domingo, 25 de março de 2007

Recados do Império

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Adriano Benayon

Está sendo difundido artigo do sr. Stephan Kanitz, segundo quem a visita de Bush ao Brasil teve o objetivo de alertar contra manobras do presidente da Venezuela. Kanitz é muito apreciado por admiradores incondicionais do poder imperial e por denegridores do nosso povo.

Kanitz começa: “A vinda do Bush não tem nada a ver com o Brasil, muito menos com o etanol. Os Estados Unidos não querem estreitar os laços comerciais com o Brasil. Tentaram a ALCA, mas nós recusamos.” Deve-se observar que o Brasil já se abriu demais, especialmente desde que o primeiro dos malfadados Fernandos reduziu as tarifas de importação sem contrapartidas.

No final de 1994, no apagar das luzes de Itamar, o Senado aprovou, sem nada examinar, os acordos que ratificaram as concessões no GATT e a entrada do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC). Isso implicou renunciar à autonomia em política econômica.O País obriga-se a:

1) Não controlar preços e quantidades do comércio exterior, já que, pelo Estatuto da OMC, os governos devem acatar a declaração das partes na valoração aduaneira, o que estimula a transferência fraudulenta de recursos financeiros para o exterior, o superfaturamento de importações e o subfaturamento de exportações;

2) Adotar as regras de propriedade industrial da OMC, ampliadas pela Lei 9.279, de 1996, feita e modificada ao gosto de transnacionais, como as da indústria farmacêutica;

3) Adotar as regras da OMC em matéria de serviços, conceito abusivamente estendido para investimentos.

Uma das raras coisas elogiáveis do atual Executivo federal é ter evitado a adesão à ALCA. Esta aceleraria o que já é desastroso para o País: sua reprimitivização. A estrutura econômica brasileira está, no Século 21, em vias de retornar à do Século 19, em condições mais desfavoráveis.

A extração graciosa de recursos naturais eleva-se a potências estratosféricas, e a indústria nacional - que florescia na 1ª metade do Século 20 - estiola sob a política econômica. Ela cede os últimos espaços às transnacionais na produção local e através das importações.

Diz Kanitz: “O Brasil representa um acréscimo de somente 4% de potencial de venda para uma empresa americana. O mercado americano teria representado um acréscimo de 2000% para uma empresa brasileira.”Esse é um velho argumento dos propagandistas da globalização para incitar incautos a maravilhar-se com pretensas vantagens para os pequenos (economicamente) em comerciar com os grandes.

A armadilha reside, em 1º lugar, nas reais possibilidades de acesso dos pequenos ao mercado dos grandes, barrado até em nichos nos quais são competitivos. 2º e mais importante: os pequenos perdem competitividade nos mercados vultosos e rendosos, à medida que se afastam do desenvolvimento econômico e social. E dele se afastam em função do controle exercido pelas transnacionais sobre a produção local, acentuado pelas políticas da globalização, um esquema desenhado para reservar o máximo de bons mercados às grandes transnacionais.

Em 3º lugar, o falso e velho pretexto de que países como o Brasil dispõem de capital insuficiente nos amarra à especialização em bens de baixo valor agregado: minérios em bruto ou apenas processados; bens agrários comercializados por tradings transnacionais que determinam o preço e as condições em âmbito mundial.

Por exemplo, exporta-se quartzo por centavos, depois importado por milhares de dólares sob a forma de chips em produtos da informática. Exportam-se frutos tropicais depois importados como produtos farmacêuticos patenteados, por centenas de vezes o preço do princípio ativo no estado natural.

A globalização nega a liberdade de comércio aos não-concentradores. “Livre-comércio” traduz-se, na linguagem da verdade, por mão-livre para grupos mundiais abusarem do poder em oligopólios e cartéis. Significa também submissão dos pequenos à regulamentação ditada pelos predadores. A do Estado só é admitida quando estes são favorecidos.

Para se ter uma amostra da ALCA basta ver a deterioração das condições econômicas e sociais no México, expressa na construção de extenso muro da vergonha ao longo da fronteira com os EUA, para conter a avalanche dos assolados pelo desemprego e pela penúria, mesmo empregados.

Mensageiro, Kanitz dá o recado: “Bush vem ao Brasil para avisar dos perigos do Hugo Chávez. Vai lembrar que enquanto Chávez minava a ALCA, fechava acordos para vender 80% de sua produção de petróleo para os Estados Unidos. O inimigo atual do Chávez não é os Estados Unidos, é o Brasil.”

Que pretendem os estrategistas imperiais? Determinar o rumo do País, brandindo espantalhos. Enquanto grupos transnacionais intensificam o colossal saqueio do Brasil, os brasileiros são induzidos a ver no sr. Chávez uma ameaça comunista ou algo assim. Na medida em ele esteja ligado a interesses anglo-americanos, a ameaça não é autônoma. O que já passou muito da ameaça é a ocupação efetiva do País pelo Império.

Adriano Benayon é Doutor em Economia. Autor de “Globalização versus Desenvolvimento”. Editora Escrituras: www.escrituras.com.br

7 comentários:

Paulo disse...

Esta americanofobia tupiniquim ja encheu o saco.

Anônimo disse...

Caro Adriano Benayon,

na minha opinião vc não sabe nada sobre o Foro de São Paulo.
O Aprendiz de Ditador, Hugo Chavez, não é apenas uma ameaça para o Brasil, mas para toda a América Latina.
Eu só não entendo como o Sr. Jorge Serrão publicou um artigo imbecil como esse.

Anônimo disse...

Continuação...

... também não sabe nada a respeito de quem está tentando construir esse muro na fronteira México/EUA.
Vc como economista, deveria saber que parceria de mercado não é a mesma coisa de entreguismo de terras e de recursos naturais. Isso o governo do PT está fazendo muito bem.

Adriano Benayon disse...

Os dois comentários acima, certamente, não são representativos da maioria dos leitores do ALERTA TOTAL. Primeiro, em razão da falta de educação, especialmente a do anônimo, que não deveria ter problema em se apresentar, mas foge até dessa insignificante responsabilidade. Paulo, o primeiro dos que se pronunciaram (???) tampouco sai do anonimato, pois dá na mesma, com esse prenome e nada mais.



Este diz que está cheio (digamos assim) de americanofobia tupiniquim. Como diz Serrão, o que estamos vendo no quadro atual é brazilofobia: pessoas que têm medo de ser brasileiras. Eu diria mais: têm aversão, raiva.



Em primeiro lugar, não sou americanófobo. Fui, durante quatro anos, Conselheiro da Embaixada do Brasil em Washington e, depois desse tempo, viajei muitas vezes a Nova York por causa de suas atrações culturais, especialmente na música clássica, instrumental e ópera. Para sua informação, não correspondo ao conceito pejorativo de tupiniquim, por meio do qual indivíduos deslumbrados com o que pensam ser civilizado (dentro de sua idealização do que chamam de 1º Mundo) tentam depreciar os nacionais. Falo, entendo e escrevo (bem) português (não sei se é o seu caso), e também inglês, francês, espanhol, alemão e italiano.



O de que procuro demover meus compatriotas é de oferecer as riquezas de nosso País a aproveitadores de todo tipo, especialmente aos grandes bancos e corporações transnacionais. Sou a favor do capital nacional, dentro de regras que evitem a concentração. O que não posso tolerar é a predação sem limites que se faz em detrimento do Brasil, a ponto de ir criando até mentalidades, como as dos srs. Paulo e Zé Ninguém, que julgam isso natural e justo, e ainda admiram os destruidores da nacionalidade e da dignidade humana.



Quanto ao Sr. Zé Ninguém, considero a qualificação de “imbecil” em relação ao meu artigo o que se poderia esperar de um indivíduo que imagina que eu ignoro as posições e atividades do Foro de São Paulo. Não tivesse ele o hábito dos ignorantes presunçosos (falar do que não entende) saberia o que tenho escrito a respeito da “presidência” do Sr. Lula, ou seja, como ele propicia cada vez mais novos espaços de saqueio em favor dos concentradores principalmente estrangeiros, que mandam em seu pretenso governo, como mandaram nos anteriores, notadamente no mais deletério de todos, o de FHC.



Informo-o também de que tenho a coletânea de meus artigos (recortes dos jornais em que foram publicados e em meio eletrônico). A consulta a alguns deles, especialmente os escritos mesmo antes de 2003, deixa claro que nunca me iludi com o PT nem com Lula.”



Adriano Benayon

Anônimo disse...

Sr. Adriano,

trocarei "artigo imbecil" por artigo mentiroso, not genuine, Mickey Mouse.

Quanto ao anonimato, é por pura preguiça de preencher o cadastro.

Muito Prazer!!!
Meu nome é Rubens Pinto.

Rubens disse...

Sr. Adriano Benayon,

Devo reconsiderar a minha afirmação a respeito do seu artigo
"Recados do Império".
Dizendo que o mesmo é mentiroso, estaria chamando o articulista também.
Só não concordo com certas afirmações contidas no mesmo.
Aceite minhas desculpas.
PS. A Ameaça Real do Brasil está no Congresso Nacional e no terceiro pavimento do Palácio do Planalto.

Paulo disse...

Não sofro de Brasilfobia, muito pelo contrário, mas o senhor é americanofóbico sim. O pior é que talvez nem saiba. Talvez o fato de ter residido nos Estados Unidos criou, ou aumentou, o seu complexo de vira-lata, como dizia o saudoso Nelson Rodrigues. Tambem acompanho o mundo da música erudita, daqui mesmo, sem nunca ter pisado em solo americano. Posso garantir que deslumbrado eu não sou. O senhor deve ser daqueles "patriotas" que torcem para que o Brasil seja entregue de bandeja aos chineses, ou qualquer outra tendência "democrática" de esquerda. Mas democracia é isto mesmo, cada um com a sua opinião. Graças à Deus. Um tríplice e fraternal abraço.