quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Quem são os responsáveis históricos pelo caos aéreo?

Edição de Artigos de Quinta-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com/

Por Jorge Serrão

No mundo administrativo, quando se deseja “não resolver” um problema, promove-se uma reunião ou uma assembléia. No mundo político, quando se deseja fugir do verdadeiro foco da questão, para solucionar uma falha grave do governo, cria-se uma CPI ou instaura-se um inquérito administrativo. Eis o que acontece depois da tragédia da TAM. Tira-se o foco do real problema: Quais foram os fatores históricos que produziram o caos aéreo? Ou quem são os responsáveis históricos pelo caos? Omitindo tais perguntas, desvia-se todo o assunto para uma suposta e especulativa apuração da conseqüência (o acidente) e não das causas históricas (o incompetente e criminoso gerenciamento, há vários governos, não só o do Lula, do setor aéreo brasileiro).

O desgoverno é o responsável pela origem do caos e, no mínimo, co-responsável pelos problemas que dele se desdobram. Se o Lula da Silva é o presidente da República, ele é o culpado. Não há como separar a pessoa física da figura institucional. Mas Lula e seus despreparados aspones do “desgoverno top-top” não são os únicos responsáveis históricos pela “zona” aérea. Os governos que o antecederam (FHC, Itamar, Collor e Sarney) contribuíram para o caos no setor aéreo – que se agravou na Era PT (ou por culpa dos companheiros no poder, ou como desdobramento histórico da irresponsável e criminosa má gestão administrativa do Estado Brasileiro).

Para se chegar a tal conclusão objetiva, basta dar uma olhada nos relatórios do Tribunal de Contas da União (que é um órgão de assessoramento técnico do poder Legislativo – e que não tem o poder judiciário de julgar coisa alguma, produzindo efeitos legais, mas apenas administrativos – que podem ser cumpridos ou não pelos dirigentes públicos no poder). O histórico do TCU mostra que os governos (o atual e os passados) só fizeram obras cosméticas em aeroportos. Ficaram lindos com obras escandalosamente superfaturadas. As empreiteiras se locupletaram. Os caixas dois das campanhas eleitorais também. Muito político “fdp” (royalties para o aspone MAG) ganhou rios de dinheiro à custa da atual desgraça de vítimas de acidentes aéreos ou dos inúmeros transtornos causados aos usuários da aviação brasileira.

Em meio a tanta obscenidade política e incompetência administrativa dolosa (porque foi motivada pela corrupção), cabem fazer indagações idiotas. E a segurança das pistas de pouso, quem cuidou ou não disto? E o sistema de controle do espaço aéreo, defasado tecnologicamente, (na mão dos militares, sempre de pires da mão, do Ministério da Aeronáutica)? E a fiscalização sobre as companhias aéreas, que ficou mais falha ainda depois da criação da anárquica ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil)? E o dedo oficial para facilitar o processo de falência da Varig, beneficiando empresas “amigas do rei” e desequilibrando toda a concorrência no mercado de aviação?

O caos aéreo é resultado de muitos fatores. São muitos os responsáveis. Dolosos ou culposos. O crime contra a aviação nacional é objetivo. Só falta punir os criminosos históricos. O caos foi mais uma obra do que conceituamos como “Governo do Crime Organizado”: a associação, para fins delitivos, entre a classe política e empresarial, os três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e criminosos de toda a espécie, para usurpar o poder do Estado. O desgoverno do crime cumpre algumas missões: ele promove a corrupção e a roubalheira, para esvaziar ou anular os investimentos em infra-estrutura. O desgoverno do crime obedece à estratégia estabelecida pelo poder mundial para manter nossa nação artificialmente na miséria e com suas potencialidades econômicas sempre contidas.

Discutir se foi erro humano ou pane do computador de bordo do Airbus, ou até os dois fatores somados, é um imperdoável erro de abordagem. Quando o foco da imprensa e dos políticos conduz a opinião pública a se concentrar nas “conseqüências” (o acidente e seus aparentes responsáveis: o piloto, o avião, a companhia aérea ou a pista molhada), estamos diante de um processo de alienação da realidade e da análise objetiva dos fatos. O governo é o culpado. Pior negligência, omissão ou incompetência.

Esta quarta-feira foi dia de especulações sobre a caixa preta do avião que varou a pista de Congonhas, bateu no posto de gasolina e no prédio da TAM Express, explodiu e matou (oficialmente) 199 pessoas. Desde o final de semana, a revista Veja (uma das mais vendidas do País) joga com a informação exclusiva de que o culpado pelo acidente seria o piloto da aeronave. A imprensa amestrada vem reproduzindo tal tese desde domingo.

Nesta quarta, a Folha de São Paulo vem com a mesma tese que detona o piloto (morto não volta para se defender) e alivia a barra da TAM ou do governo federal. Tudo citando as mesmas informações sigilosas da caixa-preta. O dia inteiro foi ocupado pelo espetáculo de luzes a câmeras na CPI do Apagão Aéreo (comandada pelo governo federal petista) e pelos representantes do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) da Aeronáutica, também com versões especulativas sobre a caixa-preta do fatídico vôo 3054 da TAM.

Só que a verdadeira “caixa-preta”, que precisa ser escancarada e muito bem decifrada, é outra. “Quais foram os fatores históricos que produziram o caos aéreo?”. O governo federal (hoje ocupado pelos ilusionistas do socialismo de Estado petista) não tem legitimidade e nem vontade política de responder a esta única questão que interesse da verdade. Todo o resto é conseqüência e não causa. O foco deve ser na solução. E não no enxugamento de gelo dos problemas conseqüentes, produzidos por agentes inconseqüentes ou criminosos. Os segmentos esclarecidos da sociedade brasileira devem exigir que a verdadeira caixa-preta seja aberta.

Não adianta só vaiar o Apedeuta. O gesto nada educado o apavora mais que viajar no luxuoso Air Force 51, bancado pelo dinheiro público. Mas a vaia não soluciona nada. E ainda serve de desculpa para os choramingos reacionários dos petistas em relação à incompetente oposição política que tem a pretensão de assediá-los. Esse joguinho de gato vira-lata e rato de esgoto interessa aos radicais bolcheviques. Eles só aguardam algum indício de “golpe” (como denominam as reações mais extremadas aos seus desmandos no poder), para adotar medidas institucionais de força que possam “blindar” e “fechar” o regime político aqui no Brasil – a exemplo do que ocorre na Venezuela, do Hugo Chávez, companheiro deles no Foro de São Paulo (entidade fundada em 1990, que mistura a esquerda latino-americana com grupos narco-guerrilheiros e movimentos pretensamente sociais – que agem à margem da lei da ordem, sob pretextos “ideocráticos” ou revolucionários).

Não dá mais para perder tempo com “gritaria” política contra o desgoverno do crime (lembre do conceito correto, anteriormente explicitado, para não cair no vazio do ataque pessoal aos gênios que hoje ocupam o poder político no Brasil). Temos de cobrar, objetivamente, que sejam apontados e responsabilizados, administrativa e judicialmente, os responsáveis “históricos” pela tragédia em que se transformou o setor aéreo no Brasil. O problema é que a nossa sociedade, além do cultural baixo poder de reação contra o Estado que sempre a oprimiu historicamente, ao longo de 507 anos, tem seu foco de atenção desviado pela mídia amestrada e pelos agentes políticos do crime organizado. Ou retomamos o foco correto da solução, ou seremos permanentes reféns do problema.

Qualquer outra discussão é conversa para o Boi do Planalto dormir, ou para mais avião cair.

Leia também o artigo: A Alegria dos Palhaços é Ver o Brasil Pegar Fogo?

Jorge Serrão, jornalista radialista e publicitário, é Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. http://alertatotal.blogspot.com/ e http://podcast.br.inter.net/podcast/alertatotal

4 comentários:

O Demolidor disse...

Para a Oligarquia Mundial é sempre melhor controlar uma ditadura burra do que uma democracia esclarecida. É mais fácil controlar poucos com poder total. São mais fáceis de serem corrompidos, são vaidosos, e se enredam mais facilmente nas teias do poder mundial.
Quando os militares tomaram o poder em 1964, essa Oligarquia apoiou de pronto pelos motivos já expostos. Quando os militares começaram a trilhar um caminho de desenvolvimento aclerado e mais independente, imediatamente essas forças malígnas começaram a investir nas forças contrárias (teoria hegeliana)com o objetivo de desestabilizar as forças nacionais e retomerem o contrôle total das riquezas do Brasil. Daí a elevação dos juros, as crises fabricadas do petróleo, do méxico, do Japão, da Rússia e por aí vai. Ao mesmo tempo a esquerda do Brasil passa a receber subsídios de todos os lados (todos controlados pelos poderosos mundiais)e as ONGs se multiplicaram como ratos, os "movimentos sociais" se fortaleceram e passaram a atacar as forças produtivas, ainda independentes e geradoras de riquezas, numa fúria programada que só não enxerga quem não tem informação ou quem, tendo, se locupleta com esse jogo sujo. Os juros externos baixaram, o "superavit' comercial cresceu, o Lula pagou o FMI (olha só que maravilha!)a inflação está "controlada", os juros internos estão baixando de forma "bem controlada" e a dívida publica cresce assustadoramente mas, estratégicamente às escuras, sem visibilidade, fora do foco dos holofotes. Belêza! Tudo de acordo. O Brasil vai exportando barato suas riquezas. A indústria, a agricultura e os serviços vão ficando devasados tecnológicamente e o sistema bancário já está na mão do Poder Mundial. A corrupção campeia, o tráfico de drogas cresce, o crime organizado se expande, o povo imbecilizado fica perdido que nem barata tonta e começam a surgir novamente confronto de forças internas. Ótimo! Dividir para governar. No momentto oportuno (quando os bolivarianos se firmarem e o caos total estiver reinando) eles vão começar a apertar os parafusos de novo. Os meios de produção nacionais estarão todos aniquilados, a nescessidade de "crédito" será sufocante, os dólares da garbosa "reserva acumulada" durante anos de privações não darão nem para o cheiro e o ciclo recomeçará com outra revoluçãozinha barata de povinho de terceiro mundo. E la nave vá!!!

BASTILHA disse...

Serrão


Veja o furo da lúcida Nariz Gelado

PELEGOS MORREM PELA BOCA

http://www.narizgelado.apostos.com/

É INCRÍVEL A DESFAÇATEZ DESSA CANALHADA.

salvador disse...

A maior de todas as responsabilidades no caso de Congonhas é de quem permitiu que o aeroporto fosse cercado pela cidade, como já disse em vários foruns da net, se tivessemos area de escape, o caso da TAM não passaria de um grande susto, todos estariam bem. Quem permitiu que o aeroporto fosse cercado pela cidade? Quem permitiu que Congonhas passasse a operar com aviões de porte além da capacidade de pista? Quem liberou a pista mesmo sem ter feito teste sob chuva? Quem negligenciou os riscos de se ter um reverso falho e permitiu que o avião operasse e descesse em Congonhas?

JCARRAPATO disse...

Você é mais um pilantra que pensa poder manipular a opinião pública mas não vai coseguir nunca porque a realidade esta ai pra quem quiser ver o maximo que vcocê consegue é juntar um punhado de privilegiados e pseudos intelectuais que pensam ser superiores a maioria dos brasileiros.