sábado, 16 de dezembro de 2006

A batata dos senhores está assando

Edição de Artigos de Sábado do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Luciano Blandy

Excelentíssimos senhores Deputadose Senadores, se disser que fiquei surpreso estarei mentindo. Não esperava algo diferente de Vossas Excelências que há vinte anos não fazem outra coisa que não trabalhar arduamente em prol dos vossos interesses, em detrimento da nação brasileira.

Por outro lado, causou-me espécie não o ato, que como já mencionado, é típico de Vossas Excelências, acostumados que estão a olhar com tanto afinco apenas para os vossos umbigos, mas a desfaçatez, a total desconsideração, a verdadeira escarrada na face do eleitor/contribuinte proporcionada pelos nobres parlamentares às vésperas das comemorações natalinas.

Talvez Vossas Excelências tenham tomado tal providência acreditando, diante dos resultados do último pleito, de que o povo brasileiro nada mais é do que gado castrado, que pode ser conduzido mansamente para qualquer lado sem de nada reclamar. Se é este o parecer de Vossas Excelências, sugiro que ocupem o tempo ocioso de um dos dois períodos de férias de que gozam durante o ano para se dedicarem um pouquinho ao estudo da história de nosso país, a fim de que possam concluir como estão enganados, lembrando-lhes, antes de mais nada, de que votamos porque somos obrigados a tanto.

Com efeito, todas as grandes modificações ocorridas em nossa história se deram de forma repentina e foram precedidas de um silêncio que foi sempre mal interpretado como passividade. Nossa independência já vinha sendo cogitada há pelo menos um ano e só necessitou de um estopim - a Carta de D. João a D. Pedro - para que repentinamente fosse deflagrada. Ninguém encontrava-se de prontidão para defender a manutenção do Brasil como colônia. A Proclamação da República foi tão repentina que D. Pedro II recuperava-se de uma festa e nada pode fazer, senão sucumbir aos republicanos. Da mesma forma, como alguns dos senhores devem manter vivo na memória, o movimento de 64 também não era esperado - na realidade, muitos já acreditavam que o destino de nosso país estivesse selado. Eis que na manhã de 1o de abril despertamos sob uma nova ordem. A redemocratização que se sucedeu também parecia ter fracassado com a derrota da emenda das diretas nessa casa, até que espantosamente Tancredo Neves vence as eleições no colégio eleitoral e acaba com o período de governos militares.

Como os nobres parlamentares podem observar, a conclusão de Vossas Excelências de que nós - os contribuintes - somos néscios bovinos que aceitamos tudo o que desta casa vem é perigosamente equivocada. Temos sim, um limite de tolerância um pouco maior do que grande parte dos povos das demais nações do mundo, mas devo adverti-los de que esse limite já está muito, mas muito mesmo, próximo de ser atingido.

Não é preciso ser nenhum expert em política e inteligência estratégica para chegar a tal conclusão. Também não é necessário que se encomende uma pesquisa caríssima para averiguar essa análise. Vão aí de graça (apesar de que diante de tão régia remuneração como a dos senhores, eu deveria cobrar) duas sugestões:

1 - Experimentem apanhar um táxi em qualquer lugar do país e - sem identificarem-se como parlamentares - inquirir do condutor o que ele acha da Câmara e do Senado e o que deveria ser feito com os Deputados e Senadores. O motorista de táxi, por conviver diariamente com gente de todos os extratos, é um excelente termometro social. Vossas Excelências ficarão espantadas com os resultados.

2 - Procurem analisar para si próprios e com total sinceridade de propósitos (se é que isso é possível), qual o significado político e social dos seguintes episódios: a) O episódio com o ex deputado Prof. Luizinho em um restaurante em São Paulo; b) as bengaladas sofridas pelo ex-deputado José Dirceu nos corredores dessa casa; c) A execração pública do mesmo ex-deputado na zona eleitoral onde compareceu para depositar seu voto; e d) o índice de quase 60% de abstenções, votos brancos e nulos do último pleito. A conclusão que chegarão também será estarrecedora.

Assim, diante da inexistência de surpresa com a esperada atitude de Vossas Excelências, esta mensagem serve tão somente para alerta-los de que vossas batatas estão assando e não demora muito se surpreenderão com uma reação inesperada do povo brasileiro. Na humildade de alguém que não ganha R$ 24.500,00 por mês - fora benefícios - me permito fazer as seguintes sugestões:

1 - Aos Nobres Deputados da base aliada do governo, Vossas Excelências que se declaram socialistas, comunistas e demais istas do mesmo mote: Experimentem, "em busca de uma sociedade mais justa", e em homenagem ao "resgate histórico dos espoliados dessa nação", começar por "socializar" vossos próprios vencimentos já que, pedir esmola com o chapéu alheio - embora muito mais fácil - é uma atitude extremamente baixa e reprovável. Se Vossas Excelências defendem de forma tão árdua uma causa, deveriam iniciar dando o exemplo. Sugiro que retenham R$ 8.000,00 de seus vencimentos - mais do que suficiente para viverem regiamente em Brasília, e doem o restante aos espoliados da nação.

2 - Aos Nobres Deputados da "oposição". Oposição não se faz apenas falando bonito, mas com ações que demonstrem desprendimento pessoal e inteira dedicação aos interesses e ao modelo de Nação que Vossas Excelências entendem como correto. Não é crível que os senhores realmente acreditem que a atitude aqui comentada contribua de alguma forma para a dignificação e o desenvolvimento do Brasil. Desta forma, sugiro que, demonstrando que não concordam com o modelo que aí está e que lutam por um Brasil melhor, devolvam aos cofres públicos - mensalmente - o valor de seus vencimentos que supere R$ 8.000,00 que, conforme já mencionado, é mais do que suficiente para bancar vossos luxos na Capital Federal. Caso não concordem, então seria interessante que Vossas Excelências deixassem de interpretar o papel data venia ridículo de "oposição de mentirinha", apenas para dar a impressão de que o Brasil tem um Congresso Nacional democrático. Devo lhes assegurar que este papel está sendo interpretado para uma platéia representada apenas por vossos pares, eis que a Nação brasileira não mais acredita em Vossas Excelências. Cabe aos senhores alterar este quadro.

3 - A todos os Nobres Deputados: Caso decidam manter a desfaçatez atual, sugiro que utilizem parte de seus régios vencimentos, para alicerçar vosso sustento em outro país - de preferência um que não tenha acordo de extradição com o Brasil. A resposta da Nação aos vossos atos está a cada dia mais próxima, eis que o povo não aguenta mais tanto desprezo aos seus anseios. Quando esta resposta vier, nenhum dos senhores gostará de estar no Brasil para ouvi-la.

Era o que me incumbia protestar como brasileiro e cidadão indignado. Peço-vos licença para finalizar a mensagem, tendo em vista que - diferentemente de Vossas Excelências - tenho que voltar ao trabalho para garantir um natal menos humilde à minha família, bem como garantir que em janeiro eu tenha recursos financeiros para declarar meu imposto de renda e pagar vossos salários.

Luciano J. Blandy é advogado.

9 comentários:

a disse...

Testando.

a disse...

Prezado Jorge Serrão,

Não foi com revolta e indigação que recebi a velha notícia dos marginais que se sustentam através desta pocilga chamada Consgresso Nacional: um dos maiores regimes prisionais a céu aberto e absolutamente livre de Leis ou qualquer impeditivo para a prática do ilícito.

Eu só achei uma vergonha, o auto benefício não ter sido de 100%, pois um regime marxista que se preza, portanto, sempre fiel as suas origens criminosas, não poderia propor um aumento indigno e tão fuleiro como este que foi contemplado.

Só um idiota, somente um patife que elege o Elo Perdido de Garanhuns para um segundo mandato pode achar que tudo isto não é mais um plano muito bem feito da Repúbrica Vêrmêia Pestista do Foro de São Paulo.

Onde se instalou, a praga do marxismo nunca reproduziu nada de bom, ainda mais hoje que se transformou num flagelo em pleno processo de extinção.

Este é o marxismo miscigenado, tupiniquim, mas sempre corrupto e criminoso.

Será que não há mais elementos com visão estratégica na elite de nosso oficialato das Forças Armadas para ver o que está em curso?

Este cala boca de quase 100%, ainda não é nada perto do que estes subvesivos ressentidos tem em mente.

Este é o "espetáculo do crescimento"!

Abração,

Anônimo disse...

SE QUERES DESTRUIR AS BASES DE UMA NAÇÃO, SOLAPE SUAS INSITIUIÇÕES”.

Anônimo disse...

Faz parte do jogo de desmoralização das instituições para implantação da "Grrande CUBA".
Só não sei para que tanto subterfúgio. Diante de tanta passividade, covardia e cumplicidade é só implantar essa "porra" logo e correr pro abraço da galera.

Anônimo disse...

A cada dia que passa mais cristalino fica a razão desse empenho covarde pelo desarmamento dos cidadãos brasileiros.

Anônimo disse...

Quando o povo de uma nação é afrontado desta forma, seja pelo Legislativo, que é cabrestiado pelo Executivo, ou ambos que de forma astuta são incentivados pelo Judiciário, nos faz pensar o pior.

Pois, muito se assemelham a casas de tolerância, onde a promiscuidade e a mesquinhez são cortejados por estas ditas honradas pessoas.

Mas não se esqueçam, pois é justamente assim que se engrossa o caldo da anti-cultura, que desaba num golpe Militar.
Oilen

Neide Silva disse...

É revoltante esses aumentos que essa corja se concedeu.Estou enojada com esses políticos e cada vez acredito mais que só uma revolução popular seria capaz de extirpar essas sanguessugas do Planalto Central

Anônimo disse...

Simplesmente brilhante.Não há nada a acrescentar.

Anônimo disse...

Malditos sociopatas. Não conseguem sentir qualquer manifestação de remorso. Visitem uma cidade do interior do Maranhão, por exemplo e verão uma pequena amostra do estado em que se encontram 60% do povo brasileiro. E é exatamente com isso que os nossos políticos contam. Em uma ou duas semanas o fato estará esquecido como tem sempre acontencido porque a grande massa da população tem que lutar pela própria sobrevivência. A mudança está nas mãos dos poucos normais que têm acesso à informação e a alguns quilos de TNT.