segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

A manifestação do Mal

Edição de artigos de Segunda-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

Torturador, assassino, covarde e ladrão. Os adjetivos adornam, à perfeição, a personalidade sinistra do general Augusto Pinochet, sanguinário ditador do Chile (1973-90), quando assumiu o poder depois de chefiar golpe militar que derrubou Salvador Allende (1970-73). Pinochet morreu domingo.

Mas, responsabilizá-lo sozinho é conferir crédito além da medida a um facínora que jamais conseguiria se movimentar além da extensão dos cordéis manipulados por seus patrocinadores, à frente os EUA.

É como dizer que Adolfo Hitler é o único culpado pelas atrocidades cometidas contra o povo judeu, durante a Segunda Guerra Mundial.

Ou afirmar que a chacina ora cometida contra a população civil iraquiana, na mutilação e extermínio indiscriminado de homens, mulheres e crianças (por conta de milhares de bombas despejadas sob as ordens do presidente norte-americano, George Bush), deve-se, tão-somente, a crimes anteriores praticados por Saddam Hussein.

Quando ainda se respirava o ar da chamada guerra fria, tudo se permitia para impedir o avanço de ideologias estranhas no quintal de cada qual. No “bloco comunista”, a extinta União Soviética cuidava de seus interesses com mão de ferro, ameaçando e invadindo países satélites que rejeitassem seguir sua cartilha.

No bloco ocidental (sob disfarce de sistema democrático cuja representação se conquista a peso de ouro), nuvens negras se abateram sobre o continente sul-americano (no final dos anos 60). Mesmo com a “redemocratização” do poente do século, os crimes cometidos permanecem impunes, com a hipocrisia emitindo sinais de vitória.

O então deputado federal Chico Pinto, em 1974, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal e preso por seis meses (com base na Lei de Segurança Nacional), por ter feito discurso na tribuna onde chamou Pinochet de “assassino”.

O parlamentar não sabia que o general era também ladrão. No ano de 2004, o Senado norte-americano revelou contas secretas mantidas por Augusto Pinochet nas instituições financeiras da terra do Tio Sam, nas quais milhões de dólares circularam.

E o ex-ditador, recentemente declarado “demente” pela (in) justiça de seu país, foi reabilitado judicialmente como “são”, sem sofrer embora qualquer condenação por crimes cometidos.
Hoje, ainda se aguarda a reforma daquela sentença esdrúxula, depois de confirmada a veracidade das palavras de Chico Pinto.

É um mundo louco esse em que o único animal aparentemente capaz de raciocinar insiste em aprimorar estratagemas e esquemas com a finalidade única de subjugar o semelhante. As religiões pregam a paz, mas seus seguidores agem com violência. As instituições, de maneira geral, vão em sentido contrário às proposições.

O que se percebe no mundo todo é o Estado ser conduzido por quadrilheiros que pregam determinadas regras, mas seguem na direção oposta. Eles nada têm a ver com os ditos representados, pois alcançam o poder depois de tantas manobras e circunvoluções que nada mais resta da identidade original.

Nos anos de chumbo das ditaduras no nosso continente, a maioria dos militares foi confundida e usada pela mesma inteligência manipuladora que elegeu o lucro como deus supremo, sem se importar com os desastres causados. Mudam-se as máscaras, os objetivos permanecem.

O general Augusto Pinochet foi apenas uma pequena peça na aviltante engrenagem da miséria humana. A existência nos condena a tal degradante convivência.

Márcio Accioly é jornalista.

2 comentários:

Anônimo disse...

Que tremendo absurdo!

Vc, Serrão, publicar um artigo tão esquerdista quanto o desse Márcio Accioly...

Não se fazem MESMO mais bons jornalistas...

Todas as palavras para caluniar Pinochet. Nenhuma palavra sobre Allende. Nenhuma palavra sobre as investigações do "ouro" de Pinochet, que era uma grande mentira oportunista.

Mais uma amostra cabal de jornalismo amestrado.

Anônimo disse...

É UMA VERDADEIRA CONFUSÃO
Ler artigo como este é de deixar o
povo cada dia mais mal informado.
Um péssimo jornalismo, que mais de-
sinforma, leva a uma pobreza cultu-
ral. Ah, se o Brasil fosse pelo
menos como o Chile é hoje economi-
camente. E, se deve isto a quem?
Bom seria se Allende tivesse continuado, para educar este tipo de mídia verdadeiramente analfabeta; ainda que sou um semianalfabeto que só pude terminar quarta série primária e fazer segundo grau em um ano, isto ja na vélhice, e não tenho nem mes-
mo casa própria, mas não me curvo
a este tipo de jornalismo