sábado, 19 de agosto de 2006

O nome e a personalidade

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total: http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

Uma coisa interessante de se observar, nas campanhas eleitorais do Brasil, é o horário político dito gratuito. Juras e promessas, trucagens eletrônicas e imagens falsificadas, tudo se permite às quadrilhas que descobriram o maná dos recursos financeiros públicos, disponíveis à sanha assaltadora dos detentores de mandato eletivo.

Como os que chegam ao Congresso Nacional (81 senadores e 513 deputados federais) são responsáveis pelas leis, nada mais fácil do que a criação de legislação que favoreça criminosos e larápios, os quais, na realidade, deveriam estar na cadeia.

De maneira que vemos desonestos às pencas exercendo mandatos, carregando tudo que se encontra à mão e escapando por infindáveis brechas de leis por eles próprios elaboradas. A máfia dos sanguessugas, por exemplo, encontrou logo de cara três senadores tidos anteriormente como acima de qualquer suspeita.

São eles: Ney Suassuna (PMDB-PB), Magno Malta (PL-ES) e Serys Slhessarenko (PT-MT). Com relação à última, dá-se um centavo de mel coado de prêmio a quem conseguir pronunciar seu nome corretamente.

Mesmo com tal graça, conseguiu envolver o genro numa negociata em que se saíram muito bem, sim senhor, embolsando alguns milhares de reais ilicitamente.

O presidente do Conselho de Ética do Senado, João Alberto (PMDB-MA), conhecido como “governador dez por cento” (apelido conquistado depois de ficar dez meses à frente do executivo do Maranhão), quis arquivar as denúncias contra os três, digamos, colegas de Casa, mas devido à pressão pública houve por bem recuar.

Foi João Alberto, juntamente com Suassuna e a infeliz do Mato Grosso, os que articularam o arquivamento de três pedidos de cassação do mandato do senador Romero Jucá Filho (PMDB-RR) encaminhados por mim ao Conselho de Ética.

Vejam só, o Conselho é presidido pelo maranhense, tendo o paraibano como titular e a mato-grossense na condição de suplente. Os dois últimos decidiram sair de lá, depois de apanhados no esquema da roubalheira das ambulâncias. Que Conselho de Ética formidável!

Aí, o que acontece no horário político de Roraima? O senador Romero Jucá Filho (que em Recife era conhecido por Filho e depois que foi alçado à carreira política passou a dar ênfase à denominação Jucá) resolveu inovar como se pretendesse apagar seu passado e agora só quer ser chamado de Romero!

Ele deve entender que dessa forma ninguém vai se lembrar do empréstimo tomado no Basa, quando se apropriou de milhões de reais do contribuinte, oferecendo como garantia sete fazendas inexistentes no estado do Amazonas. Porque, à época, sua excelência ainda utilizava o sobrenome Jucá, apesar de ter aposentado o Filho.

Agora é Romero, quem pede os votos dos roraimenses, mostrando estradas enlameadas e construções em ruínas, esquecido que sua esposa, Teresa Jucá, foi denunciada por pagar duas vezes o Terminal Rodoviário do Caimbé e uma Vila Olímpica que fica ilhada ao menor sinal de chuva.

Numa Capital que é a única no país a não possuir um pronto-socorro municipal, Filho vem logo falar em Saúde Pública! A periferia de Boa Vista tem lama no meio da perna, por falta de dreno e de tubulação por baixo de camada asfáltica a derreter como comprimido de sonrisal. As epidemias correm sério risco de virar pandemias!E Filho vem de nome novo, Romero, todo faceiro, jurando honestidade e disposto a cuidar de seu povo. O medo que faz é, no próximo pleito, depois de novas denúncias, ele desejar ser chamado simplesmente de Ró.

Márcio Accioly é jornalista.

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