quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Políticos profissionais em festa: líderes do Congresso aprovam 90,7% de aumento salarial para eles mesmos

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Por Jorge Serrão

Os líderes dos partidos decidiram em favor deles mesmos e de seus pares que o salário dos parlamentares aumentará de R$ 12 mil e 800 para R$ 24 mil e 600 reais. O valor é o mesmo do teto de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Cada um dos 513 deputados e 81 senadores receberá o generoso salário 15 vezes ao ano. Além do 13º salário, os 594 congressistas recebem outras duas bonificações salariais, uma no início e outra no final do ano.

O valor recebido mensalmente pelos deputados e senadores será de 65,6 salários mínimos de R$ 375 reais. A diferença é que o valor destinado ao trabalhador comum foi aprovado pelo Congresso apenas para vigorar a partir de abril de 2007. E os R$ 25 reais de aumento do salário mínimo ainda dependem de aprovação do presidente Lula da Silva. Já os 90,7% de aumento auto-concedido pelos congressistas a eles mesmos passam a valer a partir de janeiro.

Além dos R$ 24 mil e 600 mensais, os parlamentares continuam recebendo auxílio passagem aérea, que varia de R$ 8 mil a R$ 14 mil por mês. Também têm direito a uma cota postal e telefônica de R$ 4 mil e 265 reais. Outra vantagem é o auxílio moradia de R$ 3 mil. Também contam com uma verba de gabinete mensal de R$ 50 mil. E, para completar, ainda recebem a chamada verba indenizatória de R$ 15 mil, para manter seus gabinetes nos estados de origem.

O gasto extra anual, com o aumento dos parlamentares, será de pelo menos R$ 1 bilhão 660 milhões de reais aos cofres públicos. Estados e municípios seguem o aumento federal para seus deputados estaduais e vereadores. Desse valor, R$ 90 milhões seriam consumidos pelo Congresso nacional, R$ 120 milhões pelas Assembléias, e R$ 1 bilhão 447 milhões pelas Câmaras municipais.

Os culpados

Vinte e seis parlamentares foram responsáveis pela decisão de equiparar os salários dos deputados e senadores com os dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Aldo Rebelo (PC do B-SP)
Renan Calheiros (PMDB-AL)
Ciro Nogueira (PP-PI)
Jorge Alberto (PMDB-SE)
Luciano Castro (PL-RR)
José Múcio (PTB-PE)
Wilson Santiago (PMDB-PB)
Miro Teixeira (PDT-RJ)
Sandra Rosado (PSB-RN)
Coubert Martins (PPS-BA)
Bismarck Maia (PSDB-CE)
Rodrigo Maia (PFL-RJ)
José Carlos Aleluia (PFL-BA)
Sandro Mabel (PL-GO)
Givaldo Carimbão (PSB-AL)
Arlindo Chinaglia (PT-SP)
Inácio Arruda (PC do B-CE)
Carlos Willian (PTC-MG)
Mário Heringer (PDT-MG)
Inocêncio Oliveira (PL-PE)
Demóstenes Torres (PFL-GO)
Efraim Moraes (PFL-PB)
Tião Viana (PT-AC)
Ney Suassuna (PMDB-PB)
Benedito de Lira (PL-AL)
Ideli Salvatti (PT-SC)

Votaram contra o reajuste os deputados Henrique Fontana (PT-RS) e Chico Alencar (PSOL-RJ), e a senadora Heloísa Helena (PSOL-AL).

3 comentários:

Anônimo disse...

É LAMENTAVEL O QUE ESSES POLÍTICOS ESTÃO FAZENDO EM BENEFÍCIO PRÓPRIO, ESPERO QUE AQUELES POUCOS POLÍTICOS DE BEM FAÇA ALGUMA COISA PARA REVERTER ISSO. PARA O POBRE TRABALHADOR BRIGARAM E DERAM 5% DE AUMENTO, MAS PARA A CORJA FOI APROVADO 90.7%, ATÉ QUANDO VAMOS TER QUE ATURAR ESSAS MERDAS AMBULANTES.

Anônimo disse...

Caro Serrão.
Acho que o brasileiro perdeu o sentido do trágico.Não se revolta com mais nada;aceita toda bandalheira com passividade.Fosse na Argentina,esses parasitas já teriam apanhado de pau.Aquí não.Tudo acaba virando piada ou enredo de Escola de Samba.É tudo resultado do "jeitinho",da ginga - que só brasileiro tem...-,da malandragem,do penalty que não foi - a falta foi fora da área mas fulano cavou...-da cervejinha pro guarda.O samba - e olha que apesar de morar em Curitiba sou carioca,viu? -traduz esse comportamento.Em outros países,mesmo havendo corrupção,o "buraco é mais embaixo".Na Argentina,o tango chora a tragédia de um povo.Traduz rebeldia.Em Portugal,vibra a guitarra do fado novo,"embargando nossas vozes"pelo seu lirismo,mas sempre contra a injustiça e a opressão.

Anônimo disse...

A canalhice nestepaiz não tem limites. Fazem-nos de idiotas quando um deles (não importa quem, pois são todos da mesma laia) justifica-se: "(...) é preciso aumentar nossos salários para evitar a corrupção."