quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Como um cidadão pode virar um marginal?

Edição de Artigos de Quinta-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

Processado pelo senador Romero Jucá Filho (PMDB-RR), fiquei surpreso e triste ao verificar a celeridade da Justiça estadual de Roraima, que me condenou à suspensão dos direitos políticos. Que coisa tão grave: suspensão dos direitos políticos!!!

Ainda por cima, recebi comunicado do Banco do Brasil, informando que a juíza Elaine Cristina Bianchi determinou que fosse retirada da minha conta a quantia de R$ 2.432,04 (dois mil, quatrocentos e trinta e dois reais e quatro centavos), para “indenizar” sua excelência.

Não posso mais realizar concurso público e tampouco ser funcionário de órgãos governamentais, enquanto prevalecer a suspensão dos direitos políticos. Nunca imaginei que o Estado brasileiro fosse capaz de tamanha ignomínia.

Empurra as pessoas para a marginalidade, espécie de clandestinidade, punindo, no meu caso, por escrever artigos denunciando falcatruas acontecidas na administração federal, fatos que são de total e completo domínio público.

Na década de 90, quando me encontrava no exterior, mais precisamente no Canadá, a Justiça de Roraima me condenou a pagar indenização ao senador Filho, em processo no qual fui sequer citado. Como sua excelência exerce tanto poder?

A ação foi levada a cabo com enorme rapidez e dela só tomei conhecimento anos depois, quando já tinham vencidos os prazos para a apresentação de qualquer recurso judicial.
Nossas “autoridades” parecem ter perdido a dimensão da seriedade do quadro político nacional, com cidadãs e cidadãos manietados, oprimidos por sistema em que a corrupção vai ocupando todas as frestas e espaços, calando manifestações.

Como é que se age com tanta velocidade, num processo como esse, no qual tive direitos políticos suspensos e o senador Romero Jucá Filho continua com seu mandato, livre e fazendo das suas?
No Conselho de Ética dormita, na ampla gaveta da impunidade, representação na qual solicito a cassação de sua excelência, baseada em provas irrefutáveis. Ela foi protocolada no dia 26 de junho de 2006.

No dia 7 de maio de 2007, quase um ano depois, enviei documento ao presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), solicitando seus “bons ofícios” para que apurasse a “suspeitíssima” demora na apreciação do pedido de cassação de Filho.

Mas, antes disso, eu havia enviado ofício ao corregedor-geral do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), apontando a morosidade do caso, sem receber qualquer resposta. O mesmo senador Romeu Tuma que confessou seu desejo de “absolver” Renan Calheiros e, quase ao mesmo tempo, manifestou ira santa contra o senador Gim Argello (PTB) que assumiu vaga deixada pela renúncia de Joaquim Roriz (PMDB-DF).

Com relação ao ofício enviado ao presidente do Senado, recebi telegrama assinado pela chefa de gabinete, Martha Lyra Nascimento, comunicando que minha “manifestação foi remetida à secretaria-geral da Mesa para conhecimento e providências cabíveis”. Nada mais, nada além de uma ilusão.

A única coisa que quero é Justiça. Não pedi a cassação do senador Romero Jucá Filho por causa do empréstimo que a Folha de S. Paulo denunciou, mostrando que sua excelência levou milhões de reais do Basa, oferecendo como garantia sete fazendas inexistentes no estado do Amazonas.

Por que as coisas funcionam somente numa direção, a dos poderosos? Por que o oferecimento de exemplos tão vergonhosos, numa sociedade que se desestrutura em roubos e desvios por parte daqueles que deveriam ser os guardiões da coisa pública?

O pedido de cassação do mandato de Romero Jucá Filho, efetuado por este articulista, encontra-se baseado em provas irrefutáveis de que sua excelência apresentou documentos falsos para se livrar de pedidos de cassação anteriores. O pedido detalha artigos da Constituição Federal e do Regimento Interno do Senado.

Nós só iremos construir uma sociedade mais justa, quando for possível apresentar exemplos edificantes e der mostra inconteste de que os direitos são de fato iguais.

As cidadãs e cidadãos brasileiros não devem continuar recebendo tratamento de terceira classe. Pagando impostos e sustentando modelo visivelmente falido, onde todos se encontram reduzidos a escravos: sem direitos, mas cheios de deveres.É isso que está levando o país ao cemitério, no registro anual de cem mil homicídios. É por esse motivo que estamos condenados à infindável desgraça.

Márcio Accioly não é marginal. É Jornalista.

11 comentários:

Anônimo disse...

Prezado Marcio, quando falo que este país acabou, muita gente acha que estou exagerando. Uma quadrilha, das mais desclassificadas, tomou os poderes (os três) e está cometendo barbaridades. Não dá para confiar em nada, só há canalhas convictos.Estamos, lamentavelmente, à caminho do caos e da barbárie.

Anônimo disse...

Governo de m***a, pais de m***a.

Anônimo disse...

E triste saber que sustentamos uma corja de corruptos que ao invés de trabalharem para o bem dos que os elegeram agem como se fossem parte da nobreza em um regime feudal aonde muito se dá e nada se tem em troca. É duro viver prisioneiro do medo da violência que assola o país enquanto essa cambada vive livre e sem ter que responder a ninguém senão "gente" da sua própria espécie.

Anônimo disse...

É triste saber que sustentamos uma corja de corruptos, que, ao invés de trabalharem para o bem dos que os elegeram agem como se fossem parte da nobreza em um regime feudal aonde muito se dá e nada se recebe em troca. É duro viver prisioneiro do medo da violência que assola o país enquanto essa cambada vive livre e sem ter que responder a ninguém senão "gente" da sua própria espécie.
PS: Ao contrário do que o nosso colega disse (dois comentários acima) não estamos caminhando lentamente para o caos e para a barbárie, estamos caminhando para a m#*%a numa velocidade sem precedentes.

Roque disse...

Prezados Serrão e Márcio.
Depois de ler essa barbaridade mandei o seguinte email pro nosso querido senador:

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Caro senador...

Achei muito engraçada a notícia abaixo.
Digo "engraçada" mas na verdade é muito TRISTE. A justiça somente funciona para quem tem poder.
Para processar um jornalista, um reles "eleitor" a justiça funciona rapidamente e em tempo RECORD... já para o contrário, como o exemplo seu "colega" de senado Renan Calheiros, envolvido em DEZENAS de ILEGALIDADES, NADA acontece.
Isso é devido à ridícula "IMUNIDADE PARLAMENTAR" que pode ser traduzida por "Oportunidade de burlar a lei e não ser justiçado como um eleitor".

É assim que acontece... Os PANACAS dos eleitores ( que pagam seus caríssimos salários ) são tratados como ANIMAIS, pois a justiça NÃO É IGUAL PARA TODOS! Se fosse isso mesmo, não existiria essa idiotice chamada "Imunidade Parlamentar".

A conclusão que chego é que esse é o perfil de nossos representantes... LASTIMÁVEL
Eu sempre confiei no SENADO... Mas, ultimamente, cada vez acredito MENOS na casa dos "senhores".

Espero resposta... Mas esperarei SENTADO.
Roque.
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Será q serei processado também? É melhor colocar minhas barbas de molho.

Um abraço.

Anônimo disse...

Márcio,

Devia ser marginal e hoje teria alguma boca remunerada na gloriosa administração MULLA.

Kika disse...

Cara, tá difícil encontrar palavras para exprimir o tamanho da indignação que essa notícia causa!!!
Já estava com a deportação dos cubanos entalada na garganta e, agora, lendo essa barbaridade cometida pela nossa "justiça", contra um jornalista e em favor de um corrupto notório, dá um desalento tão grande, que a minha vontade é fazer as malas e fingir que nunca pertenci a esse lugar!!!

Anônimo disse...

É preciso criar o MDCM-Movimento de Defesa da Classe Média.
A classe Média que paga impostos e faz girar a economia está sendo demonizada e não tem Liderança.

Anônimo disse...

Caro Márcio,
Desde as eleições de 2006 tenho lido seus artigos no alerta Total. Lastimo sua sorte. A única forma de mudar (aparentemente) são manifestações populares cada vez maiores contra o governo petista. Aí o STF, STJ e o Ministério Público começarão a tomar atitudes por medo da revolta popular. Dá medo ver como o povo brasileiro está totalmente alienado e inerte.

Paulo disse...

Prezado Serrão,
Talvez fosse melhor mudar a petição, de cassar, para caçar. E, também mudar o foro, da justiça para as mãos do povo. Bandidos no poder podem ser caçados pelo povo. Não aconteceu outras vezes no mundo? Lembre-se da Bastilha. Estamos cansados de tanto roubo e corrupção. Estamos no limite. A percepção da inexistência da justiça pode levar o país a uma revolta sem precedentes.

Cristiano disse...

E depois vem Mulla dizer que o des-governo dele não é da elite. Claro que não é da elite, mas é da elite-do-krime!

Como pode uma pessoa ser processada por denunciar com provas e ainda ser processada novamente sem ter envolvimento em um caso que envoveu outras pessoas?

O Brasil está muito inseguro. Os policiais armados obedecem hierarquia pelo medo de perder emprego ou serem presos por colegas que têm o mesmo medo. O que movem-os igualmente é o jogo de medo da hierarquia, um jovo virtual.

Os considerados mestres da honestidade manipulam as pessoas.

Sendo assim, o Brasil fica num estágio pior de quando nos anos 70, 80, o povo tinha muito menos direitos assegurados na legislação.

Cristiano
Campo Grande, MS