sábado, 11 de agosto de 2007

Escárnio público (I)

Edição de Artigos de Sábado do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Luiz Gonzaga Lessa

Há tempos vimos testemunhando o desprezo e a insensibilidade demonstrados por órgãos do governo e seus agentes mais influentes no trato de problemas que afetam seriamente o interesse público.

Todavia, o acidente com o avião da TAM, em Congonhas, no dia 17 de julho do corrente ano, interrompendo de forma brutal o vôo JJ 3024 e levando à morte 199 brasileiros, deixou à mostra, de forma bem evidente, como todos nós, gente comum que paga os seus impostos e cumpre as suas obrigações rotineiras de cidadão, enfim, povão, somos tratados.

É doloroso constatar como o presidente Lula, conhecido pela sua inegável sensibilidade e percepção política, se deixou ultrapassar, não tomando desde o primeiro momento as rédeas na condução das providências exigidas por toda Nação brasileira em momento de tão grave comoção nacional.

Inacreditável que deixou decorrer 72 horas para vir a público manifestar a sua preocupação e apresentar os seus sentimentos de pesar às famílias enlutadas, em pronunciamento nacional pouco convincente, superficial e, para muitos, beirando as raias da insinceridade. Sua manifestação tão tardia foi atropelada pelas oportunas condolências apresentadas ao povo brasileiro pelo governante argentino Nestor Kirchner.

A ausência do presidente Lula, o seu silêncio, a imperiosa necessidade da sua ida, sua presença pessoal, desde o primeiro instante, no local onde se imolaram tantos brasileiros são fatos políticos relevantes, que só encontram explicação na indiferença, na pouca importância que deu ao mais grave acidente aeronáutico ocorrido no Brasil. Mais do que ninguém, o povo irá cobrar essa imperdoável omissão e Lula sabe bem que terá um alto preço a pagar pela sua insensibilidade.

Escárnio público foi, também, constatar, em imagens que não deixam margens a outras interpretações, os atos obscenos, na linha do "top-top-fuc-fuc", encenados pelos assessores presidenciais Marco Aurélio Garcia e Bruno Gaspar, como a comemorar a suposta ausência de responsabilidade governamental no grave acidente.

Podem ter ocorrido erros humanos e falhas graves na manutenção da aeronave, que só as investigações em curso irão comprovar. O que não precisa de comprovação, pois está à vista de todos, é a responsabilidade do governo Lula com o sistema aeroviário como um todo, com a infra-estrutura aeroportuária, englobando a crise com os controladores aéreos e com a seleção e o preparo do pessoal, o planejamento das rotas, a utilização dos aeroportos muito além do limite das suas possibilidades, a manutenção em condições precárias das pistas de pouso e dos equipamentos e radares, vitais para um tráfego aéreo eficaz e seguro.

Luiz Gonzaga Schroeder Lessa é general-de-exército e ex-presidente do Clube Militar. Artigo originalmente publicado na Tribuna da Imprensa.

Um comentário:

Anônimo disse...

Esses dois individuos repugnantes deveriam ser recebidos c/ ovos pela populacao sempre que se apresentassem em publico.