segunda-feira, 30 de abril de 2007

Isso-é-uma-vergonha!

Edição de Artigos de Segunda-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Ernesto Caruso

A nova-república ensejou um movimento surrealista na política tupiniquim. Os valores que no passado longínquo levavam ao duelo e lavavam a honra pelo abate do adversário se esvaíram pelos vãos dos dedos que não mais empunham as armas da contenda, mas que com fortes ventosas e involução darwiana a lhes enfeitar o nem sempre sarado corpo com mais um apoio digno dos primatas a se pendurar nos galhos do poder, catando folhas verdes com cifrão e frutos proibidos por lei e por dever de consciência. Ora, lei e consciência para essa gente com a ambição descontrolada é o que menos importa. Isso é uma vergonha!

Como nossos ouvidos foram martelados e bigorneados com palavras de austeros homens públicos de que a solução estava na política. Quanto descaminho se transformou em cenas do quotidiano. Escândalo, um atrás do outro. Prevaleceu a promiscuidade e a permissividade a abraçou sem constrangimento. Nada de preconceito. Palavra repetida em busca da relação pura a serviço da desconstrução e da desvalorização.

As sãs divergências no modo de conduzir, administrar e legislar o município, o estado e o país, por vezes se compunham e encontravam uma resultante democrática, honrada e respeitada reciprocamente. De lá para cá, não é mais assim. As virtudes e o ser virtuoso foram substituídos pelos interesses. Ofensas à honra eram sinais de ruptura definitiva e não admitiam reconciliação. Ser chamado de ladrão, corrupto, canalha, dava mais briga e tiroteio do que ação judicial. Inimigos para sempre...

Agora, amigos para sempre... Lá do Maranhão, o senador Sarney que foi da Arena, do regime autoritário, bastante adjetivado no pretérito está abraçado com o presidente Lula, bem com a senadora Roseana Sarney, que já foi alvo de acusação e desistência de candidatura por conta do milhão no gavetão. Do Pará o deputado e ex-senador Jader Barbalho que foi preso pela Polícia Federal envolvido no escândalo da Sudam que havia renunciado ao mandato de senador, diante das investigações próximas ao seu nome. Lula chegou a beijar a mão de Jader Barbalho em um comício em Belém durante a campanha. Isso é uma vergonha!

O senador ACM (DEM), que foi chamado de hamster do Nordeste por Lula em comícios na Bahia, retrucou afirmando que o presidente Lula é um rato gordo e etílico, cujos furtos no Palácio do Planalto vem denunciado no Congresso Nacionale que está mais para gato caçador de rato ladrão do dinheiro público do que para hamster e que Lula é um roedor implacável, incontrolável para si e para seus familiares, adentrou, recentemente, com pompa e circunstância no gabinete do presidente Lula, como retribuição à visita por motivo de doença. Você, doente — Deus o livre — gostaria de receber uma visita de alguém com os atributos acima? Isso é uma vergonha!

Do Amazonas, o senador Arthur Virgílio (PSDB) se defende da carona no avião presidencial, ao dar lição do que é ser oposição, que o Brasil vive a era Lula 2, respaldado pela diferença de 20 milhões de votos sobre o seu correligionário, Geraldo Alckmin, que a fase Lula 1 evaporou-se, deixando como legado um quadro de corrupção jamais visto no país. Como? Evaporou-se, como se fosse anistia? Existe ou não o legado de corrupção jamais visto no país?

Adversário político honrado é uma condição que admite aproximação, uma folha corrida de crime não. Corrupção não é crime? Então que não se acuse o presidente e a carona não necessitaria de defesa. Isso é uma vergonha!

O que deixou muita gente estupefata, foi a estréia da TVJB, com o jornalista Boris Casoy entrevistando o deputado cassado José Dirceu, que sabidamente está trabalhando e muito ajudado para ser anistiado, em seguida da entrevista da ministra Dilma Roussef, parecendo uma montagem em prol do governo, associando figuras da luta marxista-revolucionária-terrorista no período 60/70.

Logo, quem era muito admirado por sua independência e que foi alvo da truculência desse mesmo governo quando do seu afastamento da TV Record e nas próprias palavras de desabafo do jornalista Casoy.

Lamentando o que houve, diz: “No começo da administração do PT, pressionaram a direção violentamente para me tirar da Record. Ameaçaram cortar a publicidade. A diretoria me deixou a par o tempo todo...As razões da pressão eram as mais estúpidas possíveis. Eles me atacaram muito no caso do BANESTADO. E agora eu entendo porque... pelo menos eu suponho... Fizeram um grande pressão... Não sei se a diretoria vai gostar... Queriam que eu não cobrisse mais o caso Celso Daniel. E olha que eu cobria de maneira absolutamente neutra. Eu não podia ligar o Roberto Teixeira ao Lula. Nem dizer que era amigo do Lula. ... Esse governo pressionou a Record. Foram várias pressões e a final foi do Zé Dirceu. Eram três assuntos que eles não queriam nem que se tocasse. Caso Banestado, o compadre do Lula, Roberto Teixeira e o assassinato do Celso Daniel. ...Eu insistia que acabariam em pizza. ... Houve o telefonema do Zé Dirceu. A diretoria me pôs a par: "Ele disse que vai prejudicar a Record e você pessoalmente se não parar". Essa foi a última... vinha uma série. O Zé Dirceu caiu em 13 de fevereiro, meu aniversário. Depois que ele caiu, as pressões foram reduzidas.”

Se um fernadinho-beira-qualquer-coisa convidar alguém... Bem, deixa p’ra lá.

Isso tudo era uma vergonha. Não para todos.

Ernesto Caruso é Coronel R1 da Reserva do Exército Brasileiro.

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