domingo, 20 de maio de 2007

Sinais Inquietantes

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Maria Lucia Barbosa

Quais os limites da liberdade de cada pessoa diante do poder do Estado? Essa é uma pergunta que demanda resposta complexa, mas pode ser respondida de forma simplificada dizendo-se que a liberdade de cada indivíduo depende do contexto cultural de sua sociedade e do sistema político em que ele vive.

Nos sistemas totalitários do século passado, o nazismo e o comunismo ou socialismo real, a liberdade era nula. Não se era livre em nenhuma esfera da vida fosse ela política, econômica, religiosa, familiar, cultural, intelectual. O controle do Estado era total e no cimo da hierarquia da casta dominante um déspota regia com mão de ferro os destinos de seu povo. Esse "grande líder", por sua vontade suprema decidia como um deus sobre a vida ou a morte, o prêmio ou o castigo de cada um.

Um esquema parecido funciona na ditadura ou regime autoritário. Porém, nesse caso, existe certa margem de liberdade no que tange, por exemplo, a organização familiar, a religião ou a alguma produção cultural “inofensiva”. As ditaduras, contudo, não toleram opositores, não permitem a liberdade política configurada em partidos ou entidades de oposição. Não é permitida a liberdade de pensamento, notadamente, a liberdade de imprensa. Nas ditaduras os Poderes Legislativo e Judiciário funcionam como apêndice do Executivo e a ele obedecem. Naturalmente, as ditaduras, ainda que tenham essência comum, possuem nuances diferenciadas conforme a sociedade em que vigoram.

Nem sempre o governante totalitário ou o ditador é figura carismática que necessite agradar ao povo ou provocar empatia. Déspotas mandam e quem tem juízo obedece. Mas, não falta entre os grandes ou pequenos tiranos os que se julgam uma espécie de deus ou de super-homem. Seriam eles os salvadores da pátria, os grandes heróis que prometem redimir os oprimidos.

Para alimentar tais crendices usa-se largamente a propaganda. Todavia, como disse Haro Tecglen ao analisar o super-homem nietzschiano, “Hitler acreditou que fosse ele; centenas ou talvez milhares de pessoas acreditam serem elas: algumas foram parar em asilos, outras foram mais ou menos toleradas pelas famílias, algumas alcançaram o poder e fantásticos níveis de catástrofe”.

Quanto ao liberalismo expresso na democracia, pressupõe o exercício das liberdades civis: liberdade de mercado, pluripartidarismo, eleições livres, liberdade de pensamento, religiosa, cultural, de reunião, etc., o que não significa liberalidade na medida em que a Lei, configurada constitucionalmente, deve impedir abusos e impor limites à ação dos cidadãos. O arcabouço legal das democracias é também antídoto eficaz contra a tentação totalitária ou autoritária que dá asas aos super-homens.

Regimes democráticos também se adaptam aos contextos sociais em que se inserem e isso explica a fragilidade de nossa dúbia democracia.

Nossos vizinhos de origem espanhola são radicais em suas paixões políticas, em suas atitudes e comportamentos, o que acaba fomentando o aparecimento de oposições tão necessárias às ditaduras. Mesmo nos sistemas democráticos deve haver oposição, pois sem esta não há democracia. Exceção observa-se em Cuba, cujo sistema totalitário impede qualquer demonstração livre por parte do povo.

No momento se notam sinais inquietantes em nossa frágil democracia sem que haja percepção ou reação de parte da maioria da população. Vejamos os mais graves:

1º) O Legislativo e o Judiciário comportam-se como figurantes do Executivo, sendo que o Legislativo exibe sem pudor seu objetivo voltado para privilégios, cargos e outros “benefícios” oferecidos pelo Executivo como moeda de troca em votações. Nossos parlamentares, com honrosas exceções, parecem empenhados em demonstrar que todos têm seu preço.

2º) Aumenta a impunidade da classe dirigente que se locupleta de forma jamais vista nesse país. Para distrair a opinião pública e ocultar crimes mais graves aparecem alguns bodes expiatórios que também ficarão impunes, e tudo bem.

3º) Não existem oposições e mesmo certas figuras públicas, antes vigorosas em suas críticas e denúncias, renderam-se ao Poder Executivo.

4º) Na mídia, de modo geral, ressoa a “voz do dono”. Poucos e corajosos jornalistas foram ou estão ameaçados de serem calados sem que haja nenhuma manifestação de apoio da imprensa. Cito aqui o caso do defenestrado Boris Casoy, do Arnaldo Jabor que levou um cala-boca governamental e do Diego Mainardi ameaçado de morte no pasquim do MR-8. E vem aí Franklin Martins e a TV estatal.

5º) O presidente da República, que se diz modestamente próximo da perfeição, parece supor que encarna o super-homem. Ele sabe que o povo gosta e precisa de super-heróis e anda caprichando em shows de triunfalismo e egolatria. Pode-se dizer que é um homem de sorte monumental e, respaldado por sua impressionante propaganda, faz a maioria crer que é um democrata.

Mas qual é o limite da liberdade diante desse poder incomensurável? O tempo responderá, como já respondeu em outros países.

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.

4 comentários:

Anônimo disse...

Maria Lucia,
Ha tempos que queria elogiar seus excelentes artigos...
Parabens pelas analises lucidas e excelente redacao.

Anônimo disse...

quem sou eu: Eu sou uma pessoa simples , amante da natureza ,amo as pessoas , gosto de tudo o que é bom , procuro fazer tudo com o Maximo de amor e perfeição , meu dilema primordial só o amor constrói...................

Mensagem:* O encoberto sera descoberto o desatento ficara atento
o dogma de ter um canudo, naõ faz saber o que ainda naõ
sabe.......

*Arte de enxergar não é somente olhar
e sim na plenitude de ver....

*Arte de envelhecer é ter alma
na eterna juventude...

*O sonhar é viver para realização.
A ilusão é viver para decepção



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JOSÉ disse...

Boa noite Maria Lucia.
Vou “colar” o comentário que enviei ao Marcio Aciolly, que serve para você também.

Não desanime, pois estamos assistindo a OMISSÃO CRIMINOSA do nosso povo, que está preocupado em TER, esquecendo o SER. Estão colhendo a semeadura que fizeram!
Quando era criança, escutava minha mãe falar que “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”! Continue lutando. Você e o Serrão!
Sempre tomo a liberdade de espalhar os inteligentes artigos deste blog, que congrega figuras EXPONENCIAIS, como Serrão, você e tantos outros da mesma estirpe.
Com tantos APEDEUTAS, liderados pelo ALCAIDE APEDEUTA MOR desse país, vai ser difícil, mas não impossível, “acordar” a turma do “deixa prá lá, não adianta”.
Finalizo com um pensamento de Charles Chaplin:
"Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, pois o triunfo pertence a quem mais se atreve. E a vida é muito para ser insignificante."

Anônimo disse...

Os estágios da vida !

Posição...Ricardo Antonio filgueiras.
Passamos pelos estágios da vida ate chegarmos no ultimo que é a morte do corpo mais para isto precisamos nascer e assim necessitamos de um HOSPITAL e sua continuidade necessária pro desenvolvimento após necessitamos da EDUCAÇAÕ dentro do núcleo familiar e suas necessidades e a seguir pelos estágios de ESCOLARIDADE da vida tanto do CÉU como na TERRA, adiante necessitamos de PROFIÇAÕ e sua formação, mais adiante um TRABALHO e seu desenvolvimento para o caminho da realização e adiante uma UNIAÕ ESTAVEL e seu convívio no amor a MORADIA e assim completa o circulo na APONSENTADORIA e o seu LASER, simples não, mais para isto não podes esquecer que todos os estágios que você passar ou se já passou ou passara ela vem da “POLITICA” esta política do dia a dia que se forma e assim iras para o caminho. BOM ou RUIM na VIDA.