domingo, 29 de outubro de 2006

Porque hoje é domingo

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Adriana Vandoni

Estou ficando com muita pena das pessoas ligadas às investigações da gangue do dossiê. A turma da CPI é só lamúria. O Biscaia, tadinho, esta semana foi todo cheio de autoridade receber uns documentos sigilosos. Guardou no cofre rapidinho. Nem uma risadinha ele deu para as câmeras, até que descobriu que tinha em mãos o Brasil inteiro já conhecia, menos ele. Maldade dos meninos de Cuiabá!

O Raul Jungmann, revoltadinho vai processar todo mundo. Sua próxima vítima é o delegado Diógenes. Tô com dó desse rapaz, tadinho. Ele não sabe se atende a imprensa, a CPI, o superintendente, o ministro do crime Thomaz Bastos. Ninguém deixa o homem trabalhar. Não dá tempo! Só nesta semana, quantos quilômetros ele já andou? Foi na baixada fluminense, vai Diógenes pra lá. Em Varginha, em Atibaia, volta pra Mato Grosso. E a imprensa atrás. Não, foi em Campo Grande!, corre o delegado pra Campo Grande. Não dá! Não deixam o homem trabalhar.

Entendo a pressão que ele está passando. Imaginem! Eu que não tenho nada com isso não agüentava mais receber telefonemas e e-mails: Quem mandô? Quem mandô? Quem mandô? Não adiantava eu gritar: não sei quem mandou! Que coisa! Tenho minhas suspeitas, claro.

Mas, depois da publicação na revista Época de que pagaram 2,5 milhões de reais para o bandido Vedoin envolver o Senador Antero, eu achei que estivesse livre. Quanto engano! Continuei recebendo ainda mais telefonemas e e-mails, só mudou a pergunta: quem pagô? Quem pagô?

Quem pagô? Caramba! Não sei quem pagou! Gostaria de saber, mas não sei. Que coisa! Tenho minhas suspeitas, claro.

Daí eu tomei uma decisão. Vou investigar. Darei uma mãozinha à Policia Federal, em especial para o delegado Diógenes porque, fala sério, agüentar o Ministro do crime na cola, é fogo!

Crime que se preza sempre tem sua trama iniciada durante uma conversa em um restaurante. Isso é clássico. Então eu chamei a “H.B.”. “H.B.” é o apelido da “histérica do bacalhau”, uma doida anti-tabagista especialista em restaurantes. É uma espécie de “Maria algodão” de banheiro de colégio. Todo mundo tem medo dela. Peguei a “H.B.” e passei as informações: - precisamos descobrir a origem de tudo isso. O suspeito é o Sr. Chefe, você precisa vasculhar todos os restaurantes de Cuiabá e região.

Depois eu disse: vá. E ela foi.

Mas todas as informações eram sempre truncadas. Não conectava. Pensei: será que a “H.B.” está ficando velha e não consegue mais investigar? Parecia um quebra-cabeça, mas de pouquíssimas peças. Só não conseguia juntar. Fiz um organograma e... ah, agora sim, estava fechando! Nisso vinha a “H.B.” pra mim: mas saiu na TV que foi no Rio, em SP, no Paraguai. – Isso é pra pulverizar as informações, “H.B.”! Cê tá tonta? Tá de tinta nova no cabelo?
Ah, quer saber? Chega! Montei meu organograma - adóóóro fazer organograma de tudo - e guardei. Essa turma não tem jeito.

Mas vou antecipar aqui o que será divulgado pelo Ministro do Crime ou por algum porta-voz. A origem do dinheiro está na militância do PT. O partido tem 1.048.164 filiados no Brasil, segundo o TSE. O dossiê custou 1.750.000 de reais, o que deu para cada filiado a merreca de R$1,66 (um real e sessenta e seis centavos). Agora eu quero ver a PF prender 1.048.164 pessoas. É o crime perfeito!

Ah, quanto ao dinheiro pra envolver Antero?, eu também quero saber. Quem pagou?

Adriana Vandoni é economista, especialista em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas/RJ. Articulista do Jornal A Gazeta. Blog: http://argumentoeprosa.blogspot.com - Cuiabá/MT

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