quarta-feira, 11 de abril de 2007

A Resposta de Roberto Jefferson á Receita Federal

Anexo à Edição desta Quarta-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com/

ROBERTO JEFFERSON MONTEIRO FRANCISCO, brasileiro, advogado, em face do termo de intimação nº 01, datado de 20 de março de 2.007, vem expor e requerer o seguinte:

O Requerente junta à presente cópia dos comprovantes de rendimentos auferidos, como docs de nrs. 1 a 4. Esclarece ainda que, os mencionados rendimentos são derivados da atividade parlamentar e profissional (exercício de sua profissão ou na função do magistério superior) do Requerente, e aqueles originários de aplicações financeiras realizadas no decorrer do referido exercício.

Quanto ao outro item, melhor faço transcrevendo o capítulo 15 do livro em que presto testemunho dos fatos que vivi ao Povo Brasileiro, intitulado "Nervos de Aço", que sem dúvida, esclarece a questão:

Foi quando afirmei, no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados, que o PT doou R$ 4 milhões ao PTB na campanha eleitoral de 2004.

Avançando no que já tinha dito em minha segunda entrevista à Folha de São Paulo, revelei que esses R$ 4 milhões foram levados à sede do PTB por Marcos Valério, um "carequinha falante", em meados de julho de 2.004, em duas malas com rodinhas. Foram duas visitas, disse: na primeira, levou R$ 2,2 milhões, e na segunda, quatro ou cinco dias depois, mais R$ 1,8 milhão, em notas de R$ 50 e R$ 100, com cintas do Banco do Brasil e do Banco Rural.

Expliquei que esta quantia não foi declarada nem à Receita Federal nem à Justiça Eleitoral porque, sem o recibo assinado pelo PT, eu não poderia contabilizá-la.

Acordos, eles sabem, não constituem crime. Tampouco o repasse, se houvesse os recibos. Mas não há rastro do dinheiro. Houve o dinheiro?

É a minha palavra contra a dos petistas, a minha história contra a deles.

De todas as denúncias que fiz, esta segue sem prova. Desnudei o maior esquema de corrupção já montado na história republicana no Brasil, mesmo com todas as tentativas do PT de encobri-lo. Em relação aos R$ 4 milhões, só o PT poderá comprovar a minha verdade. Mas o PT nega o dinheiro.

Se não houve o dinheiro, eu disse então uma mentira?

Ao negar a entrega das parcelas que integralizaram os R$ 4 milhões, o PT me fez sentir como um personagem de um bom e eletrizante thriller: confesso um crime, mas para legitimá-lo falta o cadáver. A justiça procura a arma, e não a encontra como também não acha o morto. Houve crime?

Machado de Assis escreveu que a dissimulação é um dever, quando a sinceridade é um perigo. No meu caso, se o episódio fosse uma mentira e eu tivesse usado essa informação para poder dar a veracidade a todas as outras denúncias, nunca uma dissimulação teria sido tão imperiosa, tão justificada.

Só podia contar com a verdade dos fatos, das cenas que vivi, do que vi. Isso tudo seria a base do meu testemunho. Mas se me limitasse, no Conselho de Ética, a repetir as denúncias relativas ao mensalão que já tinha feito à Folha de S. Paulo, acabaria prevalecendo o argumento da falta de provas, do dito pelo não dito. Minha palavra perderia força.

Eu precisava ir além. Só me restava uma alternativa desesperada: a auto-incriminação, a defesa por meio da confissão de um crime. Ao afirmar que recebera os R$ 4 milhões de Marcos Valério em malas, sem recibo, estava confessando um crime eleitoral, o que se tornaria o pretexto necessário para a minha cassação - se é que precisariam de algum pretexto - mas também daria materialidade às minhas denúncias.

Com essa confissão, cometi o suicídio político. Era como se eu estivesse na beira do abismo, sendo empurrado para o salto fatal, inevitável. Saltei, mas levei junto comigo, pela mão, os meus algozes. Dei uma de talibã, enchi a roupa de bombas e entrei no avião do Lula, disposto a explodir tudo.

Disse que recebi os R$ 4 milhões de Marcos Valério, mas resisti a revelar o paradeiro dos recursos. Ora sugeria que o dinheiro tinha sido distribuído, mas que não podia incriminar meus colegas de partido; ora sugeria que o dinheiro continuava guardado. Num e noutro caso, o crime eleitoral estava cometido: receber recursos de caixa 2, por fora. Foi por esse crime que fui cassado, mas ninguém provou que eu o cometi. Muito se falou em instintos primitivos, mas não existe instinto mais primitivo que o da sobrevivência. É este instinto que leva o animal acuado a saltar na direção do seu predador. Existe uma expressão francesa que define bem essa situação: la fuite em avant, a "fuga para frente". Para resistir à campanha avassaladora contra mim, o suicídio político era minha única saída. Por isso lancei aquela bomba e dei um abraço de afogado nos dirigentes petistas: disse que recebi R$ 4 milhões de caixa 2 do PT pelas mãos do Marcos Valério. Este foi o clímax das mais de oito horas de depoimento.

Retórica? Verdade? Não sou herói, não sou vilão.

Delúbio, Marcos Valério e Genoíno negam ter dado R$ 4 milhões ao PTB. Emerson almieri jamais entrou no Banco Rural ou no BMG, diferentemente de outros tesoureiros de partido, ara sacar qualquer dinheiro.

Não usei retórica antes. Verdade? Assumi verdades que me atingiram. Tudo que disse antes relacionado a outras áreas se provou. Restava explicar que destino eu tinha dado aos $ 4 milhões. Qualquer resposta objetiva podia ser comprometedora. Esse era o meu dilema. nvolveria meus companheiros.

O PT nega ter dado R$ 4 milhões ao PTB.

Quando veio à tona que Valério fazia saques milionários antes de suas viagens a Brasília, em vôos fretados pelo Banco Rural, ele se viu perdido. Se, até aquele momento, vinha sendo resguardado, se estava relativamente coberto, a partir dali a imprensa inteira passou a investigá-lo, e seus podres foram aparecendo. Por isso, por mais que ele tentasse desmentir minha versão dos R$ 4 milhões, como aliás tentou, a seqüência dos acontecimentos lhe retirou qualquer credibilidade.

Meu objetivo foi alcançado: revelar as práticas criminosas do governo quese dizia o dono da ética.

Mas o meu crime, aquele que justificou minha cassação, não foi comprovado. E nem poderia. Porque esse crime o PT diz que não existiu. A cúpula do partido afirma que nunca me repassou nenhum centavo.

Assim, segundo o PT, não recebi os R$ 4 milhões de Marcos Valério. Não foi feito nenhum repasse para o PTB. Enquanto eu digo que esperei até o último momento o comprovante que me permitiria legalizar o repasse - e que me foi prometido - o PT desconversa e nega. Nega tudo.

Cada vez que me questionam sobre o recebimento dos R$ 4 milhões – diante da negativa tão peremptória do PT - me vejo tentado a devolver a pergunta ao interlocutor: "E você, o que acha? Recebi ou não?". É um episódio interessante no meio de todo o cipoal de denúncias: politicamente recebi, tecnicamente não. Não há dinheiro, logo não há cadáver, logo não há crime. (as partes constam de fls. 335 a 346).

Não há dúvida que auferi com o episódio, um extraordinário acréscimo patrimonial político, porém este não é tributável pelo imposto sobre a renda.

Termos em que,

P. Juntada.

Rio de Janeiro, 10 de abril de 2.007

ROBERTO JEFFERSON MONTEIRO FRANCISCO

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