domingo, 6 de agosto de 2006

Pior que o soneto

Edição de artigos de Domingo do Alerta Total: http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

A Folha de S. Paulo publicou um editorial, nesta segunda-feira (31), sob o título “Fundo do poço”, fazendo exposição do grave desempenho do Congresso Nacional, numa legislatura que deve ser considerada a mais desgastada e desmoralizada de toda a existência do Legislativo. Estamos caminhando para desfecho imprevisível.

O problema é que, no Congresso Nacional, instalaram-se verdadeiras dinastias. Mandatários que se perpetuam ao longo de muitos e muitos anos, nada oferecendo aos supostos representados em termos de propostas concretas para o Brasil.

A representação política se transformou num grande balcão de negócios, onde o dinheiro público recicla campanhas eleitorais e produzem resultados cada vez piores para a sociedade. Apesar das exigências para o registro de candidaturas, observamos a permanência de incontáveis figuras das mais nocivas.

Com as classes médias esmagadas no confronto e nas pressões exercidas pelos dois extremos (o Estado brasileiro e a chamada marginalidade), sobra apenas o espaço político, hoje utilizado pelos que desejam enriquecimento fácil e ilícito, já que quase nunca são punidos. Providos pelos recursos financeiros desviados de fins sociais.

Os eternos detentores de mandatos montaram ramificações nos três poderes da República, os quais deles se nutrem e a eles alimentam. É relacionamento claro e visível que não se derruba, pois a teia de favores forma cadeia de interdependência e se ajusta dentro de ritmo de aparente normalidade.

Quantas vezes lemos manchetes que anunciam a liberação de emendas parlamentares, desde que haja a contrapartida na aprovação de determinados projetos de interesse do Executivo? A idéia de existência de suborno é inequívoca, mas a sociedade fecha os olhos e a indiferença prevalece.

A questão maior é perceber que o nível de tolerância da população brasileira parece estar rompendo todas as barreiras e limites. Não tivessem os militares excedido o tempo de permanência no poder, de 1964 até 85, e certamente um novo movimento já teria acontecido, recolocando os vagões nos trilhos.

Desde o advento da República, o poder moderador era desempenhado pelos militares. Antes da República, ele era exercido pelo imperador. Mas a duração de 21 anos do regime militar minou o poder balizador castrense e nos deixou à deriva.

Estamos dentro de cenário político nacional tão grave que não há como ajustá-lo agora, se não for com medidas duras e impositivas. Fica mais do que evidente que não apenas o Congresso Nacional em sua maior parte, como também a Presidência da República, encontram-se contaminados e corrompidos.

O governo do presidente Dom Luiz Inácio (PT-SP), execrado pela metade do país, mantém-se apenas à custa de programas ditos sociais que nada mais são do que esmolas vergonhosas. Está mais do que claro que sua excelência não reúne o mínimo de condições necessárias para permanecer à frente desta grande nação.

Pretender aparentar que é preciso manter a “democracia”, numa gestão em que 40 dos principais escolhidos por nosso amável beberrão já foram denunciados pelo procurador-geral da República por “formação de quadrilha”, é prolongar o sofrimento de um país dividido e sem rumo. É tapar o Sol com uma peneira.

A lei deveria ser de fato igual para todos e por todos deveria ser cumprida. Não há como encarcerar um cidadão que roube uma galinha para comer, deixando livre e com mandatos aqueles que assaltam abertamente os cofres públicos. O poder moderador faz muita falta. Mas, em seu lugar, virá um furacão enraivecido.

Márcio Accioly é jornalista.

Um comentário:

Anônimo disse...

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