domingo, 6 de agosto de 2006

A revolução política, muito além da reforma

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total: http://alertatotal.blogspot.com/

Por Jorge Serrão

Todos concordam – menos a maioria dos políticos profissionais – que é urgente uma reforma política no Brasil, um País que não tem Democracia, porque não tem “Segurança do Direito”. Agora, a classe política se assusta porque o presidente Lula da Silva se transformou em boneco do ventríloco de uma tal “reforma” que seria feita através de uma assembléia constituinte que funcionaria paralela ao futuro Congresso que será eleito em outubro.

Neste final de semana, durante discurso de campanha eleitoral, em Campinas, no interior paulista, o candidato-presidente ou o presidente-candidato (a culpa é de FHC) resolveu insistir na tese que vem embriagando nos últimos dias. Lula voltou a repetir que a estrutura política do Brasil está “apodrecida” e precisa mudar. Também insistiu, novamente, que a tal “constituinte paralela” é necessária, porque a classe política não teria competência para tocar tal reforma política. O boneco teimoso batraqueou: “Se depender do Congresso, teremos arremedo, e não reforma política".

Lula vai muito mais longe nas idéias que defende, e tenta até dar uma abordagem histórica a seus argumentos – o que comprova que o presidente está repetindo alguma idéia bem treinada por seus marketeiros ou conselheiros políticos. Todo mundo sabe que Lula nunca foi estrategista – ele joga apenas no campo tático. Por isso, causou mais espanto seu recente discurso que carece de veracidade objetiva para ser comprovado: "A crise política que vivemos não é crise política de agora. É crise política que levou Getúlio Vargas à morte, que levou Juscelino Kubitschek a ser esculachado como era todo santo dia, que levou João Goulart a cair. A crise não é de um deputado ou de um partido político. É uma crise do sistema político brasileiro. A estrutura está apodrecida e nós temos que mudá-la".

Os estrategistas de Lula fazem um esforço enorme para reescrever nossa mal escrita história. Para isso, colocam o presidente Lula, nos palanques, para nos contar uma estorinha digna do conto do sapo barbudo que bebeu demais: "Quero pedir aos estudiosos, aos historiadores: peguem de JK até agora, da República até agora, e vejam se houve um governo que se preocupasse tanto em cuidar das pessoas pobres". Qual a intenção de Lula em recriar a imagem do “pai dos pobres” que, no passado, foi criada para Getúlio Vargas – aquele mesmo que os ideólogos do PT e do PSDB sempre consideraram “um ditador, cujo período histórico deveria ser ultrapassado e superado”? Eis a questão...

Tal pergunta, no momento, é secundária. A resposta dela, agora, tem mais a ver com uma jogada de marketing (para identificar Lula com o eleitorado das classes D e E que se lhe mostram fiéis nas pesquisas) do que com uma ação efetiva, no campo da estratégia política, para superar um “fantasma” histórico. Embora a resposta não seja essencial para os “presentementes” (como diria o lendário Odorico Paraguaçu, de Dias Gomes), pode ser de grande valia para os “finalmentes”. O próprio Partido dos Trabalhadores não conta direito a sua história, porque não pode arranhar o seu verniz ideológico. Seus companheiros de Foro de São Paulo não iriam entender direito...

No final da década de 70 e início dos anos 80, quando o PT foi “engendrado”, seu principal objetivo era concorrer e anular o velho trabalhismo (de Getúlio, Jango e Brizola), ao mesmo tempo em que se criava um partido para unir operários que pelegavam em sindicatos com intelectuais acadêmicos, todos com uma grife ideológica dita de “esquerda”, para combater a também “dita-dura”. O curioso é que o PT nasceu com o apoio velado do coronel Golbery do Couto e Silva (mago do regime de espertos políticos e empresários civis que usaram e abusaram dos militares que se desgastaram no poder de Estado) e com a ajuda de um tecnocrata gordinho que, para a platéia ver, sempre foi xingado pelos petistas: Delfim Netto, o hoje deputado peeemdebista, guru e eminência parda da gestão econômica do governo petista, que apanhou dinheiro na Alemanha Oriental para viabilizar a fundação do Partido dos Trabalhadores.

Mas antes que a vaca esfrie e vá para o brejo, voltemos à questão essencial: Por que Lula está defendendo a tal “reforma política” via constituinte paralela? Um motivo é claro. Lula se aproveita do desgaste da classe política, no imaginário popular, para atribuir aos políticos e ao modelo político – a não ao seu governo e ao seu partido – todos os problemas de corrupção que estouram a cada segundo, e que poderiam lhe arrancar do poder, se existisse Justiça no Brasil. Não existe, e Lula e os integrantes do governo do crime organizado se beneficiam disso, para corromper as instituições e usurpar o poder do Estado, em benefício de seus grupos de interesse, sob as ordens de um controlador externo (que é o governo real mundial).

O outro motivo obedece a essa mesma estratégia de poder mundial. Lula segue a receita do Foro de São Paulo, de desestabilizar os corruptos e corrompidos Congressos legislativos nacionais. O objetivo é subjugar a classe política – que não merece crédito em nenhum lugar da América Latina, conforme indicam pesquisas de opinião. Lula tentou dominar a base aliada do Congresso com os “mensalões” da vida. Tecnicamente, mensalão é a propina periódica paga a políticos ou aliados de um governo. É a corrupção resultante de participações nas negociatas de empresas que prestam serviços ou vendem produtos para o poder Estatal. Como o tal “mensalão” veio à tona (ampliado com o caso dos sanguessugas e da ainda pouco explorada máfia da mão de obra terceirizada), os magos petistas tiveram de mudar de tática com a classe política.

O negócio de Lula, agora, é jogar tudo no desgaste geral. Os marketeiros de Lula apostam na incompetência e na inoperância da classe política. O eleitorado compreende bem que não pode confiar nos políticos. Lula tenta a mágica de se desacoplar da nau dos políticos, como se não fosse, atualmente, o motor deste titanic que só afunda com o povo brasileiro. Lula quer apenas repetir a armação do Foro de São Paulo, já testada na Venezuela (com sucesso) e na Bolívia (apenas parcialmente), de colocar os legislativos sob as rédeas do Executivo. Para isso, vale a corrupção ou a dominação explícita – fechando congressos ou esvaziando o poder deles. Um rapaz chamado Adolf Hitler fez isto com a República de Weimar, na Alemanha, e teve bons resultados, na década de 30 do século passado.

No entanto, nem mesmo as “boas intenções” de Lula podem desviar os objetivos de cidadãos brasileiros conscientes da necessidade de que é preciso uma profunda revolução (e não apenas reforma) do nosso sistema político. Está mais que evidente, até para o mais ilustre bêbado das inexistentes esquinas de Brasília, que a classe política não representa os interesses do povo brasileiro e muito menos os objetivos permanentes de nossa nação. Lula está certo quando pega carona na necessidade de mudar o atual quadro. É preciso mudar – mas não com a fórmula estelionatária que é proposta pelo time do brejal de lama.

O autoritário, manipulável e fraudável modelo de voto obrigatório depõe contra a segurança do direito. Os partidos políticos não expressam os anseios verdadeiramente políticos dos cidadãos esclarecidos. Damos “emprego” para nossos políticos dentro de um esquema viciado, que privilegia o clientelismo, a demagogia e a corrupção. Os números são cruéis. Atualmente, entre os estados brasileiros, o Rio de Janeiro é aquele onde existe menor grau de representação, com 11 mil habitantes por representante; Tocantins é o estado no qual a representação é maior, com 900 habitantes por representante.

É preciso garantir representatividade para o eleitorado, adotando-se diferentes modelos de voto distrital (na forma pura, mista ou de média magnitude). O debate é urgente e necessário. Como bem nos ensina mestre Gerhard Erich Boehme, o voto distrital é um instrumento que aproxima o político de seu eleitor e vice-versa, cria responsabilidades e compromissos, permite que os problemas sejam resolvidos a nível local, afinal é lá que mora o cidadão. Não dá para vivermos o centralismo da União, que não gera receita nenhuma, só gasta, enquanto os municípios (produtores verdadeiros de riquezas) vivem à míngua e subjugados pelo “poder central”. Os brasileiros não agüentam mais ser governados, formalmente, por um “Mentiroso Chefão”, que é boneco do ventríloco de interesses internacionais que agridem a nossa soberania nacional.

O problema, hoje, é que a minoria silenciosa não apita. Mas quer apitar! O Executivo dita as regras do jogo anti-democrático. O Legislativo, que mal nos representa, legisla em causa dos próprios interesses de seus pares. Precisamos de uma revolução política. Os segmentos esclarecidos da sociedade têm de se manifestar objetivamente. Precisam ser ouvidos. O governo não pode fingir que é surdo. Já são notados sinais objetivos de que vão ocorrer manifestações em favor das transformações. Aí o urutu vai fumar, como nunca fumou antes em nossa história republicana. E a alegria do Palhaço do Planalto será a de ver o circo pegar fogo, para que a nação renasça das cinzas.

Jorge Serrão, jornalista radialista e publicitário, é Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. http://alertatotal.blogspot.com e http://podcast.br.inter.net/podcast/alertatotal

5 comentários:

Anônimo disse...

Jorge!
Depois que o Lula ganhar a eleição, do PSDB/PFL e do seu partido o PIG(Partido da Imprensa Golpista) eu vou tirar um sarro nesse Blog, sarro não, SARRÃO... Entendeu... Jorge Serrão...Sarrão...
Ah!Ha!Ha!Ha!Ha!Ha!
Fala Sério!!!

Anônimo disse...

O pudim de cachaça tem absoluta e total razão. Uma constituição que permite que um anarfa bebum, um boneco de vetíloco, bandido e chefe de quadrilha seja presidente da república, é pior que lixo.

Santa disse...

Caro Jorge,

Não sei se é do seu conhecimento mas tenho divulgado sistematicamente o seu blog por entender ser, objetivamente, um dos mais compatíveis. Parabéns pelo excelente artigo!

Um forte abraço.

Santa disse...

Tentei enviar um e-mail pelo endereço publicado no blog mas retornou. Penso que sua cx deve estar lotada. Um abraço.

Anônimo disse...

Best regards from NY! film editing classes