domingo, 11 de março de 2007

A Retórica da Impostura

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Almeida Lima

Nas hostes do governo, a retórica não tem servido como elemento de persuasão da linguagem para o convencimento de suas reais idéias e intenções. Como não há o objetivo de convencer pela racionalidade, ou razão absoluta, uma vez que o desejo mesmo é de confundir, elas permanecem ocultas não apenas pelo “fator surpresa” que lhes interessa, mas porque a sua manifestação seria um espantalho a deixar em polvorosa toda a sociedade, de tão nefastas que são.

Por isto mesmo é que a dialética não se faz presente nas diversas ações desse governo, deixando de ser o elemento a lastrear a retórica na sua forma mais sublime, a lhe dar embasamento e argumentos de convencimento, pois, para essa gente, a retórica serve, apenas, de instrumento do embuste, da verborragia, da mentira fácil e do jogo de palavras e de tudo mais que a expressão representa em seu sentido pejorativo, como a arte de enganar pelo uso de palavras empoladas, trejeitos e ilusionismo. Governar sem fazer uso da dialética que, no dizer de Friedrich Hegel é a essência da razão, é enganar e trazer a sociedade permanentemente iludida, distante da racionalidade.

Na política, essa postura sempre foi a essência do Partido dos Trabalhadores, embora só percebida durante os primeiros movimentos do governo Lula quando ela se tornou evidente diante contradições desnudadas pela própria dialética que tornou transparente a oposição entre as idéias pregadas e a prática política efetiva, resultando uma síntese traduzida pela expressão impostura.

Na economia este comportamento se tornou muito evidente somente agora com o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC. Depois da medíocre performance da economia brasileira durante os quatro primeiros anos do governo Lula, aliás, em nada diferentes dos oito anos de FHC, cujos índices de crescimento nesse período de doze anos, em média, são inferiores a 2,5%, o governo Lula ao lançar o PAC deu a demonstração na economia da mesma postura adotada na política, pois, como afirmei em outro artigo, este plano é a “farsa atabalhoada” de um governo que não se propõe a governar na perspectiva de criar melhores condições de vida para o povo, mas, tão somente, construir um projeto de poder totalitário. Tinha razão, pois além de se tratar de uma farsa caracterizada como peça de exclusiva retórica em seu sentido mais pejorativo, o PAC se apresenta sem nenhuma consistência uma vez que todas as suas premissas são falsas e, daí, insustentáveis.

Esta peça jamais poderá ser tida como um Plano Econômico a objetivar o crescimento da economia do País. A “lógica” do circulo virtuoso apresentada para este crescimento que aponta para uma maior oferta ao mercado que resultará em estabilidade de preços forçando a queda dos juros e aumentando o crescimento do PIB em 5% ao ano representa, apenas, retórica de baixo calibre, insustentável diante da antítese – segundo momento da dialética – porquanto existem três fatores impeditivos à consecução desse objetivo e que no PAC não está contemplada a sua remoção: a queda da elevadíssima carga tributária que beira os 40% do PIB, impraticáveis para um País que deseja crescer; os juros estratosféricos que inviabilizam qualquer empreendimento; e a falta de investimentos suficientes para a geração anual de energia da ordem de 7.000 megawatt–MW, a fim de garantir a possibilidade de um crescimento sustentável e, mesmo assim, após cumpridos os outros requisitos.

Bem..., o espaço para este artigo acabou, mas não ficarei aqui. Aprofundarei o tema nas próximas semanas.

José de Almeida Lima é Senador da República.

2 comentários:

Newton disse...

O ilustre Senador Almeida Lima
, passou a ser articulista dos Domingos, parabens. Newton

Anônimo disse...

O "ilustre" senador Almeida Lima continua nos devendo uma prestação de contas. BLA BLA BLA não interessa, a não ser para os puxa-sacos de plantão, sempre prestimosos e dispostos a fazer o papel de claque do "ilustre" senador ou deputado em troca de um favorzinho qualquer ou de um carguinho público comissionado.

Infelizmente, o "ilustre" senador, como a maioria dos políticos, nem ao menos se interessa pelos comentários e objeções que os leitores deste blog (cidadãos-contribuintes-eleitores) eventualmente façam aos seus "artigos", do contrário teria fornecido as explicações que lhe foram cobradas por ocasião do artigo anterior. Em vez disso, nos "brinda" com mais uma peça de seu palavrório vazio, prometendo continuar a fazer isso, artigos a fio, ainda que corra o risco de ser ignorado solenemente por quem já está farto da IMPOSTURA dos políticos e não se coaduna com a prática do PUXA-SAQUISMO.

Não obstante isso, ofereço, ainda, ao "ilustre" senador uma última chance de demonstrar que não é ele próprio mais um vil praticante da "retórica da impostura" e da "inconseqüência dos poderes" que tem alimentado todo o seu discurso de profeta do óbvio, o qual, aliás, tem rendido vida boa a muitos políticos brasileiros especializados em engambelar a massa de ignorantes e desavisados que, infelizmente, grassa a taxas geométricas no (ainda) nosso Brasil.

Reitero, portanto, pela última vez, as mesmas questões insuperáveis:

- Diga senador, como tem votado nas questões que têm sido enfiadas pelo poder executivo goela abaixo do senado e da câmara dos deputados?

- Diga senador, o que o senhor tem feito, de fato? Já que seu partido é mais um dentre os que apóiam e, aliás, sempre apoiaram durante a era FHC, o que passará à história como o "governo dos escândalos", eis que outra coisa não fazem, há mais de doze anos, os governos e sua base política, sem falar na pretensa oposição (que agora nem existe), do que administrar os sucessivos escândalos com os quais esbofeteiam a face dos cidadãos brasileiros, além de competirem entre si pela maior fatia do butim em que foi transformado o erário.

- DIGA senador NO QUE SEUS ATOS, DENTRO DESSE CONGRESSO EMPORCALHADO, SE DIFERENCIAM DE SEUS PARES POLÍTICOS ??? - DO CONTRÁRIO, RESTARÁ DEMONSTRADO QUE O SEU PALAVRÓRIO É TÃO INCONSEQÜENTE e IMPOSTOR QUANTO O ESTADO DE COISAS ÀS QUAIS o senhor DEDICOU E PROMETE CONTINUAR A DEDICAR TODOS OS SEUS TEXTOS COMPLETAMENTE VAZIOS DE ATITUDE.