terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Inocência Latina

Edição de artigos de Terça-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio C. Coimbra

A América Latina passa por um período sombrio. Candidaturas que não sealinham com os valores democráticos têm sido sistematicamente eleitas ereeleitas nos últimos meses. As recentes vitórias de Daniel Ortega naNicarágua e Rafael Correa no Equador são os exemplos mais recentes desteperigo coletivista. Aqueles que ainda não sucumbiram a tentação populista oulivraram-se por pouco deste novo socialismo mascarado, enganam-se quandopensam estar imunizados quanto ao mal que paira desde o México até aArgentina.

No Brasil, em especial, me pareceu triste a vitória de Lula, depois de mesesde exposição de uma espécie de corrupção rasteira nascida dentro do Paláciodo Planalto que segue corroendo a democracia. A vitória de Lula me fezquestionar nossa dignidade e nossa capacidade de gerar um País melhor.Passei definitivamente a questionar nossa qualidade como nação ou povo,s ubmisso, passivo, que beira a ignorância. Avalizamos a corrupção,autorizamos o desvio de nossos impostos, encaminhando o principalbeneficiário da organização criminosa petista para um segundo mandato.

Definitivamente parece claro que o brasileiro não gosta de seu próprio País. Como muitos, desisti do Brasil, deixei meu País. Se antes de Lula já pensavano Brasil como um lugar duvidoso e quase inviável, depois de sua eleição eagora recondução, estou certo que não vamos a lugar algum. Entretanto, valelembrar que a derrota moral brasileira, amparada pelo populismo rasteiro,não é uma exclusividade tupiniquim. Ela se espalha por toda a AméricaLatina. Lula, Morales, Chávez, Correa, Kirchner, Ortega, Castro seguidos deseus amigos, por enquanto derrotados pelas urnas, Obrador e Humala,representam o maior perigo já vivido neste continente.

O que mais assusta neste momento é o grau de ingenuidade das oposições latino-americanas. Em Madri, onde mantenho contato com diversos membros daoposição a esses regimes populistas, percebo um certo grau inocência emdiversas análises. Os únicos que realmente já perceberam o tamanho do perigosão os cubanos, que há décadas sofrem nas mãos do ditador Castro e osvenezuelanos, que enxergam pouco a pouco suas liberdades sendo limitadas ecortadas pelo regime "bolivariano" autoritário de Hugo Chávez.

Não nos iludamos, o futuro não é sombrio apenas para Cuba e Venezuela. Morales, que humilhou a Petrobrás a mando de Hugo Chávez, colocando o Brasilde joelhos perante a Bolívia com a complacência de Lula, incitou o povoboliviano ao extremo, rompendo com a institucionalidade democrática elevando diversos presidentes a renúncia, até chegar ao poder. Enganam-se osperuanos que acreditam em um governo tranqüilo de Alan Garcia. OllantaHumala não dará trégua ao presidente do Peru. Da mesma forma, López Obradornão descansará enquanto não desestabilizar o governo de Felipe Calderón no México, como já tem demonstrado desde a eleição.

Quem acredita, como ouvi emMadri, que "o México é diferente da Bolívia e resistirá" não conhece aengenharia e o financiamento com que contam os populistas de Chávez naAmérica Latina. A estratégia é corroer a democracia e desestabilizar as instituições. Umavez no poder, a tática é manter as pessoas na miséria e na pobreza,dependentes da ajuda do Estado, para que estes governos sigam se reelegendo,como aconteceu com Lula e ocorrerá tranquilamente com Kirchner. A únicaforma capaz de preservar as liberdades e a democracia é alavancar osinstrumentos de livre-comércio, acelerar a abertura comercial, tornando apopulação destes países mais rica e próspera, com acesso claro a informação,para que possuam maior discernimento.

Não é uma vacina contra o populismo,mas o melhor remédio conhecido até os dias de hoje. Foi assim que o Méxicoterminou com um reinado "democrático" de mais de 70 anos do PRI e o Chileencontrou sua estabilidade. A eleição apertada de Calderón contra ocandidato chavista é a prova de que é possível lutar contra este malesquerdista e paternalista que destrói a capacidade das pessoas de pensar.Portanto, Alan García e Felipe Calderón devem estabelecer e ampliar seusacordos de livre-comércio com nações prósperas se desejam terminar seusmandatos. De outra forma, o avanço chavista patrocinado pelo petróleocontinuará a se espalhar. Um destino negro se avizinha para a AméricaLatina. As oposições precisam perder a ingenuidade e começar a trabalhar deforma decente, inclusive no Brasil.

Artigo redigido em 28.11.2006. Em Madri, Espanha. Márcio Chalegre Coimbra. Analista político. Habilitado em DireitoMercantil pela Unisinos. PIL pela Harvard Law School. MBA em DireitoEconômico pela Fundação Getúlio Vargas. Especialista em DireitoInternacional pela UFRGS. Mestrando em Ação Política pela UniversidadFrancisco de Vitória e Universidad Rey Juan Carlos, em pesquisa paraFundación FAES, em Madri, Espanha.

Um comentário:

Anônimo disse...

LIVRE COMÉRCIO??? Esse cara devia voltar ao Brasil e ver o que estão fazendo com a aduana brasileira. Vai ser uma festa para os contrabandistas. Os trabalhadores e empresários brasileiros vão se ferrar com a era dos chamados portos secos de administração privada. Facilitar o comércio internacional em detrimento dos postos de trabalho no Brasil só é solução para os grandes grupos econômicos multinacionais. Isso o Lula tá fazendo. CHEGA DE EMPULHAÇÃO!!! Quem vive aui no Brasil, depende do Brasil e não da Espanha ou qual quer outro país estrangeiro, deve pensar no BRASIL! FORA LULA E FORA OS FINANCIADORES DA DESGRAÇA NACIONAL!