domingo, 18 de março de 2007

Procura-se o Responsável

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

Paga-se um tostão de mel coado a quem for capaz de dizer, com segurança, quem é culpado pelas mazelas que afligem o país chamado Brasil. Só para ficarmos na chamada Nova República, advinda com a queda do regime militar que durou 21 anos (1964-85), não foi José Sarney (1985-90), apesar das suspeitas e pesares.

Como se sabe, a gestão sarnenta era considerada a mais corrupta da história nacional (teve até pedido de impeachment arquivado pelo deputado federal Inocêncio Oliveira, no exercício da presidência da Câmara), até que surgiu cidadão chamado FHC (1999-2003). Este último se tornou “hors-concours”.

Na “administração” Sarney assistiu-se a verdadeiro festival de distribuição de emissoras de rádio, com os jornais da época alardeando que serviam tão somente para a conquista de mandato presidencial de cinco anos.

Sarney, servidor inconteste do regime que findava, havia sido indicado candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pelo mineiro Tancredo Neves, em 1985, disputando o Palácio do Planalto, vejam só, contra Paulo Maluf (PP-SP).

Maluf, o mesmo que ora está impedido de viajar para os EUA, ou qualquer outro país que com ele tenha tratado de extradição, sob pena de terminar trancafiado numa penitenciária qualquer. No Brasil, como deputado federal, vive cheio de prerrogativas.

Na campanha presidencial de 85, a eleição seria indireta, no Colégio Eleitoral. A Constituição de então dizia que o mandato presidencial durava seis anos. Tancredo Neves passou o tempo inteiro prometendo um mandato de quatro anos.

Eleita a chapa Tancredo/Sarney, o ex-governador de Minas Gerais foi internado no Hospital de Base de Brasília (DF) e submetido à cirurgia delicada (diverticulite), morrendo sem tomar posse e causando comoção nacional!

Que fez Sarney? Disse que iria “reduzir”, sim, o mandato presidencial, em um ano (esquecendo a promessa de campanha), comprando, segundo os jornais de então, os votos parlamentares necessários à mudança constitucional, através da distribuição de concessão de emissoras de rádio. E presidiu por cinco anos.

Na gestão do maranhense, a inflação atingiu mais de 86% ao mês! Por conta disso, e dos desmandos, tornou-se tão impopular que, na campanha para a sua sucessão (1989), o candidato Fernando Collor de Mello prometeu, no horário eleitoral, arrancá-lo do assento presidencial “pelo bigode”.

Aconteceu é que Collor terminou, ele mesmo, arrancado do Palácio do Planalto num processo de impeachment, debaixo de saraivada de acusações (que incluía a de formação de quadrilha), como nunca se tinha tomado conhecimento antes.

Agora, eleito senador por Alagoas, depois de 17 anos, Collor fez um discurso na última quinta-feira (15), com direito a elogios e choro, conciliando-se com seus detratores de ontem, alguns deles acusados em desvios de hoje.

E chegou-se à conclusão de ter sido tudo uma enorme injustiça, farsa absurda, que nada do que se afirmara aconteceu de fato, sendo, na realidade, pura invenção. Depreende-se, pois, que seu ex-tesoureiro, PC Farias, morreu em vão.

É certo que não se tem conhecimento de onde tenha ido parar o volume de recursos financeiros que se garante ter sido carregado. O ex-presidente só pediu desculpas por ter promovido o confisco do dinheiro de todos que lhe confiaram o voto.

A ex-ministra da Fazenda de Collor, Zélia Cardoso de Mello, foi absolvida de todas as acusações imputadas e mora hoje em Nova Iorque num apartamento na Quinta Avenida. Afinal, quem é o culpado pela corrupção no Brasil? Cartas à redação.

Márcio Accioly é Jornalista.

Um comentário:

Anônimo disse...

"É certo que não se tem conhecimento de onde tenha ido parar o volume de recursos financeiros que se garante ter sido carregado"

Este é o ponto, Márcio. Note, que no Brasil, em todo crime que é cometido contra a Administração Pública, o sujeito permanece oculto, como se cada ação praticada pelos corruptos fosse uma espécie de fenômeno da natureza.