segunda-feira, 14 de maio de 2007

O Socialismo do século XXI

Edição de Artigos de Segunda-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Luciano Blandy

Enquanto Hugo Chavez bravateia a implantação em seu país do que ele chama “Revolução Bolivariana” ou “Socialismo do Século XXI”, aqui no Brasil, as pessoas que detém um mínimo de conhecimento para saber o que é o tal socialismo proposto (na realidade, comunismo é a palavra mais correta) e os males que ele já causou ao mundo, dormem em berço esplendido, acreditando que tal ideocracia é coisa de “cucaracho atrasado” e que nunca poderá ser implementada em um país progressista como o nosso.

Não percebem que tais sandices já foram implementadas e estão em processo muito mais avançado do que na própria Venezuela. Tonto é o brasileiro que acredita que a coisa seria feita na base da expropriação dos bens de capital com tropas invadindo sua casa e lhe arrancando à pescotapas de sua propriedade. Isso não existe mais, não porque inexistam pessoas que gostariam que fosse assim, mas sim porque mesmo essas pessoas sabem que isso seria ineficaz e provocaria uma reação violenta da sociedade.

O processo atual é mais sutil e passa despercebido pela imensa maioria da população. Trata-se, simplesmente, de concentrar as riquezas da sociedade em um de seus setores apenas e – no momento certo – promover a estatização deste setor.

Se o leitor está confuso, pare um pouco e reflita:

Quando o cidadão brasileiro comum vai, por exemplo, a uma loja comprar um carro, o que ele está comprando?

Quem respondeu – um automóvel – equivocou-se completamente. O cidadão está comprando DINHEIRO. A grande maioria das pessoas hoje não tem condições financeiras para comprar um carro, mesmo dos modelos chamados “populares”, a vista.

Faz-se, então, uma “raspa de tacho” nas economias, se paga uma entrada e financia o resto. As parcelas do financiamento somadas, muitas vezes são suficientes para comprar dois carros iguais e como o cidadão comum pode dispor de pouco de seu orçamento para investir em um automóvel, dilui a dívida em três ou quatro anos. Ao pagar a última prestação, muito provavelmente o veículo estará em frangalhos – dada a qualidade dos automóveis vendidos no Brasil – e precisará ser substituído. A equação, então, recomeça do zero.

Ao ir ao supermercado o cidadão está comprando provisões?

Não. Está comprando DINHEIRO. No momento em que se utiliza do cartão de crédito ou avança no cheque especial ele compra dinheiro para poder trocar por alimentos. Se não honrar com os juros exorbitantes (o preço do dinheiro) impostos pelo banco ou pela operadora do cartão, terá seu nome inscrito, sem qualquer direito de defesa, no “rol dos culpados” chamado SERASA e só poderá voltar a comprar alimentos se tiver dinheiro vivo para pagar a vista.

Estabeleça o leitor este parâmetro para qualquer bem – de consumo ou de capital – e verá que no Brasil de hoje a grande maioria das pessoas não compra nada além de dinheiro. A face mais cruel desta realidade, inclusive, se dá com os tais “empréstimos consignados”, onde o Banco garante que irá encher as burras de dinheiro tomando diretamente da folha de pagamento ou benefício previdenciário do cidadão. Some isso a um povo ignorante e se verá o grau de controle que as instituições bancárias têm sobre o cidadão.

São os bancos e operadores de crédito em geral, e não a consciência individual que decidem quando, como onde e porque gastar. Ouse não pagar e o sistema se encarrega de lançar seu nome na lista de maus pagadores (SERASA, SCPC et caterva). O mais irônico, é que o setor bancário – e não só ele - além de recusar clientes que tenham o nome inscrito nestes órgãos, recusa também empregar quem esteja “negativado”, criando uma equação monstruosa, onde o cidadão desempregado se endivida, muitas vezes para manter o sustento da família, e não consegue ingressar ao mercado de trabalho e pagar as suas dívidas justamente por estar endividado.

O leitor deve estar se perguntando: E o que diabos isso tem com o “socialismo do século XXI”?

A resposta é simples: Tudo. Quem determina a taxa de juros que em última instância será cobrada pelo setor financeiro é o COPOM. Quem fiscaliza e dita regras ao sistema financeiro é o Banco Central do Brasil. Quem define o quanto será tributado e de quem, tornando este ou aquele bem mais ou menos acessível ao grosso da população é o Estado. Isso significa que é o Estado que dita quanto, quando e o que você vai comprar. É o “Grande Irmão” que sabe exatamente as necessidades de cada brasileiro e manipula – via política tributária e de juros – o quanto cada cidadão poderá acrescentar em seu patrimônio pessoal.

Dito isso, façamos um pequeno exercício de “futurologia”. Imaginemos que em determinado momento, seja divulgado um grande escândalo, uma grande falcatrua financeira (no Brasil atual isso é o que não falta) envolvendo duas ou três das maiores instituições bancárias do país. Imagine a Polícia Federal, com todo o seu aparato de mídia, entrando com metralhadoras no luxuoso escritório de um banqueiro e levando o sujeito algemado dali. Cria-se a CPI dos bancos e os nossos “dignos representantes” concluem, após meses de discussões acaloradas e declarações bombásticas, que o Governo precisa ter um maior controle sobre o setor financeiro privado.

Criam-se novos mecanismos legislativos que engessam completamente o setor, praticamente tornando os bancos um braço do Estado. Neste caso, não estarão o patrimônio e até o salário e aposentadoria (lembremos do empréstimo consignado) sob o total controle do Estado?

Se alguém jogar uma rã em uma panela com água fervendo, ela vai pular e fugir. Por outro lado, se a mesma rã for colocada em um recipiente com água fria e se aquecer essa água gradativamente, ela se deixará assar sem reclamar de nada.

Do setor financeiro, não se pode esperar nada a não ser sorrisos de satisfação, já que desde 1994 têm batido recorde sobre recorde de lucratividade. Das classes menos favorecidas, também nada se pode exigir, haja vista estarem totalmente bovinizadas pelos “bolsas-esmola” da vida.

Cabe ao extrato mais politizado da sociedade pegar esse boi pelo chifre e domá-lo, antes que as primeiras borbulhas de fervor surjam na panela.

Luciano Blandy é Advogado.

11 comentários:

Alexandre Core disse...

Não creio que o governo mexeria no vespeiro com uma CPI ou coisa parecida dos bancos. Bancos sempre tiveram e sempre terão muito poder. O Estado não conseguiria se apropriar dessa forma ainda mais por ter o rabo preso com os lucros formidaveis do setor.

Anônimo disse...

De fato, a conta não fecha e por mais que se queira dar uma roupagem nova ao comunismo, continua sendo comunismo. A única coisa que é nova nesta história é a roubalheira e o assalto as Cofres Públicos sem o menor pudor. A questão ideológica que permeia a questão é só para irritar o Olavo de Carvalho. Estamos indo para o mesmo caminho que a Venezuela e a Bolívia, ou seja, do isolamento e do pífio crescimento econômico. O Estado é sempre incompetente em tudo o que faz e todos sabem disso, mas insistem nessa história de estatizar tudo. Os políticos adoram porque isso garante o cabide-de-emprego para seus apaniguados que vão lhes garantir, por sua vez, as diplomações.

KGB disse...

Fidel já dizia....temos que lutar contra o sistema.
Só que o sistema aqui é os Bancos e Empreiteiras.
O Caminho é esse.
Parabéns!

Anônimo disse...

Será que o Lula está seguindo à risca as orientações do Fidel com relação aos bancos ao deixar que faturem como nunca antes de viu nestepaiz. Isso é muito mais que uma derrama.

Rubens disse...

O povinho brasileiro, todo ele, já está dentro do caldeirão. E o pior é que a aguá do caldeirão já está morna.
Porém os brasileirinhos idiotizados pelo regime comunista vigente no país, não estão sentindo a temperatura da aguá. Pois toda a mídia e toda propaganda do estado, funciona como um anestésico nas mentes ocas do povinho que luta diariamente para pagar seus impostos escorchantes.
Se as Forças Armadas não tomarem o poder do Estado, este País deixará de ser uma Nação em curtíssimo prazo.
Ps. Se já não deixou de ser ...
... DEUS NOS ACUDA!!!

Parabéns Luciano Blandy, e continue nos informando com seus artigos, pois eles são de muita importância para nos tirar desse caldeirão que a mídia faz questão de nos manter.

Sta. Cacau disse...

Realmente, o comunismo está aí, logo ao lado, e o que é pior a grande: o "povão" brasileiro nem sabe o que é comunismo para poder achar ruim. Enquanto estiverem ganhando a "bolça-esmola" estará tudo bem, a água pode ferver e evaporar todinha.
O primeiro passo o governo já deu a tempos, e foi criando uma massa alienada que eles chegaram onde chegaram.

Anderson Garcev disse...

Realmente NINGUEM aqui sabe o que é comunismo, não sabem diferenciar alhos de bugalhos!!!

Onde o governo LULA e o Brasil é comunista?

Golpe militar!

Muitos comentarios ignorantes, infelismente. O problema é outro, a palavra comunismo foi deteriorada com os governos "ultracapitalistas" da URSS e genericos, o termo atual é socialismo, que só é possivel com democracia de base, e a partir disso, novas formas de produção e consumo que critiquem a propria forma do trabalho-dinheiro-Estado...etc

and_garcev@hotmail.com

Gabriel Chico disse...

Sr. Anderson Garcev,

Luis Fernando Veríssimo escreveu uma crônica espetacular para definir estereótipos como o senhor: os falsos entendidos. Como muitos, o senhor não entende nada, mas é bom de jargão.
Nunca vi comentário tão tonto enrolado em roupagem semântica tão engraçada.
De qualquer forma, obrigado, muito fez-me rir.

Anderson Garcev disse...

Gabriel Chico

Que bom se todos fossem menos ignorantes, agora cite outro autor?

Ou o que comentei não é a "verdade absoluta e verdadeira" rsrs

Jornal do Estudante disse...

Ótima noticia essa, quasei chorei de emoção, esse é um dos passos para o Brasil realmente mudar. Intervenção do Estado na economia e controle sobre a riqueza exagerada. Distribuição de renda já . Dilma vai dar continuidade ao programa que vai diminuir a desigualdade ! É 13

Anônimo disse...

SURFANDO PELA WEB, ME DEPAREI COM ESSE BLOG.
MUITO INTERESSANTE.
UM ADVOGADO QUE NAS HORAS DE FOLGA, PARECE FAZER CURSINHO PARA ECONOMISTA.
PODERIA ME DIZER; DO PEDESTAL DA SUA ARROGÂNCIA, SENDO UM TAL "EXTRATO POLITIZADO";
SABE MESMO O QUE É SOCIALISMO OU ESTÁ DIZENDO TUDO ISSO, DO PONTO DE VISTA DE UM DESCENDENTE DE IMIGRANTE? IMIGRANTES, DETESTAM NACIONALISTAS.
CONHECE O SOCIALISMO DO SÉCULO 21 OU ESTÁ NAS FILEIRAS DO "QUANTO PIOR MELHOR"?
COMUNISTAS, SÃO LIXO.
NEO-LIBERAIS, LIXO DO LIXO.
FILHOS, NETOS E BISNETOS DESSES, SÃO CHORUMES.
TEM MUITO LIXO IDEOLÓGICO CIRCULANDO NA WEB E VIVENDO NO MEU PAÍS.
brasileiro-go@bol.com.br