sábado, 21 de abril de 2007

Infraerogate: Bastos terá de explicar por que PF foi lenta em inquérito que respinga até na secretária de Lula

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Por Jorge Serrão

O ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, terá de explicar por que a Polícia Federal, subordinada a ele, manteve, em banho Maria e em velocidade de cágado, as investigações sobre denúncias comprováveis de corrupção na Infraero, feitas em outubro do distante ano de 2005, pela empresária paranaense Sílvia Pfeiffer. Bastos será um dos alvos principais da quase certa CPI do Apagão Aéreo. Também corre o risco de ser convocado pelo Ministério Público Federal que será obrigado a investigar o escândalo que bate na ante-sala do presidente Lula da Silva, no Palácio do Planalto.

O Infraerogate ganhou novos contornos explosivos neste final de semana com a publicação da edição 1956 da revista Isto É – que pode ser recolhida das bancas, por censura judicial absolutamente inconstitucional. Pfeiffer denuncia que recebeu de um dos maiores amigos e compadre do presidente Lula, o empresário Valter Sâmara, uma proposta indecorosa. Em 2004, durante um vôo de Curitiba a Brasília, Sâmara lhe indicou que procurasse Mônica Zerbinato, secretária presidencial no Palácio do Planalto, para resolver qualquer coisa que quisesse na Infraero. Segundo Pfeiffer, o companheiro de churrascos de Lula teria lhe dito que Mônica Zerbinato receberia 10% de comissão para o partido, o PT. Mônica é casada com Osvaldo Bargas, amigo pessoal de Lula, e acusado de compra do dossiê contra os tucanos, na eleição passada.

Apesar da insistência do empresário, que lhe procurou várias vezes no hotel e lhe telefonou várias vezes, Pfeiffer garante que não entrou no jogo da corrupção. Pfeiffer reclama que entregou uma notícia-crime à Polícia Federal, em outubro de 2005. Mas lamenta que ninguém a tenha procurado para apurar o caso, como manda a lei. O superintendente da PF no Paraná, delegado Jaber Saadi, alega apenas que mandou instaurar inquérito sobre o assunto explosivo. A CPI do Apagão e o MP vão querer saber por que tal investigação andou em passos de tartaruga.

Em sua “notícia-crime” à PF, Sílvia revela que seus contratos no Aeroporto Affonso Pena, em Curitiba, para sua empresa Aeromídia, foram obtidos à custa do pagamento de uma mesada aos diretores da Infraero. Na verdade, uma propina mensal que a empresa dela paga religiosamente desde 2003. Às vezes, depósitos em dinheiro que variavam de R$ 5 mil a até R$ 20 mil reis nas contas correntes de parentes dos diretores da Infraero. Sílvia Pfeiffer garante que as propinas também eram pagas na forma de automóveis de luxo ou presentes valiosos. A empresária apresentou à PF depósitos bancários comprovando o que denuncia.

Estilo do compadre

Valter Sâmara, dono de cartório em Ponta Grossa e velho amigo da primeira-dama Marisa Letícia, também é compadre de Lula.

Sâmara é famoso por seu estilo, pois anda de chapelão texano, paga contas em dólar e viaja em seu próprio avião.

Agora, Sâmara quer ser o padrinho de Luiz Edson Fachin, de 47 anos, para um cargo vitalício poderoso na República.

Sâmara tenta convencer o querido amigo Lula a nomear o jurista paranaense para a próxima vaga que for aberta no Supremo Tribunal Federal.

Operação Têmis

A Deusa Grega da Justiça deve estar envergonhada de seu divino nome ser usado, profanamente, em mais uma operação varredura da Polícia Federal contra a fina flor do Judiciário.

Donos de bingos de São Paulo pagavam entre R$ 20 mil e 30 mil por mês para que as casas de jogo continuassem funcionando por liminares judiciais obtidas no Tribunal Regional Federal de São Paulo (3ª Região).

O esquema, definido pelo superintendente da Polícia Federal em São Paulo, Geraldo José de Araújo, como o “bingão da Justiça”, foi descoberto em investigação conjunta com o Ministério Público Federal.

Nomes ilustres

As investigações correm em segredo de Justiça.

Entre os citados no inquérito estão os desembargadores Alda Basto, Nery Costa Júnior e Roberto Haddad, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região.

Também figuram os juízes federais Maria Cristina Barongono Cukierkorn e Djalma Moreira Gomes.

Todos tiveram seus gabinetes vistoriados pela inteligência da Polícia e da Receita Federal.

Ninguém vai preso?

Já foram criados obstáculos jurídicos para desarticular a quadrilha, que envolvia advogados, juízes, desembargadores, donos de bingo, empresas e importadoras de caça-níqueis, um procurador da Fazenda Nacional, uma servidora da Receita Federal, empresários e lobistas, além de um funcionário da Telefónica que teria ajudado a vazar aos investigados informações privilegiadas sobre as investigações, permitindo a destruição prévia de provas.

Ontem, foram cumpridos mais de 80 mandados de busca e apreensão na Operação Têmis, mas ninguém foi preso.

Os 43 pedidos de prisão feitos pela PF — entre eles para pelo menos cinco magistrados — foram negados pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça Felix Fisher.

É preciso cuidar da saúde...

Um dos magistrados investigados na Operação Furacão, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Paulo Medina, pediu ontem o afastamento temporário do cargo.

Medina alegou motivos de saúde, após o mal-estar ter se instalado no tribunal.

Seu irmão, o advogado Virgílio Medina, é acusado de negociar decisão judicial para beneficiar a liberação de máquinas de caça-níqueis no STJ por R$ 1 milhão.

Quem dá mais

Façam as apostas, senhores: qual operação da PF, a Hurricane ou a Têmis, tem maior magnitude?

O delegado Ungaretti, da Polícia Federal em São Paulo, garante que a operação Têmis é a maior que a Furacão, realizada no Rio de Janeiro, porque envolve a apuração dos benefícios tributários ilegais, e não apenas o jogo.

A Hurricane prendeu 25 pessoas, entre elas, três desembargadores, um juiz, um procurador da República, e policiais federais.

A operação carioca revelou que, além da compra de sentenças em favor dos bingos, sete deputados estaduais do Rio de Janeiro tiveram as campanhas eleitorais financiadas pela máfia dos caça-níqueis.

Conversa de Telefone

Dava até sambinha: o ex-chefe da polícia pelo telefone tem tudo para se ferrar...

Em escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal, a deputada federal e inspetora licenciada Marina Maggessi acusa o deputado estadual e ex-chefe de Polícia Civil no Rio Álvaro Lins e o ex-subchefe José Renato Torres de serem comandantes de uma quadrilha.

A conversa entre Marina Maggessi e o inspetor Hélio Machado da Conceição, o Helinho, aliado de Álvaro Lins, foi gravada em 16 de dezembro, um dia após a expedição do mandado de prisão contra o policial por envolvimento com a máfia dos caça-níqueis.

Helinho e outros dois policiais civis ligados a Álvaro Lins foram denunciados pelo Ministério Público Federal por formação de quadrilha, acusados de integrar o grupo do capo do jogo Rogério Andrade, que está preso.

Lavagem de grana

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras, pediu o bloqueio de mais contas da máfia do jogo no Panamá, Hong Kong e Estados Unidos.

O COAF conseguiu o bloqueio de quatro contas na Ilha da Madeira, em Portugal, onde há US$ 1,15 milhão (R$ 2,3 milhões).

A grana pertencia a alguns dos ilustres presos na operação Hurricane - que lavavam dinheiro da quadrilha.

Pizzaria da Alerj

O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) procurará terça-feira os líderes do PSDB, PDT e PPS — que não são da base aliada de Sérgio Cabral Filho (PMDB) —, para discutir a suspeita da PF de que parlamentares e candidatos tenham recebido dinheiro de bicheiros para a campanha.

Freixo defende a criação de comissão especial para acompanhar o caso:

Imunidade parlamentar não pode representar imunidade criminal”.

Operação abafa

Mas a movimentação de Freixo pode não surtir efeito.

O líder do PDT, Paulo Ramos, é contra a medida:

Cabe ao Conselho de Ética acompanhar”.

Já o presidente do Conselho de Ética e líder do governo, Paulo Melo (PMDB), informou que o conselho só age se provocado, como o Judiciário.

Tirando o de alguém da reta

O secretário estadual de Habitação, Noel de Carvalho, colocou o cargo à disposição após escuta flagrar um assessor seu, chamado Sérgio, em conversa com o policial Marco Antônio dos Santos Bretas, preso na Operação Furacão.

Sérgio marca encontro na Alerj para entregar “aquele negócio que o Júlio Guimarães mandou”.

Júlio, sobrinho de Capitão Guimarães, também está preso.

Noel nega envolvimento e se diz surpreso com a citação de Sérgio (que pode ser Iório ou Lopes, este já morto).

O secretário alega que pediu o afastamento “para isso não respingar em ninguém”.

Grande Negócio no mar

Os passageiros que utilizam o serviço de barcas no Rio terão uma nova opção de transporte para fazer o percurso marítimo que liga a capital aos municípios de Niterói e São Gonçalo.

O secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, anunciou ontem que vai criar duas novas linhas de operação no setor: Praça XV — Araribóia, em Niterói, e Praça XV — Porto da Madama, em São Gonçalo.

Técnicos da secretaria terão 30 dias para elaborar o edital de licitação, que vai definir os critérios de escolha da empresa que ficará responsável pelo serviço.

Já tem malandro avisando que os legítimos herdeiros do navegador Cabral, aquele que descobriu o Brasil, querem entrar no negócio. Será?

Muitos acidentes

Nos últimos dois meses, foram registrados nove acidentes com embarcações que fazem o transporte de passageiros pela Baía de Guanabara.

Ontem, duas barcas novíssimas voltaram a apresentar problemas.

No fim do dia, a juíza Fernanda Galliza do Amaral, da 3ª Vara Empresarial do Rio, concedeu liminar favorável ao Ministério Público Estadual, em que obriga as empresas Barcas S/A e Transtur — atuais responsáveis pelo serviço — a retirar de circulação todas as embarcações que representem risco para os usuários.Preocupado com os constantes acidentes ocorridos com as embarcações que fazem o transporte de passageiros no Rio, nos últimos dias, Lopes informou que pretende excluir as duas empresas da disputa pelo controle das novas linhas.

Sabotagem?

A Barcas S/A acredita que as embarcações estejam sendo sabotadas.

A barca Ingá, que entrou em operação na linha Rio/ Niterói em dezembro de 2006, bateu o motor e teve que ser tirada de circulação.

O acidente mais grave ocorreu quarta-feira, quando pelo menos 14 pessoas se feriram quando a barca Gávea 1 se chocou contra o píer.

Negócio dos controladores

A oligarquia financeira transnacional, que manda no Brasil, anda em polvorosa.

O HSBC está interessado na compra das operações do Real ABN Amro no Brasil, se ficarem disponíveis após a disputa pelo controle do banco holandês ABN Anro.

O negócio está avaliado em R$ 28 bilhões.

A informação é do jornal britânico The Times.

Vida que segue...

Fiquem com Deus!

O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Inteligente, inovador, fortemente analítico e propositivo, utilizando as mais modernas tecnologias para transmissão instantânea e eletrônica de informação privilegiada e análise estratégica, junto com a difusão de novos conhecimentos voltados para a construção e consolidação de novos valores humanos.

4 comentários:

NÓS SOMOS, DA PÁTRIA AMADA.... disse...

Diogo Mainardi
Sou o Bacuri do Kennedy

Eu sou o Bacuri do petismo. Bacuri foi torturado e morto pelo regime militar. Os informantes que a imprensa tinha no Deops e os informantes que o Deops tinha na imprensa souberam que ele seria morto duas semanas antes de o assassinato de fato ocorrer. Ao contrário do que fizeram com Bacuri, ninguém arrancou minhas orelhas, ninguém perfurou meus olhos. O regime militar era brutal. O petismo é só rasteiro. O colunista da Folha Online Kennedy Alencar noticiou que eu seria condenado no processo contra Franklin Martins um dia antes que o juiz efetivamente me condenasse. Se eu sou o Bacuri do petismo, Kennedy Alencar é o informante do Deops.

Na semana passada, aqui na coluna, dei um peteleco em Franklin Martins. Na segunda-feira, o antigo assessor de imprensa de Lula, Kennedy Alencar, publicou uma nota vaticinando qual seria o resultado do processo do ministro contra mim. Ele acertou até a quantia que eu teria de pagar: 30.000 reais. No dia seguinte, atropelado pelos eventos, o juiz Sergio Wajzenberg decidiu me condenar às pressas, antes de analisar minhas provas e antes de interrogar minhas testemunhas. Como sou parte em causa, tenho de tratar do assunto com uma certa cautela. A OAB, a corregedoria e a imprensa podem se ocupar do caso bem melhor do que eu. Mas a sentença do juiz Wajzenberg merece um comentário.

O juiz Wajzenberg, como José Dirceu, só me chama de Diego na sentença. É Diego para cá, Diego para lá. Eu, Diego, sou descrito como um camarada da melhor qualidade: inteligente, brilhante, digno, leal, honesto e cumpridor de meu papel social. Mas cometi um erro ao identificar Franklin Martins como simpatizante de Lula, embora ele tenha sido nomeado, um ano depois do meu artigo, ministro de Lula. O juiz Wajzenberg se define como uma "velhinha de Taubaté". Ele afirma que, como a velhinha de Taubaté, "prefere acreditar" que um jornalista pode desempenhar seu trabalho com autonomia, mesmo que todos os seus parentes sejam beneficiados com cargos no governo.

O juiz Wajzenberg absolve também o "povo brasileiro". Ele alega que, como um bando de índios, nós toleramos a prática do "escambo". Por isso, "um ato que pode parecer uma troca de favores na verdade pode significar um reconhecimento do poder político". O juiz Wajzenberg diz que, diante da falta de trabalho, moradia e saúde, temos dificuldade de "entender o que é bom e o que é ruim". Mas ele "prefere acreditar" que "a maioria do povo brasileiro é digna, acredita em Deus e age para que nosso futuro seja melhor". Contaminado pelo espírito benevolente do juiz Wajzenberg, prefiro acreditar que em nenhum momento ele sentiu o peso de julgar um ministro, prefiro acreditar que ele nem considerou a hipótese de favorecer um membro do governo para obter algum tipo de vantagem em sua carreira, prefiro acreditar que ele conduziu meu processo com lisura, prefiro acreditar que ninguém arrancou minhas orelhas e ninguém perfurou meus olhos.

FORA CANALHAS! disse...

Serrão


Respinga até no Lula?

Tenha dó né!


Vejam isso:
www.escandalodomensalao.com.br

é lama que não acaba mais, é tanta que cegou até o STF

DANIEL PEARL disse...

O blog “Desabafo País” quer ocupar o espaço para contribuir: não podemos aceitar a vida com giras que estimule a violência: “vamos arrebentar”; “é na porrada”; “o bicho vai pegar”; “se não tiver ação e sangue, esse filme não serve”, “esse menino é medroso, vai pra cima”... nosso dia a dia é repleto de cenas de violências, em casa, no trabalho, na escola, na faculdade, na rua, enfim, em toda parte dessa Nação, exala o odor de agressividade. Nossas línguas saem o veneno do ódio, do rancor, da raiva, da vingança e conseqüência: 38 mil vidas perdidas a cada ano, fruto da arma de fogo. Antes de tudo isso, a mente humana elaborou todo esse plano macabro, não deixando que o AMOR penetrasse em suas almas. O blog Desabafo País lança o convite: vamos plantar a SEMENTE DA PAZ, começando pela nossa BOCA e nos espaços dos blogs. É preciso fazer algo para frear em nós a cultura da violência. O Brasil precisa voltar a ser o país da PAZ. Vamos lá? Daniel Pearl.: http://desabafopais.blogspot.com/

Anônimo disse...

Reflito sobre a sugestao do Daniel que pede o bom senso para manter a segurança nacional. Entao.. Cabe mais cegueira? mais surdez? mais alienaçao? Qual é a idéia? O cenário que nos entrega Silvia Pfeiffer, de bandeja, é a declaraçao de abuso que cometem com nossos impostos. Metem a mao sem pena. A empresária Silvia Pfeiffer é uma heroína. Se candidata, ganha meu voto. Álias, depois desta nova triagem, ela pode mesmo ser o melhor pro Brasil. Quanta coragem!!! Minha sugestao é pacifica: Daniel, nao será melhor entregarmos a conta do leao aa Bolivia. Afinal fizerem um bom negócio. um abraço