segunda-feira, 2 de abril de 2007

Constituição rasgada: Lula cometeu crime de responsabilidade por impedir punição a grevistas da FAB

Edição de Segunda-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com/

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Por Jorge Serrão

Embora não vá dar em nada, porque o presidente da República está protegido por uma blindagem tipo 3 que lhe é dada pelo Congresso amestrado e pela própria Justiça, o Clube da Aeronáutica ameaça entrar, no Supremo Tribunal Federal, com uma ação direta de inconstitucionalidade e denúncia de crime de responsabilidade contra Luiz Inácio Lula da Silva. Em nota lançada sábado, o presidente da entidade, Tenente Brigadeiro do Ar Ivan Frota, deu um prazo de 72 horas para Lula reconsiderar a decisão de “desmilitarizar” o controle do tráfego aéreo e a restituir ao Comando da Aeronáutica a autoridade para administrar o problema militar surgido com o motim dos sargentos controladores de vôo.

Se a Constituição Federal de 1988 fosse cumprida, o que o Congresso e o STF nem sempre permitem que aconteça, Lula seria punível por impedir a punição aos militares grevistas. Lula deu mais um golpe na Carta magna. O Brigadeiro Ivan Frota detona: ”Mais uma vez, o Governo Central demonstra fraqueza (ou cumplicidade) em suas posições, ao apoiar a baderna e a desordem, e ignorar a Lei. Ao impedir a punição dos controladores de vôo, militares amotinados, o Presidente da República descumpriu, deliberadamente, a Constituição, sendo passível de ter incorrido em crime de responsabilidade”.

O Brigadeiro Frota apenas destaca o Art. 142: “As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”. Também lembra o Art. 85, da CF de 1988 e Art. 4º da Lei nº. 1.079, de 1950: “São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal. Pena: Perda do cargo e inabilitação, até cinco anos, para o exercício de qualquer função pública (Art. 2º da Lei nº. 1.079 de 1950)”.

A crise está fora de controle, e Lula não dá a menor bola para tais reivindicações de oficiais superiores da reserva da Aeronáutica. Tanto que o governo deve assinar amanhã medida provisória pela qual 1.500 dos 2.400 militares controladores de vôo passarão para atividade civil. Eles vão trabalhar no novo Controle da Circulação Aérea Geral, vinculado ao Ministério da Defesa e não mais à Aeronáutica. Quem garante é o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. A essência da MP da desmilitarização será fechada hoje, em reunião do Gabinete de Crise do Palácio do Planalto com o presidente Lula da Silva.

O governo petista cumpre seu objetivo de desmilitarizar o controle aéreo com a conivência do próprio Alto Comando da Força Aérea Brasileira. A crise interna se agrava. Nenhum oficial aceita suceder o comandante do Cindacta 1, que foi promovido a brigadeiro no sábado passado. Os eventuais substitutos consideram que os militares do centro de Brasília, a base do motim, ganharam o direito de ignorar o comando.

Impedida pelo governo de punir os amotinados, a Aeronáutica já avisou que só responderá por torres de bases aéreas e centros de operações militares. A FAB deixará os sargentos que monitoram vôos civis agirem por conta própria. Agora, oficiais da FAB temem que o movimento sindical se alastre às outras 26 categorias de sargentos especialistas. Para contornar a crise criada com a decisão de não prender os amotinados na sexta-feira, a Aeronáutica estabeleceu prazo de 45 dias para que deixem todas as dependências da FAB. O comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, que foi desautorizado por Lula e (nos bastidores) teria ameaçado entregar seu posto, reclama: "Não há mais ambiente para eles trabalharem lá".

A "entrega" do controle aéreo, oficializada em nota oficial da FAB no sábado, é chamada pelos controladores de "abandono" das salas de controle. Os controladores se queixam da falta de uma transição gradual e temem ser sabotados pela ação da Aeronáutica no restante da infra-estrutura do controle aéreo (equipamento e pessoal civil e militar). O setor está nas mãos dos próprios controladores de vôo, que administram desde sábado o setor sem supervisão ou chefia dos oficiais da Aeronáutica. Todos deixaram as funções antes mesmo da criação do novo órgão civil que vai gerir a área.

Greve da Polícia

O presidente da República, que já rasgou a Constituição no episódio da FAB, terá mais problemas.

Lula agora se prepara para enfrentar uma anunciada greve da Polícia Federal.

A partir de quarta-feira, o movimento pode prejudicar a emissão de passaportes e o controle da imigração nos aeroportos do País.

Lembrai-vos de 64

Taifeiros do Exército também ameaçam entrar em greve.

Será o efeito cascata do bem sucedido movimento dos sargentos controladores de vôo.

Nada custa lembrar como a mesma história terminou 43 anos atrás, com a quebra da hierarquia militar.

Dura Nota do Brigadeiro

Na mensagem oficial do Clube da Aeronáutica, o Brigadeiro Ivan Frota recorre á objetividade da interpretação das leis em vigor:

O manifesto de insubordinação lançado pelos controladores de vôo militares é uma preciosidade de cinismo, até porque seu ridículo jejum não durou mais do que algumas horas. Tal absurdo ato se constituiu no clímax de um processo de uso da figura dos militares como “inocentes úteis” para o alcance dos objetivos políticos de uma minoria de arruaceiros”.

Ao se declararem amotinados, os militares afrontaram os seguintes diplomas legais, entre outros:Código Penal Militar – Dec.-Lei nº. 1.001 de 1969

Art. 163. Recusar obedecer a ordem do superior sobre assunto ou matéria de serviço, ou relativamente a dever imposto em lei, regulamento ou instrução. (Em tempo de guerra – Pena de morte).

Art. 195. Abandonar, sem ordem superior, o posto ou lugar de serviço que lhe tenha sido designado, ou o serviço que lhe cumpria, antes de terminá-lo. (Em tempo de guerra – Pena de morte).

Art. 196. Deixar o militar de desempenhar a missão que lhe foi confiada.

Art. 301. Desobedecer a ordem legal de autoridade militar.

Art. 319. Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra expressa disposição de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal. Estatuto dos militares – Lei nº. 6.880 de 1980

Art. 14. A hierarquia e a disciplina são a base institucional das Forças Armadas. (...)

Art. 31. Os deveres militares emanam de um conjunto de vínculos racionais, bem como morais, que ligam o militar à Pátria e ao seu serviço, e compreendem, essencialmente: IV - a disciplina e o respeito à hierarquia;

Art. 32. Todo cidadão, após ingressar em uma das Forças Armadas mediante incorporação, matrícula ou nomeação, prestará compromisso de honra, no qual afirmará a sua aceitação consciente das obrigações e dos deveres militares e manifestará a sua firme disposição de bem cumpri-los.

Militares em Vigília

No final da nota, o Clube da Aeronáutica se coloca de prontidão diante da crise:

Dependendo das providências corretivas a serem praticadas pelo Governo Federal, o Clube de Aeronáutica exorta a todos os oficiais da Aeronáutica e das demais Forças Singulares, ativos e inativos, da mesma forma que a todos os civis que se preocupem com a integridade das suas Forças Armadas e da sua Pátria, ameaçadas por instâncias do próprio Governo Federal, para se reunirem em Assembléia Permanente, em vigília cívica, nas instalações do Clube de Aeronáutica, na Praça. Marechal. Âncora, nº. 15 – Centro – Rio de Janeiro”.

O apoio a este movimento poderá ser manifestado por meio do endereço eletrônico presidente@caer.org.br ou pelo telefone 2220-8741, das 9 às 17 horas, de terça a sexta-feira.

http://www.movimentodaordemevigilia.blogspot.com

Mensagem de um Sargento

No sistema de mensagens do Alerta Total, um sargento da Marinha, sem se identificar, tomou as dores dos colegas da Aeronáutica, dirigindo-se diretamente aos oficiais generais:

"General, você está pensando que os Sargentos são idiotas?? É melhor vocês não levantarem essa bandeira, pois nós estamos farto da inércia de vocês, estamos a cada dia vendo nosso país sendo vendido, entregue a multinacionais, a violência, e muito mais. Os controladores querem equipamentos de qualidade para trabalhar, e o que você faz?? Nada, querem usar a força bruta, acho melhor não insistir nessa idéia, pois sou Sargento da Marinha e opero os equipamentos semelhantes nos nossos navios, só que tem uma diferença, os radares dos nossos navios são para destruir o inimigo, e os radares dos controladores evitam que vidas se percam, desde que em boas condições. Os militares da Aeronáutica cansaram da inércia de vocês que deveriam brigar por equipamentos melhores, porém são comprados com promessas de promoção, de cargos de comando e outras mazelas que todos nós sabemos que vocês aceitam. Por isso, vejo que é a hora de nos unirmos por um País melhor, chega de punições idiotas, chega de sermos massacrados por Comandantes vendidos. Vamos nos unir também e nos defender. Sou Sargento da Marinha e nós apoiamos qualquer movimento que traga melhor qualidade no trabalho que por vocês controladores é prestado a essa nação, para que não tenhamos que ver mais tragédias. Cuidado General”.

Em outras mensagens, militares sugerem que o sargento procure diretamente o presidente do Clube da Aeronáutica para expressar seu pensamento.

Marinha Afundando– parte II

O novo comandante da Marinha, almirante Júlio de Moura Neto, repete que o orçamento da força é insuficiente para o patrulhamento das águas do País e que é preciso reaparelhá-la.

A Marinha cobra R$ 2,7 bilhões de royalties do petróleo retidos indevidamente pelo governo.

O recado do Almirante saiu, agora, em entrevista ao jornal o Globo. Semana passada foi matéria do Correio Braziliense.

A Doce Vida de ex-comandante

Ser leal ao governo petista compensa no bolso, mas tudo dentro da lei e da ordem.

O ex-comandante do Exército, general Francisco Albuquerque, ocupará uma cadeira no Conselho da Petrobras.

Por uma reunião mensal, receberá passagens, diárias e um jeton de cerca de R$ 7 mil.

Ganhos dos Heróis

O General Albuquerque não está sozinho na lista de beneficiados pelo governo.

Chamados de "heróis" pelo presidente Lula da Silva por receberem salários de R$ 8.362,80, boa parte dos ministros recorre a um artifício para engordar seus vencimentos: ganham um extra por participar de conselhos fiscais ou de administração de estatais.

O trabalho é módico e a remuneração mensal corresponde a até 10% do que ganham em média os diretores da empresa.

Em sessão no dia 21 de março de 2006, o Tribunal de Contas da União decidiu que não existe nada de errado no pagamento do jetom aos ministros.

Bolso da Dilma

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff mais que dobra seus ganhos ao participar dos conselhos da Petrobrás e da BR Distribuidora.

Ao salário de R$ 8.362,80 se somam R$ 4.362,67 do jetom do conselho da Petrobrás e mais R$ 4.354,22 do jetom do conselho da BR Distribuidora.

O total chega a R$ 17.079,69.

Outros beneficiados

Os titulares da Fazenda, Guido Mantega, de Cidades, Márcio Fortes, do Planejamento, Paulo Bernardo, e da Previdência, Luiz Marinho, também ganham extras de conselhos de estatais.

Além de participar do conselho da Petrobrás, o ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, integra o colegiado da Itaipu Binacional, que não tem as limitações das estatais e paga jetom de R$ 12.179.

Tudo somado, ele recebe R$ 24.905,47.

Oásis

O advogado Antônio Ribas Paiva, presidente da União Nacionalista Democrática (UND), envia uma mensagem aos jornal que retrata, em poucas linhas, o grave momento atual do Brasil:

"A nação morre de sede no grande OASIS Brasil, porque a classe política, a mando de "alguém", impede-lhes o acesso à "água". Este poder do mal deve ser defenestrado, para que nossos irmãos saciem sua sede de vida, segurança, saúde e educação. Aos corruptos,coniventes e falastrões a cadeia, aos traidores o paredão. Esta é a fórmula do paraíso! Acorda Brasil!

Festa da Anistia

O jornalista Ottoni Guimarães Fernandes Jr. pleiteia uma indenização na Comissão de Anistia, por ter sido preso em 1970.

Ele é o novo diretor da Secretaria de Comunicação Integrada do Planalto, indicado por seu amigo Franklin Martins, que foi militante do MR8 e, entre outras ações , seqüestrou o embaixador dos EUA Charles Burke Elbrick, em 1969.

Ottoni Guimarães Fernandes Junior foi militante do GTA ( Grupo Tático Armado ) da Ação Libertadora Nacional - ALN/RJ , que, na década de 70 participou de ações armadas.

O novo Diretor foi preso e condenado por suas ações no GTA da ALN.

Com a Anistia, assinada pelo Presidente João Batista Figueiredo, foi libertado em 1979.

Sabe tudo

Fernandes Jr. "conhece bem a área de publicidade".

Ele trabalhou nas revistas "IstoÉ" e "Exame" e no jornal "Gazeta Mercantil". Atualmente, era publisher da revista "Desafios", do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), órgão do Ministério do Planejamento.

A tal "ditadura" fez bem para o bolso de muita gente boa...

Tem CPI?

Líderes da base governista na Câmara admitem nos bastidores que o caos aéreo tornou inevitável a instalação da CPI do setor.

A expectativa é que o STF (Supremo Tribunal Federal) determine a abertura da comissão até o final do mês.

Silenciosamente, os partidos aliados se anteciparam ao tribunal e já começaram a selecionar eventuais indicados para compor a comissão e tentar um acordo com a oposição para restringir o foco das investigações.

A principal preocupação é buscar um nome de confiança para a relatoria, provavelmente do governista PMDB.

Muito suspeitos

A Controladoria Geral da União e a Receita Federal investigam patrimônio superior a R$ 100 milhões declarado por 86 servidores federais em postos com alto potencial de corrupção.

Desses, 55 dizem possuir mais de R$ 1 milhão em dinheiro vivo que alegam guardar em casa ou em outro lugar.

A Receita considera esse dado como indício do primeiro passo da lavagem de recursos obtidos ilegalmente, como propina e dinheiro público desviado.

Servidores milionários

Os demais 31 servidores milionários têm patrimônio líquido a descoberto em pelo menos R$ 1 milhão - seus bens tiveram acréscimo de R$ 1 milhão ou mais acima do que sua renda comportaria.

Desses, seis têm patrimônio a descoberto, ou seja, nunca declarado ao fisco, superior a R$ 10 milhões. No cálculo que supera R$ 100 milhões foram considerados somente os bens e direitos sobre os quais há suspeitas de irregularidades.

Pelo menos R$ 55 milhões em dinheiro vivo e outros R$ 85 milhões (ou mais) em patrimônio a descoberto - sendo 25 servidores na linha acima de R$ 1 milhão.

Cheque corrupção?

O Chefe-Cidadão, criado pelo casal Garotinho, está sob suspeita de fraude.

Das 103 mil pessoas cadastradas, 9.898 não foram receber o dinheiro após a troca de governo, este ano.

Além disso, 45% dos beneficiários foram retirados do programa porque já recebiam o Bolsa Família.

Vida que segue...

Fiquem com Deus!

O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Inteligente, inovador, fortemente analítico e propositivo, utilizando as mais modernas tecnologias para transmissão instantânea e eletrônica de informação privilegiada e análise estratégica, junto com a difusão de novos conhecimentos voltados para a construção e consolidação de novos valores humanos.

7 comentários:

Bagli&Blog disse...

Exmo. Sr. Brigadeiro Ivan Frota e Clube da Aeronáutica,

Foi com muita satisfação que li, hoje, o manifesto do brigadeiro, com integral apoio do Clube da Aeronáutica.

Chega de imoralidade marxista gramsiciana do petismo majoritário em nossa pátria!

Deposito meu incondicional apoio à toda iniciativa que o respeitável brigadeiro e o Clube Militar venham fazer contra o imoral governo do atual Presidente do Brasil. Toda iniciativa deste tom, é absolutamente a favor do Brasil, sua gente e seu verdadeiro destino como nação democrática.

Contem com o meu apoio.

Att.

DANIEL PEARL disse...

O blog DESABAFO PAÍS vem batendo recorde de visitas depois que começou a falar sobre o suposto GOLPE que LULA poderá sofrer: Desde o final de 2002, a Mídia Conservadora e os partidos de Direita (PSDB, PFL, PPS e Cia.) vem tramando a queda do presidente Lula. Vamos relatar no blog, o que alguns jornalistas independentes descobriram a respeito do Golpe. Se você (como eu) é obrigado a ler a mídia conservadora (e golpista), o único antídoto é ler a mídia estrangeira e saber de toda trama contra o presidente metalúrgico. Quem são os jornalistas empenhados em instaurar o terror no País - A legião de colaboradores do Golpe de Estado se divide em três frentes diferentes na mídia: 1) Jornalistas da grande imprensa; 2) Blogueiros e articulistas "independentes"; 3) Formadores de opinião (analistas políticos, artistas, etc...). Você quer saber mais, acesse: http://desabafopais.blogspot.com. Matérias bombásticas. Um abraço, Daniel Pearl.

BRASIL ACIMA DE TUDO! disse...

O GRANDE MOTIM... A VIR

Oliveiros S. Ferreira



Não serão muitos os que darão a devida importância ao fato de o Poder de Estado haver cedido ao motim dos sargentos da FAB que controlam o espaço aéreo. Haverá outros, bem menos que os primeiros, que se lembrarão de que o motim aconteceu na noite de 30 para 31 de março, exatos 43 anos depois que o General Luis Carlos Guedes sublevou a guarnição de Belo Horizonte, e poucas horas depois o General Olímpio Mourão Filho iniciou sua marcha para o Rio de Janeiro. Esses poucos dirão que os sargentos comemoraram, a seu modo, o aniversário da “Contra-Revolução de 1964”. A coincidência das datas — inclusive das horas — permite essa interpretação dramática.

Para que possamos ter dos acontecimentos uma visão mais completa, será conveniente enunciarmos fatos que já não moram na memória de quase todos. Vamos a eles.

1961 — Para silenciar a “cadeia da legalidade” que Brizola estabelecera a partir de uma emissora de rádio instalada no Palácio Piratini, alguns Oficiais da FAB pretenderam levantar vôo em Porto Alegre e bombardear o palácio. Os sargentos da base esvaziaram os pneus dos aviões e a operação não se realizou. Não se tem notícia de que, naquele ambiente em que o General Machado Lopes formava com Brizola, os sargentos ou os Oficiais da FAB tivessem sido punidos.

1963 — Os sargentos se revoltam em Brasília, de armas na mão. Para protestar contra a decisão do Superior Tribunal Eleitoral que, amparado na Constituição, havia declarado sem efeito a eleição de alguns sargentos para a Câmara dos Deputados. A reação do Poder de Estado fez-se também de armas na mão, havendo mortos e feridos. O Presidente da República era o Sr. João Goulart.

A partir desse fato, os Oficiais (especialmente do Exército) passaram a ter fundados receios de que os sargentos de suas unidades pudessem sublevar-se, repetindo o que acontecera em 1935. Para diminuir o risco pessoal, passaram a dormir com suas armas pessoais, e o controle do armamento das guarnições passou a ser extremamente rigoroso, mais do que o habitual.

A reação de parte da opinião pública, para não dizer de quantos não se guiavam pela cantilena esquerdoide de que os sargentos eram o Proletariado e os Oficiais eram a Burguesia (e havia quem sustentasse essa sandice), a reação foi de temor de que o Estado pudesse fraquejar diante de novas sublevações desse tipo.

1964 — Na Semana Santa (março daquele ano) marinheiros e fuzileiros navais se sublevam em seus navios e em terra. Pelo menos de uma belonave, Oficiais foram jogados no mar. Em seguida, os amotinados se reuniram no Sindicato dos Metalúrgicos, realizando tumultuada assembléia em que o orador mais ardoroso foi um marujo (depois conhecido como cabo) chamado Anselmo. O ministro da Marinha mandou um destacamento de fuzileiros navais para prender os revoltosos. Os fuzileiros aderiram aos que estavam no sindicato. Foi preciso que o Exército enviasse tropa para que o motim terminasse. Os marinheiros e fuzileiros foram recolhidos presos a um quartel do Exército e na mesma tarde anistiados pelo Presidente João Goulart.

O Exército, parte do Poder de Estado, reagiu, prendendo os amotinados. A anistia, violentando dispositivos constitucionais, veio simplesmente consagrar a fraqueza da Presidência da República, que cedia aos amotinados em nome da concórdia nacional. No dia 30 de março, o Presidente João Goulart fez um discurso no Automóvel Clube para sargentos e praças, quebrando a hierarquia e a disciplina. Naquela noite, o General Guedes, apoiado no governo de Minas Gerais, levantou-se; horas depois, após alguma hesitação, o General Mourão Filho assumiu o comando da sublevação.

1979 — O General João Batista Figueiredo mal acabara de tomar posse, quando o sindicalista Lula comandou grande greve no ABC paulista. Grande cobertura dos meios de comunicação, especialmente do vôo de helicópteros e aviões sobre o campo de futebol onde se reuniam os grevistas, em massa. O Tribunal Regional do Trabalho determinou que a greve cessasse. Lula desafiou a decisão da Justiça, tecnicamente se colocando contra o Poder de Estado. O espetáculo da massa de grevistas desfiando o Governo da Revolução impressionava todos. O Presidente Figueiredo mandou seu ministro do Trabalho negociar com Lula. A negociação foi feita, a decisão do TRT jogada às urtigas e a greve cessou.

1999 — O Presidente Fernando Henrique Cardoso cria o Ministério da Defesa, com o que os comandantes das Forças passaram a ser subordinados, desde então, a um ministro civil pouco familiarizado com o espírito das Forças Armadas, que se articula em torno das noções de Hierarquia e Disciplina.

2002 — O sindicalista que desafiara o General-Presidente e a Justiça foi eleito Presidente da República, tendo sido reeleito em 2006. Os que acreditam em teorias conspirativas dizem que o sindicalista de apelido Lula foi transformado no líder político de nome Lula da Silva por obra e graça das artimanhas do General Golbery do Couto e Silva. As mesmas pessoas — repito, que acreditam em teorias conspirativas — diziam em 1964 que o General Golbery buscara o apoio dos intelectuais de esquerda de São Paulo para o governo Castelo Branco, tendo malogrado em sua aproximação.

2005/6 — Os que têm acesso à Internet podem acompanhar manifestações de sargentos, que disputam cargos eletivos, e de Oficiais da reserva reclamando, todos, aumento de salários e criticando em tom revanchista os comandos das Forças Armadas.

2006 — Apenas registrado o trágico acidente com o avião da Gol, começa a crise no controle do espaço aéreo. O noticiário nos meios de comunicação, primeiramente voltado para apontar a culpa dos pilotos norte-americanos do jato que colidira com o Boeing da Gol, lentamente passa a ser centrado nos controladores. Há notícias, sem atribuição formal de fonte, de que um ou outro controlador, sargento da FAB, poderia ser responsável por um mau controle dos dois aviões.

Iniciam-se os chamados “apagões”. Coloca-se em dúvida, sem desmentido das autoridades, que o equipamento para controle do espaço aéreo está ultrapassado diante do aumento do tráfego aéreo comercial-civil, quando não sucateado. As condições de trabalho dos controladores, dados como forçados a controlar mais aeronaves que o estabelecido em lei, merecem grande destaque na imprensa. Inicia-se uma campanha para que o controle do espaço-aéreo saia das mãos da FAB e seja feito por civis sem que se especifique que Governo, autoridade ou empresa privada assumirá a responsabilidade por esse controle. O ministro da Defesa recebe uma comissão de controladores, passando por cima da hierarquia.

2007 — Os “apagões” repetem-se. O ministro da Defesa desempenha, no decorrer de todo o episódio, o triste papel de nada saber de fonte própria. O Presidente da República, diante do espetáculo degradante que se observa nos aeroportos nesses dias, exige uma solução com data e hora... Às 18h30 do dia 30 de março, os controladores, sargentos e civis, reúnem-se no auditório do Cindacta de Brasília e enviam seu ultimato ao governo: nenhum avião levantará vôo a menos que suas reivindicações sejam atendidas: nada de punições, cancelamento das transferências já feitas, aumento de salários e transferência do controle para civis. Brasília é importante como “entroncamento” (a imagem é ferroviária, mas diz bem o que tenho em mente) do tráfego aéreo do Norte e do Nordeste para as demais regiões e vice-versa. O caos se estabelece mais uma vez, afetando desta feita os aviões de empresas internacionais e os vôos nacionais para o Exterior.

O comandante da FAB decide prender os amotinados e é impedido. O Presidente da República, em vôo para os Estados Unidos, decide que nada se faça contra eles e que o Governo deve negociar. Os sargentos se recusam a negociar com o comandante da FAB, reclamando a presença da ministra Dilma. Ela se encontra no Rio Grande do Sul; o Presidente determina que o ministro do Planejamento e o secretário-geral da Presidência negociem.

Eles não negociam — aceitam as exigências dos amotinados. O ministro do Planejamento justifica sua presença na negociação, dizendo que se o ministro da Defesa e o comandante da FAB fossem negociar, teriam de tomar posição diferente da que adotou.

O pano cai sobre Brasília, isto é, sobre o Poder de Estado. O ministro da Defesa, jogado às urtigas pelo Presidente, não renuncia. O comandante da FAB, humilhado pelos amotinados e pelo Presidente, teria pensado em renunciar, mas depois pensou melhor e não apresentou sua demissão. A FAB, por seu comando, deixou claro que não quer mais assumir o controle do espaço aéreo. Que os civis cuidem disso, no Ministério da Defesa. É como se dissesse, lembrando as vezes em que pediu providências e não foi atendido: “Quem pariu Mateus, que o embale”. Uma coisa não ficou clara, se de fato houver uma creche para o ministro Pires tomar conta: quem controlará o espaço aéreo, quando se tratar de vôos militares?

O General de Gaulle, diante da revolta dos coronéis e dos estudantes em Argel, dizia que o Poder não recua. Acostumei-me a dizer: desde que haja um Poder.

Não se deve, a partir dessa lembrança do General de Gaulle, dizer que não há poder no Brasil. Há. Só que não é Poder de Estado consagrado, mal e mal, na Constituição de 1988; pelo contrário, é um poder que pretende substituir o atual Estado por outro. Sobre esse fato, é preciso meditar antes de avançar.

É preciso, porém, tirar conclusões de tudo o que enunciei acima. Talvez sejam “conspirativas”. Desde, porém, que a realidade as sustente, têm boa probabilidade de traduzir o que está em curso. Vamos a elas.

Os “apagões” anteriores haviam provocado irritação, mas não comoção da opinião pública. Comoção no sentido de que os cidadãos se sentissem prejudicados e colocados em situações de enorme constrangimento e de prejuízos muitas vezes irreparáveis. O acúmulo de um “apagão”, hoje, outro daqui a dez dias, porém, fez transbordar o copo da paciência. Ninguém mais queria saber de coisa alguma, especialmente depois que o Presidente Lula da Silva, ao invés de marcar prazo para a crise terminar, disse que queria que uma data fosse marcada — no seu estilo muito à la Stalin, de jogar a culpa nos subordinados. O motim do dia 30 apanhou todos os passageiros, no fim da tarde, sem informações, sem dinheiro para passar a noite, sem saber quando poderiam viajar. E nos trouxe a imagem de mães que havia horas levavam suas crianças no colo e a daquela senhora que pretendia embarcar em Brasília para Rondônia, creio, porque seu marido tinha sido assassinado, e teve de ficar presa no aeroporto sem perspectiva alguma de poder aliviar sua dor e prantear a morte do marido junto a seu cadáver. Sem falar do cidadão que enfartou no aeroporto de Curitiba e morreu a caminho do hospital.

É importante reter esse fato: as anteriores “operações padrão” só atingiam o Governo Lula da Silva na medida em que os passageiros que não podia embarcar tendiam a responsabilizar as empresa. Os porta-vozes do governo, aliás, lançaram a população contra elas. No dia 30, porém, a coisa foi diferente criou-se o caos em todo o País, com um agravante: pelo que se viu do noticiário de televisão, não houve quem dissesse aos passageiros que a culpa não era das empresas, mas dos controladores. Esse silêncio, culposo se não doloso nas circunstâncias, aumentou a tensão e fez que passageiros menos calmos agredissem funcionários e depredassem os balcões de empresas.

Foi diante disso, situação criada com sabedoria e montada peça por peça, que o Presidente Lula da Silva mandou negociar, vale dizer, ceder. É lícito supor que teve presente a situação de 1979: comoção nos meios de comunicação (sem censura, lembremo-nos); massa reunida em um estádio de futebol, famílias lamentando a situação de seus chefes em greve etc.. Tudo o que viveu e deve ter-se lembrado.

O clima foi criado e a cena montada: a população com raiva do governo e da situação; comentaristas de TV fazendo, conscientemente ou não, a apologia do motim. Advogados ilustres dizendo que prender um sargento amotinado seria violentar o preceito constitucional que garante o direito de ir e vir. A tragédia não poderia ter sido melhor encenada.

O próximo ato será mais trágico. Não irá comover a opinião pública, a não ser aqueles que se preocupam com o Poder de Estado que não pode recuar. O ato será encenado nas Forças Armadas. Qual o enredo até agora, no que poderíamos dizer terem sido os ensaios (e o ensaio-geral, o do dia 30) de uma grande tragédia?

Primeiro ato: difunde-se pelos canais possíveis a idéia de que as Forças Armadas são desnecessárias enquanto força militar;

Segundo ato: o Governo Lula da Silva continua a política do Governo Fernando Henrique Cardoso sucateando as FFAA e nomeia para ministro da Defesa quem nada tem a ver com os problemas da Pasta e, Lula consule, quem teve ligações com a situação deposta em 1964;

Terceiro ato: o Governo Lula da Silva não aumenta os soldos e cria insatisfação nas Forças, especialmente nos sargentos;

Quarto ato: o acidente com o avião da Gol permite que a “operação 30 de março” comece a ser montada. Difunde-se a idéia de que o controle do espaço aéreo deve ser civil e a de que os salários pagos aos sargentos e seus equivalentes civis são irrisórios (e o salário pagos aos demais sargentos? São bons?);

Quinto ato: a “operação 30 de março” é vitoriosa. Com ela lançam-se as bases para a tragédia principal, que poderá desenrolar-se em um ou mais atos, e que pode ser assim resumida — não entrando na consideração de quem irá controlar o espaço aéreo:

Aumentam-se os salários dos sargentos controladores, mas se mantêm os salários dos sargentos que militam nos quartéis e são os responsáveis primeiros pela disciplina da tropa. O grande motim seguir-se-á a essa situação de desconforto.

Não preciso dizer mais. O quadro está pronto para a grande subversão que será concluída com uma grande negociação, desta feita com Dilma ou talvez com o próprio Lula, que negociou o descrédito da Justiça com um Ministro do Trabalho em 1979.



permitida a reprodução total ou parcial dos textos desde que citados autor e fonte

http://www.oliveiros.com.br/ie.html

Anônimo disse...

SERRÃO


FAÇA UM POST COM A MATÉRIO


"O MOTIM ESTÁ POR VIR"

Kozel® disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Kozel® disse...

As FA estão desaparelhadas,desmoralizadas e o principal de tudo:DESUNIDAS, esse joguinho de comprar homens em posições-chave é típico do PT.
Uma pena que não exista comando uno para retomar o controle da Pátria.
Provou-se a incapacidade dos ex-terroristas para conduzir a Nação a um desenvolvimento ,com segurança,educação,saúde e tranparência.
Imagine o momento tão oportuno,em que vivemos,da substituição das fontes fósseis de energia pelo combustível renovável,sob uma gestão consciente.
Quem seguraria o Brasil ?
Ao invés disso chafurdamos sob a inépcia do Néscio,cidadãos são submergidos pela falta de dignidade e insegurança que o presidente inflinge com sua ignorância e canalhice.
O povo vive sob uma máxima imbecil televisiva:"Me engana que eu gosto"

Anônimo disse...

Ter ouvir e ler comentários inflamados de Brigadeiros coruptos, como o sr. Ivan Frotta, é realmente desagradável!

Isso Brigadeiro, peça aos oficiais de todas as FFAA e civis para se reunirem contra o governo (isso me cheira à tentativa de golpe de um senil!!)... Creio que somados todos os oficiais, o efetivo não dê uns 20 mil militares... Somando o resto da tropa (que me parece ao lado dos controladores, pelo que tenho lido), acho que dá pelo menos 15 vezes mais, né?

Quero ver o "Brigadeiro de pijama" fazer algo!!!... Ha h ah aha ah.

Prezado senil, vá cuidar dos netinhos, e deixe que o Brasil prossiga em seu justo destino de ser grande. Pare com essa bobagens de golpe, patriotada, tomada de poder... Vai brincar de soldadinho de chumbo com o netinho, vai...

Não concordo com motim, insubordinação, quebra de valores, etc. Mas, creio que os controladores não chegaram a esse ponto de esgotamento à toa. Vamos repensar o problema da aviação de forma equilibrada e sem botinadas... Vamos por o País pra frente de forma concisa e eficaz. Nada de punições, pancadas, "prender e arrebentar". DIÁLOGO JÁ! Pelo bem da nação.