domingo, 20 de maio de 2007

Navalha de Bêbado não tem Dono?

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Jorge Serrão

O Poderoso Lula da Silva está aprontando contra si uma das maiores dores de cabeça. Seu efeito será pior que uma ressaca mal curada. Ou tão grave quanto uma possível revelação bomba sobre detalhes do assassinato de Celso Daniel, o prefeito petista de Santo André, que continua vivo como um cadáver politicamente insepulto que assombra os ocupantes do Palácio do Planalto. O governo brasileiro se aliou a 40 países que pedem a criação de uma estratégia global para reduzir o consumo de álcool. As dificuldades á propaganda de bebidas seriam a primeira iniciativa.

Os dirigentes das grandes redes de televisão vão enlouquecer, já que são dependentes químicos das verbas do governo e das grandes fabricantes de bebidas. O Sindicerv (Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja) promete entrar com uma Ação Indireta de Inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal, assim que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicar sua regulamentação restritiva aos anúncios publicitários de bebidas.

Vários estudos mostram que o mercado não se expande pela propaganda, e sim por outros fatores, como preço. Experiências em outros países demonstram que a restrição da propaganda não altera o mercado consumidor de bebida. Já pensou um caso bizarro? Lei seca no Planalto? Nem pensar, meu Boi! Seria muita ironia para o mais ilustre dos cachaceiros!

Enquanto se prepara para embriagar-se com mais uma polêmica, o Poderoso Lula da Silva escapa, como bom moço apedeuta de sempre, do fio cortante da Operação Navalha. A Controladoria-Geral da União confirma que, entre 2000 e 2006, a União pagou R$ 103 milhões e 100 mil reais à construtora Gautama. Nove obras da empresa, distribuídas em seis estados, estão paralisadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) devido a suspeitas de irregularidades. O valor dos contratos da atinge o montante de R$ 483 milhões. Os problemas apontados vão desde indícios de indícios de supefaturamentos até fraudes em processos de licitação e conluio entre empresas.

Apesar das irregularidades apontadas pelo Tribunal, obra tocada pela empresa Gautama, em Maceió, recebeu o aporte de R$ 70 milhões destinados pelo presidente Lula em dezembro do ano passado. O pedido de liberação da verba foi feito pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), super aliado do Planalto. Outra informação gritante: Será que Lula e Dilma Roussef não sabiam que a construtora Gautama integrava um dos consórcios interessados em disputar as licitações das usinas do Rio Madeira (Jirau e Santo Antônio), uma das obras que mais interessam ao Palácio do Planalto, dentro do imaginário Plano de Aceleração do Crescimento (o famoso conto do PAC)?

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estimava que a obra mexeria com R$ 25 bilhões. O consórcio formado pela Gautama conta com a participação da PLP Consultoria e Noronha Advogados, Impsa, empresa argentina de equipamentos, o conglomerado chinês CTIC, Schahin e Alusa. As investigações da Operação Navalha confirmam que a Gautama contava com importante intermediário dentro do Ministério de Minas e Energia (MME) para atuar em seu favor nos processos de concorrência e liberação de recursos. Preso pela Polícia Federal, Ivo Almeida Costa, já havia trabalhado na Eletronorte antes de se tornar assessor do MME. O suspeito possuía grande experiência no setor energético, especialmente na região amazônica.

Se ainda passam longe do Palácio do Planalto, porque lá ninguém nunca sabe de nada que comprometa alguém do governo, as investigações da Operação podem chegar ao Congresso Nacional. A Polícia Federal encontrou na sede da Construtora Gautama, em Salvador (BA), a relação de parlamentares que teriam recebido propinas da generosa empreiteira. Ao lado de cada nome aparecem indicações das emendas de liberação de recursos federais para obras da Gautama e os valores das supostas propinas pagas, em forma de dinheiro ou presentinhos aos honestos políticos.

Aliás, essa Operação Navalha está batendo todos os recordes de divulgação e suposta transparência – como nenhum dos escândalos anteriores no governo Lula jamais teve. O que há realmente por trás desta ação espalhafatosa da Polícia Federal, que, aparentemente, não pega ninguém ligado aos petistas, mas apenas atinge opositores?

A pergunta é tão inquietante quanto indagar: “Navalha de Bêbado não tem dono?”.

Respostas urgentes para a Caixa Postal do Palhaço do Planalto. E vida que segue.

Jorge Serrão é jornalista, radialista e publicitário, especialista em Administração Pública e Assuntos Estratégicos. Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total (http://alertatotal.blogspot.com)

9 comentários:

Rodrigo disse...

Oi, achei teu blog pelo google tá bem interessante gostei desse post. Quando der dá uma passada pelo meu blog, é sobre camisetas personalizadas, mostra passo a passo como criar uma camiseta personalizada bem maneira. Até mais.

Anônimo disse...

Uma lição foi repetida a exaustão pelo DESgoverno:
- One há falcatruas, suborno, desvio de verbas públicas, crimes hediondos e/ou banais, corrupção e mentiras.... = PT = Lula!

Não tem erro e .... não tem punição!!!
Entre mortos e feridos, todos saem impunes, mais ricos e com cargos mais altos no DESgoverno!

NOVA BASTILHA!!!! disse...

A NAVALHA DO BÊBADO, é direcionada para o povo brasileiro...

Ah! A BATILHA !!!

NOVA BASTILHA!!!! disse...

corrigindo:


AH! A BASTILHA!!!!

NOVA BASTILHA!!! disse...

"doa a quem doer"

frase do teleprompter do lula

vai doer é na pele do sofrido povo que paga a maior e pior carga tributária do mundo, de 53% do PIB.

BRASIL ACIMA DE TUDO. disse...

http://abknet.de/

Navalha cega, faca amolada (20/05/2007)


A política brasileira é pródiga em produzir fatos, diga-se escândalos e, após isso, postar-se estupefata, como se tudo fosse uma decepcionante surpresa, sejam os escândalos em si ou seus, até ali, "insuspeitos" protagonizadores.
É o caso da atual dona das manchetes, a Operação Navalha.

O pivô principal, Zuleido Veras (e sua empresa Guatama) não pularam do anonimato para as páginas dos jornais ontem, como muita gente quer dar a entender. O jornalista Ricardo Noblat reproduziu dias atrás em seu blog uma matéria publicada em dezembro de 2001 na revista Época, onde o jornalista Gerson Camarotti fazia um Raio X na construtora "emergente" e suas maracutaias. Apesar disso as práticas continuaram, a empresa cresceu e ninguém entre as autoridades competentes, polícia, políticos, juízes, nem mesmo os fiéis jornalistas defensores da decantada liberdade de opinião deram trato ao assunto.

Talvez o poder de Zuleido seja maior que se pensa. A verdade é que, mesmo após as denúncias contidas na matéria de Camarotti, motivos mais que suficientes para no mínimo dar um freio nos envolvidos, a faca amolada da Guatama continuou fazendo estragos impunemente. A resposta a quem indaga como a corrupção não tem limites no Brasil com certeza passa pela forma como ela possui uma rede em todos os poderes do país. Vejam, por exemplo, um dos casos relatados pelo jornalista Camarotti em sua matéria de 2001: O projeto de Irrigação de Três Barras, em Goiás.

O caso chegou dois meses após a publicação do artigo ao plenário do Tribunal de Contas da União. Apesar de todas as provas de uma licitação absolutamente viciada e, agravante, com superfaturamento, a decisão do tribunal foi literalmente, pasme quem quiser: "... deixando assente que as irregularidades detectadas no presente feito não impedem a continuidade da execução das obras do Projeto de Irrigação de Três Barras.. "
A decisão ressalva a seguir (apenas) aos responsáveis, para analisar posteriormente o preço de uma subestação da dita obra. Simplesmente um atentado à inteligência, à moral e à paciência de quem é honesto, trabalhador e paga seus impostos. É como se, apesar dos indícios e provas, o criminoso fosse absolvido e, além disso, recompensado com dinheiro e a própria devolução da arma com a qual praticou o crime.
A certeza de impunidade e a certeza de que peças (pessoas) de decisão encontram-se estrategicamente espalhadas nos diversos degraus do poder público é a única explicação.

Para os duvidosos, basta ler, a partir da página 113, a ATA N° 05 de 27 de fevereiro de 2002 do TCU. O ABKnet possui e coloca online o arquivo em formato PDF da ata, e avisa com antecedência aos incrédulos que não fiquem admirados ao ler nomes e semelhanças que lembrem qualquer coisa, pois pode ser mera coincidência na terra de quem nada viu ou ouviu.. Por exemplo, o ministro-relator do TCU no caso é Guilherme Palmeira, grande amigo e conterrâneo de Renan Calheiros, que é amigo de Zuleido Veras, que é o dono da Guatama, que somente há algumas semanas entrou na história.
Mas ninguém sabe mesmo de nada, não é verdade?

Anônimo disse...

quem sou eu: Eu sou uma pessoa simples , amante da natureza ,amo as pessoas , gosto de tudo o que é bom , procuro fazer tudo com o Maximo de amor e perfeição , meu dilema primordial só o amor constrói...................

Mensagem:* O encoberto sera descoberto o desatento ficara atento
o dogma de ter um canudo, naõ faz saber o que ainda naõ
sabe.......

*Arte de enxergar não é somente olhar
e sim na plenitude de ver....

*Arte de envelhecer é ter alma
na eterna juventude...

*O sonhar é viver para realização.
A ilusão é viver para decepção



comunidade (vivendo sempre)
clik e veja
http://ricardoricofil.blogspot.com/
http://fotolog.terra.com.br/ricardorico_fil
http://brasil.indymedia.org/pt/blue/2005/02/306671.shtml
http://fotolog.terra.com.br/rico_fil

http://brasil.indymedia.org/pt/blue/2006/11/364276.shtml

nova bastilha disse...

Lula Laico

O Globo, 20 maio de 2007

Nos dias que passaram, assistimos ao presidente se fartar de usar uma palavra que parece que ele não conhecia antes e está tratando como um brinquedo novo. Brinquedo esse do qual ele se julga mais do que merecedor, neste começo de ano já não tão começo assim e neste começo de segundo mandato tampouco tão recentinho assim.

Sim, porque o presidente que temos visto nas aparições públicas se porta como se não nos esperassem problemas graves pela frente e como se ele fosse um timoneiro de enorme perícia e grandes realizações, a navegar num mar de prosperidade .

Desculpando-me por não ir nessa, ouso dizer que não conheço grande realização nenhuma desse governo, notadamente nas reformas de que só faz falar. Daria muito trabalho e resistência, mas foi o que ele prometeu e não seria impossível cumprir, ao menos em parte. Somente uma delas, se bem feita, seria uma grande realização.

Mas a grande realização, no ver dele, é o Bolsa Família, que, no ver de outros, é um programa assistencialista, clientelista, nocivo e eleitoreiro.

Ele o chama de “programa social” e eu não chamo nem de obra de caridade, chamo de demagogia senhoradecaridade mesmo.

Tivemos a visita de Bento XVI e ele, com a alegria de quem paga (com nosso dinheiro e dos próprios “beneficiados”) pelo apoio popular e conta com ele, parecia felicíssimo e aproveitou para fazer várias declarações em que usou a nova palavra, que adicionou às dezenas que já domina.

Era laico para lá, laico para cá, tudo mostrando que ele é presidente de todos os brasileiros (embora, pessoalmente, eu finja que não, quando estou em casa, tendo devaneios otimistas) e não somente dos católicos, como mostra sua atitude a respeito do aborto. Pessoalmente é contra, mas o Estado é laico e não pode aliarse à igreja ou seita nenhuma.

Tratou-se de um belo espetáculo de postura política. Receber bem o Papa foi, naturalmente, correto, mas estava claro que o presidente pretendia mostrar a todo mundo que tomara as atitudes de um chefe de Estado laico, tanto assim que, não sei se vocês notaram, limitou-se a cutucar o companheiro Papa para apresentar um ou outro ou para qualquer finalidade semelhante, mas, como vimos, não houve beija-mão. Bem, perguntarão vocês, por que observei esse fato? Seguramente, devo estar à beira de fazer algum comentário gerado pela má vontade e manchado por incoerência.

Sim, porque, como eu mesmo já disse, o presidente tinha de mostrar que é chefe de um Estado laico até o fim e não foi isso o que ele fez, até sendo um tantinho grosso e não indo acompanhar o visitante (o Papa, além de Papa, é também chefe de Estado) à sua despedida? Beijar a mão de alguém certamente não é gesto apropriado para quem quer mostrar isenção. Neste caso, como também já disse, havia a delicada questão do aborto, onde a atitude de magistrado tomada pelo presidente talvez fosse completamente desfigurada, se ele beijasse a mão do Papa, como é costume dos católicos que são apresentados a Sua Santidade e sonho dos católicos que não tiveram e nunca terão essa oportunidade.

Creio que o presidente não é evangélico.

Tampouco muçulmano, judeu ou budista. (Talvez, no fundo, seja mesmo é lulista, como muitos seguidores seus, alguns dos quais já deixaram de se dar comigo, em função de minhas insistentes blasfêmias e crimes de lesa-divindade.) Certamente foi criado como católico. Mas é também o presidente de muitos evangélicos e dos adeptos brasileiros de todas as outras religiões. Não era de se estranhar, portanto, que, assim à frente de um Estado laico, o presidente de todos não beijasse a mão de um líder religioso apenas da maioria, não de todos. E agora, aparentemente, eu venho com críticas a isso. Se ele tivesse dado o beija-mão, eu o criticaria pelas razões acima.

Como não deu, parece que vou criticálo também, porque já é conhecida minha “má vontade” em relação a ele.

Quer dizer, olhem aí o comportamento de certa imprensa, no caso a fração minúscula que me cabe. Se o presidente tivesse beijado a mão do Papa, seria criticado. Porque não beijou, também é criticado. Afinal, que quer esse pessoal? Quanto a esse pessoal em geral, só posso fazer suposições. De minha parte, digo que gostaria de menos gogó e mais ação. O governo, no mandato anterior, não fez nada, não cuidou da nossa infra-estrutura nem ostentou grandes iniciativas ou realizações, não fez nada mesmo, além de manter a situação e reagir a eventos inesperados ou fortuitos. Este mandato ainda não começou, com o tal PAC bradando pelo seu uso trocadilhado com o verbo empacar e nada de planos a projetos consistentes, a não ser, repito, no gogó e na repetição boba de “este país” isso e “este país” aquilo, “nunca na História” aqui e “em todo o mundo” ali, um festival de bazófias que parece nunca cessar.

E agora vem este colunista anti-Lula (não é verdade, não sou anti-Lula, tenho muitas coisas mais importantes contra as quais ser e ainda muitas mais a favor das quais ser) se queixando de uma besteira dessa, é muita falta do que falar. Discrepo, como diria meu finado confrade Houaiss. Discrepo porque existe não só a tradição católica de beijar a mão ou o anel do Papa. Beijar a mão de alguém é, universalmente, um gesto de respeito, veneração, admiração, até obediência.

A maioria de nós beijaria a mão de muito pouca gente, ou de ninguém.

Beijar a mão é tão simbólico e tão carregado de significados que até a expressão “beija-mão” foi criada em nossa língua por causa disso. Então por que, afinal, esta onda toda sobre Lula não ter beijado a mão do Papa? Eu explico. É que beijar a mão implica isso tudo que lembrei e há de ser o motivo pelo qual Lula não beijou a mão do Papa. Mas beijou com muito gosto a do dr. Jader Barbalho, não foi? Pois é.


JOÃO UBALDO RIBEIRO é escritor.

Bagli&Blog disse...

Prezado Jorge Serrão,

Boa noite.

Como disse, não sou ingênuo, mas algo por trás desta operação da Polícia Federal.

O mais curioso, é ver como a navalha nunca corta a própria carme, mas somente a dos outros.

Não menos curioso, também, e constatar como ela está fazendo uma incisão cirúrgica no Ministério de Minas e Energia, não?

A dita oposição teve todos estes marginais na mão. Estiveram com a faca e o queijo não para colocar de joelhos o mentiroso que engana e ocupa a posição de chefe de executivo, o tal de Presidente do Brasil. Foram tão inocompetentes que agora devem aprender conviver com a arquitetura do Foro de São Paulo.

Não sei o que Deus nos reserva, o que ele preparou para o Brasil, mas eu confio.

Abração,