terça-feira, 29 de agosto de 2006

Senado vai investigar denúncia de tráfico de influência de filho e compadre do presidente da República na venda da Varig

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Por Jorge Serrão

Exclusivo – Um documento restrito, enviado a alguns senadores por ex-funcionários da Varig, denuncia a participação de aliados e parentes do Presidente da República na negociação de venda e pós-venda da companhia aérea. Os citados no dossiê são o filho caçula do presidente Lula, Luiz Cláudio – que é padrinho de Valesca, filha do advogado Roberto Teixeira, que é compadre de Lula e advogado do novo presidente da Varig, Marco Antônio Audi, em mais de 20 processos a que o empresário responde judicialmente.

O tráfico de influência no governo federal, para viabilizar o negócio da nova Varig, é sugerido no documento pela inédita rapidez com que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social está liberando ao empresário Marco Antônio Audi um empréstimo de R$ 1 bilhão e 700 milhões para comprar 50 aviões da Embraer. De dia para noite, Audi desembolsou R$ 838 mil e 800 reais para quitar dívida com INSS, para ter direito a receber a ajuda do BNDES.

O documento ao Senado indaga sobre o real motivo que levou os dirigentes da Air Canadá a promoverem, recentemente, uma audiência privada com o presidente da República. O sigiloso encontro aconteceu no apartamento de Lula, em São Bernardo do Campo. Os canadenses, através da holding Ace Aviation, tentam negociar a compra de 10% das ações da Varig. O dossiê também considera muita coincidência que o advogado e consultor José Dirceu de Oliveira e Silva tenha viajado três vezes para o Canadá, antes do leilão da Varig, no dia 20 de julho.

A coincidência fica ainda maior porque o advogado do novo controlador da Varig é o compadre do presidente Lula. Nos últimos anos, o advogado Roberto Teixeira tem se especializado em resolver pleitos de companhias aéreas junto ao governo. Foi ele quem cuidou dos casos VASP e Transbrasil. Em raras declarações públicas, Teixeira nega qualquer tráfico de influência, e ressalta que não é funcionário do governo Lula.

A Varig foi adquirida pelo fundo norte-americano Matlin Patterson, em sociedade com a Volo do Brasil (dona da VarigLog). A Ace quer abocanhar 10% da Varig em poder do fundo. O dossiê enviado ao Senado revela que o fundo Matlin Petterson enviou ao Brasil R$ 89 milhões e 900 mil, entre março e julho de 2006, para garantir que venceria o leilão da Varig. O documento também manifesta estranheza com o fato de a VarigLog e o fundo Matlin terem comprado a Varig, mas o operador de mercado financeiro Luiz Eduardo Gallo tenha ficado com as rotas e concessões de espaço de aeroporto em seu nome.

Nos bastidores, o governo já sofre pressões da TAM e da GOL, que sugerem “favorecimentos” na venda da Varig.

Sob suspeita

O Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias entregou à Procuradoria Geral da República acusações sobre o passado de Audi, e documentos que consideram suspeitos os recursos para a compra da Varig.

Audi é investigado no Coaf por suspeita de lavagem de dinheiro.

O dossiê enviado ao Senado indaga como um empresário com tantos problemas consegue liberar, tão rapidamente, um empréstimo no BNDES para comprar 50 aviões?

Venda complicada

Por ser uma empresa estrangeira, a entrada da Air Canada no capital da Varig depende de uma avaliação da Anac – a Agência Nacional de Aviação.

Juntas, Matlin Patterson e Air Canada não poderão ter mais de 20% do controle da nova Varig.

A assinatura do acordo fica condicionada à emissão, pela Anac, do Certificado de Homologação de Empresa de Transporte Aéreo (Cheta) para a nova Varig poder operar.

Sem o certificado, a venda da Varig perde a validade e a falência pode ser decretada.

Já está lá dentro

Representantes da Air Canada prestam hoje consultoria para a nova Varig para avaliação do programa de milhagem da companhia, o Smiles, e também para definir a nova frota da companhia aérea.

A Air Canada, que negocia a compra de 10% de participação na nova Varig, pode transferir parte de sua frota de Boeings, provavelmente os modelos 767-200, para a companhia.A empresa aérea canadense deve tirar de operação 13 aviões até o final do ano, e algumas dessas aeronaves poderiam ser encaminhadas à Varig.

A Air Canada pode também ceder lugar à empresa na lista de entregas do avião Embraer 190.

A VarigLog, nova dona da Varig, já entregou ao BNDES uma carta-consulta para o pedido de financiamento para a compra de 50 aeronaves da Embraer.

Vampiragem denunciada

Relatório da Polícia Federal mostra que o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares ligou nove vezes para o lobista Laerte de Arruda Corrêa Júnior, um dos principais integrantes da máfia dos vampiros, suspeita de desviar R$ 2 bilhões do Ministério da Saúde.

A PF informa que Laerte recebeu R$ 120 mil para facilitar o pagamento de uma dívida de R$ 15 milhões do ministério.

Parte desse dinheiro seria destinada a campanhas políticas de Delúbio.

Acusado de ser um dos operadores do mensalão, Delúbio foi indiciado pela PF por corrupção no caso dos vampiros.

Novela Volks

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) suspendeu a liberação de financiamento de R$ 497 milhões à Volkswagen, até que a montadora finalize a negociação com empregados sobre um plano de reestruturação.

Na semana passada, a Volkswagen ameaçou fechar a unidade de Anchieta, em São Bernardo do Campo, sua mais antiga fábrica no país, caso as negociações com funcionários no processo de reestruturação não evoluíssem.

A relação da direção da Volks com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, e Demian Fiocca, presidente do BNDES, não andam boas.

Depois de carta sigilosa da Volks para os senadores, a empresa quer um acordo que seja bom para ambas as partes.

Volks quer sair fora

Em reunião com dirigentes do sindicato do ABC, a Volks confirma que pode fechar a fábrica mais antiga do País, em São Bernardo do Campo, caso não haja acordo com trabalhadores para reestruturação da empresa.

São cinco mil trabalhadores sob risco de perder o emprego, dos 12 mil empregados que a fábrica da Volks tem no total.

O executivo de negociações trabalhistas e corporativas, Milton Júnior, deixou vazar documentos revelando que o governo e alguns senadores sabiam que havia mesmo a intenção de desativar a fábrica do ABC.

Grande negócio

As empreiteiras estão comemorando antecipadamente.

O ministro Luiz Marinho, do Trabalho, submeterá hoje ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) a proposta, já aprovada pelo presidente Lula da Silva, de aplicar até R$ 5 bilhões do fundo em obras de infra-estrutura.

Como não está prevista na legislação do FGTS, a destinação dos recursos terá que ser aprovada pelo Congresso.

Jogo errado da imprensa

Um dos maiores especialistas na cobertura dos negócios da jogatina no Brasil, o jornalista Magnho José, faz uma crítica às distorções criadas com a divulgação pelos jornais de grande circulação das teses dos procuradores do Ministério Público contras os Bingos, sem as devidas comprovações e julgamentos pelo judiciário.

Magnho lembra que “beira à indecência” a informação que os bingos do Rio de Janeiro arrecadam R$ 1 bilhão por ano, e derruba a tese com números:

Para que os 47 bingos do Rio arrecadem R$ 1 bi por ano é necessário que cada casa arrecade R$ 22 milhões por ano, ou seja, um faturamento médio de R$ 1,8 milhão por mês.

Para que isso fosse possível, cada bingo teria que faturar R$ 60 mil reais por dia. Ou seja, será necessário que 3 mil pessoas apostem e percam R$ 20,00 todos os dias do ano.

Estamos então falando de um exército anual de 1.095.000 apostadores.

Além disso, a reportagem ao não informar se o valor R$ 1 bi é a arrecadação líquida ou bruta cria nova distorção, pois apresenta o valor arrecadado como lucro dos bingos. Para transformar essa afirmação em verdadeira, será necessário aumentar o exército de pessoas que freqüentam os bingos ou o valor das apostas de cada visitante, pois um bingo tem despesas com tributos, salários, custos fixos e pagamento do percentual de 7% da entidade esportiva”.

Outro delírio

Também não é verdade que uma máquina de videobingo fature, em média, R$ 3 mil por dia.

Mais uma vez, o Ministério Público age com má fé contra os bingos e utiliza o jornal para propagar uma informação sem comprovação.

Magnho recomenda que O Globo aprofunde na apuração desta tese furada.

Gasto com bolsa família

O desembolso com o programa Bolsa-Família deu um salto de 60% em apenas um mês, saindo de R$ 597 milhões e 700 mil reais (em junho) para R$ 952 milhões e 400 mil reais (em julho).

O período coincidiu com a melhora da avaliação do presidente Lula da Silva, candidato à reeleição, apontada pelos institutos de pesquisa.

No Nordeste, região de maior popularidade de Lula e onde ele obtém maiores intenções de voto, o aumento em julho foi ainda maior, atingindo 93% - de R$ 245 milhões e 800 mil para R$ 473 milhões e 800 mil reais.

Boa explicação para o fenônemo Lula

A Folha de São Paulo observa que o casamento do ano eleitoral com a expansão do assistencialismo pode explicar o bom desempenho do presidente Lula nas pesquisas de intenção eleitoral, assim como a boa avaliação do seu governo.

Os gastos com o Bolsa-Família estão crescendo justamente no período imediatamente anterior à eleição, como explica o economista Mansueto Almeida, assessor do presidente do PSDB, Tasso Jereissati, em trabalho realizado a partir de dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi).

Até julho, os benefícios do Bolsa-Família consumiram R$ 4 bilhões e 300 mil reais, faltando aproximadamente R$ 4 bilhões para serem despendidos até o fim do ano.

Até junho, porém, a média mensal era de R$ 577 milhões.

Lula blindado

O PSOL e a deputada do partido, Maria José da Conceição Maninha, do Distrito Federal, não conseguiram a cassação do registro da candidatura do presidente Lula da Silva à reeleição e a declaração de sua inelegibilidade por suposta prática de abuso do poder econômico.

O PSOL alegou que o presidente Lula se utiliza "dos veículos da Presidência da República para participar de eventos, solenidades e compromissos outros, quase sempre nos mesmos dias, nas mesmas cidades e nos mesmos estados onde terá compromissos de candidato e eventos de campanha", com o fim de reduzir os gastos da campanha.

O corregedor-geral do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Cesar Asfor Rocha, negou o pedido da legenda.

O ministro entendeu que os representantes “sugerem apenas a possibilidade de que tais gastos estariam sendo realizados concomitantes ou 'casados' com atividades oficiais do candidato, o que poderia fazer dispensar o necessário reembolso de tais dispêndios ...”.

Mas, segundo o relator, esse argumento, em uma primeira análise, própria do juízo liminar, "não bastaria para autorizar imediata reprimenda pela Justiça Eleitoral".

Fraude eleitoral à vista

O engenheiro Amilcar Brunazo Filho, autor do livro “FRAUDES e DEFESAS no Voto Eletrônico”, recebeu uma carta do Presidente da Microbase, fornecedor do Software VirtuOS que estará carregado em mais de 2/3 das urnas eletrônicas nas próximas eleições.

Nesta carta aberta a deputados e à imprensa, o presidente da Microbase confirma o que sempre tem sido divulgado pelo Fórum do Voto-E e pelo PDT, desde as eleições de 2000.

Nas suas palavras: "o Sistema VirtuOS “nunca” foi auditado, nem pelo TSE, nem pelos Partidos Políticos, nem muito menos por qualquer órgão independente contratado".

Inverdade do TSE

Segundo Amilcar Brunazo, tal declaração confirma que é falsa a afirmação do TSE de que os sistemas ficam todos a disposição para análise dos partidos durante seis meses antes das eleições.

A própria carta do TSE à Microbase revela que a Justiça eleitoral apenas pretendia dispor aos partidos a sistema VirtuOS no exato dia em que se iniciará a compilação dos sistemas em 04/09/2006. E nem isto será feito. Com este comunicado da Microbase, cai mais uma máscara da Justiça Eleitoral. É mais uma mentira deste órgão, sobre a transparência do processo eleitoral, que é desmascarada”.

Aguardemos que o TSE se pronuncie sobre o grave assunto.

Barrados no baile

Pelo menos 1.535 políticos tiveram o registro de sua candidatura negado pelo Tribunal Regional Eleitoral de seu estado, mas ainda podem recorrer.

Desses, 532 entraram com recursos no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que tem até 20 de setembro para julgá-los.

Os 1.535 candidatos com registro negado representam 7,4% dos 20.705 políticos que disputam as eleições, incluídos vices e suplentes.

Outros 791 renunciaram e oito morreram. O partido pode substituí-los.

Os dados foram divulgados ontem pelo TSE, com base em informações dos tribunais regionais.

O levantamento exclui o TRE do Rio de Janeiro, que não dispunha do balanço.

Enfim, investigados

O presidente do Conselho de Ética do Senado, João Alberto (PMDB-MA), abriu ontem processos por quebra de decoro parlamentar contra os senadores Ney Suassuna (PMDB-PB), Magno Malta (PL-ES) e Serys Slhessarenko (PT-MT).

Acusados pela CPI dos Sanguessugas de envolvimento com a máfia das ambulâncias, os três senadores não garantem mais direito a disputar nova eleição se renunciarem.

Os três são suspeitos de receber propina em troca de emendas para a compra de ambulâncias.

Mas eles ganharam um prazo de cinco sessões para se defender, e o conselho espera concluir os processos até o dia 24 de setembro.

Os primeiros

Eles são os primeiros senadores processados pelo Conselho de Ética desde o início da série de escândalos envolvendo o Congresso, inaugurada com o mensalão, em 2005.

Em março, o Conselho recusou denúncia contra Eduardo Azeredo (PSDB-MG) por receber recursos de caixa dois do empresário Marcos Valério.

A CPI dos Sanguessugas também começou a investigar o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT).

Para depois da eleição

Aviso aos eleitores que têm carro, moto, caminhão e etc.

A Petrobrás não descarta a hipótese de elevar os preços dos combustíveis caso o barril de petróleo continue subindo e se estabilize acima dos US$ 75.

A senha para o aumento chama-se: “depois de primeiro de outubro”...

Teses do Lula Vermelho

Tratando sua reeleição como praticamente certa, o presidente candidato Lula da Silva avisou ontem aos 60 “intelectuais” de seu partido que está voltando "mais forte do que antes".

"Política a gente faz com quem a gente tem, não com quem a gente a gente quer. Esse é o jogo real da política e precisou ser feito por quatro anos para que nós pudéssemos chegar hoje numa situação altamente confortável do ponto de vista econômico, político e social. Todo mundo achava que nós tínhamos acabado e de repente descobrem que a gente não só não tinha acabado, como ressurgimos mais fortes do que éramos".

Lula justificou as alianças do primeiro mandato - marcadas pelo escândalo do mensalão- e defendeu o pragmatismo nas alianças políticas.

Cadê o PT?

Mesmo defendendo as alianças, Lula advertiu aos intelectuais que o PT "sempre terá um papel" em seu governo.

O candidato desdenhou as críticas a sua propaganda eleitoral, que privilegia a figura do candidato em detrimento dos símbolos e cores do PT.

"A imprensa me cobra: cadê o vermelho do PT? O vermelho sou eu, ora!".

O poder da identificação

Depois de se definir como "vermelho", Lula ressaltou que pela primeira vez a população mais pobre sente-se dona do governo no Brasil.

"O fenômeno novo na política brasileira não é o fato de o Lula estar subindo nas pesquisas, é o fato de que uma parcela significativa dos pobres se acha importante e se sentem iguais ao presidente da República. Eles já não falam no governo do Lula, eles falam: nós governamos este País".

Lula sinalizou para os intelectuais, alguns dos quais haviam se afastado do PT e do governo, que pretende "dar o próximo passo" em um segundo mandato, mas não explicitou para onde.

Uma boa deixa

Lula aproveitou o fato de a filósofa Marilena Chauí e do escritor Artur Poerner terem mencionado, antes dele, que a origem da maior parte de intenções de voto na reeleição está nas camadas mais pobres da sociedade e na região Nordeste do país

"Os chamados formadores de opinião já não detêm mais a verdade absoluta. Hoje não são os setores médios que determinam o voto da empregada doméstica e do porteiro do prédio. O pobre agora está achando que ele pode".

O presidente evitou entrar no debate macroeconômico, proposto pelo economista Paulo Nogueira Batista, que pediu a substituição dos "jogadores do time adversário" no Banco Central.

Lula pediu ao presidente do PT, Ricardo Berzoini, para providenciar um encontro exclusivamente com economistas.

Uma boa desculpa para não cavucar...

Lula esclareceu que a análise correta da "correlação de forças" - no jargão tradicional das correntes marxistas - levou o PT a lançar a "Carta ao Povo Brasileiro", em 2002, comprometendo-se com a estabilidade econômica e permitiu sua própria sobrevivência.

"Nós não fizemos uma revolução no Brasil, nós ganhamos uma eleição, que se consolidou quando fizemos a Carta ao Povo Brasileiro. A pergunta que se faz hoje é por que sobrevivemos e como sobrevivemos. Quantos presidentes chegariam aonde nós estamos hoje, com a aceitação que o governo tem, depois de sofrermos - sofrermos, não, passarmos - tudo que passamos? Outros caíram, outros foram obrigados a se afastar e eu, que era contra a reeleição, estou disputando numa situação muito mais favorável do que quando fui eleito".

O presidente candidato esclareceu que, em 2002, aceitou uma processo de "transição pacífica" do governo do PSDB por que, se tivesse "cavucado e devassado" o passado, não teria tido condições de governar o país.

Próximo governo

"O nome do segundo mandato, como disse o presidente Lula, será desenvolvimento com distribuição de renda e educação de qualidade. Será uma etapa de crescimento acelerado e aprofundamento da democracia".

A promessa é do coordenador da campanha, Marco Aurélio Garcia.

Segundo ele, um dos fatores mais importantes para obter índices maiores de crescimento do PIB é a queda da taxa de juros.

Garcia antecipou que programa trará seis compromissos para o segundo mandato: além do crescimento maior da economia, o combate à exclusão social, aprofundamento das políticas públicas de educação e saúde; reforma do estado com reforma política; garantias para a segurança do cidadão, e política externa soberana.

Juros do Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em discurso para intelectuais de esquerda, que "os juros vão cair e o câmbio vai se ajustar", mas não entrou em detalhes.

Em reunião da coordenação política da campanha, em Brasília, a queda da taxa de juros foi considerada como condição para uma folga na política fiscal e liberação de investimentos, segundo o ex-ministro Roberto Amaral, representante do PSB.

Lula alegou que o Banco Central "nem sempre tem todos os instrumentos para cumprir a meta de inflação".

Promessa a Nogueira Batista

"Paulinho, os juros vão cair, o câmbio vai se ajustar, a economia vai crescer e os projetos de investimento mais importantes já estão encaminhados".

Foi o argumento que usou para defender sua equipe, que havia sido criticada pelo economista Paulo Nogueira Batista.

O economista havia repetido suas críticas à política monetária do governo Lula, que considerou "desnecessariamente restritiva".

Lembrou que o Brasil tem uma taxa de inflação semelhante à dos Estados Unidos e juros reais "dez vezes mais altos".

Recado dos radicais

O líder do MST, João Pedro Stédile, prevê um quadro político turbulento em um eventual segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ele avalia que, se Lula mantiver o modelo neoliberal dos três últimos anos de governo, perderá seu principal ativo político - o povo - e ficará refém de um Congresso hostil.

Stédile explica que a onda de protestos não buscará a desestabilização do governo e que as mudanças só acontecerão sob a pressão das ruas.

"Teremos um caldeirão social prestes a eclodir, em algum momento, em luta social no segundo mandato. Nós queremos a retomada das lutas sociais e da mobilização de massa. Nós, do MST, participamos desse caldeirão para que o governo abandone as medidas neoliberais que adotou e adote medidas que reconduzam a um outro projeto de desenvolvimento nacional".

Lula rendido por quem?

Na avaliação de Stédile, distante de sua base popular, o presidente ficaria rendido às "forças de direita eleitas em maioria no Congresso e nos Estados", que manteriam a corda do impeachment no pescoço do presidente.

"Eles vão segurar o processo de impeachment na gaveta do Congresso. Cada vez que Lula ameaçar com algo mais contundente, eles puxam a gaveta e mostram o impeachment, que é um processo puramente político, que não precisa de provas materiais. Será uma ameaça permanente. Isso seria uma barbárie. Por isso, faremos a mobilização popular, pois queremos que Lula, pressionado, se reaproxime de nós".

A receita de Stédile para libertar Lula da clausura política prevista pelo líder do MST é simples: ouvir o clamor das ruas.

O presidente, segundo ele, precisa mudar a estrutura produtiva do país e fazer uma reforma agrária massiva.

"Lula tem sensibilidade social e é fruto desse meio. Com as pressões, ele mudaria ou, pelo menos, se manteria aliado dos movimentos sociais".

Ressentimento com Lula

Em relação à reforma agrária, o MST guarda o ressentimento de uma mudança prometida, mas que não veio.

Stédile reclamou que Lula não teve "coragem" de fazer a distribuição de terras aos pobres, e acentuou a concentração de renda nas mãos dos ricos.

"O governo nem conseguiu atingir as metas de assentar 400 mil famílias em quatro anos. Eles dizem que assentaram 280 mil famílias até agora. Não é verdadeiro. Eles assentaram, no máximo, 150 mil famílias, metade delas do MST. No cálculo dos movimentos, deve ter hoje, em todo país, umas 140 mil famílias acampadas, a maioria delas acampadas desde o início do governo, esperando há três anos debaixo da lona preta, porque eles foram acampar, inclusive, pela motivação de que, com Lula, a reforma saísse".

Crítica ao bolsa família

Quanto aos programas sociais de Lula, como o Bolsa Família, motivo de orgulho do presidente, o líder do MST é crítico.

Stédile desdenha que eles não passam de uma "ilusão", de medidas paliativas para compensação social.

A reforma agrária, segundo ele, teria sido mais eficaz na promoção de mudanças estruturais.

"A reforma agrária faz parte do capitalismo, ninguém espera chegar ao socialismo com ela".

Mais discurso radical

Stédile pinta um quadro turbulento para os próximos quatro anos e garante que a cruzada popular por mudanças já começou.

Há alguns meses, ele chegou a fazer uma avaliação eleitoral polêmica, ao menos para alguém que sempre foi aliado do PT.

Queria um Lula vencedor, mas somente no segundo turno. Agora, já não sustenta essa convicção.

"Hoje, a 30 dias da eleição, eu já tenho dúvida. Eu torcia por um segundo turno para ter um contraditório. Como não tem debate de projetos, temos uma campanha medíocre. Alguns têm dito que, se vai para segundo turno, Lula ficaria ainda mais refém das forças conservadoras".

Laranja na disputa

O líder do MST ironiza que o candidato tucano à presidência não pode ser chamado de Chuchu.

"Geraldo Alckmin não tem nenhum carisma eleitoral para derrotar Lula. Então, a burguesia o jogou como laranja nestas eleições, como kamikaze, boi de piranha, porque se eles quisessem de fato disputar eleitoralmente com Lula, teriam botado José Serra, que também não teria chance, mas chegaria mais perto".

Já candidata do PSOL, Heloísa Helena, dona de um discurso com vários pontos de contato com a visão de mundo de Stédile, é vista por ele como uma representante sem base e sem projeto:

"Ela é um grilo falante, que só sabe denunciar, denunciar, mas que não espelha a classe trabalhadora do Brasil. Eu tinha expectativa que outras forças sociais, como o PMDB nacionalista, tivessem colocado candidato, que fosse o Itamar Franco, porque isso provocaria um debate em torno de projetos. Mas o PMDB não conseguiu botar candidato, se esfacelou".

Solução para o sistema prisional

Depois de ficar oito dias preso, sendo solto ontem à tarde, o dirigente nacional do MST e maior liderança em Pernambuco, Jaime Amorim, puxou para o MST e movimentos sociais a solução para o sistema prisional do País.

"Agora se fala em segurança máxima, mas isso não vai resolver o problema porque os presídios nesse País são uma fábrica de produzir mais delinqüência. Creio que a sociedade brasileira organizada tem que assumir a tarefa de resolver esses problemas no País".

Amorim foi libertado ontem à tarde por decisão do ministro do STJ Nilson Naves, que considerou ilegal a sua prisão temporária - decretada pelo juiz da 5ª Vara Criminal do Recife, Joaquim Lafayete Neto.

O líder dos sem-terra ficou no Centro de Observação e Triagem (Cotel), no município metropolitano de Abreu e Lima.

Estão faltando outras siglas

A Polícia Civil apreendeu ontem na favela Beira-Mar, em Duque de Caxias (Baixada Fluminense, região metropolitana do Rio), 52 bombas de fabricação caseira pintadas com as siglas das facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital), de São Paulo, e CV (Comando Vermelho), do Rio.

A comunidade é reduto de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, um dos principais traficantes do país, atualmente preso na penitenciária federal de Catanduvas, no Paraná.

Segundo a polícia paraguaia, a quadrilha de Beira-Mar se aliou a membros do PCC que atuam na fronteira com o Brasil e, juntos, estão intermediando a entrada de armas no país.

Outro grande arsenal

No início do mês, um arsenal com 234 armas pesadas, entre fuzis, pistolas e submetralhadoras e cerca de 50 mil munições, foi interceptado em Pedro Juan Caballero, na fronteira com Mato Grosso do Sul.

O armamento pertenceria a Beira-Mar e ao PCC.

Responsável pela operação, o delegado Ronaldo de Oliveira, do Serviço de Entorpecentes da Baixada Fluminense, afirmou que as armas encontradas na Beira-Mar têm poder para destruir paredes e serviriam apenas para defender a favela de ataques de grupos rivais ou de operações da polícia.

Cidadãos amedrontados

Nada menos de 35% dos paulistas já foram vítimas de um assalto. É o que revela pesquisa Estado/Ibope feita no estado de São Paulo.

De cada dez entrevistados, oito conhecem alguém que já foi vítima de violência.

A pesquisa mostra ainda que, do total de vítimas, uma em cada três não prestou queixa à polícia.

Os mais jovens, os moradores da periferia e os mais pobres são os que menos costumam registrar o episódio em alguma delegacia.

Cristovam na berlinda

O candidato do PDT à Presidência da República, Cristovam Buarque, reconheceu ontem que sua campanha não empolgou o eleitorado e disse que, se houver segundo turno, apoiará o candidato indicado pelo PDT.

Mas ele não afastou até a possibilidade de apoiar a candidatura de Lula, apesar das divergências que o levaram a deixar o PT em 2005.

"Se o PDT decidir apoiar Lula, eu não tenho nenhum constrangimento pessoal para isso".

O candidato, que foi ministro da Educação de Lula e deixou o PT após as denúncias de corrupção envolvendo o partido, teceu alguns elogios ao presidente durante a sabatina, mas não deixou de questionar a conduta de Lula.

"Se eu negar que Lula é um líder carismático, eu estarei escondendo a verdade. Mas eu acho que ele foi omisso ou conivente com a corrupção ao redor dele".

Avestruz na cabeça

Após driblar a Justiça de Goiás por 30 dias, o ex-sócio majoritário da Avestruz Master, Jerson Maciel da Silva, foi preso ontem, em São Paulo, pela Polícia Federal.

Em Goiânia, foram presos Jerson Maciel da Silva Júnior, um dos filhos do empresário, e o ex-executivo da empresa Emerson Ramos Corrêa.

A Avestruz quebrou em novembro do ano passado e 59.300 pessoas que adquiriram cotas na criação de avestruz perderam o total de R$ 1 bilhão 730 mil reais.

Invasão estrangeira

O projeto do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), de US$ 6 bilhões e 500 milhões de reais, poderá ter sócios estrangeiros.

Foi o que admitiu, pela primeira vez, a Petrobrás, sócia do empreendimento.

O motivo é a falta de fôlego de empresas nacionais para investir.

Mas a entrada de estrangeiros está condicionada a contrapartidas.

Ferrando a Petrobrás

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) decidiu quebrar de vez a hegemonia da Petrobrás.

Em decisão histórica, estabelecida no edital para a 8ª Rodada de Licitações, a ANP limitou o número de ofertas de cada empresa para a concessão de áreas exploratórias.

A medida atinge em cheio a estatal, sempre acostumada a dominar os leilões.

Para a Petrobrás, "a restrição é prejudicial ao setor e ao País na medida em que pode influenciar negativamente a produção de petróleo e gás".

Deu mole para o índio

O presidente da Bolívia, Evo Moarles, demitiu o presidente da companhia estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos, Jorge Alvarado.

Ele foi acusado de infringir a nacionalização do setor.

Índios guaranis ameaçaram ontem tomar a tubulação de gás e petróleo em Chaco, para interromper a produção e as exportações para o Brasil.

Dia de combate ao fumo

Hoje, dia 29 de agosto, comemora-se mais um Dia Nacional de Combate ao Tabaco.

A Associação Brasileiro de Odontologia solicita o empenho dos colegas na orientação de seus pacientes sobre os males causados pelo vício de fumar.

A entidade lembra que este compromisso com a redução do câncer bucal e luta contra o cigarro exige um engajamento diário e sem trégua.

Números horríveis

Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) 200 mil mortes por ano são decorrentes do tabagismo no Brasil.

O tabaco também é um dos principais fatores de risco para o câncer bucal que, pela Estimativa de Incidência de Câncer no Brasil, registrará mais de 13 mil novos casos em 2006.

Uma importante ferramenta para ajudar nesta tarefa é o Guia Tabaco ou Saúde Bucal, elaborado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em conjunto com a Federação Dentária Internacional (FDI).

A ABO disponibiliza em seu site (http://www.abo.org.br/) um link para o documento.

A página do Instituto Nacional de Combate ao Câncer (Inca) também apresenta informações importantes, que merecem ser compartilhadas com os pacientes.

O endereço é www.inca.gov.br.

Vida que segue...

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Um comentário:

Anônimo disse...

"Pedido de impeachment"

Caro amigo, o que aconteceu, pois nao foi lido o pedido de impeachment na camara ontem (04/09/2006) ou era somente boato que o sr. anunciou.