domingo, 11 de março de 2007

O Insuportável Brilho dos EUA

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Maria Lucia Barbosa

A vinda do presidente Bush ao Brasil, que muitos dizem com razão ser tardia para barrar a influência exercida por Hugo Chávez, suscita algumas reflexões sobre o agudo sentimento antiamericano existente na América Latina que, se sempre existiu, agora está exacerbado. O que motiva isso?

Por volta de 1700, as colônias que compunham os impérios espanhol e português pareciam sinalizar para um futuro rico e pleno de êxito se comparadas com as da América do Norte. Entretanto, fatores culturais ligados ao tipo de colonização e gerados ao longo do processo histórico conferiram destinos diferentes às Américas do Norte e do Sul.

Os Estados Unidos, de país agrícola produtor de matérias-primas trocadas por produtos industrializados, se converteram em potência industrial e na nação mais poderosa do mundo. Ao poderio industrial, financeiro e bélico os norte-americanos adicionaram o primado científico e, a partir de 1923, começaram a conquistar prêmios Nobel de medicina, de física, de química. Os norte-americanos foram os primeiros a fazer a bomba atômica, o reator nuclear, a mandar o homem à lua. Práticos, objetivos, criativos, determinados, eles construíram uma novus ordo seculorum” a partir do espírito liberal que privilegia a democracia e o respeito às leis.

Em sua obra, “A Democracia na América” (1835-1840), observou Aléxis de Tocqueville sobre os Estados Unidos: “Os homens ali se mostram mais iguais pela riqueza e pela inteligência ou, por outras palavras, mais igualmente fortes do que em qualquer outro país do mundo e do que em qualquer outro século relembrado pela história”.

É brilho demais a ofuscar de modo insuportável os latino-americanos que, no fundo, sonham ser os Estados Unidos e não conseguem.

Não precisaríamos ter tido uma história de fracassos, mas a questão foi que tivemos uma “embriogenia defeituosa” e tanto nas colônias espanholas quanto na brasileira surgiram “sociedades invertebradas” sem, como diria Ortega y Gasset, “a potência verdadeiramente substancial que impulsiona e nutre um processo nacional: um projeto sugestivo de vida em comum”. Não tivemos a “comunidade de propósitos” das colônias inglesas, aquele elo que faz com que grupos integrantes “convivam não por estar juntos, mas sim por fazer algo juntos”.

O que prevaleceu na América Latina foram as sociedades desiguais, o isolamento entre as camadas sociais, a falta de “minorias seletas” que comandassem o processo emancipatório, a inexistência do espírito associativo substituído pela vivência no pequeno mundo familiar ou clânico, os governos perdulários, os caudilhos incompetentes. A soma de tais fatores gerou o atraso econômico e, sobretudo, a mentalidade do atraso.

No nosso subdesenvolvimento político e econômico, onde a corrupção é endêmica, padecemos como se vivêssemos exilados em terra própria. Sentimentos contraditórios de altivez e inferioridade nos acometem e na ânsia de nos libertarmos da síndrome do fracasso, cujas raízes se prendem ao passado, preferimos descarregar nossa frustração em possíveis culpados, aqueles que seriam responsáveis pelos problemas que nós próprios criamos. Culpamos de Colombo a Bush por nossas fraquezas e mazelas. Só nos esquecemos de perguntar o que fizemos a nós mesmos.

Jean-François Revel, na introdução à obra de Carlos Rangel, “Do Bom Selvagem ao Bom Revolucionário”, afirma que “a história da América Latina prolonga a contradição que lhe deu origem. Oscila entre as falsas revoluções e as ditaduras anárquicas, a corrupção e a miséria, a ineficácia e o nacionalismo exacerbado”. Conclui dizendo que “o êxito insolente dos Estados Unidos” tornou-se um fator adicional de amargura para nós.

Para nos contrapormos aos nossos males devemos nos tornar socialistas. Seríamos revolucionários de esquerda. Mas como disse Roberto Campos, “como pessoa física, somos comunistas, como pessoa jurídica, somos capitalistas”. Não suportamos o liberalismo que nunca tivemos. Não importa se o socialismo em toda parte em que foi implantado acabou com a liberdade, anulou o indivíduo, subjugou através do Estado tirânico. Se antigamente se gritava fora ianque, hoje é a mesma coisa.

Ficamos paralisados no tempo como aquelas músicas mexicanas tipo “Cucurucucu Paloooooomaaaaaaaaaaaaa”. Somos incapazes de “virar o disco”.
Na visita de Bush vejo manifestações de nossas garbosas esquerdas agitando bandeiras vermelhas pelo Brasil afora. Não aparecem passeatas ou manifestações contra a corrupção, a violência, os impostos escorchantes, a má qualidade da saúde e da educação, o pífio crescimento econômico.

A realidade, porém, é que não podemos viver sem capitalismo e até a China restituiu ao povo a propriedade privada. Nós, filhos dependentes do pai-Estado, estamos felizes transferindo nosso capital para os políticos profissionais ou para países amigos como, por exemplo, a Bolívia. Yes, nós amamos Chávez e odiamos Bush.

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.

5 comentários:

Anônimo disse...

Idiotice do Lula achar que deve explicações aos nossos visinhos, Como o Ditador Hugo Chávez, Bolívia e a Falsa Argentina.
No propósito de se explicar junto ao seu Comandante o Ditador Hugo Chávez, Lula marca viagem para Venezuela. Lula e sua equipe, juntamente com o PT devem estar se explicando junto ao comandante maior deles: O DITADOR HUGO CHAVEZ. Tanto o Lula, Sua Equipe e o PT estão preocupados em esclarecer para o Ditador Hugo Chavez que Bush só passou pelo Brasil, mas que Lula, PT e Equipe do Governo deve mesmo obediência é só a Ele : DITADOR HUGO CHAVEZ. Isso é ridículo, um País na dimensão do Brasil, ficar se justificando junto a Ditadores como esse Hugo Chavez. Maria Feitosa Estagiária 21 Anos Rio-Brasil VAI LULINHA, VAI PEDIR A BENÇA AO DITADOR HUGO CHÁVEZ VAI !!

Maria Feitosa
21 anos Estagiária.

Anônimo disse...

Maria Lúcia, dè uma lida no artigo publicado pelo Adriano Benayon - "A visita de Bush e o Controle da Energia" - você vai aprender uma lição importante.

PS: Uma coisa é ser a favor do capitalismo, já outra, bem diferente, é fazer a apologia do deslumbramento. Por favor, estude mais, pesquise, não faça comparações falaciosas e, sobretudo, evite contribuir para aumentar ainda mais a ignorância do povo brasileiro.

Ciça disse...

Concordo que a quase maioria dos brasileiros pensam e ajam assim. Mas, desta vez, o "Fora Bush" não veio apenas "das nossas garbosas esquerdas" :Bush está acabando com o que resta do mundo e do próprio povo norte-americano: esse grito foi contra a matança no Iraque e, depois, no Iran, e depois... sabe Deus onde. Leio todos os jornais, inclusive os americanos na Internet e não cheguei à conclusão sobre o que Bush veio fazer aqui. Esse artigo, muito bem escrito, não é dirigido à maioria dos brasileiros, pois ODIAMOS CHAVEZ. Queremos Lula e seus comparsas fora, mas infelizmente, a articulista tem razão quando diz que "não tivemos a 'comunidade de propósitos' das colônias inglesas, aquele elo que faz com que grupos integrantes 'convivam não por estar juntos, mas sim por fazer algo juntos.". Começando pelo modo por que fomos colonizados: portugueses corruptos e indolentes e padres jesuítas, conhecidos até hoje por seu apego ao dinheiro (tive um primo que, no Santo Inácio, foi chamado a ficar de pé diante de toda a classe para ouvir de um "padre" que o pagamento do colégio estava atrasado UM MÊS; já meu irmão mais velho, péssimo aluno, repetiu o ano e mamãe foi chamada para escutar do "reitor": "como ele é neto do Dr. Jorge de Gouvêa - meu avô, médico, que fundou a casa de Saúde São José, católico fervoroso, que operava de graça todos os jesuítas... -, ele poderá continuar no colégio, mesmo repetente". Mamãe disse que não criou seus filhos para exceções e colocou meu irmão no Padre Antonio Vieira.
Os piores prisioneiros vieram para cá, junto com os ladrões de nossas riquezas (que dizimaram nossos índios por causa "de meras turmalinas" ) e... os jesuítas.
Fôssemos colonizados por protestantes, iniciaríamos um país como os Quackers fizeram na América. E ainda temos esse climazinho tropical para dar preguiça nos mais fracos.
Concordo que, ao invés de nos enviarmos emails indignados contra a corrupção ( e cada um de nós sabe muito mais do que coloca), deveríamos ter começado jóvens a lutar pelo BRILHO do Brasil (não que lá não tenha corrupção, mas a escala é bem menor).
Esse morticínio no Iraque (que não teve sentido, pois... cadê os manufaturados nucleares?) foi apenas pelo petróleo. Não vejo BRILHO nisto, vejo em Bush uma figura macabra, um doente e na Condoleza, uma cobra venenosa. Afinal, o que vieram fazer aqui?Vc acha que foi, realmente, para negociar o etanol? Sem mexer nos subsídios? Pensa e me diz. BRILHO tem o continente europeu!

Maria Cecilia Gouvea Waechter
Rio de Janeiro, RJ

Anônimo disse...

Concordo que a quase maioria dos brasileiros pensam e ajam assim. Mas, desta vez, o "Fora Bush" não veio apenas "das nossas garbosas esquerdas" :Bush está acabando com o que resta do mundo e do próprio povo norte-americano: esse grito foi contra a matança no Iraque e, depois, no Iran, e depois... sabe Deus onde. Leio todos os jornais, inclusive os americanos na Internet e não cheguei à conclusão sobre o que Bush veio fazer aqui. Esse artigo, muito bem escrito, não é dirigido à maioria dos brasileiros, pois ODIAMOS CHAVEZ. Queremos Lula e seus comparsas fora, mas infelizmente, a articulista tem razão quando diz que "não tivemos a 'comunidade de propósitos' das colônias inglesas, aquele elo que faz com que grupos integrantes 'convivam não por estar juntos, mas sim por fazer algo juntos.". Começando pelo modo por que fomos colonizados: portugueses corruptos e indolentes e padres jesuítas, conhecidos até hoje por seu apego ao dinheiro (tive um primo que, no Santo Inácio, foi chamado a ficar de pé diante de toda a classe para ouvir de um "padre" que o pagamento do colégio estava atrasado UM MÊS; já meu irmão mais velho, péssimo aluno, repetiu o ano e mamãe foi chamada para escutar do "reitor": "como ele é neto do Dr. Jorge de Gouvêa - meu avô, médico, que fundou a casa de Saúde São José, católico fervoroso, que operava de graça todos os jesuítas... -, ele poderá continuar no colégio, mesmo repetente". Mamãe disse que não criou seus filhos para exceções e colocou meu irmão no Padre Antonio Vieira.
Os piores prisioneiros vieram para cá, junto com os ladrões de nossas riquezas (que dizimaram nossos índios por causa "de meras turmalinas" ) e... os jesuítas.
Fôssemos colonizados por protestantes, iniciaríamos um país como os Quackers fizeram na América. E ainda temos esse climazinho tropical para dar preguiça nos mais fracos.
Concordo que, ao invés de nos enviarmos emails indignados contra a corrupção ( e cada um de nós sabe muito mais do que coloca), deveríamos ter começado jóvens a lutar pelo BRILHO do Brasil (não que lá não tenha corrupção, mas a escala é bem menor).
Esse morticínio no Iraque (que não teve sentido, pois... cadê os manufaturados nucleares?) foi apenas pelo petróleo. Não vejo BRILHO nisto, vejo em Bush uma figura macabra, um doente e na Condoleza, uma cobra venenosa. Afinal, o que vieram fazer aqui?Vc acha que foi, realmente, para negociar o etanol? Sem mexer nos subsídios? Pensa e me diz. BRILHO tem o continente europeu!

Maria Cecilia Gouvea Waechter
Rio de Janeiro, RJ

Anônimo disse...

É isso aí, a pergunta que não quer calar: - Cadê os "MANUFATURADOS NUCLEARES"???

HAHAHAHAHAHAHAHA... eu não aguento... HAHAHAHAHAHAHA...