terça-feira, 3 de abril de 2007

Avacalhar para Dominar

Edição de Artigos de Terça-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Maria Lúcia Barbosa

Certos conceitos devem ser revistos, pois não se adaptam mais aos fatos hodiernos. Por exemplo, a guerra era feita corpo a corpo desde as lutas tribais, passando pela Antigüidade, alcançando a Idade Média e chegando ao início da época moderna, sendo que o conflito costumava a se dar em campos de batalha. Agora a guerra é normalmente levada a cabo em meio às populações civis.

Da catapulta chegou-se ao manejo de botões que acionam bombas capazes de devastar grandes áreas e matar numerosas pessoas. E o que dizer dos armamentos atômicos, suficientes para conduzir o mundo ao Armagedon? Devem, pois, ser buscados novos conceitos de guerra e de geopolítica. De todo modo, nenhum exército, desde tempos imemoriais, pode sobreviver sem disciplina e hierarquia, sendo que na hierarquia está implícito o comando e na disciplina a obediência.

Outro aspecto é o que se refere aos paradoxos da democracia. Recorde-se que esse sistema de governo implica na ascensão ao poder através da via eleitoral, porém, por uma dessas perversões tão comuns às invenções humanas, vemos que a própria democracia permite, sem que seja dado um só tiro, que governos autoritários se instalem no poder através do voto popular. Uma vez lá, governam de forma ditatorial simulando agir democraticamente.

As armas desses governantes não são canhões nem metralhadoras, mas o populismo, a propaganda, a desmoralização das instituições e dos partidos políticos, a compra fácil de tudo e de todos, o que quer dizer, das consciências. Portanto, as ditaduras modernas se tornam mais persuasivas porque funcionam como simulacros canhestros da democracia.

Na América Latina, de histórico autoritário, vicejam falsas democracias. O desusado modelo cubano de revolução castrista foi substituído pelo esdrúxulo socialismo do século 21 do venezuelano Hugo Chávez. Depois de tentar chegar ao poder através de golpes de Estado, o coronel pára-quedista se elegeu investindo no paternalismo para os pobres, na ambição dos políticos, na ganância de parte da elite econômica.

Ele degradou o Legislativo e fez uma Constituição à sua imagem e semelhança. Dominou o Judiciário e fabricou sua própria justiça. Logrou colocar o Exército à sua disposição. Censurou os meios de comunicação e inventou sua mídia particular. Chávez fez seguidores, especialmente na Bolívia e no Peru. Está armado até os dentes e dispõe de grupos paramilitares na América Latina, como as Farc colombianas e o MST brasileiro. Provavelmente quer governar enquanto viver como um Fidel Castro montado no petróleo. Encantado com tal exemplo, o presidente Luiz Inácio disse que “Chávez esbanja democracia”.

No Brasil o PT, partido que durante muitos anos se dizia revolucionário e de esquerda, na quarta eleição alcançou o poder máximo da República através de seu eterno candidato, Luiz Inácio, sem dar um só tiro. E ainda bisou. Luiz Inácio e seu governo compraram grande parte dos congressistas e agora quase completaram o serviço, achincalhando desse modo um dos pilares da democracia. Dominaram o Judiciário através de sua instância mais alta, o STF. Vêm usando e abusando da propaganda e das paternais esmolas oficiais para os mais pobres. Aos ricos deram mais lucros. A nascente TV estatal dirigida pelo ex-guerrilheiro e agora ministro, Franklin Martins, objetiva o amordaçamento e a submissão da mídia, projeto já tentado e fracassado.

Quanto as FFAA, o recente motim dos sargentos controladores de vôo mostrou que também estão cooptadas. O sinal mais claro apareceu quando o Comandante da FAB, Juniti Saito, não pediu demissão ao ser humilhado pelo comandante-em-chefe Lula, quando este mandou suspender a ordem de prisão de 18 insurgentes. Note-se que a negociação com os sargentos controladores foi feita pelo ex-sindicalista e atual ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. A FAB abaixou a cabeça e não reclamou.

Quebrados o comando, a hierarquia, a disciplina, o que terá sobrado do Exército Brasileiro? A sensação é de que também essa instituição foi completamente desmoralizada e venceu a estratégia do PT: avacalhar para dominar. O senhor Luiz Inácio pode ficar lá o tempo que quiser. Nada nem ninguém vão impedi-lo. Sua incompetência será sempre louvada. Sua negligência aplaudida.

E mesmo que morram mais pessoas em acidentes aéreos ou de infarto nos aeroportos, passageiros em trânsito agredirão as companhias aéreas, porão a culpa dos atrasos dos vôos no cachorro que passeia na pista, mas poucos compreenderão que a responsabilidade última pelas tragédias e transtornos relativos ao espaço aéreo é do presidente da República. E pouquíssimos cobrarão dele essa responsabilidade. Com já disse alguém: “esse país não é sério”.

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.

3 comentários:

Anônimo disse...

E para aqueles que se desesperam, choram e gritam nos aeroportos "latas de sardinha" vai um conselho: Votem no Loulla!

FORA LADRÃO CHEFE DA SOC disse...

Almirante adverte para quebra de hierarquia


O almirante-de-esquadra José Júlio Pedrosa (foto), presidente do Clube Naval, divulgou esta manhã uma nota de solidariedade "aos companheiros do Clube da Aeronáutica, justamente indignados com a agressão de que está sendo vítima sua honrada instituição", e classifica de incompreensível a a atitude do governo de desautorizar medidas disciplinares do Comando da Aeronáutica contra o ato de "insubordinação explícita" dos controladores de vôo militares. Leia a íntegra da nota: "A nação assiste, preocupada, aos lamentáveis desdobramentos da crise que se instalou no País com os atos de insubordinação explícita praticados por controladores aéreos militares, amplamente noticiados na mídia. A incompreensível reação do governo, desautorizando medidas disciplinares tomadas pelo Comando da Aeronáutica, fere, gravemente, os princípios constitucionais da hierarquia e da disciplina, basilares das Forças Armadas, bem como a lei penal militar que os tutela, e assim, afeta a própria tranqüilidade do povo brasileiro. O Clube Naval sente-se no dever de alertar a todos - povo e governo - para as perigosas conseqüências que poderão advir de tais fatos, em termos de anarquia e desordem, sobretudo da tolerância para com a transgressão às leis do País, e exorta as autoridades do governo a recusar qualquer solução que signifique ofensa aos princípios da hierarquia e da disciplina, consagrados no art. 142 da Constituição Federal. Neste caso, é preciso restabelecer com urgência o primado da lei e da ordem. Ainda, o Clube Naval expressa sua solidariedade aos companheiros do Clube de Aeronáutica, justamente indignados com a agressão de que está sendo vítima sua honrada instituição."


do cláudio humberto

BASTA DE AVILTAMENTO NACIONAL! disse...

O APAGÃO É NACIONAL

Estupefato o Brasil está assistindo o “CAOS NACIONAL”. Deixou de ser um apagão para transformar-se num “CAOS NACIONAL” Não se trata de uma simples insubordinação de meia-dúzia de Sargentos da FAB. Não se trata de uma simples crise localizada no setor de Controle do Tráfego Aéreo Brasileiro. Não se trata de um “motim localizado”, como pretendem os Comandantes Militares, agora melindrados com a revolta na tropa. O “Apagão é Nacional”. O “Caos é Nacional”. A “Baderna está generalizada” O retrato dos Aeroportos é o retrato de todos os setores da Administração Pública do Brasil: 01) Há um apagão na Segurança Pública.
02) Há um apagão na Saúde Pública.
03) Há um apagão na credibilidade do Poder Legislativo.
04) Há um apagão na credibilidade do Poder Judiciário.
05) Há um apagão na credibilidade do Poder Executivo.
06) Há um apagão moral no País, causado pela insensatez de “Homens P´publicos” que não zelam nem pela própria moral..

A revolta dos Controladores da Aeronáutica é só uma ponta do Iceberg da desmoralização geral de todas as autoridades constituídas, inclusive dos Comandos Militares, que nada fazem em favor de melhoria salarial da tropa. Esta revolta não é só dos Sargentos da Aeronáutica, é uma revolta de todos os brasileiros sufocados com uma política econômica suicida.
A revolta é também dos Sargentos, Cabos e Soldados da Marinha, do Exército, da Polícia Federal, da Polícia Militar, dos Médicos, dos Professores, enfim, de todas as classes trabalhadoras do País, que não vivem dos golpes milionários praticados pela cúpula da Administração Pública. Quem não rouba dinheiro de merenda, de ambulâncias, de Ministérios, de Autarquias, só pode estar revoltado com a roubalheira nacional. Querer culpar os Sargentos da Aeronáutica é o mesmo que jogar fora o sofá em que a mulher foi encontrada traindo o marido. A culpa é do sofá! É pura hipocrisia se escandalizar com a revolta dos sargentos do SINDACTA, o que está ocorrendo no Brasil é muito mais dramático e perigoso.
O Brasil assistiu passivamente a apresentação diária de vendilhões da Pátria assaltando os cofres públicos, sem que nenhuma autoridade tenha tido a coragem de se revoltar, falado em punição. Deveria haver repulsa e punição aos ladrões que assaltam os cofres públicos, mas ninguém esbraveja de revolta contra os corruptos, ativos e passivos.
Ainda neste momento, a Nação assisti o comércio que se transformou a “Reforma Ministerial” O Presidente da República vai para a TV dizer que os Ministros de Estado ganham muito pouco. Mais ainda: Diz publicamente que os Usineiros da Cana são Heróis. Não há Sargento, ganhando R$ 1.600,00 por mês que não se revolte. Pior ainda se este Sargento é responsável pela segurança de trinta aeronaves simultaneamente. Aí está a origem da nossa crise institucional Quebra de disciplina e hierarquia é roubar o povo e sair impunemente rindo diante das Câmeras e Microfones da Mídia, num escárnio cínico de deboche à toda Nação Brasileira. Um Presidente fraco, ineficiente, arruinado moralmente diante de uma classe média, que produz riquezas, movimenta a economia, mas que verga sob o peso de uma carga tributária infame, que está arruinando tudo o que foi construído moralmente até hoje, com a conivência, inclusive, dos Comandantes Militares que se submetem a uma autofagia institucional, sem reação alguma. Se revoltar contra Sargentos é fácil. Por que não se manifestaram contra as roubalheiras de Ministros e Secretários de Estado. Por que não se manifestam contra Deputados, Senadores e um judiciário moroso, débil e ineficaz? A revolta dos Sargentos da Aeronáutica é só o primeiro indício de ruína das instituições nacionais, conseqüência lógica e inquestionável de um “Apagão Nacional” que se avizinha de um Poder apodrecido pelos desmandos, pelo cinismo, pela roubalheira, pela impunidade, pela morosidade da justiça, pela falta de Segurança Pública, pela carga Tributária, pelos desvios do dinheiro público, enfim, arruinado e desmoralizado por todas as canalhices que todos nós conhecemos e deploramos. Estou convencido que outros Sargentos ainda manifestarão sua revolta e então os Comandantes Militares ficarão sem ter quem execute suas ordens.

RUI SANTOS DE SOUZA


rui.santos@hotmail.com
2007-04-03 15:39:16.0 -


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RUI SANTOS DE SOUZA