulo se não fosse boa como é já teria caído, porque polícia nunca esta preparada para lidar com terroristas, mas os jornalistas fingem que não enxergam a realidade, minha vingança é que no caso deles vencerem, os jornalistas serão os primeiros a morrer.

Não é atoa que PCC também é o Partido Comunista de Cuba, tudo a ver.

Anônimo disse...

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