sexta-feira, 3 de agosto de 2007

As Paralelas e o Infinito

Edição de Sexta-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com/

Por Márcio Accioly

Foi o próprio presidente da República quem declarou, num discurso proferido em Cuiabá na terça-feira (31), que quem mais está ganhando dinheiro no seu governo são os empresários e banqueiros.

Dom Luiz Inácio (PT-SP) afirmou ainda que os mais pobres poderiam até estar “zangados”, mas não aqueles que abocanham parte considerável do PIB nacional. E a fala de sua excelência surpreendeu muita gente, por retratar fielmente o cenário que se observa. Este é um país de fraude e fancaria.

As vaias que têm sido ouvidas de Norte a Sul acertaram em cheio a figura de Dom Luiz Inácio. Ele se desequilibrou totalmente, fato comprovado, inclusive, no aumento do consumo de aperitivos mais fortes, o que vem preocupando interlocutores mais próximos. Em Cuiabá, era visível seu ar de descompensado.

O PT passou a vida inteira prometendo revolução de costumes, tão logo alcançasse o poder. Por conta disso, gastou boa parte dos oito anos de FHC (1995-2003), fazendo campanha para derrubá-lo, denunciando e apontando roubos, desvios e irregularidades praticadas em sua gestão.

Depois que assumiu, verificou-se que a quadrilha instalada na administração por Dom Luiz Inácio é muito açodada por avidez similar. Tanto que o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, denunciou 40 deles ao STF – Supremo Tribunal Federal, no dia 30 de março de 2006.

O problema é que, no Brasil, uma denúncia cobre a outra e depois tudo cai no esquecimento. Os únicos que pagam as contas são os que trabalham para sustentar corja criminosa de terceira categoria.

Quando se tentava escolher o vice na chapa de José Serra (PSDB-SP), que iria disputar a Presidência da República (2002), a revista ISTOÉ detonou o deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), mostrando que ele possuía mais de 15 milhões de dólares em contas bancárias no exterior, “não declaradas ao Imposto de Renda”.

Depois da denúncia, com documentos recolhidos num processo de separação litigiosa entre sua excelência e a ex-mulher, Mônica Alves, o parlamentar, que hoje é líder do PMDB na Câmara, não teve como se firmar na chapa presidencial. Mas ficou tudo por isso mesmo. Ninguém toca mais no assunto e é como se nunca tivesse existido.

Nossas autoridades ainda não perceberam que o cansaço existente hoje vai explodir e arrebentar os esquemas. Simplesmente por não mais existir mais em quem se confiar. A podridão se derrama e fixa por todos os espaços e frestas.

Muitos dos que se encontram dentro do Congresso Nacional, elaborando leis e posando de vestais, deveriam estar como inquilinos em presídios de segurança máxima. A história sempre se repete, com o agravante de que, agora, a explosão demográfica irá ajudar na imposição de rachaduras e rombos.

No tempo dos faraós, milhares trabalhavam dentro de sistema crudelíssimo, sofrendo acidentes que causavam mutilações graves e mortes trágicas, construindo túmulos em que perpetuavam a memória de seus senhores e carrascos.

Pavimentavam-lhes o caminho para a eternidade, pagando excelsa glória com o sacrifício do único bem precioso de que dispunham, a própria vida. Nos dias de hoje, esse tipo de escravidão permanece.

As pessoas são iguais em todo o mundo. A existência é insanidade maravilhosa e inexplicável que muitos refletem sem alcançar o sentido. No Brasil, milhões enriquecem parlapatões, enquanto constroem os próprios túmulos sem esperança de vida.

Márcio Accioly é Jornalista.

Nenhum comentário: