segunda-feira, 30 de abril de 2007

Clamor Irrecorrível

Edição de Artigos de Segunda-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

No instante em que se volta a investir na expansão territorial para a produção de cana-de-açúcar, a fim de suprir deficiência energética de nossos atuais colonizadores (desses novos tempos ditos modernos), é bom que se faça a releitura de clássicos da literatura. Começando-se por Celso Furtado e sua “Formação Econômica do Brasil”.

É incrível como tendemos a repetir estratagemas e procedimentos, sejam eles proveitosos ou não. Como um mantra que inebria e oferece a sensação de expectativa mágica, os elementos são sempre os mesmos: Estado, escravidão e religião.

A cana-de-açúcar devastou gerações e parte significativa do Nordeste brasileiro. E vai acabar com o restante do país. Quem tem a oportunidade de atravessar o estado de Alagoas (principal referência), surpreende-se no deserto criado por essa monocultura que enriqueceu meia dúzia e deixou perpétua herança de inenarrável miséria.

Há situações que não têm como ser descritas. Somente a introspecção e o silêncio respeitoso possibilitam seu verdadeiro sentido.

Silêncio diferente da cumplicidade de um Estado, cujo atual supremo mandatário, de forma irresponsável e apropriadamente etílica, colocou recentemente usineiros e assemelhados no panteão dos heróis.

No mundo avançado da ciência (e seu assombroso apuramento tecnológico), o comportamento do ser humano é exatamente igual ao das hordas primevas. Por mais verniz de civilização que faça questão de exibir.

No último domingo (29), a Folha de S. Paulo publicou matéria assinada por Mauro Zafalon, apontando estudo da pesquisadora Maria Aparecida de Moraes Silva (Unesp), em que aborda a situação dos cortadores de cana em São Paulo, estado mais rico de nossa Federação.

O excesso de trabalho hoje imposto a esses cortadores, os quais são obrigados a colher 15 toneladas do produto por dia, faz com que seu período de vida útil na atividade seja “inferior à da época da escravidão”.

Mas quem se importa com isso? Quem toma conhecimento do fato? Que repercussão tal denúncia irá encontrar no meio dos contemplados com bolsas-esmolas e outras de cunho duvidoso, com o objetivo único de aliciar e manter tal cenário?

Num planeta onde já se contabiliza contingente populacional de mais de seis bilhões de pessoas, com os recursos naturais se esgotando e as espécies animais se extinguindo (na invasão descontrolada de seus habitat), talvez tenha sido essa a fórmula encontrada pelas elites, na busca pelo equilíbrio.

No primeiro censo demográfico, realizado em 1872, “existiam no Brasil aproximadamente um milhão e 500 mil escravos”.

Como se sabia que no início do século XIX o País contava com mais de um milhão de escravos, e que nos primeiros 50 anos do mesmo século foram importados mais de meio milhão, “deduz-se que a taxa de mortalidade era superior à de natalidade”.

Morriam como moscas, vítimas de maus-tratos e trabalho excessivo. Expostos à fome, sede e doenças, exterminados pelos senhores de engenho e produtores de açúcar. Os mesmos que pagavam promessas e construíam igrejas com o dinheiro fruto desse massacre, sob as bênçãos do catolicismo.

Como moenda incansável, a história continua a triturar os mesmos corpos e a permanecer muda diante dos mesmos gritos, enrouquecidos na insensibilidade dos séculos. Nem mesmo a promessa de uma eternidade de bem-aventurança parece ser capaz de compensar tanto horror e sacrifício.

Márcio Accioly é Jornalista.

Um comentário:

Anônimo disse...

Estado, escravidão, religião

Ora, ora,

..... vocês estão dando muita importância para as coisas materiais.

Precisamos ter mais fé. A fé move montanhas.

O ESTADO TUDO PROVERÁ --- SE DEUS QUIZER !!!

O Brasil está melhorando a olhos vistos (lembra do sermão da Missa dos Santos Olhos ?).

Alem disso estamos amparados espiritualmente pelos santos missionários:

FREI DAMIÃO
o italiano (de Bozzano) Pio Gianotti, que no Brasil se tornou conhecido como Frei Damião (1898-1997),

e

PADIM CIÇO
padre Cícero Romão Batista - do Crato, no Ceará -, o venerado Padim Ciço (1844-1934).

Como dizia os santos missionários:

Viva a PAZ !!!
A guerra é coisa feia, só traz vantagem para quem vende armas.

Fique com DEUS meu filho. Reze muito. Muito. Muito.



Lembre que o exemplo sempre vem de cima.
Vide o artigo:

CORREIO BRASILIENSE
Brasília, terça-feira, 07 de janeiro de 2003
Unidos pelo Bonfim

“Os baianos do governo Lula, entre eles, os ministros Jacques Wagner e Gilberto Gil e o corregedor Valdir Pires, estão organizando caravana para a festa de Nosso Senhor do Bom Fim, em Salvador. E Lula, para desespero dos seguranças, será convidado a juntar-se ao grupo e lavar as escadas da Igreja do Bonfim.”

Assim, com esse exemplo, coso você tenha algum pensamento feio, recomendo como contrição “lavar as escadas do Bonfim”.


NOTA:

Será que o folheto “A Opinião dos Romeiros” vai ser financiada pela Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei nº 8.313/91), ou Lei Rouanet ?