sábado, 19 de maio de 2007

O Real Irreal

Edição de Artigos de Sábado do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com/

Por Jorge Serrão

O real continuará “valorizado” artificialmente por um bom tempo. Os investidores estrangeiros (ou melhor, especuladores) são os que mais lucram com a queda da moeda-norte-americana. Além de se beneficiarem com a oscilação do câmbio, também ganham com as taxas de juros atraentes nas aplicações feitas no País que pratica a maior usura do mundo. Tudo graças ao Comitê de Política Monetária do Banco Central que segue a cartilha dos verdadeiros donos do Brasil: o pequeno grupo de bancos internacionais que controla os negócios das bolsas de valores, o fluxo internacional da moeda norte-americana e o comércio internacional.

A desvalorização do dólar não é um problema apenas brasileiro. Ocorre também em outros países emergentes e dependentes. O fenômeno é induzido pelo pequeno grupo de banqueiros que manda na economia mundial. A oligarquia financeira transnacional comanda a política monetária a partir do controle dos Bancos Centrais privados da Inglaterra e dos EUA (o Bank of England e o Federal Reserve Board). O Banco Central do Brasil é uma pretensa autoridade monetária.

Na verdade, o BC é refém de interesses externos.O dólar em baixa fragiliza a economia nacional. Faz parte da política internacional de manter o Brasil artificialmente na miséria e cada vez mais dependente de capitais e produtos externos. O governo petista é absolutamente conivente com este crime econômico de lesa pátria, dando continuidade ao trabalho destrutivo iniciado na Era FHC, com as privatarias. O real pretensamente valorizado inviabiliza os ganhos de exportadores, tornando-os “presas fáceis” para serem assimiladas pelo capital externo. O movimento mundial de “fusões e aquisições”, na área da indústria e do agronegócio, não é gratuito.

Com o dólar em queda, abaixo de R$ 2, aprofunda-se a dependência econômica do Brasil. As empresas endividadas aproveitam o momento para buscar empréstimos no exterior, em dólares. As operações de crédito no exterior aumentaram 65% em um ano. Como a tendência é de que a moeda norte-americana fique manipuladamente fraca diante do real, serão necessários menos reais para pagar a mesma dívida em dólar. Além disso, os juros para a captação de dinheiro lá fora continuam mais baixos que aqui dentro.

Nada custa lembrar que o processo artificial de “depreciação” do dólar já dura três anos, na gestão do Presidente Henrique Meirelles (homem com mais poder “real” que o presidente Lula da Silva, um inteligente boneco “João Bobo” que apanha, avança e recua, ficando sempre no mesmo lugar, ao sabor das conveniências políticas e econômicas). Meirelles adverte que os juros da Selic vão baixar um pouquinho: menos 0,5% na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. Só não diz que nossos juros continuarão sendo os mais altos do mundo, para a alegria do “grande capital motel” (que entra e sai ganhando do Brasil, a hora que quer, inclusive com isenções de imposto de renda e CPMF, em alguns casos).

Tecnicamente, a farra do dólar é um negócio simples e objetivo. O Banco Central faz a compra de Swap Cambial Reverso. Trata-se de um contrato derivativo negociado na Bolsa Mercantil e Futuros (BM&F) que representa a troca de rentabilidade entre duas instituições. O Banco Central do Brasil fica na “ponta” que se compromete a pagar, em determinada data futura, a rentabilidade acumulada da taxa Selic ao longo do período. Na outra ponta fica uma outra instituição financeira que se compromete a pagar a variação da taxa de câmbio.

O mesmo Banco Central do Brasil, através do Copom (Conselho de Política Monetária) define a famosa Taxa SELIC, que é a taxa de juro de curto-prazo referente às negociações ocorridas dentro do Sistema Especial de Liquidação e Custódia com títulos públicos federais. Ao comprar e vender títulos públicos federais no mercado, o Banco Central estabelece a taxa de juro básica da economia. A taxa é definida nas reuniões do Copom e, depois, implantada pelo DEMAB – Departamento de Mercado Aberto do Banco Central dentro do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – o chamado sistema SELIC, que batiza a taxa tão famosa e pouco entendida pelos simples mortais.

O Copom foi instituído em 20 de junho de 1996. Seu objetivo é estabelecer as diretrizes da política monetária e definir a taxa de juros. O Brasil imitou um sistema adotado pelo Federal Open Market Committee (FOMC) do Banco Central dos Estados Unidos e pelo Central Bank Council do Banco Central da Alemanha. Em junho de 1998, o também privado Banco (central) da Inglaterra também instituiu o seu Monetary Policy Committee (MPC). Idêntica decisão foi tomada pelo Banco Central Europeu desde a criação da moeda única (o Euro), em janeiro de 1999.

Em junho de 1999, o Copom adotou a sistemática de "metas para a inflação" como diretriz de política monetária. Desde então, as decisões do comitê passaram a ter como objetivo cumprir as metas para a inflação definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Se elas não forem cumpridas, cabe ao presidente do Banco Central divulgar, em carta aberta ao ministro da Fazenda, os motivos do descumprimento, bem como as providências e o prazo para o restabelecimento das metas. Formalmente, os objetivos do Copom são "estabelecer diretrizes de política monetária, definir a meta da taxa Selic e seu eventual viés, e analisar o Relatório de Inflação".

O Copom é composto pelos oito membros da Diretoria Colegiada do Banco Central do Brasil, com direito a voto, sendo presidido pelo presidente do Banco Central, que tem o voto de qualidade.Também fazem parte do Copom os chefes dos seguintes departamentos do Banco Central: Departamento Econômico (Depec), Departamento de Operações das Reservas Internacionais (Depin), Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos (Deban), Departamento de Operações do Mercado Aberto (Demab) e Departamento de Estudos e Pesquisas (Depep). Os chefes de departamento, ou seus eventuais substitutos, participam apenas do primeiro dia de reuniões, sem direito a voto.

No primeiro dia das reuniões, os chefes de departamento apresentam uma análise da conjuntura abrangendo inflação, nível de atividade, evolução dos agregados monetários, finanças públicas, balanço de pagamentos, ambiente externo, mercado doméstico de câmbio, operações com as reservas internacionais, estado da liquidez bancária, mercado monetário, operações de mercado aberto e avaliação prospectiva das tendências da inflação.

No segundo dia, o diretor de Política Monetária apresenta propostas de diretrizes de política monetária e alternativas para a taxa de juros, baseadas na avaliação da conjuntura. Em seguida, os demais membros da Diretoria Colegiada fazem suas ponderações e apresentam eventuais propostas alternativas. Ao final, procede-se à votação das propostas, buscando-se, sempre que possível, o consenso. Ao término da reunião, ao mesmo tempo em que a decisão final é divulgada à imprensa, é expedido Comunicado através do Sistema de Informações do Banco Central (Sisbacen), que informa a nova meta da Taxa Selic e seu eventual viés.

Os juros altíssimos no Brasil (cuja taxa o Copom define) fizeram explodir o ingresso de capital estrangeiro para aplicação em títulos de renda fixa. Mas a notícia não merece comemoração dos brasileiros. De janeiro de 2006 a março de 2007, essa lucrativa aplicação registrou uma diferença de US$ 14 bilhões e 500 mil entre o montante que veio do exterior e o que saiu, depois, do País.

Os estrangeiros se beneficiam da diferença entre os juros brasileiros e as taxas internacionais. Eles ganham. Mandam o dinheiro para fora. E a maioria das operações sequer paga imposto de renda ou CPMF. Os banqueiros e corretores, que intermediam os negócios, ganham mais ainda.Nós perdemos. A economia nacional fica mais combalida. Produz-se menos. Perdem-se postos de trabalho.

Os juros altos fazem crescer a dívida pública (já na casa dos trilhões de reais). O Tesouro Nacional dá aval ao esquema de rolagem da dívida com os bancos. O Ministério da Fazenda só aciona a máquina de “terror fiscal” da Super Receita Federal do Brasil, sempre azeitada para cobrar dos cidadãos impostos cada vez mais altos. No fim da história, a sociedade brasileira paga a conta.

E vida que segue. Aqui no País das Maravilhas, a Alice vive bêbada, e o povo embriagado pela desinformação acerca de sua dura realidade.

Jorge Serrão é jornalista, radialista e publicitário, especialista em Administração Pública e Assuntos Estratégicos. Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total (http://alertatotal.blogspot.com)

4 comentários:

Khalid Sheikh Mohammed disse...

'Eu degolei Pearl', diz terrorista


O Estado de S. Paulo
16/3/2007

Pentágono divulga trecho de depoimento em que planejador dos ataques de 11/9 dá detalhes sobre morte de jornalista

O paquistanês Khalid Sheikh Mohammed, número três na hierarquia da Al-Qaeda e acusado de ser o mentor dos ataques de 11 de Setembro, surpreendeu o mundo ontem ao confessar que estava por trás de outros 30 atentados, alguns dos quais nem mesmo a CIA desconfiava. Entre as inesperadas revelações de Mohammed está o assassinato do jornalista Daniel Pearl, em 2002. 'Com a minha abençoada mão direita, eu decapitei o judeu americano Daniel Pearl', teria dito ele durante interrogatório realizado sábado, mas cuja transcrição foi divulgada apenas ontem.

Pearl era correspondente do Wall Street Journal na Índia e havia sido seqüestrado no Paquistão. Depois de uma semana de cativeiro, teve sua cabeça cortada com um punhal. As imagens chocantes da decapitação foram colocadas na internet.

No depoimento dado na prisão da Base Naval dos EUA de Guantánamo, em Cuba, o terrorista afirmou ser o comandante de operações militares da Al-Qaeda e membro do conselho da organização - submetido apenas ao líder Osama bin Laden e a seu braço direito Ayman al-Zawahiri. Como era esperado, confessou ter planejado os ataques ao World Trade Center. 'Eu fui responsável pela operação do 11 de Setembro, de A a Z', declarou.

Na transcrição do depoimento, liberada anteontem pelo Pentágono, alguns trechos haviam sido omitidos - inclusive o que falava da execução de Pearl. Os militares se justificaram, dizendo que era preciso ganhar tempo para que a família do jornalista fosse notificada. Contudo, a parte em que Mohammed comenta sobre os maus-tratos sofridos na prisão também foi apagada, o que fez as organizações de direitos humanos receberem com desconfiança a confissão.

Mohammed, que havia sido capturado em março de 2003, ficou três anos isolado em uma prisão secreta da CIA. Durante o interrogatório, ele tentou se apresentar como 'combatente inimigo' e comparou suas ações às de outros revolucionários. 'Se os ingleses tivessem capturado George Washington durante a Guerra da Independência, também o teriam considerado combatente inimigo', disse. No depoimento de 26 páginas, o terrorista paquistanês falou em um inglês truncado, pediu ajuda a um tradutor de árabe e lamentou a morte de 'crianças inocentes' nos ataques de 11 de Setembro. Entretanto, disse que as vítimas faziam parte da guerra.

No fim, surpreendeu a todos quando seu advogado começou a ler uma lista de operações das quais o acusado assumia responsabilidade direta. Entre elas estão a explosão de um caminhão-bomba no World Trade Center, em 1993, que matou seis pessoas; e a minivan que levou pelos ares uma discoteca em Bali, na Indonésia, em 2002, matando cerca de 190 pessoas. Mohammed revelou ainda que planejou destruir o Canal do Panamá e o Big Ben, e que tentou matar o papa João Paulo II e os ex-presidentes americanos Bill Clinton e Jimmy Carter. De acordo com ele, uma segunda onda de atentados deveria seguir o 11 de Setembro. Entre os alvos estavam a Sears Towers, de Chicago, e o Empire State, em Nova York.

http://clipping.planejamento.gov.br/Noticias.asp?NOTCod=342859

Anônimo disse...

Sr. César Maia um lembrete do povo do Município do Rio de Janeiro para a vossa Excelência Sr. abandonou a saúde da sua cidade e outras obras importantes que deveria ser tratada com o respeito ha toda a sociedade CARIOCA que o elegeu, mais o PAN significa o seu nome internacional e a saúde não significa nada, por isto foi desprezada por vossa Ex. espero que o PAN seja um fracasso na mesma proporção como o Sr.tratou a Saúde em todo aspectos e assim seja feita a vontade do POVÃO.
ricardo antonio filgueiras

Anônimo disse...

Eu concordo de A a Z com seu ponto de vista e tenho esta visão há 5 anos. O que realmente me incomoda é o fato de que economistas e empresários brasileiros, estejam 100% apoiando e elogiando a economia brasileira e com isso o Apedeuda foi reeleito.
Francamente eu nao entendo por que ninguém mais reclama ou denuncia!!!

ACORDA BRASIL disse...

A Fossa Negra


Depois do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ter estufado peito para dizer que a Operação Navalha está “apenas no começo”, mostrou que sua sem-vergonhice não tem limites, ele está se preparando para colher os louros de mais essa ação contra a corrupção que invadiu seu governo de uma forma vista somente em alguns poucos paises do mundo.
Ele é conivente em todos os escândalos acontecidos até hoje e pretendeu de todas formas escondê-los, desde o assassinato do prefeito de Santo André até a Operação Navalha.
Os participantes dessa quadrilha de malfeitores, todos diretamente ligados ao presidente estão aí incólumes. A cassação de José Dirceu é de mentirinha, pois ele continua com toda sua influência no governo.
Luiz Inácio Lula da Silva, dirá, como já o fez de outras vezes que os escândalos estão surgindo porque seu governo os denuncia e quer apurar


Mentira, isso foi exatamente o que ele não fez. Ele só seria um homem sério e de caráter se estivesse mandado punir seus companheiros (só para citar alguns): Antonio Palocci (quebra de sigilo bancário e corrupção na prefeitura de Ribeirão preto), Gilberto Carvalho (chefe de gabinete espcial de Lula, envolvido na morte de Celso Daniel), João Paulo Cunha (petista presidente da Câmara em 2003, beneficiado pelo mensalão), José Dirceu (ministro da Casa Civil e inventor do mensalão), José Genoino (presidente do PT, envolvido no mensalão), Luiz Gushiken (ministro secretário de Comunicação, desvio de verbas nos contratos de publicidade), Ricardo Berzoini (ministro Previdência, presidente do PT e chefe dos aloprados do dossiê).
Tem ainda de quebra: Delúbio Soares, Oswaldo Bargas, José Lorenzetti, Gedimar Pereria, Freud Godoy, dossiê; Waldomiro Diniz, Devanir Ribeiro, Paulo Rocha, Professor Luisinho. mensalão.
Pode-se fechar o esquema com Fábio Lula da Silva (foto), filho do presidente e seus negócios escusos com uma empresa administrada pelo governo.
Lula sabe que não pode mais fechar a fossa negra que ele mesmo abriu no Palácio do Planalto, pois caso venha a fazê-lo, o material fecal nauseabundo, que foi acumulado por quase 5 anos, extravasará e o atingirá direto na cara.



por Giulio Sanmartini
prosa&politica