domingo, 29 de abril de 2007

As “Razões” do Entreguismo

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Jorge Serrão

O Brasil é um País potencialmente rico e com tudo para ser uma poderosa Nação. Mas é mantido artificialmente na miséria por poderes globais que o controlam de fora para dentro. Historicamente, somos uma plataforma de transferência de recursos naturais e financeiros para o exterior. Por isso, o Brasil precisa ser “reinventado” e “redescoberto” política, econômica e psicossocialmente.

Temos o desafio histórico de mudar nossa realidade a nosso favor. Precisamos entregar a Nação a si mesma. O Brasil tem de adotar uma visão estratégica de longo prazo. Precisamos de uma política de Estado com a visão democrática. No máximo, atualmente, temos uma política de governo que é renovada de quatro em quatro anos. Não temos um projeto de Nação para longo prazo.

A Nação brasileira necessita de medidas imediatas e concomitantes, de ordem política, militar, econômica, fiscal e constitucional, para um renascimento institucional. A plena manifestação da Vontade Nacional, o controle social do poder do Estado e o investimento na inteligência social dos brasileiros, com soberania, autodeterminação e independência, são as soluções básicas e imediatas.

Historicamente, o Brasil não nos pertence. Nunca foi nosso, de verdade. O Brasil é uma rica colônia de exploração contemporânea controlada e mantida artificialmente na miséria por um Poder Real externo, cujos interesses e sistemas manipulam uma ociosa oligarquia política interna que pratica o crime organizado nos três poderes do Estado contra os cidadãos. Mas o crime só nos governa porque nós permitimos. Ou nos omitindo, ou nos submetendo a ele e seus reais agentes de controle.

Entender como funciona o mundo real é fundamental. Os cidadãos esclarecidos precisam sair da ignorância e conhecer os reais inimigos de nosso povo e do nosso desenvolvimento. Devem saber que o mundo globalizado é controlado por um “governo secreto” que atua nas sombras. Tal “governo” é exercido por poderosos grupos econômicos que formam uma Oligarquia Financeira Transnacional.

Se alguém duvida disso, é bom ficar esperto sobre alguns movimentos de políticos nos últimos dias e nos próximos dias. Onze governadores de Estados Brasileiros estão fora do Brasil neste feriado prolongado. Estão em Nova York a convite de Mario Garnero, que é um dos representantes dos banqueiros ingleses Rothschild em nosso País – embora as más línguas digam que seu filme anda meio queimado com os “patrões”. Garnero, do Grupo Brasil Invest, organiza o Fórum das Américas, na sede do Council of the Américas. A entidade foi fundada por David Rockefeller, um dos líderes da Oligarquia Financeira Mundial.

Vale sempre lembrar que o pequeno grupo de financistas que mandam no mundo tem uma escalação básica. Os controladores têm entre seus membros de cúpula os Bancos Rothschild, o HSBC, o Barclay’s e o Warburg, a British Petroleum, a Royal Dutch Shell, (do lado inglês e europeu) e o J. P. Morgan, o Kuhn, o Loeb, o Schiff, o Lehman e o Rockefeller, a ExxonMobil e a Chevron (do lado dos EUA). Também entram nesta elite o banco espanhol Santander Central Hispano SA, o norte-americano Bank of América, o Royal Bank of Scotland e o banco belga-holandês Fortis e o holandês ABN Amro.

José Serra (SP), Aécio Neves (MG), Blairo Maggi (MT), Luiz Henrique da Silveira (SC), Marcelo Déda (SE), Roberto Requião (PR), Wellington Dias (PI), Eduardo Braga (AM), Eduardo Campos (PE) e André Puccinelli (MS) falarão a empresários e banqueiros de algumas das mais importantes instituições norte-americanas e inglesas. Os brasileiros vão apresentar aos “investidores” seus principais atrativos, dados macroeconômicos e possibilidades para investimentos em seus Estados. Nesta segunda-feira, todos participam do Forum de Desenvolvimento Sustentável 2007, da Associação das Nações Unidas - Brasil - Anubra.

Especificamente sobre José Serra, pragmático governador tucano, conhecido por ser amigo só de si mesmo, que anda muito próximo dos petistas e do presidente Lula, sonhando sucedê-lo, o jornalista Cláudio Humberto soltou uma notinha enigmática em sua coluna de sexta-feira passada: “O governador de São Paulo, José Serra, viaja sozinho aos Estados Unidos para reuniões no Bird e com Geraldo Alckmin (que ainda nem foi marcada) e ‘palestras’ em Nova York. Mas não informou o local dessas exposições, para grande desapontamento dos admiradores brasileiros que vivem por lá”. É pule de 10 apostar que o papo secreto de Serra será com os representantes dos nossos controladores econômicos. Se não for, troco meu sobrenome de Serrão para serrinha, com letra minúscula.

A classe política brasileira que ocupa o poder é seduzida facilmente pela simpatia da Oligarquia Financeira Transnacional. Os banqueiros internacionais e seus agentes conscientes e inconscientes de controle são muito sedutores. Além disso, a banda do poder mundial toca afinadinha, há séculos. O Clube Bilderberg, a Comissão Trilateral, a Mesa Redonda, o Conselho de Relações Internacionais (CFR, sigla de Council on Foreign Relations), a Comissão Européia, as Nações Unidas, o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e tantas outras entidades corporativo-financeiro-estatais formam a rede universal do Poder Real. Eles mandam. Nossos políticos amestrados obedecem.

São entreguistas por natureza histórica. Afinal, é mais cômodo para uma classe política ociosa como a nossa. O entreguismo pode ser definido como uma ideologia, ou interesse político, que preconiza entregar à exploração de capital estrangeiro os recursos naturais do País e sua própria economia. Trata-se da absoluta “Falta de Vontade Nacional”. Ou a negação ideológica dela. No Brasil, tal pensamento “está sempre na moda”.

O papel colonizado de entreguista (ou de anti-nacional) é uma característica histórica dos nossos dirigentes políticos. As ideologias por eles pregadas são meros instrumentos de dominação daqueles que nos governam e controlam, de fato, mesmo sem direito para isto. Estas “ideologias fora do lugar” (como o neoliberalismo) são oferecidas ao cidadão-eleitor-contribuinte como mercadoria político-eleitoral.

Na eleição presidencial de 2006, os interesses dos controladores ficaram bem amarrados nos apoios de grandes grupos de poder internacionais aos principais candidatos. O Centro Tricontinental (sediado na Bélgica) jogou suas fichas em Lula e no time do Foro de São Paulo. Saiu vencedor. A Comissão Trilateral (também européia) apostou em Heloísa Helena. E o norte-americano CFR (Council on Foreign Relations), que opera o Diálogo Interamericano, fechou com Geraldo Alckmin - que agora virou “professor” nos EUA. Quando retornar, os brasileiros assistirão que aula ele dará.

A Oligarquia Financeira Transnacional tem pelo menos dois objetivos bem definidos, para justificar seu controle. O primeiro é a exploração econômica da nação e dos recursos naturais do seu território. O segundo é a contenção das potencialidades sócio-econômicas, políticas e militares da Nação, na medida exata de seus interesses transnacionais. Os controladores apostam no acirramento das diferenças regionais. O negócio deles é dividir para governar. Por isso, investem em ideologias que aparentemente se opõem, para criar o caldo de divisão nas nações que controlam.

Todos devem prestar atenção agora no caso boliviano. Um movimento que exige autonomia para a região mais rica da Bolívia ameaça deflagrar um confronto separatista armado contra o governo do cacique Evo Morales. Contando com cerca de 12 mil homens armados, treinados por paramilitares colombianos, o movimento Nação Camba reivindica um território que inclui os estados de Santa Cruz, Pando, Beni e Tarija. Lá estão localizados os principais campos de gás e petróleo da Bolívia, explorados pela Petrobras.

Militares brasileiros temem que, em caso de conflito, a Venezuela intervenha, criando instabilidade na fronteira. Nossas tropas já estão mobilizadas para o risco deste conflito que pode estourar, a qualquer momento, na América Latina. Tudo para alegria da indústria bélica que tantos lucros rende à Oligarquia Financeira Transnacional que a controla. O pau vai comer. E quem tem muito poder vai ganhar ainda mais grana. Eis a realidade cruel do nosso mundo Globalizado.

A previsão é de furacão no pasto. A vaca já está no brejo. O Boi vai encontrá-la brevemente. E vida que segue.

Jorge Serrão, jornalista radialista e publicitário, é Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. http://alertatotal.blogspot.com/ e http://podcast.br.inter.net/podcast/alertatotal

8 comentários:

Maneco disse...

Itau, Bradesco e Banco do Brasil controlam 42% dos depósitos no Brasil, portanto a banca estrangeira não tem tanta importância no capital interno. O que os bancos internacionais querem é emprestar dinheiro, não vejo nenhum movimento de tentativa de tomada de poder. Quanto a crise na Bolívia, quem elegeu Evo Morales? O que o mundo esperava de Evo Morales? Um estadista? Na minha opinião a história de poder da esquerda, se repete, baderna, não repeitar leis e contratos, daí, uma reação é esperada. A história se repete. Voce não quis dizer, que os investimentos da Petrobrás na Bolívia são uma forma de controlar a Bolívia juntamente com outras empresas internacionais? Espero que não.

Alerta Total de Jorge Serrão disse...

Não há movimento de tomada do poder. A Oligarquia Financeira Internacional já tem o poder no Brasil. Quanto à Bolívia, quis dizer apenas que ali a bomba vai estourar a qualquer momento. O cenário de conflito na América Latina está montado. E o que farão nossas Forças Armadas, com 38% de corte orçamentário se a briga realmente estourar na fronteira?

Bagli&Blog disse...

Prezado Jorge Serrão,

Boa tarde.

Meu desprezo pelo PSDB do PT, é mais que evidente, já que são todos siamêses entreguistas, marginais lavados por diplomas superiores, dinheiro e mandatos.

A lógico é tão clara, sabia?

Se houver um conflito nesta região de nossa vasta e sempre desprotegida fronteira, a população brasileira acha que tem força militar e soberania para defender nossa terra, nossa pátria? Culpados que deveriam ser expulsos do Brasil para sempre por causa deste erro estratégico e geopolítico? PSDB do PT, e os marginais Fernando Henrique Cardoso e o Anão sem Dedo e toda sua camarilha de criminosos.

O Brasil, ao meu ver, deve [é imperativo!] passar um grande revés social e político, tão grave quanto a Contra-Revolução de 1964.

Hoje, somos governados por marginasi, bandidos ressentidos e derrotados que vão nos levar a algo inédito - em breve!

Mas não fica aí, não. Se temos estes abjetos no poder, possuímos algo bem pior: uma população conivente e covarde.

É mais que necessário que haja um confronto no Brasil, somente assim, sentindo na pele, que daremos valor a democracia e ao estado de direito.

Nossa população de cidadãos cornos, vê mas nada faz.

Que venha a ruptura!

Abração,

Anônimo disse...

Serrão!!

O que está preparado para o Boi ir para o brejo também? Afinal ficou um tanto enigmático: "A vaca já está no brejo. O Boi vai encontrá-la brevemente."

O boneco de ventríloco codinome BOI abusou demais. A "glória" lhe tomou a alma. E a incompetência se mostrou sua principal "virtude".

Quanto ao nosso momento - nosso contexto - encontrei a definição exata no site de Olavo de Carvalho:

"Revolução não é apenas a conquista violenta do poder. Revolução é toda a aceleração política que arrasta um povo para um processo que não domina nem compreende. E a força das revoluções provém menos da violência, que do caos e da opacidade que as acompanham, e que faz perder o sentido dos valores e das proporções, instaurando a desorientação e dispondo a população a aceitar, em nome da segurança, quaisquer exigências dos novos poderes.


Mendo Castro Henriques
Euronotícias, 27 abr. 2001"

link: http://www.olavodecarvalho.org/convidados/mendo5.htm

Anônimo disse...

O ilustre articulista identifica diversos problemas e muitos dos principais atores envolvidos; faltaram aqueles atores que, no Brasil, são liderados por um conhecido afanador de gravatas, que confunde o bem e o mal, mas não o bom e o ruim.
A forma, de certa forma abstrata, que o articulista propõe para resolver a situação é que, pela sua própria natureza, jamais vai ocorrer, pois extirpar o câncer brasileiro significa eliminar o próprio Brasil, pois os dois viraram um. Eis aí, então, a solução: o fim dos problemas brasileiros só ocorrerá com o fim do próprio Brasil; com cada povo, hoje subjulgado pelo império brasiliense, comandando seús próprios destinos, livres da tirania que hoje impera.
Sukhoi

Anônimo disse...

É uma merda comentaristas não têm votos.

camara disse...

Prezado Jorge;
Lamenta-se que que esse entreguismo está se evidenciando, e a nossa representação parlamentar encontra-se pusilânime quanto aos referendo da oligarquia financeira, pois como é sabedor,conforme edita na Tribuna da Imprensa de hoje, na coluna do nobre conceituado jornalista,Hélio Fernandes,intutulado "Presidentes Sarney,Collor,Itamar,FHC e Lula precisam se unir" -"Contra a criaçao de 216 países na Amazônia".A matéria relata a fragilidade da nossa representação em participar na reunião da ONU,sob o beneplácito para a criação da DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DOS POVOS INDÍGENAS.Isso representa o passo crucial para acabar com o viés da invasão,pois documentados eles,diga-se,a oligarquia financeira externa,têm o respaldo para fazer o que sempre tiveram vontade há anos,tomar o que é nosso!E isso já começa a vislumbrar a partir desse conflito da Raposa Serra do Sol.Um outro fator também que está tomando dimensões assustadoras pelo lado do Rondônia, é a LCP- "Liga dos Camponeses Pobres", um grupo fortemente armados que estão controlando grandes hectares de terras à força que nem as autoridades locais conseguem detê-los.Conforme relata na edição da revista Isto é, esse grupo "organizado" têm ramificações e é tutelado pelo grupo do Sandêro Luminoso.Eis a situação da nossa estimada Nação da terra brasilis que permanece no status quo de uma colonização que nos legou o estigma de uma dívida sem precedentes que até hoje, não houve um sequer presidente que decidisse adotar uma auditoria para tal.

Anônimo disse...

O Serra pretendia entregar Pre-sal para os americanos, ele é entreguista.