quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Últimos suspiros

Edição de Artigos de Quinta-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

A revista Veja do último dia 25 de outubro (número 1979), trouxe, em suas páginas amarelas, entrevista com o cientista inglês James Lovelock, 86 anos, que não causou a repercussão que seria de se esperar.

Lovelock afirmou que nosso planeta chegou a ponto de irreversibilidade, no que se refere à destruição de sua camada de ozônio, frisando que o superaquecimento irá tornar a Terra praticamente sem condições de ser habitada, ali por volta de 2040. Daqui a 34 anos, portanto.

Ele garantiu que antes do final do século XXI, “cerca de 80% da humanidade desaparecerão” e os 20% restantes irão protagonizar “formidáveis correntes migratórias para o Ártico”.
A colocação vem bem a calhar, no instante em que se discute o crescimento econômico de um país extremamente rico como o nosso, refreado, no entanto, por ter sempre demonstrado vocação de pigmeu.

Governada em largos períodos por vigaristas, ladrões contumazes e alcoólatras irresponsáveis (desde a descoberta e fundação do Estado), a terra tupiniquim poderá, pelo menos como consolo, alegar sua contribuição mínima no desastre global que se avizinha.

No começo deste ano de 2006, a revista “Super Interessante” relançou no mercado cinco DVDs com a série Cosmos, produzida pelo astrônomo norte-americano Carl Sagan (1934-96), em que previa tal desastre e fazia séria advertência.

Produzida há 25 anos, a série faz no DVD de número dois um estudo comparativo entre dois planetas de nosso Sistema Solar, Terra e Vênus. E o título do episódio é bem sugestivo: “Céu e Inferno”.

No final daquele episódio, numa atualização efetuada dez anos depois, Sagan revela sua preocupação com os perigos do efeito estufa, em função da queima de combustíveis fósseis (carvão, gás e petróleo), lançando dióxido de carbono na atmosfera e superaquecendo nosso planeta. O clima ficaria insuportável. Como em Vênus.

Que providências foram tomadas desde então? Nenhuma! Naquela época, projeções realizadas através de computadores falavam a respeito da morte de florestas, “esterilização de áreas de cultivo”, inundações das cidades litorâneas e números impensáveis de refugiados do meio-ambiente.

O problema é que os fatos estão se precipitando em velocidade espantosa, embora as chamadas autoridades pareçam ainda não se ter dado conta da imensidão do desastre! Mas agora é tarde (segundo os estudiosos do tema) e Inês é morta!

Certa feita, o insuperável líder indiano, Mahatma Gandhi (1869-1948), ouvia de empolgado interlocutor as vantagens de um desenvolvimento econômico que colocasse seu país em igualdade de condições com o Império Britânico, depois de conquistada a independência.

Depois de ouvir pacientemente, o sábio hindu levantou os olhos de sua roca e perguntou quantos planetas seriam necessários para que os países da Terra se igualassem ao mesmo nível da grande potência de então. Ficou sem resposta. E o interlocutor não alcançou a extensão do seu raciocínio.

Hoje, com mais de seis bilhões de pessoas para alimentar (quando se imagina que dois bilhões seriam o ideal), florestas quase totalmente devastadas, rios e oceanos poluídos, resta pouco espaço de tempo para a Terra se recuperar das agressões sofridas.Os líderes fracassaram e a boiada vai de olhos fechados em direção à ruína.

Márcio Accioly é jornalista.

Um comentário:

Anônimo disse...

JESUS CRISTO!

Estou pasma, 0 comentários para um assunto de interesse global!

Assim como o avestuz vamos todos morrer de cabeça enterrada num buraco. Nós do 3º mundinho, né?

Porque o club privé do 1º mundo certamente se instalará lá na lua. Com folga, para mais 2000 anos!