domingo, 22 de abril de 2007

Razões da Discórdia

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

Graças aos céus, no nosso país ainda existe Justiça! E a população, sem sombra de dúvida (é de se esperar), nela deve confiar com os olhos bem abertos. O juiz da 22ª Vara Cível de Curitiba (PR), Sérgio Jorge Domingos, concedeu liminar proibindo a revista IstoÉ de circular esta semana.

Tal decisão tem como objetivo evitar que a reportagem de capa, assinada pelo jornalista Hugo Marques, seja dada a conhecimento da população, num instante em que se fortalece a impressão de que grande parte dos nossos dirigentes está aí, tão somente, assaltando os cofres públicos.

A reportagem (cheia de recibos, documentos e detalhes), traz entrevista gravada da empresária paranaense Sílvia Pfeiffer, desnudando um esquema de corrupção com verbas federais, dentro da Infraero. É o rastilho de pólvora que leva à CPI.

Tendo como foco principal o empresário Walter Sâmara (amigo do casal Dom Luiz Inácio e Marisa Silva), a denúncia aponta também a secretária particular do presidente da República, Mônica Zerbinato, na condição de articuladora do esquema.

Para quem não sabe, Mônica Zerbinato é casada com Oswaldo Bargas, acusado de envolvimento com a gangue do dossiê contra José Serra (PSDB-SP), caso que dominou o noticiário político-policial do último ano.

A atual denúncia virou “notícia-crime” e se encontra nas mãos do delegado Jaber Saadi, superintendente da PF no Paraná, que comunicou já ter instaurado inquérito. A empresária disse que seus contratos “no Aeroporto Affonso Pena, em Curitiba, foram obtidos à custa do pagamento de uma mesada aos diretores da Infraero”.

Apresentando documentos e recibos bancários, ela provou que sua empresa “paga religiosamente”, desde 2003, uma propina mensal depositada nas contas bancárias de parentes dos diretores. Alguns depósitos chegam a 20 mil reais!

Até Duda Mendonça, flagrado na CPI do Fim do Mundo (com contas irregulares no exterior), está no meio dos desmandos. Em Brasília, diz Silvia Pfeiffer, “a Infraero criou uma situação irregular para veicular, com a intermediação da Aeromídia, anúncios feitos pelo publicitário Duda Mendonça”. Sem licitação e sem contrato.

Quem solicitou judicialmente a proibição de circulação da revista foi o ex-prefeito de Curitiba Cássio Taniguchi (DEM), incomodado com o fato de a empresária dispor de documentação irrespondível a respeito do Caixa 2 praticado na sua campanha de reeleição, em 2000.

O então secretário de Urbanismo da Prefeitura de Curitiba, Carlos Alberto Carvalho, chegou a se tornar sócio da Aeromídia (empresa de Sílvia) e deu sumiço a várias multas existentes contra a empresa.

A partir da “colaboração” do secretário, a Aeromídia passou a emitir notas frias e a “fechar contratos irregulares”. Por fim, diz a reportagem proibida, tornou-se “sede de reuniões políticas da campanha de reeleição de Cássio Taniguchi”.

O imbróglio alcança as barbas do poder, na pessoa do amigo presidencial Walter Sâmara, empresário paranaense. Freqüentador de churrascadas e cachaçadas na Granja do Torto, ele teria recomendado à empresária, segundo a própria, procurar uma das secretárias de Dom Luiz Inácio (Mônica Zerbinato) “para tratar sobre dinheiro para o PT”.

Embora muita gente condene a censura imposta à revista, por entender que fere princípio constitucional, há também quem a defenda. Os fatos são tão graves que quem paga imposto e é obrigado a respeitar às leis pode se sentir abandonado e confuso.

É bom que se evite disseminar a idéia de que a ladroeira no Brasil está liberada.

Márcio Accioly é Jornalista.

Leia também: Infraerogate: Bastos terá de explicar por que PF foi lenta em inquérito que respinga até na secretária de Lula

3 comentários:

Anônimo disse...

O conhecimento destas falcatruas não deixariam contribuintes-escravos desorientados, coisa nenhuma.Por isto a opção pela ocultação das informações em revista de circulação nacional.Que falta nos faz um novo Tiradentes!

Anônimo disse...

Ridiculo o artigo defendendo a censura a Isto e. A roubalheira esta institucionalizada sim senhor e o povo tem o direito de saber como esta sendo roubado.
O brasileiro esta sendo pilhado de todas as formas por esse governo obeso e ineficiente.

Anônimo disse...

Quem nao estiver se sentindo abandonado e confuso e debil mental ou entao usufrui da roubalheira.