quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Política de menor estatura

Edição de Artigos de Quarta-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Almeida Lima

Ufa!... Chegamos ao final de mais um ano. Com a mensagem de um Feliz Natal que desejo a todos os brasileiros, e com um grande sentimento de PAZ interior, arrisco-me a uma análise do que representou a Política para todos nós durante este ano.

Numa avaliação que se pretenda imparcial, não foi esta a Política que o Brasil vivenciou. Ela não dignificou, não engrandeceu, e não se voltou para a prática do bem comum. A política foi a do “p” minúsculo, tamanho miúdo e insignificante igual ao daqueles que protagonizaram os conchavos que levaram a maioria do Congresso Nacional à aprovação de maldades contra o povo, dos que se adequaram ao papel de mensaleiros e sanguessugas, de pizzaiolos, de Severinos e de patrocinadores do aumento dos subsídios ao apagar das luzes da sessão legislativa. Por tudo isto se afirma que a atual legislatura do Congresso Nacional foi a pior de todos os tempos. Resta-me perguntar: esta é a análise correta? E quanto ao Poder Executivo do presidente Lula da Silva, o que dizer?

A teoria de Montesquieu da tripartição dos poderes do Estado em Legislativo, Executivo e Judiciário um dia poderá ser restaurada e dignificada, mas hoje já se encontra démodé. À parte o Poder Judiciário por comportar avaliação em separado, mas quanto aos poderes Executivo e Legislativo eles não existem mais. Pela necessidade de avaliação de algumas situações da cena política nacional, o apropriado são as pessoas fazerem uso das expressões “governo” e “oposição” e não mais Poder Executivo e Poder Legislativo, ou mesmo Presidência da República e Congresso Nacional.

Não é justo que assim continue sendo feito, pois eu não integro nenhum parlamento enquanto Poder. Ele deixou de existir. Eu pertenço é a uma parcela da classe política que compõe a oposição. Foi-se o tempo em que o parlamento tinha autonomia, identidade, sentimento de auto-estima, pois mesmo dividido em bancada do governo e bancada da oposição, havia o consenso no colegiado de que “ao rei se dava tudo, menos a honra”. Hoje isto não mais existe, nem mesmo em parcela da chamada “oposição”, pois basta que esta receba um aceno para entregar a sua honra na “bacia das almas”.

O sistema de governo adotado pelo Brasil hoje é o híbrido negativo, pois representa a junção de tudo o que existe de pior no presidencialismo e no parlamentarismo. E isto significa a nulidade do parlamento que deixou de ter expressão própria.

Uma avaliação imparcial se faz de forma desapaixonada. E espero que façam! Pois é justo condenar o Congresso Nacional em todo o seu conjunto por ter tomado “esta” ou “aquela” decisão quando se sabe que ali é um colegiado, e um parlamentar não pode ser responsabilizado pela ação ou pela omissão da maioria? Será que o povo perdeu a capacidade da distinção, da separação do joio e do trigo? Mensaleiros e sanguessugas foram todos os parlamentares? Os corruptos mensaleiros e sanguessugas devem ser crucificados, e quem os corrompeu que foi o governo Lula da Silva é absolvido? Sabe-se que a maioria dos parlamentares do Congresso Nacional é da base do governo, portanto, quando os corruptos não foram cassados quem não permitiu a cassação de todos eles, não foi o governo Lula da Silva que detém a maioria?

A quem pertence a maioria dos membros das mesas da Câmara e do Senado, bem assim a dos parlamentares? Quem, então, comandou a aprovação das maldades contra o povo? – Existe alguma outra resposta que não seja precedida da expressão: foi o governo Lula da Silva? E então, o governo está apenas no Executivo, ou ele está mesmo é na maioria que compõe o Congresso Nacional? Portanto, existe Congresso Nacional, ou o que existe mesmo é governo?

Ora, volto-me ao início. Esta legislatura foi a pior de todos os tempos porque ela nasceu assim, ou esta situação decorre do fato do governo do presidente Lula da Silva ter feito dela a pior de todos os tempos? Quem afirmou, em certa ocasião, que no Congresso Nacional tinha mais de trezentos picaretas não foi o próprio presidente Lula da Silva? Portanto, é demais afirmar que ele preferiu construir a sua base de apoio com essa gente sem escrúpulos a formar uma maioria com pessoas honestas e em cima de propostas moralizadoras e decentes para o País?

Por todas estas razões nunca saiu de minha consciência a idéia de que o governo do presidente Lula da Silva sempre trabalhou para a desmoralização do Congresso Nacional, leia-se, a desmoralização de toda a classe política do País, para que ele pudesse, sozinho, nadar de braçadas como os ditadores sempre fizeram. Quem já viu um Congresso Nacional depois de sofrer inúmeras e repetidas desmoralizações ao longo de uma legislatura (quatro anos) chegar ao final e pretender dobrar os salários de seus membros numa proporção de setenta salários mínimos contra um do pobre trabalhador brasileiro?

Que tudo isto tenha servido, pelo menos, de aprendizado, pois para nada mais teve serventia dignificante.

Como ciência e arte para a prática do bem comum, a Política se confunde com o Natal. Por isso, ela deve ser uma prática diária e permanente. O meu sonho é que renasça nas pessoas esse sentimento, pois assim estaremos edificando o que Ele anunciou. PAZ é tudo que preciso! PAZ é tudo que lhe desejo!

Almeida Lima é Senador da República (PMDB-SE)

Um comentário:

Anônimo disse...

Todo o meu respeito e admiração ao Senador Almeida Lima.