quarta-feira, 4 de abril de 2007

Histórias que se repetem

Edição de Artigos de Quarta-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

O maior problema de Dom Luiz Inácio (PT-SP) não é a inépcia, nem tampouco a inaptidão demonstrada na Presidência. O que tem atrapalhado sua excelência é o visível esforço que empreende no sentido de sempre se dar bem. Seja lá como for.

Comportamento, aliás, que não deve ser caracterizado como unicamente seu. Não sejamos injustos! Basta verificar o número de antecessores, semi-alfabetizados, ou não, que por lá passaram antes dele.

O que está dificultando os passos de Dom Luiz Inácio é sua inata vocação para nada assumir. Ele nunca sabe de nada, nem nunca ouviu falar de coisa alguma. Chegou ao Palácio do Planalto e montou equipe que teve 40 de seus principais membros indiciados pelo procurador-geral da República, num processo por “formação de quadrilha”.

Privilegiou alguns envolvidos em desvios como o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, flagrado em vários crimes na CPI do Banestado. Para evitar processos na Justiça comum contra Meirelles, seu cargo foi elevado à categoria ministerial.

E quem é o líder do governo no Senado? Romero Jucá Filho (PMDB-RR). O mesmo a quem a Folha de S. Paulo cognominou de “Fazendeiro do Ar” por ter, segundo o jornal, apresentado sete fazendas inexistentes no estado do Amazonas, como garantia de empréstimo milionário arrancado do BASA – Banco da Amazônia.

Filho não serviu para ministro da Previdência, teve de se desligar em curtíssimo espaço de tempo. Mas serve para líder da administração Dom Luiz Inácio. É só a imprensa deixar de tocar no assunto que os fatos, por si só, se acomodam.

Agora, dentro da mesma velha tática de preservação da “pureza”, o presidente da República afirma, mais uma vez, que de nada sabia. A culpa é sempre dos outros. E o que está ficando mais feio é o esforço desesperado no sentido de se evitar a instalação da CPI do Apagão Aéreo.

No dia 25 de outubro do último ano, a Justiça Federal de São Paulo determinou a quebra do sigilo bancário e fiscal do deputado Carlos Wilson (PT-SP), ex-presidente da Infraero (Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária) e de duas funcionárias.

Para se ter idéia de como os assuntos naquele órgão estão mal explicados, basta dizer que os gastos de 400 milhões de reais por ano pularam, no ano da reeleição de Dom Luiz Inácio, para 900 milhões de reais! Mais do que dobraram.

Outro desconforto que o presidente da República pretende evitar (no caso de constituição da CPI), diz respeito à inevitável exposição do advogado Roberto Teixeira, compadre e dileto amigo que trabalha para empresas do setor aéreo.

De maneira que se for analisar peça por peça não deverá sobrar muita coisa. Nosso “Estado de Direito” é de hipocrisia imensurável. Funciona assim: na submissão e escravidão da população que trabalha, sustentando vivarachos bem articulados.

Parlamentar envolvido em falcatrua e desmando não é molestado. Possui “legitimidade” e imunidade. Se conseguir ficar esquecido em algum canto, sem chamar a atenção, poderá ser premiado com cargo importante. Ministerial ou equivalente.

No Congresso Nacional, é responsável pela elaboração de leis que manda para a cadeia os criminosos comuns. Tem direito a todas as vantagens e prerrogativas, sendo tratado de “excelência”. A única coisa que não deve perder é o mandato.

Observando-se o cenário político nacional, consegue-se entender o surgimento de populistas salafrários que infelicitam o continente.

Márcio Accioly é Jornalista.

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