domingo, 11 de março de 2007

A visita de Bush e o Controle da Energia

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Adriano Benayon

O que está em andamento é a tomada pelo capital estrangeiro da produção de álcool (etanol) e de outros derivados das plantas. Em suma, da energia da biomassa. Esta já é uma das principais fontes do presente, e não apenas a predominante em futuro próximo. Os que a controlarem terão assegurado posição estratégica privilegiada no poder mundial, reforçada pelos fabulosos ganhos econômicos que dela fluirão.

Graças à sua excepcional dotação de território aproveitável, de água e sol, o Brasil tem o potencial de ser o maior produtor mundial dessa energia. Mas, dado o modelo econômico subordinado que se implanta no Brasil desde 1954, o País caminha para a pior das servidões, a de ter explorada sua fabulosa dotação de recursos naturais para os objetivos de poder das potências hegemônicas. Elas estão prontas para dominar a biomassa, como já dominam a comercialização do agronegócio.

Nada mais fácil para as corporações transnacionais do que abocanhar a biomassa, uma riqueza muito mais fantástica que o ouro das Minas Gerais no Século XVIII. Isso porque o Brasil é um país aberto ao capital estrangeiro, ao qual pertence a produção industrial e os demais setores da economia. Pior, ele obtém tudo isso com o nosso dinheiro, que o “governo” submisso lhe transfere como subsídios, ademais dos ganhos que o mercado brasileiro lhe proporciona, remetidos ao exterior por meio de mais de uma dezena de mecanismos.

O modelo político e econômico subordinado já conduziu o Brasil ao desemprego de 30 milhões de brasileiros, a vergonhosas condições de saúde e de educação, à proliferação do crime organizado, ao definhamento da classe média, à queda contínua dos salários reais, ao sucateamento da infra-estrutura e das Forças Armadas.

O País está, pois, escancarado para que transnacionais sediadas no exterior se apoderem do que será o mais estratégico e maior setor da economia mundial. Que restará ao Brasil senão revogar o decreto da Princesa Isabel de 1888, da Abolição da escravatura?

Para ser profeta basta entender o presente e as lições do passado. Há casos históricos de reinstituição do regime de servidão por se terem países especializado na produção de matérias-primas destinadas ao comércio mundial. Por exemplo, a Polônia do Século XVIII, uma grande potência no XVII, transformada em exportadora de cereais sob a direção dos comerciantes e banqueiros de Amsterdam.

Que foi feito no Brasil para preparar o caminho para a apropriação da biomassa pelos concentradores mundiais? Sabotar o desenvolvimento da indústria do etanol, da qual foram alijados os pequenos produtores, por meio de regulamentação instituída por imposição do Banco Mundial. Isso fez centralizar a produção em grandes usinas, o que leva a transportar a cana-de-açúcar a grandes distâncias (em caminhões movidos a óleo diesel de petróleo), e a fazer o mesmo com o álcool.

Pior ainda, através de outras ações e omissões deliqüentes da política econômica, acabou-se com as demais conquistas do PRÓ-ALCOOL, como a produção de motores para álcool. Hoje, com o “bicombustível” são desperdiçados quase 40% da potência do etanol, cujas octanagem supera por essa margem a da gasolina.

Quase nada se fez para desenvolver o etanol a partir da celulose da madeira e de outras fibras vegetais, o que tem potencial econômico pelo menos tão bom quanto o da cana de açúcar e mais vantagens ecológicas. A palha da cana vem sendo queimada, causando danos ambientais, em vez de ser usada como fibra para a produção de álcool ou para, junto com outros resíduos vegetais, alimentar termelétricas.

Mais grave ainda é o boicote aos óleos vegetais, uma forma de biomassa cujo custo de produção pode ser menor que o do álcool e oferece desempenho duas vezes maior que o deste. Para se ter uma idéia, em matéria de óleos vegetais combustíveis, o Brasil está 40.000 vezes atrasado em relação à Alemanha. Isso porque: 1) A Alemanha os produz 100 vezes mais que o Brasil; 2) a produtividade média por hectare do dendê no Brasil é 17 vezes maior que a da canola (colza) cultivada na Alemanha; 3) o território brasileiro é 24 vezes maior que o alemão. Resumindo: 100 x 17 x 24 = 40.800.

Na Alemanha vende-se um kit para que os motores construídos para diesel de petróleo recebam o óleo vegetal apenas filtrado. O rendimento é o dobro do do etanol ou do biodiesel. O biodiesel vem a ser uma rendição ao poder de transnacionais da indústria automotora. Envolve mais um processo, a retirada da glicerina, a qual é também aproveitada energeticamente nos motores de alta temperatura para óleos vegetais.

Há tecnologia para fabricar esses motores, dos engenheiros Elsbett, na Alemanha, não usada por pressão do maior banco desse país. Os Elsbett fabricam o kit, também produzido no Paraná pelo Eng. Fendel.

A única e enorme dificuldade para que se façam as coisas certas está no governo títere, sem autodeterminação, dirigido nessa área pelos interesses das irmãs do petróleo. A Agência Nacional do Petróleo impede a distribuição do óleo vegetal e limita a comercialização do biodiesel à ridícula percentagem de 2% para a mistura com o óleo diesel.

Adriano Benayon é Doutor em Economia. Autor de “Globalização versus Desenvolvimento”. Editora Escrituras: www.escrituras.com.br

2 comentários:

Anônimo disse...

Este excelente artigo é mais uma dentre tantas denúncias fundadas em evidências cristalinas de que o real motivo do nosso "retro-desenvolvimento" não reside nessa quixotesca figura de um leviatã estatal, mas na união entre os criminosos alpinistas sociais paridos pela cloaca da esquerda brasileira e as chamadas "zelites" tupiniquins, que vendem irresponsavelmente o país aos venturosos interesses internacionais. Para esses dois sócios fomentadores da desgraça nacional tudo, absolutamente tudo, se resume a uma questão de custo e oportunidade. Traduzindo: PIMENTA NO CÚ DOS OUTROS É REFRESCO!

Anônimo disse...

O poder de Brasília está muito dividido e ainda não é possível traçar uma idéia clara da direção que o governo atual pretende seguir.

Hugo Chávez, juntamente com seu colega Mahmoud Ahmadinejad, já reconheceu QUEM controla realmente os grandes acontecimentos mundiais: os mesmos banqueiros agiotas que controlam os principais acontecimentos desde a Revolução Francesa.

É só ler os "falsificados" Protocolos dos Sábios de Sião e já teremos o NORTE para identificar quem é quem no cenário mundial.